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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Outras histórias - O Memorial em Bolama


Uma história surpreendente a não perder. 


 

     Hidroavião Savoia Marchetti S 55





Foi escrita e ilustrada pelo meu amigo e colega aviador  Gonçalo Inocentes (Matheos) 



Não é um novato nisto da escrita.



















O seu último trabalho, sobre os "Espírito Santo por terras de África", com o titulo "As cheias do Rio Catumbela", é já uma obra indispensável na História do Portugal Ultramarino e de Angola, se eles o quiserem.



Aqui, mantendo a apetença por África, conta-nos um episódio verídico de pioneiros da Aviação, Italianos, por terras da Guiné portuguesa nos anos 30 do século passado.




Vamos então ler a história do Gonçalo Inocentes...


O Memorial









Ando de há uns tempos a esta parte envolvido num Memorial como resultado de uma história que descambou para três histórias, que deram vida a um livro que arrancou com uma proposta.

Não falei nunca a todos os que tenho contactado por este projecto, que guardo uma outra história de um outro memorial, a que vou dar asas agora.
Mobilizado para uma comissão militar na Guiné (1964), vi-me assentar os ossos em S. João na zona de Quinhará, um quartel nascido de um Posto Administrativo e edificado com chapas de tambores de 200 litros, formando um genuíno, autêntico, “bidonville”.

Um dos primeiros embates de guerra que tive de enfrentar foi a gerência da messe, pois como é norma no exército avançam os mais novos e eu acabara de entrar numa unidade que contava então mais de um ano de mata.  





Acabou por ser um mês fantástico de aprendizagem e gratificante pelos resultados. Aprendi matéria até aí novíssima para mim: a gerência, o relacionamento com cozinheiros, menus, produtos, compras e contas.
As compras de frescos, animais vivos, carnes, etc. era feita no mercado da ilha de Bolama que ficava a pouco mais de milha e meia do outro lado de um braço de mar. Mercado que eu percorria em jeep Willys que para esse efeito estava ali estacionado, visitando todas as tabancas desde a Ponta do Preço Leve a sul até à Ilha das Cobras a norte.

Bolama foi criada em 1871 depois de um conflito de interesses com o nosso “amigo” de sempre, a Inglaterra, que a partir da Serra Leoa ocupava sem cerimónia territórios da nossa Coroa, dado que o nosso governo local estava então instalado em Cabo Verde. 

Na corrida desenfreada à ocupação efectiva do território africano, que iria ver o fim na Conferência de Berlim (1884-1885), as tropas britânicas da colónia da Serra Leoa instalaram-se na ilha de Bolama, iniciando uma disputa pelo controlo da zona que culminou em 1870 com a decisão arbitral do presidente norte-americano Ulysses S. Grant que reconheceu a soberania portuguesa. 

O Governo português ordenou então a ocupação efectiva daquela possessão.
Como consequência imediata foi criado um governo na Guiné, separado de Cabo Verde, sendo escolhida como sede a vila de Bolama, estabelecendo assim uma activa presença portuguesa no território que havia sido alvo da cobiça de Sua Magestade.
Seguiram-se acções militares para levar à submissão diversos povos como os beafadas em Djabadá, os papéis em Bissau e no Biombo, os balantas em Nhacra e os manjacos em Catió que tinham sido aliciados pelos ingleses com armas.

Djabadá foi um ponto onde em 1965 conheci o ardor dos combates.

Em 1879 Bolama foi elevada à categoria de cidade e capital da Guiné, estatuto que manteve até 1941 quando esta se mudou para Bissau, por falta de água potável na ilha.
Por essa razão encontrei em Bolama a agradável surpresa de ser confrontado com edifícios de porte e arquitectura inerentes às capitais, embora já em estado de degradação avançada.

Mas as minhas atenções recaíram sobre um memorial que me contava uma história de aventura, daquelas que polvilhavam a minha memória e imaginação. Chegava-me a ele e durante longos minutos sonhava. 

O soldado condutor do jeep sabia que aquela era paragem obrigatória.

