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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Outras Navegações - Yacht Amélia - O lado B de El Rei D. Carlos

 Logo "Yacht Amélia" desenhado por El Rei D. Carlos. Montagem minha        














D. Carlos é reconhecido como
o fundador da Oceanografia Portuguesa.




«O monarca sábio»
 como lhe chamou o Príncipe do Mónaco.







D. Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael
Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão
de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha
 



Foi um dos pioneiros a nível mundial.




Aguarela desenho do Rei D. Carlos - 1885      

Apaixonado pelo mar, levou a cabo 12 campanhas oceanográficas entre 1889 e 1908, ano do regicídio.

O naturalista Alberto Alexandre Artur Girard, falecido em 1914, conservador do Museu de História Natural da Escola Politécnica foi quem lhe serviu de mestre na orientação científica de tão relevante projecto.

O interesse maior de El Rei era o conhecimento detalhado da fauna marítima da costa portuguesa, orientado para a vertente económica das nossas pescas.





El Rei D. Carlos era um homem sensível, humano, muito inteligente mas também artista. Pintor de talento deixou-nos inúmeras aguarelas.






















Ilustrou primorosamente um catálogo das aves de Portugal.


Assina como Carlos de Bragança







Aguarela do Rei D. Carlos de um peixe capturado em Sesimbra -1904    


Diversos estudos nas nossas águas anteriormente feitos por cientistas estrangeiros e a sua admiração e amizade para com o Príncipe Alberto de Mónaco, um dos maiores oceanógrafos de então, levaram-no a ir mais longe e a abrir Portugal à sua própria Oceanografia começando ele mesmo por estudar as correntes marítimas e a topografia da baia de Cascais em Agosto de 1896.

Segundo o próprio Rei, "em 1 de Setembro de 1896 tivemos o prazer de começar o primeiro cruzeiro oceanográfico nacional nos mares de Portugal"





Todo aquele acervo científico estudado e recolhido nas 12 campanhas oceanográficas, colocaram Portugal na vanguarda daquela ciência. Poucos países então se dedicavam a estes estudos.

Foram várias as exposições nacionais e internacionais promovidas para divulgação do precioso conhecimento adquirido.

Para levar a cabo todas aquelas missões em alto mar El Rei D. Carlos equipou-se com embarcações que espelhavam o contínuo desenvolvimento e progresso das suas investigações.

Com uma característica comum.






















Todos os seus barcos se chamaram “Amélia” em homenagem à Rainha D. Amélia de Orleães, sua mulher.







O "Yacht Amélia I" protagonista da primeira expedição científica foi utilizado pela primeira vez em 1896.











Era um Yacht de casco de ferro com 117 toneladas de deslocamento e 35m de comprimento e três mastros, desenhado pelo próprio Rei, para trabalhos costeiros.

Estava apetrechado com três embarcações pequenas e alguns apetrechos de investigação.





Aguarela de El Rei D. Carlos










 Tinha o senão de baloiçar imenso mesmo com mar bonançoso. Além disso era desprovido de laboratório o que no entanto rapidamente se veio a tornar imprescindível desde as primeiras excursões nas nossas costas.







Baia de Cascais 1885 - Aguarela de El Rei D. Carlos                   



D. Carlos viu-se obrigado a trocá-lo já em 1897.


Aguarela de El Rei D. Carlos







Originalmente baptizado “Geraldine” o Amélia II, principalmente destinado à oceanografia, estava equipado com quatro pequenas embarcações, uma das quais a vapor para além de vários instrumentos adequados à recolha preparação e conservação de peixes e outras espécies marítimas.


O Amélia II permitia também alojar diversos investigadores.


Para exposição permanente das suas investigações, D. Carlos inaugura em 1898 o Aquário Vasco da Gama e promoveu exposições no Rio de Janeiro e em Milão, bastante admiradas pela comunidade científica mundial.

No entanto em 1899 D. Carlos ainda não satisfeito e com o avançar dos progressos nas suas investigações decide substituí-lo.



