sexta-feira, 5 de julho de 2013

Na Guerra do Ultramar - Francisco Daniel Roxo


























Uma história sobre um dos
meus Heróis de sempre.


O lendário "Comandante Roxo"







Com a ajuda de inúmeros documentos
que se podem encontrar na Internet,
vão encontrar aqui os seguintes assuntos:

-Cronologia
-Genealogia
-Em Moçambique
-Na África do Sul, Namíbia e Angola
-Links consultados






Cronologia




 



Nascimento:
1 de Fevereiro de 1933 em Trás-os-Montes, Mogadouro, Bragança.
Morte aos 43 anos:
23 de Agosto de 1976 nas margens do rio Okavango, Angola








Genealogia

 

 

              Foto de família tirada entre 1938/1940 em Mogadouro



Na fila de trás:
da esq p a dta: Daniel, Alípio (irmão), Guarda Fiscal Francisco Roxo (o Pai de Daniel) Silvano (irmão).

Na fila da frente:
de esq p a dta: Laura (uma prima) Tia Elvira (mãe de Laura) Ana Clemente ( madrasta) Desconhecida e Alfredo.

Pai: Francisco da Ressureição Roxo
Mãe: Justina de Jesus Vilares
Madrasta: Ana Clemente
Irmãos: Silvano do Nascimento Roxo / Alípio José

Casado com uma Moçambicana.
Tinha seis filhos.


_________________________________________________________________


Francisco Daniel Roxo


O “Diabo Branco do Niassa”, o “Diabo Branco de Moçambique”, o “Terror dos Turras”, o “Fantasma da Floresta”, o “Barba Encarnada”



Assim era conhecido logo no início do terrorismo em Moçambique e durante os dez anos seguidos em que o combateu.

Um homem simples, que nunca integrou as Forças Armadas Portuguesas, com um enorme carisma, de convívio fácil, falando baixo e pausadamente.

A 1ª vez que o vi, sem saber quem ele era, pareceu-me um missionário franciscano. Pequena estatura, franzino, falas mansas, uma barbicha desgrenhada, vestido a condizer…

Como combatente civil nem sempre foi muito bem visto pelas nossas chefias militares. Era, no entanto, inultrapassável em combate.

Usando toda a sua muita experiência e a empatia que tinha com as gentes de Moçambique, não guerrilheiros, todos lhe reconheciam, mesmo as altas patentes militares, a extraordinária eficiência das sua tácticas furtivas no mato deslocando-se normalmente sem viatura alguma de apoio , sem nenhuma ajuda a não ser a dos seus fieis combatentes, a quem defendia até com risco da própria vida.


Francisco Daniel Roxo foi um homem que tive o privilégio de conhecer e que me cativou desde o 1º momento em que, surpreendentemente, ele me procurou.


Tive a honra de, posso dizê-lo conscientemente, ter colaborado e a seu pedido, numa breve missão na minha qualidade de piloto militar.




Quem foi, afinal, este extraordinário homem?


Vou tentar mostrar-vos.






















 “Há em todas as guerras, em todas as lutas e campanhas, daquelas figuras que, irrompendo da vulgaridade, de repente se agigantam e transformam naquele misto de realidade e fantasia com que depois se haverão de perpetuar, de geração em geração, entre as páginas da História e as brumas da Lenda...

























...Francisco Roxo é um desses homens, uma dessas figuras que, sem sombra de dúvida, ficará para os vindouros nesta nossa terra, dentro da linha que dos grandes capitães de outrora se continuou até Mouzinho, se alongou a Neutel, herói da Macuana, e neste mesmo momento se está prolongando aqui, em pleno Niassa, na figura estranha e na saga espantosa deste dez-reis de gente que me olha de profundos olhos de um azul metálico, de pupilas apertadas como duas cabeças de alfinete.”

(Guilherme José de Melo, Jornalista Moçambicano e do DN)






Em Moçambique



Foi para Moçambique em 1952 com 19 anos.
Conseguiu emprego em Nampula, província do Niassa, nos Caminhos de Ferro de Moçambique, com a ajuda do seu irmão Alípio.
O seu trabalho era de recursos humanos. Recrutar trabalhadores para a construção da grande via férrea entre Nampula e Vila Cabral (hoje Lichinga).


(É provável que durante o resto desta história chame Lichinga pelo antigo nome, "Vila Cabral". Hábitos...)


Nesta função deu certamente início à sua aprendizagem sobre o que são as afáveis gentes daquele país.
Aprendeu a falar vários dialectos e os modos de vida dos moçambicanos “do mato”, com quem lidava facilmente, respeitando-os.
Pouco depois foi promovido a um mais alto cargo no departamento de transporte, passando a supervisionar os condutores e mecânicos.
Mas como bom caçador que era logo foi transferido para uma nova função, caçador “oficial” da empresa pública dos Caminhos de Ferro de Moçambique para alimentar os trabalhadores que construíam a linha férrea.


Caçando os grandes antílopes (exclusivamente para alimentação dos empregados da empresa) continuou a sua aprendizagem sobre o “mato” intensificando o seu convívio não só com os seus colaboradores directos na caça mas também com as gentes, seus costumes e dialectos.
Para esta função Francisco Daniel Roxo organizou uma equipa de gente experiente, locais moçambicanos, que o ajudaram a localizar e perseguir com melhor eficiência a caça que necessitava.
Foi assim que construiu as suas imbatíveis capacidades de progressão furtiva no mato, rodeado de uma equipa fiel e leal que o acompanharia quando, mais tarde, lhe pediram que organizasse uma outra equipa. 