Estava ali em pedra a história de uma grande empresa em aviação, num tempo quando as asas deram asas à ousadia, ao sonho atraente, empolgante, levado a cabo por homens que andaram por aí a fazer História.

















Pouco depois da meia-noite do 17 de Dezembro de 1930, doze hidroaviões Savoia-Marchetti "S -55 - A" descolaram da Baía de Orbetello, na Toscana, a norte de Roma e frente à ilha de Elba. 




























Esquadrilha comandada pelo piloto Italo Balbo com destino final o Rio de Janeiro onde chegaram, não sem dor e acidentes em 15 de Janeiro de 1931







Ao longo de 8.000 km de rota os hidroaviões de Balbo fizeram o primeiro cruzeiro transatlântico em esquadrilha.



Aquele Memorial conta essa empresa.









Como antes referi o memorial de Bolama era a minha passagem obrigatória no decorrer das compras para a messe. Aqueles minutos bem mastigados eu levava comigo, atravessava o Canal do Porto no nosso barco verde com motor fora de borda e naquelas noites de mato quando o silêncio se abatia sobre todos, eu ruminava-os até adormecer profundamente. Sonhava.

Na década que antecedeu a II Grande Guerra a Itália de Benito Mussolini pretendia afirmar-se como potência aeronáutica e nesse sentido delineou e levou a cabo várias travessias como mostra do seu poderio aéreo, quer para a Ásia, quer para as Américas do Sul e do Norte.
O cérebro de todo este programa foi o seu Ministro do Ar general-piloto aviador Ítalo Balbo.
De todas elas, a travessia que me apaixonou e levou a tantos sonhos e travessias também foi a fantástica “SQUADRIGLIA NERA IDROVOLANTE CROCIERA ITALIA-BRASILE” de 1931.






Apaixonou-me ao ponto de uns anos mais tarde eu ter levado a cabo, realizado também uma travessia atlântica num pequeno avião.

Com efeito Ítalo Balbo rodeou-se de dois preciosos apoios: o General Giuseppe Valle e o Ten. Cor. Umberto Maddalena. Os três delinearam um exaustivo programa que começou nos requisitos técnicos das aeronaves, ao estudo de rota, treinos intensíssimos, estudo de meteorologia e logística.

Já antes muitos outros tinham feito travessias, feito feitos que ficaram na história, como os nossos Gago Coutinho e Sacadura Cabral, a Amélia Earhart, Charles Lindbergh, etc. Mas esta tinha uma particularidade que me fascinou: era uma travessia em esquadrilha o que multiplicava os problemas pelo número de aviões envolvidos. 



















O avião escolhido foi o SAVOIA MARCHETTI - S.55-A. Um hidroavião equipado de um motor Isotta Fraschini “Asso” 500 R.I. com uma potência de 505 HP (sea level), um hélice tractor e outro propulsor, um peso básico de 5.150 kg e máximo à descolagem de 7.450 kg, velocidade máxima de 120 kts/h e uma autonomia de 950 milhas náuticas (nm).


A esquadra foi dividida em 4 esquadrilhas: Negra, Vermelha, Branca e Verde. 

A matrícula dos aviões era composta por um “I” de Itália, seguido de um traço e quatro letras do nome do comandante. 


Assim, a força expedicionária foi composta da seguinte forma:


SQUADRIGLIA NERA

I-BALB / Gen. Italo balbo; Cap. Stefano Cagna; Ten. Gastone Venturini; S.Ten. Gino Cappannini.
I-VALL / Gen. Giuseppe Valle; Cap. Attilio Biseo; M.llo Giovanni Carascon; S.M. Erminio Gadda.
I-MADD/ T.Col. Umberto Maddalena; Ten. Fausto Cecconi; S.Ten. Giuseppe D’Amonte; Serg. Cesare Bernazzani.