Compra o Yacht “Yacona” e rebaptiza-o como Amélia III.










Com dois mastros, tinha 55m de comprimento, equipamento científico específico para a oceanografia e um laboratório.



Mas não era ainda o ideal.

Ainda não era o seu navio oceanográfico.



Razão pela qual El Rei D. Carlos o trocou em 1901 pelo quarto Yacht Amélia.



O Amélia IV. O último que viria a utilizar, até 1907.




Era um navio a vapor com 70 metros de comprimento.

Foi adquirido como Yacht real, navio oceanográfico e vaso de guerra.

Tinha excelentes condições para a oceanografia e estava também bastante bem equipado.

O “Banshee”, seu nome de origem e agora Amélia IV, chegou a Cascais no dia 2 de Novembro de 1901.

Como vaso de guerra era um Cruzador de 2ª classe com casco de aço.






Equipado com seis pequenas embarcações, uma delas era movida a electricidade e outra a vapor.












Era um autêntico navio oceanográfico que elevou El Rei D, Carlos ao mais alto nível internacional nesta ciência de que Portugal foi um dos poucos pioneiros.







Como resultado das expedições oceanográficas são também publicadas obras de divulgação científica como:


Yacht Amélia: campanha oceanográfica de 1896. Em Lisboa pela Imprensa Nacional,1897.

Pescas Marítimas. Em Lisboa pela Imprensa Nacional, entre 1899 e 1904, 2 vols.

    Vol. I: “A pesca do atum no Algarve em 1898 (Ichthyologia)”.

    Vol. II: “Esqualos obtidos nas costas de Portugal durante as Campanhas de 1896 – 1903”.

D. Carlos de Bragança - bulletin des campagnes cientifiques accomplies sur le yacht “Amélia”. Lisbonne: Imprimerie Nationele, 1902, 112 p.





Novembro de 1901

D. Carlos, a Casa Real, tinha outros três Yachts:


Yacht Palhabote "Lia"





















 


Yacht "Sado"



Yacht "Viking"















D. Carlos não conseguiu levar a cabo a inauguração de um Museu Oceanográfico que pretendia montar no Palácio das Necessidades por ter sido barbaramente assassinado no dia 1 de Fevereiro de 1908.



Regicídio - Quadro de Paula Rego




Foi o filho El Rei D. Manuel quem legou todo o espólio à Liga Naval Portuguesa exposto então numa secção oceanográfica do Museu de Marinha na altura existente no Palácio dos Duques de Palmela, no Calhariz.

Em 1929, extinta aquela Liga Naval, o acervo da exposição passa para o Museu Condes de Castro Guimarães em Cascais, sendo mais tarde doada, em 11 de Junho de 1935 e por escritura pública notarial, ao Aquário Vasco da Gama.

A Biblioteca Científica do Rei, incluindo verdadeiras preciosidades bibliográficas e constituindo um espólio de valor inimaginável, foi também oferecida nessa mesma altura.

Actualmente todo o seu enorme e fantástico património, contributo da nossa valiosíssima e pioneira Oceanografia de então, continua patente no Aquário Vasco da Gama, desde 20 de Maio de 1943.










Foi no Amélia IV que D. Manuel II, último Rei de Portugal e a Rainha D. Amélia sua mãe embarcaram ao largo da Ericeira em direcção a Gibraltar, a caminho do exílio na Inglaterra, no dia 5 de Outubro de 1910, depois do golpe militar que derrubou a Monarquia.












Alguns dos sítios por onde naveguei para colher elementos para esta história:







segunda-feira, 23 de junho de 2014

Outras Navegações - A muito Trágica História da nossa Marinha Mercante


 


Dois quadros de Roque Gameiro:

- a partida de Vasco da Gama de Lisboa no dia 8 de Julho de 1497
- a chegada ao porto de Kappakadavu, próximo de Calecute, no dia 20 de Maio de 1498




Esta não é uma história sobre a Idade Média.


Mas começa aí...