Uma milícia para combater o terrorismo.

Aquela função não fez dele, na altura, um “caçador profissional”, um negociante de carne de caça. Actuava exclusivamente tendo em conta o que lhe era pedido, sendo-lhe fornecidas armas e munições.
Em 1954 abandona os Caminhos de Ferro e fez-se caçador de caça grossa no distrito do Niassa (fronteira com Malawi, Lago Niassa, e Tanzânia) e durante 8 anos, com o dinheiro que fez e mandou aos pais, estes conseguiram comprar uma quinta em Mogadouro.
Esta actividade de caçador permitiu-lhe conhecer ainda mais as leis da natureza e a índole dos que a habitavam. Com todo o rigor.
Aos poucos e poucos criou à sua volta um grupo altamente eficaz em operações no mato. 


Um dia numa das suas incursões foi atacado por um leopardo.

 Acidentalmente desarmado, enfrentou o terrível felino com as suas próprias mãos.
Mas apesar dos muitos e grandes ferimentos que sofreu, conseguiu eliminar o animal,
tornando-se imediatamente uma lenda viva para todos os moçambicanos. 




















Em 1962, o novo Governador Civil do Niassa, Major Carlos Augusto da Costa, que tinha sido chefe dos Serviços de Informações Militares de Moçambique, instala-se em Vila Cabral. 





 
Foi sensivelmente por esta altura que o meu Pai foi colocado em Marrupa (240 km a Este de Vila Cabral/Lichinga) dependendo directamente deste Governador civil.


O meu Pai foi quem construiu a pista do Aeródromo de Marrupa. Ainda em terra batida.


Na sua função anterior, o Major tinha organizado 3 unidades com 20 a 30 soldados cada, à paisana, com documentos falsos que sob a capa da actividade de caça profissional, forneciam informações preciosas ao Estado português. 
Eram civis, caçadores profissionais e estavam distribuídos por todo o Norte de Moçambique.
Era-lhes fornecido todo o equipamento necessário no desempenho das suas furtivas competências, como armas, munições e viaturas de transporte todo-o-terreno, com matrículas também falsas.
Caçavam realmente no mato mas para angariarem dinheiro, não só com a caça mas também com o turismo, para se pagarem a si mesmos um salário.  
Chefiava uma dessas unidades de informação Orlando Cristina mais tarde braço direito do Eng Jorge Jardim, pai da Cinha Jardim.
















Tive o privilégio de jantar com o Eng Jorge Jardim na Beira, final dos anos 50, em casa dos meus primos Saul e Aida Brandão, naturais de Arganil, terra da minha Mãe. Saul Brandão foi um grande empresário na cidade da Beira onde, entre outras actividades, construiu e explorou o emblemático Hotel Embaixador.






 (Ver na história "Portugueses mais ou menos esquecidos" uma breve resenha sobre o Eng Jardim e outros dois notáveis esquecidos da nossa História recente, Tenente Coronel Marcelino da Mata e D. Francisco de Bragança Van Uden).





 Tenente Coronel Marcelino da Mata
com as várias condecorações,
incluindo a Torre e Espada



As outras duas unidades eram chefiadas por Gonçalves dos Santos e pelo Tenente Petaquinni.

Francisco Daniel Roxo tinha entretanto interrompido a sua actividade de caçador e dispensado a maior parte dos seus f­­iéis homens.  




























Terá sido por essa altura que se casou com uma senhora, moçambicana do Niassa, de quem viria a ter seis filhos.






Pouco depois do Governador Civil tomar posse, pediu a Francisco Daniel Roxo que o ajudasse numa campanha de alerta às populações para o perigo do terrorismo que se aproximava supõe-se que com o óbvio fim adicional de recolher informações sobretudo quanto ao movimento das gentes para a Tanzânia, o país vizinho a Norte, sede da Frelimo em Dar es Salaam.
No final de 1963 Francisco Daniel Roxo recrutou, a pedido do Governador Civil, alguns polícias moçambicanos (os cipaios).




Brasão do Governo do Niassa


Exactamente na altura em que o terrorismo começa a sério em Moçambique. Vindos da ilha de Likoma, no Lago Niassa, transportados em canoas, os terroristas atacam duas povoações junto às margens do grande Lago, Metangula e Cóbué.





















Metangula era uma Base Naval da Marinha em Moçambique, a partir da qual os fuzileiros viriam a actuar.




Ver aqui uma história neste blogue sobre o transporte
das lanchas da Marinha para o Lago Niassa.



Roxo foi logo mandado para se inteirar da situação.

Em 8 dias fez mais de 100 km a pé no meio do capim das matas, arrostando dificuldades inimagináveis. 


A partir daí a actividade terrorista começou a fazer-se sentir com mais intensidade.









Foi nessa altura que grandes contingentes de militares portugueses, totalmente inexperientes, acabados da fazer a recruta, começaram a actuar em força em Moçambique.
Roxo foi encarregue de industriar os que chegavam ao Niassa, transmitindo-lhes todo o seu conhecimento, durante dois meses de formação. 








 



















Apercebendo-se da fragilidade da situação e tendo a ideia exacta da forma como combater os terroristas, Roxo pede ao Governador Civil autorização para organizar uma formação paramilitar de voluntários exclusivamente autóctones, naturais de Moçambique. 


















Este grupo era totalmente independente
da orgânica militar.