SQUADRIGLIA ROSSA

I-MARI / Cap. Giuseppe Marini; Cap. Alessandro Miglia; M. llo Salvatore Beraldi; Serg. Davide Giulini
I-DONA (riserva) / Cap. Reneto Donadelli; Ten. Pietro Ratti; Serg. Ubaldo Gregor; S.M. Raffaele Perini.
I-RECA/ Cap. Enea Recagno, Ten. Renato Abbriata, S.M. Francesco Mancini, Serg. Luigi Fois.
I-BAIS / Cap. Umberto Baistrocchi; Ten. Luigi Gallo; S.M. Francesco Francioli; 1° Av. Amedeo Girotto.

SQUADRIGLIA BIANCA

I-AGNE / Cap. Alfredo Agnesi; Ten. Silvio Napoli; 1° Av. Giuseppe Virgilio; S.M. Ostilio Gasparri.
I-DRAG/ Cap. Emilio Draghelli; Ten. Leonello Leone; 1° Av. Carlo Giorgielli; S.M. Bruno Bianchi.
I-BOER/ Cap. Luigi Boer; Ten Danilo Barbi Cinti; S.M. Ercole Imbastari; Serg. Felice Nensi.
I-TEUC ( riserva) / Ten. Giuseppe Teucci; Ten. Luigi Quest; 1° Av. Giuseppe Berti; S.M. Arnando Zana.

SQUADRIGLIA VERDE

I-LONG/ Magg. Ulisse Longo; Cap. Guido Bonini; M. llo Mario Pifferi; Ten. Ernesto Campanelli.
I-CALO/ Ten Jacopo Calò Carducci; S.M. Ireneo Moretti; 1° Av. Tito Mascioli; Serg. Augusto Romin.
I-DINI/ Ten. Letterio Canni Stracci; Ten Alessandro Vercelloni; Av.Sc. Alfredo Simonetti; S.M. Giuseppe Maugeri.

A base de partida era Orbetello que fica na costa mediterrânica da Toscania a leste da ilha de Elba. A rota seguia por Los Alcazares em Murcia, sul de Espanha a 650 nm. Kenitra em Marrocos, na costa do Atlantico a 420 nm. Villa Cisneros no Sahara Espanhol a 870 nm. Bolama na Guiné Portuguesa a 810 nm. Natal no Brasil a 1620 nm. S. Salvador da Baia a 540 nm e por fim o Rio de Janeiro a 750 nm. 

Era ambicioso manter reunidos todos aqueles aviões durante 5.660 milhas.

O dia 17 de Dezembro de 1930 era o dia grande. Uma Quarta-feira.












De volta ao ponto e data de partida para a grande travessia.  Como disse o ponto de partida foi Orbetello. Aí em 01 de Janeiro de 1930 foi inaugurada a Scuola di Navigazione Aerea di Alto Mare "N.A.D.A.M". (imagem)
Na primavera, chegaram a Vigna di Valle duas aeronaves do novo S-55 A, com motores FIAT 22 R . Uma delas foi confiada a Calo Carducci que com o coronel Ilari, foi a Bolama para verificar a capacidade de decolagem, características ambientais, e tudo o que implicava numa descolagem para o salto no Atlântico.
Em Orbetello tudo foi estudado, tudo foi treinado. Foram escolhidas as tripulações para todos os 14 aviões que incluía dois de “spares”.

Passaram um ano em estudo: navegação, astronomia, treino de voo por instrumentos, ditos voos cegos, simulador de vôo que à época eram simples e básicos “link-trainers”, prática de voos nocturnos, decolagens em plena carga, amaragens em alto mar.

Foram pintadas faixas nas asas com a cor da esquadrilha que o avião pertencia.











Em Junho, começaram os testes mais exigentes de longo curso, dia e noite, de Orbetello para a costa espanhola e norte de África. 3100 km de treino mesmo em situações estremas, não apenas técnicas como meteorológicas.


Foram treinadas amaragens em alto mar tendo ocorrido que o piloto Valle e sua tripulação foram salvos por um barco de pesca grego, a meio do Mediterrâneo.