E atinge o auge 500 anos depois, embrulhando as Grandes Guerras com Américo Tomás, os Boeings B707  e B747, a Guerra do Ultramar, os Retornados e a União Europeia.


E os portugueses, sempre os portugueses, a verem, como de costume, tudo a fugir-lhes debaixo dos pés.


É uma história sobre o Mar Português.



Que começa entre naufrágios e batalhas acontecidos em locais relativamente mais inóspitos e distantes do que a ida à Lua, quando ocorreu em 1969.



A lua está ali. É só olhar...




Mas para lá de Sagres, nos finais do séc 15 o que havia era mesmo outra galáxia, povoada de dragões. Anos luz para lá chegar...


 










A História Trágico Marítima, de Bernardo Gomes de Brito, “em que se escrevem chronologicamente os naufragios que tiveram as naus de Portugal, depois que se poz em exercício a Navegação da Índia”, uma "colecção de relações e notícias de naufragios, e successos infelizes, acontecidos aos navegadores portuguezes", reunidos por Bernardo Gomes de Brito e publicados em dois tomos em 1735 e 1736, durante o reinado de D. João V, descreve os mais terríveis naufrágios dos gloriosos anos das Descobertas.


 Vieira da Silva. História Trágico Marítima, 1944, pintado no Brasil
















Essas crónicas ilustram a luta de um povo que ia descobrindo 2/3 do Mundo que então o Ocidente desconhecia que existisse.


E meio Mundo deu-se conta que era afinal só uma metade. Havia outro tanto para se descobrir mutuamente.






Foi a verdadeira globalização.





A Humana



 









Os Descobrimentos foram uma epopeia fenomenal que teve que pagar em bens mas principalmente em vidas esse esforço de um punhado de homens e também de mulheres, como está documentado por um autor anónimo na trágica narrativa do naufrágio do Galeão Grande S. João” de Manuel de Sousa Sepúlveda em 1552.

 


Uma outra história muito diferente foi o forte desenvolvimento e rápido declínio da nossa Marinha Mercante no Séc XX.



Foi por divina vontade...?


Ou... foi por humano desleixo!?




As primeiras companhias de navegação portuguesas aparecem em Portugal, nos finais do Séc XIX em plena era da máquina a vapor, com navios agora mais rápidos, substituindo os grandes veleiros comerciais.













A Empresa Insulana de Navegação  (EIN) foi constituída a 13 de Dezembro de 1871 com o propósito de fazer as ligações entre as Ilhas da Madeira e dos Açores com o continente americano.



A Empresa Nacional de Navegação "foi constituída em 1881, mediante contrato com o Governo Português, para efetuar a ligação marítima de Lisboa a Moçâmedes, as ligações entre as ilhas de Cabo Verde e entre estas e a Guiné, por um período de 10 anos. Tinha como acionistas as empresas Bensaude & Cia., Lima, Mayer & Cia. e Ernst George.

A rota dos navios a vapor da ENN tinha escalas nos portos de Porto Alexandre (atual Tômbua), Moçâmedes, Benguela e Novo Redondo (atual Sumbe), São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Lisboa. O regresso fazia-se pela mesma rota.




Em 1918 a empresa foi transformada e passou a ser denominada Companhia Nacional de Navegação" (CNN) (Wikipedia)

Durante a Primeira Guerra Mundial, são apresados navios alemães nos nossos portos, o que muito beneficia a actividade naval.




(Como o navio Alemão da Hapag, Numantia, que em 1914 se refugiou no porto de Mormugão - na antiga Índia Portuguesa - onde foi apresado em 1916 passando a denominar-se Cassequel.  

O Cassequel acabou por ser afundado pelo submarino alemão «U-108» sob o comando do capitão de corveta Scholz a 250 milhas a Sudoeste do cabo de S. Vicente no dia 14 de Dezembro de 1941. O submarino «U-108» foi por sua vez afundado pelos Aliados em 1944 no Mar Báltico.)




Como consequência lógica, no período pós-guerra são constituídas a Sociedade Geral, SG





e a Companhia Colonial de Navegação, CCN.