A partir daí, com a eficácia incrível da sua unidade em combate o nome de Roxo começou a aterrorizar os terroristas.


Como mera curiosidade...

«Em 31 de Maio de 1965, a famosa Companhia 7 de Espadas – C. Cavª. 754 de que fazia parte o ainda mais famoso ciclista Joaquim Agostinho, foi alvo de um forte ataque.
Nesse dia tiveram 6 baixas e mais uma da Companhia de Nova Coimbra que foi em seu auxílio. A Companhia de Joaquim Agostinho foi uma das que mais baixas sofreu naquela zona, a tal ponto que teve de ser evacuada para a Beira pois foi considerada inoperacional. Quando uma companhia sofria muitas baixas era considerada psicologicamente incapaz de continuar no teatro de guerra. Nesta altura ainda não existia o quartel do Lunho e as tropas ali estacionadas encontravam-se alojadas num bivaque (“aquartelamento” feito de tendas de campanha).»

Copiado do Blogue Metangula




 Aos poucos com os seus agora 18 homens, sem nenhuma experiência militar, tornaram-se numa unidade paramilitar especial para tentar dissuadir a população do Niassa a juntar-se à Frelimo, colhendo abundante e fidedigna informação.


Uma tarefa suplementar, comum a toda a actividade militar no Norte de Moçambique, consistiu numa acção psico-social (a “Psico”, como nós a conhecíamos) contra a Frelimo e os seus princípios comunistas, tentando dissuadir a população de colaborar com a guerrilha.

 
Este era um dos milhares de panfletos que a Força Aérea distribuía em voos baixos:

De um lado tinha estes "bonecos"






E no outro, estes dizeres:









   Roxo e os seus combatentes com o fotografo Patrick Chauvel










Entretanto o grupo de Francisco Daniel Roxo atingia já 30 homens e o treino que lhes deu, fez deles autênticos Rangers, fazendo longas caminhadas muito carregados ou subindo montanhas, por vezes flagelados por tiros junto a eles para se habituarem a desprezar o medo em combate.
No treino de emboscadas, o menor ruído provocado acidentalmente era severamente punido.
Atacavam os guerrilheiros da Frelimo usando a informação da intercepcção das comunicações, fardados como eles, com completa surpresa, arrasando os seus acampamentos. 



Só nos dois primeiros anos este grupo contabiliza o milhar de inimigos abatidos, não tendo tido nenhum ferido sequer do seu grupo.


Estes homens, altamente qualificados, progrediam em silêncio total e quando precisavam de comunicar entre si faziam-no imitando na perfeição o piar dos pássaros, ou quaisquer outros sons da natureza. 












Roxo com o jornalista Sul-Africano  Chris Vermaak



Numa determinada acção, dos 36 elementos da guerrilha abatidos, 15 foram por sua conta.
Gozavam também da grande estima da população que era subjugada pelos terroristas com o propósito de eles lhes fornecerem condições operacionais, alimentação e tudo o mais.
São muitas as histórias que a partir daí se contam dele tornando-o uma espécie de lenda, um personagem mítico.

























Pela sua cabeça a Frelimo oferecia $100.000, uma quantia astronómica na altura.O "Fantasma da Floresta" ou o "Diabo branco" (epíteto dado pela Frelimo) são alguns dos nomes pelos quais ficou conhecido.
































 
A sua progressão no terreno, sem viaturas,
em missão, era simplesmente inacreditável!
Sendo a reacção dos comandos militares portugueses
muito lenta e burocrática, por vezes desprezando até o valor de Francisco Daniel Roxo,
o muito que poderia ser feito para combater o terrorismo
e não foi, acabou por facilitar a progressão
da Frelimo no terreno e entre as gentes. 









Durante todo o tempo que actuou com os seus homens no Niassa, Francisco Daniel Roxo sofreu apenas 3 baixas.
Todas elas devidamente vingadas exclusivamente por si…

Ao Jornalista Moçambicano Guilherme José de Melo numa entrevista, Francisco Daniel Roxo disse: 

- Ando sempre a pé com os meus rapazes. Sou contra as deslocações em viaturas: perde-se muito tempo, sabe?

 
Para explicar a capacidade do seu grupo em progredir no mato, conta que um dia avançavam para um acampamento terrorista levados por um prisioneiro.
À frente no trilho seguia um dos seus graduados. Ele ia logo atrás e depois o prisioneiro, todos exactamente no mesmo trilho estreito.
Uma muito bem dissimulada mina anti-pessoal tinha sido colocada neste acesso ao seu reduto.
O graduado e roxo passam sobre a mina sem se aperceberem dela.
Quando o prisioneiro a pisa, ela explode com todo o fragor matando-o.
A experiência de Roxo e dos seus homens tinha sido posta à prova uma vez mais.

Disse ele na entrevista:

“Quem quiser sobreviver tem, necessariamente, de pôr à prova uma agilidade felina, uma elasticidade de leopardo. Isto aconteceu à tempos, mas é bem o género de coisas que ocorre constantemente.”

Os residentes de Vila Cabral diziam:

“Se o Roxo ficar, ficamos. Se o Roxo partir, partimos”


  


Um dia estava o Roxo num bar de Vila Cabral a beber uma cerveja quando um oficial do Exército português ali entrou.


