sexta-feira, 5 de julho de 2013

Na Guerra do Ultramar - Portugueses mais ou menos esquecidos

 

Notáveis esquecidos da nossa História recente


Brevíssima resenha de outros notáveis Portugueses esquecidos, que não tive o privilégio de conhecer:


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> Marcelino da Mata



Nasceu na Ponte Nova, Guiné, a 7 de Maio de 1940. É um Tenente-Coronel na reserva do Exército Português, nascido na Guiné Portuguesa, conhecido pelos seus actos de bravura e heroísmo praticados durante a Guerra Colonial, em 2412 operações de comandos, e que lhe dão o título de militar português mais condecorado da História do Exército Português.






A 2 de Julho de 1969 foi feito Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.



<<Quem controlava quase toda a tropa nativa era eu .Tudo o que eu falava eles ouviam. O PAIGC só tinha cerca de 2000 homens e nós tínhamos à volta de 40 000. Cada companhia que estava na Guiné era constituída por uma só etnia, por isso cada companhia queria mostrar que era melhor do que a outra. Dizem que o PAIGC tinha uma zona libertada na Guiné, mas eu ia para onde queria, com quatro, cinco seis, sete ou oito homens. Eu tinha um corneteiro e quando chegávamos ao meio do mato eu mandava-o tocar a corneta. Só depois é que íamos para cima do PAIGC. Mandava tocar a corneta para eles verem que eu ia a caminho e que não tinha medo»



«Após a independência da Guiné foi proibido de entrar na sua terra natal.

Em 1975, durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso como ficou conhecida a actividade revolucionária de instigação comunista) foi detido no quartel do RALIS, Lisboa, e sujeito a tortura e flagelação praticada e ordenada por Manuel Augusto Seixas Quinhones de Magalhães (capitão), Leal de Almeida (Tenente Coronel), João Eduardo da Costa Xavier (capitão tenente) e outros agentes revolucionários ligados aos movimentos comunistas, num dos episódios mais pungentes, pela sua barbaridade e violência, de toda a revolução dos cravos».

ATT: Por favor leia a resposta que dei ao comentário que a filha do Sr Coronel Emiliano Quinhones de Magalhães faz no final deste artigo.




De:
Marcelino da Mata
(Pág da Wikipédia que foi alterada no dia 9 de Setembro 2013, dois meses depois de eu ter colhido as informações originais deste artigo)


«Mas eu nunca renunciei à nacionalidade portuguesa.

Houve um animal na Admistração Interna que me disse «O Sr foi colonizado».

Eu disse:

 -Eu nunca fui colonizado! Os meus antepassados foram colonizados , mas eu não.

EU NASCI NUMA NAÇÃO CHAMADA PORTUGA!.>>


De:
Marcelino da Mata Heroi Português.




> D. FRANCISCO DE BRAGANÇA VAN UDEN

Francisco van Uden foi o primeiro da família, exilada durante 115 anos, a nascer em Portugal, e espera viver até aos 100 – como a sua mãe, neta do Rei D. Miguel.

Fez o curso dos Comandos e esteve na Guerra do Ultramar,




<<Um dia fui chamado pelo comandante-chefe (Moçambique) e o adjunto dele disse-me: ‘Sabe porque é que o comandante o mandou chamar? Ele vai pedir para fazer outra comissão. Não se meta nisso, vá para casa’.

Era o Major Tomé da UDP.

O comandante falou comigo e disse que estávamos a ganhar a guerra no mato e que tínhamos o apoio da população. Disse que precisava de tropas especiais e convidou-me para ir para o Dondo apoiar o grupo de pára-quedistas especiais africanos. Pedi-lhe 15 dias de férias para visitar a família em Portugal e voltei para lá. Fiz o curso de pára-quedista e fui coordenar as companhias de GEPs [Grupos Especiais de Pára-quedistas] de toda a zona de Tete>>

<<No dia 25 de Abril fui ao bar às 10 da manhã, no comando das ZOT [Zona Operacional de Tete]. A rádio BBC estava a dar a notícia do golpe de Estado em Lisboa. Na sequência do 25 de Abril, o comandante do CIGE [Centro de Instrução de Grupos Especiais] convidou um comissário para dar aulas, onde se dizia que a Frelimo é que eram os bons e nós os maus. Foi um choque terrível. Com um grupo de oficiais da Beira definimos que manteríamos o combate para defender a população de Moçambique. As pessoas não falam nisso, mas 40% do orçamento militar do Ultramar era dedicado à acção de apoio às populações>>.




