sábado, 12 de maio de 2018

Publicações - O PLÁGIO

A história deste blogue "O Resgate do Tenente Malaquias" foi plagiada. 

História com 12103 visualizações em finais de Abril de 2018


Demonstração do plágio da minha história contido nas páginas 368 a 379 do livro "A Força Aérea no Fim do Império" cujos autores são António Bispo, José A. Vizele Cardoso e Ricardo Cubas.

Intercalo "texto da minha história" com digitalizações do "texto do livro".


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TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
No dia 14 de Setembro de 1967, na minha função de Sargento Miliciano Piloto da Força Aérea em Comissão Voluntária de Serviço em Moçambique, na Guerra do Ultramar, tive como missão fazer um RVIS (Reconhecimento Visual de possíveis posições do inimigo) no avião T-6 com matricula 1753, a partir da minha Base em Vila Cabral (Lichinga, nome actual), a capital Nortenha do Distrito do Niassa.
Esta missão seria executada em parelha com outro avião do mesmo tipo pilotado por um camarada, o Sargento-ajudante Eiró Gomes, num local que fica exactamente entre Vila Cabral e Marrupa. A Sul de uma pequena povoação que hoje existe e se chama Cassembe, aproximadamente na posição cujas coordenadas são…


TEXTO DO LIVRO - Pág 368



TEXTO DA MINHA HISTÓRIA 

Chegados ao local, cada um de nós procurou detectar, debaixo da mata densa, sinais de vida recente, nomeadamente palhotas em que o inimigo se abrigasse. Embora à vista um do outro, escolhemos aleatoriamente dois locais diferentes. Eu fui um pouco para Norte do Monte que existe a Sudeste da povoação e o meu camarada procurava mais a Sul, junto ao rio Luambala .


O nosso objectivo era bombardear posições inimigas e por isso íamos carregados com bombas, sem qualquer outro tipo de armamento, como metralhadoras ou rockets.


E por ali nos mantivemos uns dez minutos a tentar descobrir por debaixo das árvores quaisquer sinais de vida, operação nem sempre bem-sucedida porque a camuflagem era muitas vezes eficaz.



TEXTO DO LIVRO - Pág 369




          TEXTO DA MINHA HISTÓRIA


Os terrenos por onde eu andava não me pareciam ter sido minimamente alterados por ninguém. A paisagem é belíssima, como em todo o Niassa e a Natureza repousava tranquila, indiferente àquela Guerra que não merecia.

- Forte reacção antiaérea! Estou a ser alvejado!
Ouço subitamente pela rádio o meu camarada dizer-me.
Num instante aquela beleza, a tranquilidade daquele imenso espaço em que eu voava e com o qual me sentia em comunhão, cobriu-se com um espesso e agreste manto de crueldade. E todo o meu ser acordou de súbito para a dureza dos tempos em que eu vivia.


Aquele meu camarada, que se expressava sempre com grande abundância de argumentos, talvez estivesse a exagerar... Pensei eu. Aquela zona nunca tinha sido referenciada como capaz de conter tão forte presença de elementos da Frelimo.
E como eu ainda tinha todas as bombas, voei para junto dele, a um escasso minuto de voo de mim.


Ele afastou-se, disse-me que já não tinha armamento e orientou-me para a posição que lhe parecia ser a origem de tão inesperada actividade antiaérea.


Já a sobrevoar o local indicado por ele, entre o Monte e o rio, procuro encontrar palhotas ou quaisquer outros sinais de actividade humana recente. Claro está que nada vi, e muito menos fogo de antiaérea.


Isto nos primeiros segundos… porque logo a seguir vi as tracejantes!


Tracejantes, que sulcavam rapidamente os ares na tentativa frenética de me encontrarem. Ainda hoje as vejo com toda a nitidez.


Afinal era um caso demasiado sério e eu tinha que tomar rapidamente uma decisão. Pela direcção das balas, exactamente na vertical, eu devia estar mesmo em cima dos senhores meus colegas naquela Guerra, do outro lado dos argumentos, empenhados em cortarem-me as asas.


E eles queriam-me agora, a mim, lá em baixo…


TEXTO DO LIVRO - Pág 369





TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
Pareceu-me (e bem, como mais tarde se verificou) que se largasse as bombas em “salvo” (todas de uma só vez) alguma das quatro que tinha ficaria muito próximo do local dos disparos. Além do mais eu voava agora o único avião no local com armamento e em caso de necessidade não tinha protecção alguma.

Por baixo de mim havia uma vasta área de terreno aparentemente plano, sem floresta, entre um Monte escarpado e um rio, este sim bordejado por uma espessa mas estreita mata.