Encomendou uma bebida e com ar extremamente abatido disse para quem ali estava:
 

 “Tive um encontro com os terroristas. Perdi alguns homens…”
Ao ouvir isto o Roxo fez-lhe umas quantas perguntas, empurrou o copo da cerveja
meio cheio no balcão e virando-se para o barista disse-lhe:

“Guarda-me isto, volto já para acabar de a beber. Mas primeiro tenho que dar uma lição àqueles gajos”.

E saiu porta fora.

Horas depois voltou para acabar a cerveja, com a maior das naturalidades.
O grupo tinha sido interceptado pelos seus homens, comandados por ele e totalmente aniquilados.























Roxo guiava um Ford Cônsul bastante antiquado, oferta do Governador Civil. Vivia também numa casa do Estado.
Era um condutor sui generis. Normalmente a 25 km/h e em 3ª… passando sobre todos os obstáculos, indiferente a quaisquer condicionantes da estrada.

Textos compilados da revista “Observador”, n.º 14, de 21 de Maio de 1971
“O Fantasma da Floresta” (Moçambique)




















Guilherme José de Melo, nasceu em Lourenço Marques, no dia 20 de Janeiro de 1931. Era um jornalista, escritor e poeta português, autor de numerosas obras de ficção e não-ficção. Depois do 25 de Abril abandona Moçambique para trabalhar no Diário de Notícias. Faleceu no mês de Junho de 2013.



















Guilherme José de de Melo, na altura jornalista moçambicano,
publicou em 1966 este livro em Lourenço Marques,
 editado pela Minerva Central, com fotografias de Carlos Alberto.
Para ver aqui:


 




Voltando à minha história sobre o Comandante Roxo...



Antes de eu o conhecer, em condições únicas, já admirava as suas capacidades excepcionais na contra guerrilha.

Toda a gente em Moçambique conhecia o Comandante Roxo!

Um dia, em 1968, estava eu na “Base Aérea” em Vila Cabral (Aeródromo de Manobra que pertencia ao AB 6 em Nova Freixo),





quando me aparece um sujeito, roupagem civil, pequena estatura, com ar de missionário, que se me dirigiu e se apresentou. 

Para grande espanto meu… era o Comandante Roxo! 

E ao que vinha? Nem mais nem menos que pedir-me, particularmente (como se isso fosse possível…) para eu o levar num avião T6 – eu era Sargento Miliciano Piloto da Força Aérea em comissão de serviço como voluntário na Guerra do Ultramar – para ele ver algo que lhe interessava.


Mas tinha que ser uma coisa discreta e sem mais interferências...

Ou seja, eu teria que o levar furtivamente sem dar muito cavaco a ninguém...

O impossível tornou-se instantaneamente possível e foi combinado o dia e a hora.





Um T-6 na zona de Vila Cabral. Foto minha  















O voo foi feito naquelas condições que ele me pediu (com a óbvia anuência das minhas chefias militares) na máxima descrição e o Comandante Roxo, com muito poucas palavras, lá me levou aonde queria, viu o que quis e ficou satisfeito.





Acho que eu mais do que ele…
Era um homem simples, afável, com quem criei logo uma grande empatia o que o levou a contar-me alguns episódios recentes da sua actividade.

Fiquei assim a saber, por exemplo, que por represália por um dos seus combatentes ter sido ferido por um elemento da Frelimo num acto cobarde, traiçoeiro, resolveu ele mesmo capturar esse elemento, pessoalmente e sem ajuda.

Localizado o paradeiro aproximado do homem em questão foi no seu encalce e descobriu-o no fundo de uma ravina, num frondoso bosque, à beira de um rio, a pescar na companhia de um miúdo. Provavelmente o filho, não me lembro já de todos os pormenores.
Conversavam os dois calmamente sem se darem conta da presença dele.
Com as artes de que era exímio e constante praticante, o Comandante Roxo conseguiu aproximar-se deles sem ser detectado e com dois toques no ombro daquele tranquilo homem, apresentou-se...



Nunca mais tive contacto directo com o Comandante Roxo.








   Desconheço o autor desta fotografia. As minhas desculpas.




Embora não sendo militar, pelo seu desempenho na contra guerrilha recebeu do Estado Português  duas Cruzes de Guerra, a primeira em a 10 de Junho de 1968, em Lourenço Marques (Maputo) e uma Medalha de Serviços Distintos.
  

 




















A Cruz de Guerra que o Comandante Roxo recebeu foi a primeira entregue a um civil.

















 Medalha de Serviços Distintos.


























A África do Sul considerava Moçambique a sua zona tampão contra a guerrilha comunista e prestava todo o auxílio possível.

Lembro-me que as ofertas que no Natal o nosso Movimento Nacional Feminino dava aos Combatentes no Ultramar (com a melhor das intenções, a mim também me calhou e soube-me bem) parecia fancaria comparada com o que se recebia das senhoras do Movimento de Solidariedade sul africana aos militares portugueses.


Tive meias que duraram anos…







Na África do Sul, Namíbia e Angola 















Com o aproximar da independência de Moçambique, o Comandante Roxo ruma à África do Sul com os seus homens, (conseguindo incorporá-los em unidades militares) e decide concorrer às Forças Especiais Sul Africanas, Reces.




A fuga do Comandante Roxo foi uma operação "à Roxo". Um camião cisterna foi adaptado com um sistema improvisado de ventilação para ele não sufocar e viajou dentro da cuba até perto da fronteira, Aí saiu e atravessou-a a pé


Tinha na altura 41 anos e os seus companheiros na tentativa de admissão andavam pelos 25 anos.