<< Antes de embarcar, (em Moçambique, para Lisboa, 1974, pós 25 de Abril) começam a chegar oficiais dos GEPs (Grupos Especiais de Pára-quedistas - negros) e um deles, o mais velho, oferece-me um presente e diz: ‘O nosso coração está muito contente porque o capitão vai finalmente para junto da sua família, mas e nós? Qual vai ser o nosso futuro?’. Eu tinha sido educado que um homem não chora, mas começaram-me a cair as lágrimas pela cara abaixo. Senti nos meus ombros o peso da traição profunda que Portugal estava a fazer àquela gente.>>


Do:
Site oficial da Familia Real Portuguesa









Engenheiro Jorge Jardim


Breve nota sobre o Engenheiro Jorge Jardim e a Índia Portuguesa

Tive o privilégio de jantar com o Eng Jorge Jardim na cidade da Beira, em Moçambique, final dos anos 50, em casa dos meus primos Saul e Aida Brandão, Arganilenses, terra da minha Mãe, tal como conto na história sobre Francisco Daniel Roxo.




Guerreiro, diplomata, político e empresário por vontade própria, Jorge Jardim superou a pequenez do regime do Estado Novo com acções que desafiam a imaginação humana, fazendo a sério o que o James Bond faz nos filmes. Ele foi o 007 de Salazar, retratado por José Freire Antunes ao longo de 605 páginas do livro “Jorge Jardim Agente Secreto”, da Bertrand.


Transcrição do livro sobre o Eng Jardim:

<< Após várias viagens, a crise dos prisioneiros (após a invasão de Goa pela Índia em Dezembro de 1961) resolveu-se no início de Maio de 1962 com uma ponte aérea de Mormugão para Portugal.


Campo de concentração de prisioneiros de guerra portugueses na Índia, 1962


Nas suas andanças pela Índia, terá chegado a fugir, disfarçado de mulher, para não ser morto.

No dia 13 de Maio, quando o General Vassalo e Silva, o governador deposto, deixou o território, Jorge Jardim ainda entregou á enfermeira Ivone Reis, disfarçada de hospedeira francesa, um saco com documentos confidenciais. E não concedeu a Vassalo e Silva a honra de ser a última pessoa a abandonar Goa. Ficou mais algum tempo no território.

Jardim trouxe para Lisboa o retrato de Afonso de Albuquerque, retiradodo Palácio de Hidalcão, residência dos Vice-Reis da Índia desde Dezembro de 1759:

 O Palácio está hoje transformado num Hotel

Adriano Moreira tinha-lhe pedido que recuperasse o de D. João de Castro. Perante a decepção do ministro do Ultramar ele voltou a Goa e conseguiu, não se sabe por que artes, trazer o quadro.

Costa Gomes disse a Freire Antunes que a devolução dos referidos dois quadros “foi uma das primeiras coisas que Mário Soares fez quando se tornou Presidente da República”>>.


...Será mesmo verdade!?




(Actualização da história em 10 de Setembro de 2017)







9 comentários:

  1. No dia de anos ?
    Já agora a propósito do Engº Jorge Jardim, também o conheci...era miudo...talvez 8 anos e ele tinha um Mercedes 280 SE com a bandeira do Malawi e à saída da missa da capela do rato, perguntou-me queres boleia para casa do teu tio...eu que nem ia para lá aceitei por que o queria era andar de Mercedes com bandeirinha.

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  2. Quanto ao Marcelino da Mata, também o conheci, mas mais tarde já na faculdade e noutras circunstâncias.

    Gabriel, gosto muito do teu blog !