Os ensaios de decolagem com carga máxima foram feitos por todas as aeronaves. Sob orientação do Cor Maddalena e foi simulado em vinte horas de voo toda a travessia.
Estabeleceram-se as bases de escalas, suprimentos e suporte naval ao longo da rota, para o final de Novembro, todos os preparativos estarem concluídos.





Na madrugada de 17 de Dezembro, depois de vários dias de adiamentos devido ao mau tempo, 14 equipas (56 homens), além de mais 12 de reserva, homens que embarcaram em navio de guerra, soltaram-se amarras, segundo a ordem sendo a primeira esquadrilha, a Negra, com as aeronaves I-BALB, I-VALL, I-MADD, a decolarem em direção ao Mediterrâneo ocidental, seguida pela Branca, Vermelha e por último a Verde.

O mau tempo encontrado na zona das Baleares partiu a esquadra em duass, vendo-se um obrigados a amarar em Maiorca com avarias, tendo a outra seguido para Los Alcazares.

Reunidos de novo descolaram todos no dia 21 de Dezembro para Kenitra.

Chegaram à nossa Bolama no dia de Natal, onde tiveram honras por parte de um navio da armada italiana.
Foi decidido eliminar todo o peso supérfluo chegando ao ponto de trocar o engenheiro Dario Parizzi que pesava 78 Kg por Cappannini que pesava apenas 54.

O calor que ali faz com humidade elevadíssima obrigou a experiências de descolagem para cálculo de peso máximo.
Tiveram também de lidar com os tornados frequentes com que não estavam familiarizados. Também eu, quando lá cheguei e esperava em Bissau ordem de partida para Bolama vi de repente que todo o mundo fugia cada um para seu lado. Pensei que era um ataque do PAIGC, mas afinal tive o baptismo de tornado. Depois aprendi a senti-lo à distância.

Com a melhoria das condições meteorológicas no oceano, em 5 de Janeiro, Ítalo Balbo decidiu dar a partida fixando-o para as 01:30 do dia 6, para aproveitar a temperatura mais baixa e lua cheia. 

À hora programada foi lançado um very-light verde que se elevou no céu iluminando o canal que tão bem conheci. Foi acesa uma fogueira na praia da ilha das Cobras para servir de farol.



Esta noite irá ficar para a história.











À hora programada, 01:30 do dia 6 de Janeiro e depois do very-light verde incendiar o céu do Canal de Bolama o I-MADD sob o comando do Tem. Cor Humberto Madalleno começou sua corrida nas águas quentes em direção de um grande fogo ateado na praia da ilha das Cobras para servir de farol e descolou rumo a Natal.
Logo depois, a um ritmo estipulado as aeronaves foram descolando com a ordem marcada para as esquadrilhas.





Quando os outros 12 já estavam no rumo e às 3:00 horas o avião I-RECA, depois de longa corrida sobre as águas a toda a potência descolou, subiu um pouco, perdeu velocidade meteu asa em baixo e o impacto no mar com o casco direito foi violento tendo morrido o sargento Luigi Fois. Os restantes tripulantes Capitão Enea Recagno, Tenente Renato Abbriata, e Radiotelegrafista Francesco Mancini foram salvos pela armada italiana.





 O avião I-RECA depois do impacto



12 minutos depois foi a vez do  I – BOER descolar. Na potência máxima também descolou mas alguns metros depois entrou pelo mar em perda. O impacto foi violentíssimo o que provocou explosão e incêndio e toda a tripulação ali faleceu. Capitãio Luigi Boer, Tenente Danilo Barbicinti, Sargento radiotelegrafista Hercole Imbastari, Sargento Felice Nensi.

Estas perdas não fizeram esmorecer os restantes e a operação prosseguiu com destino final no Rio de Janeiro. Com efeito, os dois aparelhos que se despenharam, fizeram estremecer a missão que esteve em risco de se malograr. Não aconteceu por força da têmpera do General Ítalo Balbo que segurou a continuidade. Era de facto um líder.