Foi então colocado num grupo de operações especiais que actuava em Angola, através da Namíbia, no âmbito da Operação Savannah.
Conseguiu uma posição no Bravo Group, unidade especializada em reconhecimento e sabotagem.

O que foi a Operação Savannah?

As grandes potencias mundiais que contribuíram para a independência de Angola e inclusive para a guerra civil que se seguiu, já antes de 11 de Novembro de 1975 (data da independência) se envolviam no conflito generalizado entre as várias facções em luta pelo poder.
Reinava na altura o caos entre as facções que pretendiam o poder, cada uma delas auxiliada por outras tantas potências estrangeiras.
Em Moçambique a situação não era muito melhor, com combates frequentes entre a Frelimo e a Renamo. Situação aliás ainda hoje não completamente resolvida. 

Numa operação estratégica ousada, os cubanos, com a anuência da URSS, conseguem colocar em Angola um número considerável de militares e equipamento, praticamente sem que as potências Ocidentais dessem por isso, ou pelo menos dessem pela importância do acto, desenvolvendo uma estratégia de treino dos militares do MPLA, ao mesmo tempo que se equipavam fortemente, usando todos os meios marítimos de transporte para se equiparem. Para uma terra produtora de petróleo, levaram inclusivamente combustível...

Henry Kissinger, por essa altura numa viagem à Venezuela, disse ao Presidente Carlos Andrés Perez: 

"Parece que os nossos serviços de informação estão a funcionar mal porque só soubemos que os cubanos iam para Angola quando já lá estavam".

A logística para transportar tão grande arsenal militar foi de tal modo complexa que o futuro 1º Presidente de Angola, Agostinho Neto, ao ver da sua janela a baía de Luanda repleta de navios de bandeira cubana (até o Iate de Fulgêncio Baptista...) comentou, com pudor:

"Não é justo. A este passo Cuba vai arruinar-se!"


Estava lançada a Operação Carlota, em homenagem a uma escrava do engenho Triunvirato da região de Matanzas, chamada Carlota, que se revoltou de catana em riste, liderando um grupo de escravos, morrendo na rebelião. Isto em 5 de Outubro de 1843. 

Estariam em Angola mais de 14.000 militares cubanos, fortemente armados, com tanques e aviões Mig. 
Tudo isto se passava com o conhecimento de Portugal que tudo permitia e fechava os olhos. 

A Independência de Angola estava próxima e já não havia soberania.

Com o auxílio do eixo Moscovo/Havana, o MPLA ganhava terreno.
O que se passava em Angola tornou-se um cenário tão pouco agradável para a África do Sul que decide dar assistência ás facções que combatem o MPLA.


Invadem Angola numa operação maciça a que deram o nome de Operação Savannah.


Em Outubro de 1975 as SADF (Forças de Defesa sul.africanas) entraram em Angola com várias colunas e conquistaram o sul e centro do território chegando a Porto Aboím, próximo de Luanda, 


A maior e mais arriscada campanha militar que fizeram fora de portas.

A progressão inicial das forças sul-africanas foi um autêntica passeio, com os tanques equipados com música gravada para entretenimento dos militares.
Nessa primeira investida chegaram muito perto de Luanda.

 
O conflito interno em Angola transforma-se numa guerra convencional.
A operação realizou-se em conjunt0 com os militares da organização de Jonas Savimbi, a UNITA, as forças de Daniel Chipenda e da FNLA.

 
No início de 1976, quando os Estados Unidos se apercebem tardiamente do desequilíbrio de forças no terreno e não só, desistem de se oporem à facção comunista. 
Também ainda estavam a digerir a derrota no Vietname, com um Presidente não eleito...

As forças sul africanas são obrigadas a retirar, mesmo às portas de Luanda, sem se ter compreendido muito bem a razão, já que estavam a um passo de tomar a capital.

A África do Sul, um pais poderoso, fazia fronteira com Angola através da Namíbia.

Cuba ficava a milhares de quilómetros de Angola, com custos inimagináveis em transportes, com barcos e aviões de transporte que não tinha, a juntar à fraca economia cubana.

E mesmo assim...


A Operação Savannah termina em Março de 1976 com a enigmática retirada das forças da África do Sul do território angolano para a Namíbia.



Roxo participou nessa Operação com excepcional brilhantismo.



O pin amarelo indica o local da Ponte 14
























Numa das operações dos militares sul-africanos, dois grupos de combate ficaram bloqueados em território angolano por cheias inesperadas do rio Nhiva, sendo a única escapatória uma estreita ponte, a Ponte 14.






O Comandante da unidade de Roxo. ordenou-lhe que averiguasse a situação da ponte.

Foi sozinho e viu que a ponte estava destruída.

Sem se dar conta que tinha sido avistado por um grupo de 11 soldados do MPLA cuja intenção era dizimar as tropas sul-africanas quando tentassem a travessia do rio.


A Ponte 14 nos dias de hoje



Quando aqueles militares angolanos viram que Roxo voltava para trás, decidem capturá-lo.
Um militar cubano atira-se-lhe pelas costas sendo por ele abatido de imediato.

O resto do grupo abre violento fogo contra Roxo.

Quando a unidade sul africana se aproxima do local da emboscada em socorro de Roxo, descobre que os outros 10 elementos emboscados,  cubanos e angolanos,  tinham igualmente sido abatidos.

Todos por um só homem. Francisco Daniel Roxo...

Seguiu-se um fortíssimo ataque do MPLA durante a tentativa de reconstrução da Ponte 14 pela Engenharia sul-africana.