Esta última a 3 de Julho de 1922 por um grupo de firmas de Angola e da Guiné, com o fito de estabelecer um tráfego regular entre Portugal e as suas Colónias embora com navios antigos, desactualizados, obsoletos e em pequena quantidade.

Durante e principalmente após a Segunda Grande Guerra, com a premência de resolver problemas de toda a ordem nomeadamente de abastecimentos e transporte de um grande número de refugiados, as companhias de navegação vêem-se confrontadas com a necessidade de novos navios.

E em 1945, através do célebre Despacho 100 do Capitão de mar-e-guerra Américo Tomás, dá-se uma revolução na nossa Marinha Mercante.



Américo Tomás?...

quem foi este homem?



Foi o Presidente da República Portuguesa deposto no dia 25 de Abril de 1974.



Um brilhante Oficial da Marinha que teve o manifesto azar de ser colocado na Presidência da República por Salazar após umas polémicas eleições em que “derrotou” o General Humberto Delgado.

Américo Thomaz nasceu em Lisboa no dia 19 de Novembro de 1894.

Estudou no Liceu da Lapa entre 1904 e 1911.

Frequentou a Faculdade de Ciências, entre 1912 e 1914.

Iniciou a sua carreira militar como aspirante no corpo de alunos da Armada em 1914.

Em 1916, ao terminar o curso da Escola Naval e durante a I Grande Guerra, desempenhou funções no serviço de escolta aos comboios que se dirigiam para a Inglaterra e Norte de França, primeiro no cruzador Vasco da Gama, depois no cruzador auxiliar Pedro Nunes e nos contratorpedeiros Douro e Tejo.

Comanda ainda durante este período o guarda-marinha Janeiro com a missão de protecção aos navios de pesca que operavam em alto mar.

Em 1918 é promovido a 1.º tenente e serve como oficial imediato a bordo do contratorpedeiro Tejo.

A 3 de Outubro de 1919 é nomeado para a 3.ª Direcção-Geral do Ministério da Marinha.


Em 1920 Américo Tomás entra ao serviço do navio hidrográfico “5 de Outubro “ onde serviu nos dezasseis anos seguintes, desempenhando ainda as funções de chefe da Missão Hidrográfica da Costa Portuguesa e vogal da Comissão Técnica de Hidrografia, Navegação e Meteorologia Náutica e do Conselho de Estudos de Oceanografia e Pesca.



(A Oceanografia Portuguesa nasceu em 1 de Set 1896 quando D. Carlos a iniciou a bordo do seu primeiro iate Amélia.




Com a implantação da República em 1910 o último dos iates “Amélia” do Rei D. Carlos, o “Amélia IV”,




 foi rebaptizado como “5 de Outubro” e atribuído à Missão Hidrográfica da Costa de Portugal.)



Américo Tomás, continuando a sua breve biografia, foi perito do Conselho Permanente Internacional para a Exploração do Mar.

Participou ainda em levantamentos hidrográficos nos arquipélagos dos Açores e Madeira.

A 5 de Outubro de 1928 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

A 5 de Outubro de 1932 foi feito Comendador da Ordem Militar de Avis.

A 9 de Maio de 1934 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo.

Foi nomeado chefe de gabinete do Ministro da Marinha em 1936.

Presidente da Junta Nacional da Marinha Mercante de 1940 a 1944.

A 10 de Agosto de 1942 foi elevado a Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis.

A 1 de Agosto de 1953 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.

Em 1944, Américo Thomaz substituiu Ortins Bettencourt na pasta da Marinha, prosseguindo a política de “Regresso ao Mar”.

Foi Ministro da Marinha de 1944 a 1958.

Nesse ano é eleito Presidente da República em eleições muito contestadas em que concorreu com o General Humberto Delgado.

Foi reeleito em 1965 e em 1972 por colégio eleitoral.

Enquanto foi Presidente da República, morou sempre na sua residência particular. O Palácio de Belém servia-lhe unicamente como escritório e para as cerimónias oficiais.