Resta desse desastre aquele belo memorial que me prendeu ao seu significado. Ele reproduz o momento com duas asas; uma das quais quebrada e caída nas águas do mar de Bolama e a outra erguida aos céus vitoriosa. Tudo abraçando um “fascio littorio” simbolizando a grandeza de Roma Imperial.

O monumento foi obra do escultor Quirino Ruggeri, feito por italianos e com pedra italiana, ida de Itália, para esse fim, mandado erguer por Benito Mussolini.

Na sua base lá se encontra a coroa de bronze por ele oferecida, com uma singela inscrição — “Mussolini al cadutti di Bolama”. 

Ao lado, a águia da fábrica de hidroaviões Savoia, uma coroa com fáscios da Isotta-Fraschini e também a coroa de louros da Fiat. 



Inauguração do memorial em Bolama    

















Inaugurado em Dezembro de 1931 sendo de notar que este será um dos raros monumentos do fascismo italiano no mundo, que no fim de 1945 não foi destruído. 






“AL CADUTI DI BOLAMA L’ITALIA” 








Quando ali encostado vivia toda aquela envolvência todo o romantismo que motiva os homens do ar.







Ítalo Balbo chegou a dizer que se apenas 6 aviões chegassem ao Rio de Janeiro a empresa seria um sucesso.

Claro que sim!  
Eu tenho certeza que não seremos menores do que o destino que nos espera, aqueles que sabem, mas sempre que o destino é dos pioneiros. Palavras suas.
















A 15 de Janeiro apenas 11 hidroaviões sobrevoaram o Rio de Janeiro em formação. A recepção foi entusiástica excedendo todas as espectativas.


















A 7 de Fevereiro todos os homens envolvidos na grande travessia embarcaram no navio vapor Conte Rosso para o regresso a casa.





Os aviões ficaram no Brasil cedidos à Força Aérea Brasileira em troca de 50.000 sacos de café.




A Lenda
















Os italianos fizeram a travessia do Atlântico Sul em esquadrilha, como atrás descrevi de forma muito sucinta. 

Fizeram também a travessia do Atlântico Norte com o dobro de aviões. 
Destas travessias nasceu uma lenda porque tinha estatura e estrutura de lenda.

E a lenda tem um nome:

Ítalo Balbo.






Há quem o envolva apenas em papel pardo como um produto do fascismo, porque simplesmente não tem a capacidade de descortinar um homem, um mito, uma lenda no meio do inferno. Em todos os regimes do mundo, sejam eles quais forem, houve, há e haverá sempre alguém com estatura gigantesca e quem embrulha tudo no mesmo papel é porque simplesmente é muito pequeno.

Ítalo Balbo foi um homem do regime do Duce. Foi ministro e governador da Líbia. Mas teve-os no sítio para condenar a invasão da Polónia pela Alemanha de Hitler e opor-se à legislação que decretou normas específicas para os judeus em Itália.

Se pensarmos que apenas com 14 anos de idade participou numa revolta militar na Albânia sob o comando de Riccioty filho de Garibaldi, que foi empregado bancário, Ministro da Aeronáutica, Governador-Geral da Líbia, General e Marechal. Que foi também um escritor com vários trabalhos publicados.
Que o presidente Franklin D. Roosevelt dos EU o condecorou. Que o mayor de Chicago decretou o “Balbo’s Day” e deu o seu nome a uma rua.
























Que o povo Sioux o reconheceu como um dos seus e o elevou à estatura de “Chief Flying Eagle”, coroando-o com um cocar.


Foi de facto uma figura lendária.

























 













Em face dos seus feitos e reconhecimento mundial, Mussolini ofertou à cidade de Chicago uma coluna de Ostia Antica, que ainda pode ser vista no passeio ribeirinho do lago Michigan, em Burnham Park. Ficou para a História como a Balbo Column








Este presente do governo italiano erguido em frente ao pavilhão italiano para a Feira Mundial de Chicago de 1933, foi retirado das ruínas de um templo romano em Ostia para esse fim. Ele homenageia o voo transatlântico do General Italo Balbo, que foi um golpe de propaganda do governo fascista de Mussolini.