Neste memorável combate, que ficou conhecido como "o combate da Ponte 14", terão perecido entre 400 a 800 soldados angolanos e cubanos.
Incluindo o Comandante da Força Expedicionária, um cubano:


Comandante Raul Diaz Arguelles, grande herói da Cuba de Fidel.






Há testemunhos, como a BBC mais tarde informou, de camiões carregados de cadáveres que estavam constantemente a sair da área em direcção ao norte.

Note-se que esta operação não teve a intervenção de meios aéreos, foi só feita com apoio da artilharia.

Foi cronologicamente o último grande combate em que soldados portugueses (no século XX) se bateram.

Trata-se de um combate que nas nossas Academias Militares não foi estudado (nem sequer conhecido), mas que pelas inovações tácticas e emprego de pequeníssimos grupos de comandos deu resultados bem inesperados (para os cubanos, é claro). No entanto era estudado nas academias russas, russas, britânicas e americanas (algumas).


As forças sul-africanas sofreram 4 baixas.

 















A Roxo e a outros, poucos, portugueses se deve a grande vitória da Ponte 14 no rio Nhia, em que centenas de cubanos e soldados do MPLA foram clamorosamente derrotados.
A sua acção neste combate foi de tal modo épica que as chefias propuseram que fosse condecorado.










Roxo recebeu a Cruz de Honra, Honoris Crux, cujo certificado aqui se reproduz





Foi o primeiro estrangeiro a receber a mais alta Condecoração militar sul-africana.







Depois deste tremendo combate, Jan Breytenbach convence os Altos Comandos militares a reorganizar o Bravo Group, passando a constituir um batalhão de contra-guerrilha.




Roxo é nomeado Comandante de Pelotão deste novo Batalhão e promovido a S.Sgt.













Estava formado o célebre 32 Battalion, conhecido como Buffalo Battalion.
O S.Sgt Daniel Roxo foi colocado nesse grupo de operações especiais que actuava em Angola, através da Namíbia.
Os operacionais do  32 Battalion eram conhecidos por “Os Bufalos” ou “Os Terríveis”















Passou a ser a única unidade militar sul-africana a falar português.
A única também a admitir não-brancos. Eram 80% de origem negra e 20% brancos.
A experiência transmitida pelo S.Sgt Daniel Roxo provou ser extremamente eficiente,
eliminando mais inimigos e sofrendo menos baixas que qualquer outra unidade sul africana.






Apesar de, entretanto, se terem retirado de Angola, as forças armada sul-africanas continuaram a operar dissimuladamente no território. 

E em Agosto de 1976, com o objectivo de fazer explodir uma ponte no rio Okavango em Angola, o S.Sgt Daniel Roxo levou com ele os sargentos portugueses Ponciano Silva Soeiro e José Correia Pinto Ribeiro (alcunhado "Carnaval" em Moçambique e "Robbie" na África do Sul.

Já perto da ponte a viatura semi-blindada e descoberta em que seguiam despoleta uma mina anti-carro.

O veículo foi projectado pelos ares expelindo todos os ocupantes.
Ponciano Soeiro sofreu um grava traumatismo craniano.

Quando a viatura em queda volta ao solo, fá-lo sobre o corpo de Francisco Daniel Roxo, esmagando-lhe as pernas e a coluna vertebral.

A explosão destruiu o rádio e assim José Correia Pinto Ribeiro teve de correr para pedir socorro ao resto da equipa ainda mais atrás.
Tentaram levantar a viatura mas era demasiado pesada para ser levantada à mão, estando além disso debaixo de fogo inimigo.

Um helicóptero de evacuação médica sobrevoava a zona mas o piloto recusou aterrar no local porque avistou um avião cubano a patrulhar a zona.

Breytenbach, antigo comandante dos Búfalos, no seu livro "Eles vivem pela Espada" - "They Live by the Sword", pp. 105, escreveu:



<< Danny Roxo, mantendo-se com o seu carácter intrépido, decidiu tirar o melhor partido das coisas,

acendendo um cigarro e fumando-o calmamente até que este acabou e então morreu, esmagado debaixo do Wolf.

Ele não se tinha queixado uma única vez não tinha dado um único gemido ou grito,

apesar das dores de certeza serem enormes. >>
 


O S.Sgt Daniel Roxo foi condecorado com a PRO PATRIA MEDAL, (Cunene Clasp) bem como com a Southern Africa Medal, esta postumamente.


Deixou uma viúva e seis filhos.
















Ponciano Soeiro, serviu na ex-DGS na província do Uíge, em Angola,
antes de, em Setembro de 1975, se alistar nas Forças Especiais da África do Sul.
Acabou por morrer 2 dias depois, 25 de Agosto de 1976, 
num hospital de campanha para onde foi evacuado.




















José Correia Pinto Ribeiro era natural da Guiné- Bissau 
e ficou conhecido em Moçambique pelo nome de guerra "Carnaval",
quando ali serviu nos Grupos Especiais Paraquedistas (GEP`s).











 




Fazia também parte do Batalhão 32 um outro Português,
Carlos Alberto Ribeiro (alcunha "Little Robbie"),
irmão deste José Correia Pinto Ribeiro.
Nasceu na Guiné portuguesa em 25 de Novembro de 1950.