Era muito pouco amado nas funções que tinha de exercer a mando de quem mais mandava, o ditador Oliveira Salazar.

Sem grandes dotes de oratória fazia normalmente a contabilidade das vezes que visitava as terras onde inaugurava amiúde os mais diversos equipamentos, como exposições de flores, sendo conhecido popularmente por "O corta-fitas".





Foi deposto na Revolução dos Cravos no dia 25 de Abril de 1974, pela Junta de Salvação Nacional, Lei nº 1/74 de 25 Abril, poucos meses antes de cessar funções.

Foi detido. enviado para a Madeira com Marcelo Caetano (o então Chefe do Governo) e mais tarde  recambiados para o Brasil.


E foi aí que um belo dia vim a ser seu vizinho de quarto.


As tripulações da TAP, nas estadias no Rio de Janeiro no início dos anos 70, ficavam hospedadas em plena Baia de Copacabana no simpático Hotel Miramar.

E uma manhã, ao sair do meu quarto, Co-Piloto de Boeing 747 a caminho da bela praia de Copacabana, dou de caras com os meus vizinhos do lado Almirante Américo Tomás a sua mulher Gertrudes e a filha Natália que saiam para o pequeno almoço no Hotel onde estavam  hospedados, dizia-se, por conta de alguns membros da Comunidade Portuguesa.

Segundo os empregados do Hotel o Almirante e a sua mulher eram simpáticos. A filha nem por isso...


Em 1978, o general Ramalho Eanes permitiu o regresso a Portugal do ex-Presidente.

Em 1980, morre, subitamente, a sua filha mais velha, Natália.

Foi-lhe negado o reingresso na Marinha e o regime de pensão extraordinária na altura em vigor para ex-presidentes da República.

A 18 de Setembro de 1987, Américo Thomaz morreu numa clínica em Cascais, após uma cirurgia, com 92 anos.


E no entanto...



Durante o desempenho de funções como Ministro da Marinha, o então Capitão de mar-e-guerra Américo Tomás foi o principal responsável pela elaboração e aplicação do Despacho 100, diploma que reestruturou e modernizou a Marinha Mercante portuguesa, permitindo também a constituição da moderna indústria da construção naval no país.

Naquele Despacho estava prevista, no prazo de 10 anos, a construção de 70 navios com um total de 376 300 toneladas de porte bruto distribuídos pelos diversos armadores nacionais.







Seriam construídos 9 navios mistos de passageiros e carga, 4 navios-tanque, 45 navios cargueiros e mais 12 navios costeiros para cabotagem em África e nas Ilhas Adjacentes.

Note-se que a 1 de Janeiro de 1945 a nossa frota de comércio de longo curso era constituída por 61 navios com 225.901 toneladas de arqueação bruta e 307.871 toneladas de porte bruto.

No Despacho 100 previa-se também que 60% das necessidades de transporte fossem supridas por navios portugueses.

O BENGUELA, navio de carga e passageiros de 1946 da Companhia Colonial de Navegação, foi o primeiro navio do Despacho 100 a navegar.

Esta acção fez com que, nos meios navais, ao contrário do resto da sociedade portuguesa, o nome do Almirante Américo Thomaz seja, ainda hoje, muito respeitado.

Surgiram assim diversas empresas que operavam quase exclusivamente entre o Continente e o Ultramar, as ex-Colónias, como as CNN, SG, CCN, EIN, CNCA, SOPONATA e SACOR. 

Funcionavam no entanto em regime de mercado altamente protegido, monopolista concorrencialmente controlado, um mercado fechado, e que operava quase exclusivamente entre as Colónias, as Ilhas e o Continente.

Os portos portugueses regiam-se também por estatuto monopolista. Eram inevitavelmente ineficientes, pouco produtivos, obrigando os navios a estadias prolongadas com custos de operação demasiado elevados.

No início dos anos 70 a CNCA funde-se na EIN, a SG funde-se na CNN e no início de 74 a EIN e a CCN dão origem à CTM.