Decisão tomada, larguei-lhes as bombas em cima com o feroz desejo que fossem até à origem daquelas tracejantes que me rodeavam como formigas inquietas.

Estávamos agora os dois aviões sem armamento. Nenhum de nós estava equipado com rockets ou metralhadoras. Já não podíamos fazer mais nada.

Voltámos então às nossas Bases, como planeado.
O meu camarada a Marrupa:
E eu a Vila Cabral

TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
Escrito o relatório pelo meu colega mais graduado, o Estado-maior da FAP em Nampula, na ZAC (a Zona do Ar Condicionado…) deliberou que alguém devia ir investigar.
Nomearam o Tenente Malaquias.

TEXTO DO LIVRO

TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
Este Aveirense, sempre que ia a Vila Cabral ia a correr a minha casa ver se a minha filha, de menos de 3 meses de idade, estava ou não mais bonita que a dele, 2 dias mais nova.
O Tenente Malaquias, 15 dias antes destes acontecimentos, confessara à sua mulher, Fernanda, em Nampula, ter a noção que não duraria muito mais tempo. Uma preocupação que o consumia.

Ia ser muito triste ir para debaixo da terra, confessou.

Confrontado com esta atitude, ele insistiu. Devia ser muito triste.

A sua mulher achava que ele estava a ficar com uma cor esquisita, cor de terra. Pesava 60kg e media 1,81m de altura.

Não queria fazer exames médicos com medo de não o deixarem voar mais. Não os fez.

Não podia ver sangue. Quando fez exames para o Ultramar desmaiou ao fazer as análises. A enfermeira, na brincadeira, disse-lhe que ele era pior que uma mulher.

TEXTO DA MINHA HISTÓRIA

Uma semana depois daquele ataque que o Eiró Gomes e eu sofremos, o Tenente Malaquias chega a Marrupa.


Na 5ª Fª anterior sobrevoou a sua casa em Nampula e despediu-se da sua mulher Fernanda e da sua filha Carla.

A sua missão era inteirar-se do maior número possível de elementos de modo a avaliar se era necessária ou não uma operação combinada com as Forças Terrestres. Para se decidir que tipo de acção, se com tropa regular ou pelos Comandos.

TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
E no dia 22 de Outubro, um Domingo, saiu com uma patrulha de 3 T 6. De Marrupa para aquele local, para ver o que poderia por lá haver.
Dois dias antes de a Carla fazer 3 meses.
A patrulha era comandada por ele. Nos outros dois aviões iam o Sargento Eiró Gomes e o Alferes Relego.
Este, acabado de chegar da Metrópole (Portugal Continental) após o curso de piloto miliciano, na sua 1.ª missão que poderia ser de combate. mas num avião sem rádio!
Por essa razão, o Relego foi avisado que deveria ficar “lá em cima” enquanto os outros dois iam "lá abaixo cheirar”.

TEXTO DO LIVRO


TEXTO DA MINHA HISTÓRIA

Já no objectivo, cerca de 45 minutos afastados de Marrupa, o Tenente Malaquias disse pela rádio:


- Vou fazer uma passagem, eles disparam, vocês veem e bombardeiam a origem dos disparos.


O Tenente Malaquias, um piloto destemido, estimado e admirado por todos, tinha dirigido do ar no seu T-6 uma companhia dos Comandos pouco tempo antes para o local de uma outra antiaérea, noutro sítio perto de Metangula junto ao Lago Niassa.


Nós dizíamos que ele tinha apanhado a arma “à mão” porque entrou em combate directo com eles para sinalizar a posição aos Comandos. E a antiaérea foi neutralizada.


Mas naquela manhã não foi assim.


TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA

O Tenente Malaquias entrou baixo, a ver...


Na esperança de ser visto e assim desmascarar a posição do fogo inimigo.


No sopé do Monte, naquela zona plana, junto ao rio Luambala que se serpenteava entre árvores de grande porte que já descrevi, um cenário de grande beleza, uma guarnição de atiradores estava há já uns minutos a municiar a arma. 


A mesma de um conjunto de três que tão perto estivera de abater os nossos dois aviões uma semana antes. No silêncio da mata os operadores da antiaérea já tinham detectado há uns bons 15 minutos aqueles barulhentos aviões que se aproximavam.

Estava marcado um encontro.
Foi fácil prepararem-se. E já não era a primeira vez. Tiveram tempo para tudo.

TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA

O nº2 da parelha de T 6, o Eiró Gomes, ficou mais atrás e mais acima, como combinado para poder ter outro ângulo de visão. E o 3º elemento, o Relego, ainda mais acima, observava o desenrolar dos acontecimentos, mudo e quedo, sem comunicações rádio e ainda sem nenhuma experiência de combate.


TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
O T-6 do Tenente Malaquias começa a sobrevoar aquele espaço quando a antiaérea isolada, no sopé do Monte à sua direita, mais adiante, já lhe estava apontada. As outras duas estavam perto uma da outra, junto ao rio, mais para a sua esquerda.

O Tenente Malaquias tinha o Monte à frente, à sua direita e o rio ao seu lado. Voava apontado a Oeste. O que via era aproximadamente isto:


TEXTO DO LIVRO

TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
O seu olhar procurava balas tracejantes.

E elas não se fizeram esperar!


No chão, o artilheiro com o primeiro avião sempre na mira, não hesitou. Carrega decidido uma primeira vez no gatilho e uma saraivada de balas parte em direcção do avião da frente, fazendo um tracejado de luzes.


TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA

O Tenente Malaquias  reage e aponta-lhe as duas metralhadoras e dispara também na tentativa de o eliminar. O Eiró Gomes, mais atrás, também dispara contra a anti-aérea.


Argumentos extremos numa luta feroz de razões naturalmente contrárias.

O artilheiro, experiente de outro episódio recente, frustrado, há tanto tempo preparado para aquele momento único, aguentou estoicamente, esperou pelo segundo exacto, o dedo nervosamente encostado ao gatilho da arma, as balas dos aviões a voarem a toda a sua volta, a mira a voar com o avião, o olho direito enfiado no alinhamento do T-6 da frente, a raiva de guerrilheiro controlada, o pensamento na Pátria que queria Libertar… e então apertou com um pouco mais de força, devagarinho, com toda a certeza do Mundo, aquele pequeno gatilho... Só um pouco mais...
TEXTO DO LIVRO


TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
- Fui atingido!
 Grita o Tenente Malaquias pela rádio, o braço direito praticamente decepado.
- Fui atingido! Nossa Senhora me valha!
As suas últimas palavras...
 
E o Relego, lá em cima sem ouvir nada, sem saber de nada, viu o T-6 do seu Chefe entrar pelo chão dentro e imobilizar-se numa nuvem de pó.


TEXTO DO LIVRO



Sem arder.
Sem mais uma única rajada de fogo inimigo.
Não fizeram mais fogo.

 O Sarg. Ajudante Eiró Gomes, assumindo agora a função de comandante da parelha como piloto mais antigo e qualificado juntou-se rapidamente ao Alferes Relego e fez-lhe sinal para o seguir para a Base, em Marrupa.

TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
O Tenente Malaquias ficou naquele planalto, entregue a si, gravemente ferido, provavelmente já sem vida depois daquela “aterragem” forçada, sem possibilidade de ajuda daqueles dois que tudo viram mas nada mais podiam fazer. E os rádios VHF dos aviões tinham um alcance limitado. Ninguém no Mundo os ouviria se pedissem socorro.
Regressados os dois a Marrupa, entregues àquele desespero, o Eiró Gomes, pela rádio ainda em voo e assim que teve contacto, uma boa meia hora depois, pediu que se preparasse o Helicóptero para se ir recuperar o Tenente Malaquias ao mato.

TEXTO DO LIVRO





TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
E já no chão, sem esperarem por ordens superiores de ninguém, deliberaram em conjunto com todo o pessoal maior daquele Aeródromo de Manobra que tinha que se ir buscar o Tenente Malaquias.

TEXTO DO LIVRO




O destacamento militar do Exército mais próximo do local do acidente, de seu nome “América”, ficava a 50km. Seria difícil executarem a missão em tempo útil.
O “pessoal maior” era constituído por:

três Pilotos de T-6
- Alferes Miliciano Baguinho de Sousa
- Sargento-ajudante Eiró Gomes
- Furriel Miliciano Borges Ferreira


um Piloto de Helicóptero Alouette III
- Sargento Miliciano Piloto Valdemar Lobo

e da guarnição da Polícia Aérea
- Alferes Sebastião Tavares de Pinho, comandante da guarnição. 


TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
O Lobo, Piloto do Helicóptero e o Alferes Pinho da Polícia Aérea decidiram imediatamente que iam buscar o Tenente Malaquias, onde ele estivesse, vivo ou morto.
O Alferes Pinho necessitava de mais dois voluntários mas só um outro elemento da Polícia Aérea se ofereceu espontâneamente, o 1º Cabo José Fernandes Jorge Simplício.
Seguindo as normas decidiu nomear então o mais novo da classe de Sargentos para os acompanhar, o Furriel Carlos Félix, um jovem muito alegre e brincalhão
E lá partiram.
A pilotar o Helicóptero ia o Lobo que dispensou o Cabo Especialista do Helicóptero para que não corresse riscos desnecessários e também porque tinham ainda que contar com o peso do Tenente Malaquias, acompanhado dos três elementos da Polícia Aérea, esses sim, indispensáveis.
Como armamento levaram apenas armas ligeiras e granadas…
Recordo que os elementos da Polícia Aérea tinham a única função de protecção e policiamento das unidades da Força Aérea e não tinham nenhum treino de combate na mata.
Aqueles três elementos não estavam, de todo, tecnicamente preparados para o que se propunham fazer.
3 T-6 armados com metralhadoras acompanharam o Heli não só para sinalizar o local ao Lobo mas também para dar a protecção ao resgate do Tenente Malaquias.
45 minutos depois, chegados ao local do acidente, a baixa altitude, o Eiró Gomes, pela rádio, orientou o helicóptero para o local do T-6 caído.


TEXTO DO LIVRO



TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
O Lobo localizou logo o T 6 abatido no chão e reparou que o avião tinha caído e parado, sem fazer rasto algum. Não houve, portanto, nenhuma tentativa de aterragem forçada. O trem de aterragem estava recolhido e o capim não tinha ardido.
O terreno tinha sido anteriormente desmatado, com as árvores cortadas pela base das copas. Havia vários troncos nus com mais de 1,5m de altura espalhados por toda a área. Provavelmente um deles arrancou a asa direita do T-6 que ali estava feito uma máquina sem alma, provavelmente um túmulo improvisado.


TEXTO DO LIVRO





TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
O local teria sido anteriormente preparado para machambas (hortas) com as árvores cortadas e agora com muito capim já bastante alto, cerca de 2m de altura.

Era afinal um vasto largo de onde se avistavam, não muito longe, grandes palhotas escondidas que agora rente ao chão se viam bem, debaixo das grandes árvores que o rodeavam segundo o Lobo me disse. Albergavam certamente, ou talvez já não, muita gente.

O Lobo não encontro de início um espaço seguro para aterrar o helicóptero perto do avião abatido: havia muitas árvores cortadas, com troncos bastante altos. Um grande perigo para o rotor de cauda, por não se ver o que poderia haver escondido dentro daquele capim tão alto, com a agravante de não ter a preciosa ajuda do Cabo Especialista do helicóptero, impedido de ir a bordo naquela arriscada missão.

O Lobo deu outra volta e encontrou então um pequeno troço de picada e aterrou sem assistência para verificar a segurança do rotor de cauda, sempre a recear o pior.


TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
Aterrou a 50/100m do avião abatido.
Lá em cima, os T-6 do Eiró Gomes, Baguinho e Borges Ferreira mantinham-se vigilantes, às voltas sobre eles.

O Alferes Baguinho conseguia ver perfeitamente várias palhotas com bastantes sinais de vida actual o que o levou a perceber haver, com toda a certeza, bastante gente que ali vivia actualmente.

O Furriel Félix antes de sair do helicóptero ainda ouviu o Sarg Ajudante Eiró Gomes dizer pela rádio ao Lobo:


- Ao 1º tiro ou sinal de hostilidades dos Turras sai daí!

 
A ameaça bem conhecida das antiaéreas não impediu nenhum dos pilotos que fazia a protecção ao helicóptero de se manter sobre a equipa de resgate, alvos fáceis, a proteger um helicóptero acabado de aterrar, imóvel, o piloto e os três ocupantes completamente à mercê de uma simples pistola, uma catana até, relativamente perto de várias e bastante grandes palhotas dissimuladas.


A gravidade da acção levou aqueles três pilotos a ignorarem por completo que voavam exactamente por cima das três antiaéreas que no espaço de uma semana tinham alvejado 4 aviões a abatido um deles após um breve combate, menos de duas horas antes. 