Durante a Operação Savannah, no interior de Angola, Little Robbie faleceu presumivelmente morto em combate no dia 19 de Agosto de 1976 durante uma operação entre Luengue e Coutada do Mucusso em Angola. Na época, ele pertencia ao Grupo B do Batalhão 32. O pequeno Robbie era solteiro.

Foi José Correia Pinto Ribeiro quem telefonou à Mãe a dar a notícia.

Tragicamente... este irmão mais velho, o José Ribeiro morreu dois dias depois num acidente de viação, num transporte de feridos em combate. O condutor da viatura, um Tenente, foi condenado a 4 anos de cadeia.

Assim uma Mãe perdeu os dois filhos no espaço de uma semana. 

As mortes do S.Sgt Daniel Roxo, Jose “Robbie” Ribeiro, Ponciano Silva Soeiro e Carlos “Little Robbie” Ribeiro foram um grande golpe não só para o Reconnaissance  Commando e o 32 Battalion mas também para a South African Defence Force em geral dado o alto grau de eficiência e experiência destes quatro Portugueses.

Este trágico período de tempo ficou conhecido como  “Black August”.

Francisco Daniel Roxo, José Correia Pinto Ribeiro e Ponciano G. Soeiro foram enterrados em Voortrekker Hoogte (Pretoria) em campa rasa, sem grandes cerimónias.





Quase trinta anos depois das suas mortes dois acontecimentos importantes relevam o quão marcante foram no seu tempo e como a República da África do Sul, pós Apartheid, reconhece os "seus" mortos.



Assim, no dia 23 de Agosto de 2005, 60 amigos, representantes da Comunidade Portuguesa na África do Sul e ex-colegas do 1st Reconnaissance Commando e do Batalhão 32, juntaram-se em Voortrekker Hoogte, Pretória, no cemitério de Thaba Tshwane, para homenagear e prestar tributo aos portugueses ali enterrados.



Numa lápide negra descerrada pelo Major General Fritz Loots (na reserva), First Officer Commanding South African Special Forces, estavam inscritos os nomes daqueles portugueses caídos na luta contra as forças pro comunistas do MPLA e Cuba no Sul de Angola numa altura em que tantos portugueses foram forçados a abandonar o território e em véspera de uma sangrenta guerra civil que durou duas décadas.



 A lápide coberta com a bandeira das Forças Especiais da África do Sul



Simultaneamente foram trasladados os restos mortais daqueles portugueses que estavam enterrados em campa rasa.



Na cerimónia estiveram presentes militares, imprensa portuguesa, diplomatas e outros, sendo a patente mais alta o General Fritz Loots, ex-comandante em Chefe das Forças Especiais e, mais tarde  Chefe da Inteligência Militar sul-africana.


 Lt Col Sybie van der Spuy



Uma representante da Embaixada de Portugal, a chefe da chancelaria Margarida Rosas de Oliveira fez a entrega de uma coroa de flores em nome de Portugal. Foto abaixo:




Toda esta situação foi envergonhadamente desenvolvida a nível não oficial, afirmando o Embaixador de Portugal em Pretória, João Barbosa que não foi "previamente consultado" para dar o aval oficial à cerimónia. De outro modo  "teria que ponderar a presença” oficial de uma representação portuguesa e "informar o Ministério dos Negócios Estrangeiros antes de tomar uma decisão".



Tudo isto isto porque aqueles portugueses combateram numa unidade militar Sul Africana durante o Apartheid e um deles tinha sido agente da Pide.



Mas antes tinham lutado ao lado ou integrando o Exercito Português na Guerra do Ultramar.



Lembro que o Comandante Roxo combateu em Moçambique chefiando uma milícia exclusivamente composta por Moçambicanos negros e era casado com uma senhora africana de Moçambique e tinha seis filhos “mulatos”
E tinha uma Cruz de Guerra, dada por Portugal num 10 de Junho, dia de Portugal.



E no dia 17 de Novembro de 2005, as condecorações e medalhas outorgadas pela República da Africa do Sul ao S.Sgt Daniel Roxo, a HONORIS CRUX, as medalhas PRO PATRIA (Cunene clasp) e a SOUTHERN AFRICA medal, bem como os diplomas respectivos, foram finalmente entregues à sua família, representada pelo irmão Alípio Roxo e mulher, Irene, nas Caldas da Rainha.





Carmo Ferreira, à esq, ex membro das Forças Armadas Sul Africanas,
uma das senhoras encarregue da entrega das medalhas ao irmão do Comandante Roxo


 O casal Alípio e Irene Roxo


<<Irene recorda então a última vez que falou com ele. O seu coração de mulher temia o pior, pediu ao cunhado que fosse para Portugal, mas a resposta dele foi simples, simples demais para ser rebatida e que a apavorou:
"Sou soldado ... e hei-de morrer numa mina..."

E foi assim que morreu!>>







A ex 1º Tenente da Força Aérea Sul Africana Maria José Ferreira,
outra das senhoras encarregue da cerimónia, com o casal Roxo
 
Fonte: Moçambique para Todos (macua.blogs.com)





Tenho a certeza de que muitos portugueses, civis e militares , soldados sargentos e oficiais, devem a vida à acção furtiva deste homem que agora é desprezado na sua pátria. Mas somente por quem não sabe o que foi a sua vida. Este homem lutava só pela sua terra do coração.




Francisco Daniel Roxo nada tinha a não ser uma casa modesta em Vila Cabral e uma família de moçambicanos. Nada esperava ganhar com a possível vitória dos militares em Moçambique.






 




Até um dia Comandante Roxo!