E finalmente chega o 25 de Abril.

 


E uma série de factores empurram definitivamente o mercado marítimo para uma perda irreversível.

A massificação, eficiência rapidez e comodidade do transporte aéreo, cujo expoente máximo foi o Boeing B747, em que fui Co-Piloto na TAP entre 1974 e 1976

A Revolução do 25 de Abril, o fim do Império, o regresso definitivo de todos os militares e de pouco menos de um milhão de portugueses a Portugal Continental, quase exclusivamente em grandes e rápidos aviões, a maior parte Boeings B707 e B747 na maior Ponte Aérea da História Mundial.

A Revolução e o PREC (Processo Revolucionário Em Curso) levaram o país inevitavelmente para as nacionalizações.

Da banca e seguros, por exemplo que acarretaram a nacionalização da Marinha Mercante portuguesa transformada em várias Empresas Públicas, controladas pelo Estado através de Gestores Públicos com modelos de exploração incapazes de concorrer no mercado internacional.

De todas aquelas empresas só a SOPONATA consegue evoluir, modernizando-se e renovando a frota.

E é neste contexto que surge o que se afigurava ser a solução de todos os males:


- A União Europeia


Em 1977, a 28 de Março, Portugal apresenta a sua candidatura de adesão à União Europeia e assina o acordo de pré-adesão a 3 de Dezembro de 1980.

Em 1984 as enormes dívidas acumuladas na maioria das empresas do sector marítimo leva à extinção da CTM e CNN.

No dia 12 de Junho de 1985 é assinado em Lisboa o Tratado de Adesão de Portugal à CEE.

A Espanha assina o Tratado de Adesão em Madrid no mesmo dia.


Em 1 de Janeiro de 1986 Portugal é formalmente membro da CEE


E toda a nossa economia é obrigada a acomodar-se ao mercado comum para cumprir as normas do Tratado.



E foi assim que...


Entre 1986 e 1998, o PIB português cresceu a uma média de 5% ao ano, depois baixou para zero. O desemprego, em 1998, estava nos 5%  subiu para 8% em 2005.

A divida pública era 55% do PIB.

Subiu para 64%









Em 1992 a CEE dá origem á União Europeia





O rendimento "per capita", em 1998, era 71% da média europeia.













Portugal adere ao Euro em 2002




O rendimento "per capita", desceu para 66% da média europeia em 2005.


A moeda forte, o crédito barato, a corrupção a alto nível (que hoje começa a conhecer-se melhor e ainda a procissão vai no adro) levam ao aumento do consumo interno e ao forte endividamento das famílias.



E sem darmos por ela ficámos sem Marinha Mercante!

 Mas também sem frota de pesca...

 

Atendendo a que cerca de 90% dos bens mundiais são transportados por via marítima e, desses, 70% são-no em contentores, percebe-se o interesse da UE da altura pela nossa Marinha Mercante...



Tornámo-nos num pequeno país à bolina, num enorme Mar.

Sem barcos para navegar…

 



Os Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: 

"Navegar é preciso; viver não é preciso."




Navigare necesse; vivere non est necesse" - em latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra



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Para compor esta concisa THNMM (Trágica História da Nossa Marinha Mercante) utilizei principalmente os muitos saberes de Luis Miguel Correia que escreve em inúmeros Blogues e é uma referência em História Naval.

Fui buscar também informação a muitos outros autores, de que dou conta abaixo nas ligações que utilizei.

A todos os meus respeitos, agradecimentos e a garantia de que tudo o que escrevi a eles o devo.

Nos mesmos sítio da blogsfera encontrei as fotos que ilustram a história.

Brevemente publicarei Álbuns de fotografias dos muitos navios que cobriram os Mares do Império Português.


Em vários dos quais tive grande prazer em navegar...


É que para viver, eu precisei mesmo de navegar...

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Actualmente,

"a Empresa de Navegação Madeirense (ENM), do Grupo Sousa, a mais antiga de Portugal, a operar desde 1907, tem o maior e mais moderno navio porta-contentores detido por armadores nacionais.