TEXTO DO LIVRO




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
Conta-me o Alferes Pinho da Polícia Aérea, numa carta que me escreveu em Agosto de 2015:
«Gizei um plano em que, depois de aterrarmos no ponto mais próximo possível desse local, o 1º cabo Simplício ficaria dentro do helicóptero com a maca enquanto eu e o furriel Félix avançávamos para junto do avião, colados ao chão e protegendo-nos alternadamente um ao outro.
Um dos meus receios era o de que, no espaço das cerca de duas horas que mediaram entre a queda da Malaquias e a nossa chegada àquele local, os inimigos tivessem armadilhado o avião e a periferia da sua proximidade.»
Os dois mais graduados elementos da Polícia Aérea saltaram do helicóptero e desataram a correr, protegendo-se um ao outro unicamente com as suas armas pessoais em direcção ao avião abatido.
Acho que nenhum destes três jovens sabia exactamente o que estava a fazer mas, como dizia um camarada nosso, Oficial do Exército, “cada um tinha o Inimigo que merecia”.
Escrevi “Inimigo” com letra maiúscula porque este Inimigo mereceu-nos também.
O Lobo tinha aterrado junto da Base Provincial de Instrução da Frelimo, soubemos depois, uma das mais importantes em Moçambique. Onde haveria dezenas de combatentes.
A verdade é que o Furriel Félix os viu perfeitamente. Eles estavam "LÁ mesmo!"
“Nas janelas das palhotas com os canhangulos apontados ao pessoal”, contou-me.
Expectantes e sem reacções.
Talvez paralisados pelo inacreditável da acção.
Se calhar manietados pelo espanto.
Ao ver um piloto de helicóptero aterrar calmamente no meio de uma das mais importantes bases da Frelimo com três simples "polícias" que, praticamente desarmados, avançavam completamente indiferentes ao que quer que os esperasse, com um único objectivo: resgatar o Tenente Malaquias abatido há um par de horas.
Ou talvez tivessem achado por bem que a Força Aérea Portuguesa, perante aquele espectáculo de heroísmo desvairado, merecia que um dos seus pilotos pudesse ser resgatado. Foi a impressão com que se ficou naquela altura.
Ou então, se calhar, talvez nunca venhamos a saber, resolveram evacuar do local à pressa a maior parte do pessoal para preservar os efectivos, com receio de represálias maiores.
Afinal era uma grande Base de Instrução.
Provavelmente também terá contribuído uma hipotética neutralização da antiaérea.
A caminhada daqueles dois ao afastarem-se do helicóptero na direcção do T-6 abatido, no meio daquele capim, pareceu-lhes uma eternidade. A lutarem contra o capim alto que lhes tapava a visibilidade, sem saberem o que os esperava junto ao avião derrubado, desorientaram-se momentaneamente acabando no entanto por darem com o objectivo.

TEXTO DO LIVRO - FALSO!!!




TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
E durante a corrida atabalhoada que fizeram, encontraram no chão um braço ainda enfiado na manga do fato de voo, que carregaram até ao corpo a que pertencia.
Ainda hoje o Carlos Félix tem insónias quando se lembra do que viu ao chegar ao avião abatido, quando aquela imagem lhe reaparece, amiúde, teimosamente:  
"o Ten/PILAV MALAQUIAS, sentado em cima do para-quedas a olhar para mim...

TEXTO DO LIVRO





Palavras para quê? .... As lágrimas teimam em aparecer".
Relato do Alferes Pinho:
 «Inerte no seu posto, dentro dos destroços do avião em que executou a sua
derradeira missão o corpo já sem vida do Tenente Malaquias
estava semi-pendurado pelos cintos que o prendiam ao assento».

TEXTO DA MINHA HISTÓRIA
E no helicóptero, sentado no seu posto, o motor a trabalhar, as grandes pás do rotor a girar num crescente nervosismo, aquele barulho todo a soar como um Requiem naquela grande Catedral que era aquele lugar impoluto, o Lobo não tinha a mínima visibilidade. Estava rodeado de mato, capim alto quase à distância de um braço, sem horizonte algum!

Sem ver absolutamente nada!


Sem saber o que se ia passando!


E esperou...

Sozinho…

TEXTO DO LIVRO





TEXTO DA MINHA HISTÓRIA


Lá de cima os três aviões de segurança descobriram entretanto um guerrilheiro armado a uns 20m do helicóptero. Fizeram vários voos em picada ao local gritando pela rádio ao Lobo para sair dali porque corria perigo.

TEXTO DO LIVRO




Termino aqui a comparação entre os dois textos
História publicada em 17/04/2012










1 comentário:

  1. Plágio, contudo, este acto de heroicidade, esta gesta esta epopeia é digna de ser reproduzida ad eternum... O Comandante Cavaleiro tem razão. Mas a História do tenente Malaquias e dos que se expuseram de forma tão heróica e destemida para o recuperarem, é digna de ser reproduzida urbi et orbi. Se todos os plágios fossem censurados e criminalizados não teria fim à vista. Afinal escrever História é "plagiar" e confrontar depoimentos de tantos historiadores anónimos. Bem haja Comandante Cavaleiro e bem hajam os plagiadores pela divulgação desta saga heróica que orgulha todos nós. josé Leitew

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