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No dia 20 de Setembro deste ano de 2017, os antigos Camaradas de Francisco Daniel Roxo
e dos outros portugueses, os sul-africanos e alguns portugueses,
numa cerimónia organizada também pela comunidade portuguesa,
voltaram ao cemitério
para lhes dizer que não estavam esquecidos.


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“To kill people has never been nice. And to get killed is the worst thing that can happen to anyone.

But the worst of all is to come back home and to be told that it was all for nothing.

That is definitely the biggest betrayal there can be.”

Herman Grobler


"No tears.
 No sorrow.
We are here to witness tomorrow."

B Cox 2013







(Texto actualizado em 5 de Outubro de 2017)
 




Links consultados


http://sadfgroup.org/o-fracasso-da-operacao-savannah-by-miguel-junior-org/
http://www.verdade.co.mz/cultura/20683-como-os-eua-foram-derrotados-na-independencia-de-angola 
http://citizenalertzablogspotcom-tango.blogspot.pt/2013/04/koevoet-veterans-we-dont-give-damn-for.html 
http://aquellasarmasdeguerra.files.wordpress.com/2012/05/g3.jpg
http://com66_droxo.webs.com/oterrordosturras.htm
http://combustoes.blogspot.pt/2009_01_11_archive.html
http://delagoabayworld.wordpress.com/category/pessoas/daniel-roxo/
http://en.wikipedia.org/wiki/32_Battalion_%28South_Africa%29
http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Savannah_%28Angola%29
http://iacmc.forumotion.com/t6417-daniel-roxo-wearing-czech-clouds-pattern
http://lmcafe.blogspot.pt/2012/09/daniel-roxo-o-diabo-branco-reportagem.html
http://macua.blogspot.pt/2006_06_01_archive.html
http://oscarvalhosdoparaiso.blogspot.pt/2009/01/heris.html
http://pt.metapedia.org/wiki/Daniel_Roxo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelino_da_Mata
http://realfamiliaportuguesa.blogspot.pt/2012/03/entrevista-d-francisco-de-braganca-van.html
http://sadf.sentinelprojects.com/sasfl/booklet.html
http://sadf.sentinelprojects.com/sasfl/newsclip.html
http://sadf.sentinelprojects.com/sasfl/operator.html
http://sadf.sentinelprojects.com/sasfl/sybie.html
http://theywerebornwarriors.blogspot.pt/2013/01/daniel-francisco-roxo.html
http://uk.geocities.com/sadf_history2/operator.html
http://ultramar.terraweb.biz/06livro_GuilhermedeMelo_Mocambique_Norte_Guerra_e_Paz.htm
http://ultramar.terraweb.biz/RMM/RMM_CmdtFranciscoDanielRoxo.htm

http://www.32battalion.org/forum/showthread.php?t=349
http://www.geni.com/people/Francisco-Daniel-Roxo/6000000012106905510
http://www.mozambiquehistory.net/76.html
http://www.youtube.com/watch?v=HfzjNHB5uHE&NR=1
https://sites.google.com/site/pequenashistorietas/personalidades/jorge-jardim 



VER também:
http://retornadosdafrica.blogspot.pt/2012/08/depoimento-de-ex-combatente-da-operacao.html 
http://paginaglobal.blogspot.pt/search/label/CAVACO%20SILVA











14 comentários:

  1. parabems
    fiquei muito emocionado e reconhecido

    grande abraço
    filipe Villard Cortez

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    1. Era uma extraordinária força da Natureza. Abraço e obrigado

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  2. Emocionante é o que se pode dizer, precisa ser escrito um livro sobre este personagem fantástico!!!!

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  3. parabéns pelo seu blog,
    gostaria apenas de dizer que a viatura Wolf, não é o Landrover com o mesmo nome, mas sim um veiculo blindado (APC) de fabrico sul africano

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    1. Viatura WerWolf

      http://www.sadfgroup.org/wp-content/uploads/2011/02/Wolf-DONE.jpg

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    2. Obrigado. Já corrigi o nome. Falta actualizar a foto...

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  4. Mais que um herói,,,,.um homem com o sentido do dever, e de cumprir a sua missão. Um exemplo enorme, para todos.

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  5. Obrigado pelo testemunho. Conheci o Roxo na minha infancia e sem duvida um homem de grande valor.

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  6. Aos fanáticos das guerras, assassinos por natureza,
    sejam mercenários ou não, desejo que morram em paz, para que os pacifistas tenham paz e sejam felizes.

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    1. Vergonha era p minimo que se lhe exigia.....por isso vocês são um povo tão pequenino e que a partir do 25 hão-de andar de mão estendida ou na dependência de alguem....ate me dá um certo gozo

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  7. um verdadeiro guerreiro sem duvida um homem portugues claro .

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  8. Um Homem simples,Um Português,um guerreiro que viveu lutou e morreu por um ideal!Até sempre Cte Daniel Roxo.

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  9. Este tipo de heróis não interessa ao regime resultante de traições várias que se conheçam tanto mais que na verdade houve muitos, como conheci alguns pessoalmente muitos deles negros ou mestiços. Aliás a maioria eram do interior e o relacionamento era sempre bom e familiar com as gentes de uma dada região.
    A minha experiencia foi sobretudo no cdntro sul de Angola mas deslocava-me com frequencia a outras regiões e sinto pena que se tenha distorcido tanto a vivencia e camaradagem das genuinas gentes de Angola por conta de politicas alheias ao interesse da regiião.

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