A embarcação foi construída no Japão em 2009, tendo capacidade para transportar até 1.577 contentores de 20 pés.







Este navio, o ‘Raquel S’ (ex Windhoek) foi inscrito no Registo Internacional de Navios da Madeira. E será operado pela PCI – Portusline Containers International, do Grupo Sousa, entre Portugal, Marrocos, Canárias, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Esta nova embarcação vem “reforçar a frota de navios próprios do Grupo Sousa”, que detém, neste momento, os porta-contentores “Laura S” e “Funchalense 5”, além do ‘ferry’ “Lobo Marinho”, o qual assegura a ligação marítima de passageiros e carga rodada entre as ilhas da Madeira e Porto Santo.


Além destes quatro navios próprios, o Grupo Sousa opera ainda outros quatro fretados, tendo sob a sua gestão um total de oito embarcações."

(Notícia Sapo)



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Não percam o próximo capítulo desta novela, recentemente publicado.



Para ver aqui, nesta ligação:



<<<  As minhas viagens  nos nossos fantásticos navios do Século passado.   >>>

    
Onde, democraticamente, se misturam coristas do Vasco Santana, simulacro de abuso de menores, entre outras coisas, mas sempre no Mar Alto, naquele embalo inesquecível



Não vos quero roubar mais tempo e convido-vos então para verem os

Álbuns de fotografias

da maior parte dos navios que encheram os nossos mares.


São todos os que consegui encontrar neste outros mares, a Internet e a blogosfera.

(Todos os Álbuns abrem numa nova janela. Não se vai perder...)



Tivemos umas seis ou sete empresas apetrechadas com navios.
De carga e de passageiros.



Vejam só:


A. Couto ---- Empresa do Limpopo A. Couto Limitada - Lourenço Marques
CCN ---------- Companhia Colonial de Navegação
CNN --------- Companhia Nacional de Navegação
ENM --------- Empresa Nacional da Madeira
INSULANA -Empresa Insulana de Navegação
SG ------------ Sociedade Geral


Bons cruzeiros!













Algumas das Ligações utilizadas, mais ou menos por ordem de acesso:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_Lisuarte_de_Abreu
http://jaimemb.no.sapo.pt/ilustra/HistoriaTMnv.htm"://jaimemb.no.sapo.pt/ilustra/HistoriaTMnv.htm
http://www.transportes-xxi.net/noticias/810
http://lmc-naviosportugueses.blogspot.pt/
http://nossomar.blogs.sapo.pt/1282.html
http://www.companhiademocambique.blogspot.pt/
http://lusotopia.no.sapo.pt/indexPTEuropa.html
http://www.clusterdomar.com/index.php/temas/case-study/2-uncategorised/129-um-pouco-de-historia-a-marinha-mercante-portuguesa
http://www.arqnet.pt/portal/imagemsemanal/janeiro0503.html
http://salvaterraeeu.blogspot.pt/2012/01/lembrancas-da-marinha-mercante.html
http://espoliado.blogspot.pt/2011/07/marinha-mercante-portuguesa-infante-dom.html
http://www.vidaslusofonas.pt/index.htm
http://www.simplonpc.co.uk/
https://plus.google.com/106305025568133775583" Miguel Correia
http://lmcshipsandthesea.blogspot.pt/2011/08/despacho-100-promulgado-ha-66-anos.html
http://lmc-naviosportugueses.blogspot.pt/
http://santamariamanuela.blogspot.pt/
http://lmc-creoula.blogspot.pt/
http://www.companhiademocambique.blogspot.pt/2009_03_01_archive.html
https://digitarq.arquivos.pt/details?id-4166360
https://www.vesselfinder.com
http://naviosvelhos.blogspot.com
http://mz.geoview.info
https://geographic.org/geographic_names
http://lmc-naviosportugueses.blogspot.com
http://lugardoreal.com
https://funchalnoticias.net
http://www.tribunadamadeira.pt






(Actualizada em 3 de Setembro de 2018)