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  3. Caro Gabriel Cavaleiro,
    Em um dos seus textos supra, dedicados ao ilustríssimo Português que é Marcelino da Mata, impõe-se uma correcção:
    Onde «Emiliano Quinhones de Magalhães» (ao tempo coronel), deve ler-se «Manuel Augusto Seixas Quinhones de Magalhães» (filho, desnaturado, do impoluto Emiliano).
    Melhores cumprimentos,
    J.C. Abreu dos Santos

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    1. Muito obrigado pela sua chamada de atenção. Peço-lhe que leia a resposta ao comentário que fiz à filha do Sr Coronel Emiliano Quinhones de Magalhães.
      Cumprimentos.

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  4. Serve este comentário para solicitar a correcção, na notícia sobre o Sr. Tenente Coronel Marcelino da Mata do nome do oficial de apelido quinhones de Magalhães que deve ser MANUEL AUGUSTO SEIXAS QUINHONES DE MAGALHÃES e não Emiliano Quinhones de Magalhães.
    Vejo que já há um comentário feito por quem também não aceita a confusão e a quem já agradeci pela atitude tomada em relação ao limpar do nome do meu pai e o assunto já deveria ter sido tratado se, na verdade, houver interesse em informar e não difamar.
    Acredito que o erro não tenha sido propositado mas, como orgulhosa filha do meu pai e sabendo que o Sr. Tenente Coronel Marcelino da Mata só se referiu ao apelido em questão, como é que se podem publicar notícias tão denegridoras do caráter de alguém sem se ter a certeza de que o nome publicado é o da pessoa a quem essa notícia se quer referir.
    Isto é um assunto de HONRA PESSOAL E MILITAR. Por favor corrijam-no!!!!!!!!
    Maria João Seixas Quinhones de Magalhães Mota

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    1. Só hoje, dia 7 de Outubro 2013, me apercebi do erro involuntário quanto ao nome do seu Pai. A informação em que me baseei, como pode comprovar, é uma nota da Wikipédia. Verifico agora que já lá está a correcção feita. Peço imensa desculpa pelo lamentável erro que me apressei agora a corrigir e pela demora em o ter feito. Não tenho consultado o gmail e não li antes o seu comentário. Imperdoável! Peço-lhe novamente desculpa...

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  5. Conheci e fiz operações com o Marcelino da Mata. Eu (Rogério Pompeu Tendinha da Silva , CART 1745) era Alferes na altura e nos finais dos anos 60, creio que em 1968, estando eu em Bigene e ele em Farim, numa operação de tentativa de destruição da base de o PAIGC em Mampatás / Cumbamory, que abastecia de armamento toda a Zona norte (com excepção da zona de S. Domingos/Varela) assim como a zona do Morés a sul do rio Cacheu, deixamos 4 mortos - que nos foi impossível retirar do terreno devido à barragem de fogo do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e trouxemos dezasseis feridos às costas.
    Quatro ou cinco anos depois (Abril/Maio de 1973), guerrilheiros dessa mesma base do PAIG, cercaram flagelaram durante semanas o quartel das tropas portuguesas em Guidage junto à fronteira com o Senegal.

    As tropas de elite Portuguesas (Comandos Paraquedistas e Fuzileiros) e comandos africanos chefiados por Marcelino da Mata conseguiram entrar na base de Cumbamory, após bombardeamento aéreo que fez explodir os paióis, e romper o cerco.
    Creio que, em toda a guerra a colonial, foram os 3 meses (Março/Maio de 1973) em que o Exercito Português teve mais baixas .
    Louvemos a coragem daqueles jovens que, mesmo sem o saberem, ajudaram a fazer o 25 de Abril.
    Mas culpabilizemos também todos os políticos que, ao arrepio dos ideais de Abril, movidos por mesquinhez, cupidez e ambições pessoais , tacanhez de espírito e de honorabilidade muito duvidosa conduziram o País ao estado em que está.

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  6. Cara Maria Magalhães de Mota, caro J. C. Abreu dos Santos,

    Chamo-me Mehdi Djallal. Sou investigador em História, especialmente sobre a guerra colonial. Sou interessado pela figura do oficial Emiliano Quinhones de Magalhães. Vocês seriam dispostos para me ajudar na minha investigação?

    Os meus contactos são mehdi.djallal@hotmail.com e 963403708.

    Obrigado,
    Mehdi Djallal

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