Na base da coluna está inscrita em italiano e em inglês:



THIS COLUMN

TWENTY CENTURIES OLD
ERECTED ON THE SHORES OF OSTIA
PORT OF IMPERIAL ROME
TO SAFEGUARD THE FORTUNES AND VICTORIES
OF THE ROMAN TRIREMES
FASCIST ITALY BY COMMAND OF BENITO MUSSOLINI
PRESENTS TO CHICAGO
EXALTATION SYMBOL MEMORIAL
OF THE ATLANTIC SQUADRON LED BY BALBO
THAT WITH ROMAN DARING FLEW ACROSS THE OCEAN
IN THE ELEVENTH YEAR
OF THE FASCIST ERA
















Balbo foi nomeado Governador Geral da Líbia para ser afastado de Roma, porque a sua popularidade cresceu em demasia o que desagradou por completo Mussolini.



















Ítalo Balbo acabou aos comandos de um avião bombardeiro médio, o trimotor, Savoia-Marchetti SM.79 Sparviero (gavião).








    Os destroços do avião











Em 28 de Junho de 1940 foi abatido nos céus de Tobruk na Líbia, não se sabendo se pela artilharia antiaérea italiana ou pelo fogo do cruzador San Giorgio. Tinha 44 anos de idade.













 







Após a sua morte a Força Aérea Britânica num voo arrojado lançou em paraquedas sobre o aeroporto de Tobruk uma coroa de flores com a seguinte mensagem:




















«Le forze aeree britannicche esprimono il loro per la morte del Marescialo Balbo, un grande condottiero e un valoroso aviatore che la sorte pose en campo averso». 







Enfim, coisas de pilotos.



Quando em Bolama encostado às grossas correntes que circundam o Memorial imaginava coisas de aviadores mas muito longe do que na realidade aquele bloco de pedra representava.


Gonçalo Inocentes




(Já agora, e porque se contou aqui uma grande história de Hidroaviões, vale a pena ver o que se passou em Moçambique, há muitos e muitos anos, também com Hidroaviões, no blogue "houseofmaputo" onde também se podem matar saudades daquela fantástica terra.

Grande história esta, não deixem de ler...)




Terminada a história do Gonçalo Inocentes, deu-me para pesquisar sobre o outro "raid" do malogrado aviador italiano aos Estados Unidos referido na história que acabam de ler.

E encontrei este surpreendente documento sobre a passagem da outra Esquadrilha de Italo Balbo pelos Açores no regresso a Itália.




Chamo a atenção de que se trata da transcrição integral de um texto do Museu Carlos Machado de Ponta Delgada referente a uma exposição ali realisada em 2013



Podem ler a mesma história aqui neste link.


Segue-se então o texto da página do sítio do Museu na net:





Nos 80 anos da passagem pelos Açores da esquadrilha do Marechal Ítalo Balbo




Em 1933, sob o comando do Marechal Ítalo Balbo, ministro da aeronáutica de Benito Mussolini, realizou-se um “raid” com início em Orbetello e destinado a mostrar o vigor da Força Aérea italiana da época na exposição mundial de Chicago. A esquadrilha era composta por vinte e cinco aviões Savoia Marchetti S 55 X, tendo um, o I – BALDI, capotado à amaragem em Amestardão, só chegando a Chicago vinte e quatro aviões.



Na rota de regresso a Itália, realizou-se uma paragem nos Açores para repouso e reabastecimento tendo sido determinado, dada a dimensão das baías artificiais dos portos de Ponta Delgada e da Horta, que 9 aviões escalariam a Horta e os restantes 15 escalariam Ponta Delgada. Em ambos os portos estavam navios italianos de apoio à esquadrilha.



Foram organizadas recepções oficiais em ambas as cidades para os “valorosos aviadores” que, a 8 de Agosto de 1933, desfilaram em formação pelas ruas, perante o exuberante entusiasmo da população.



Na manhã do dia seguinte, postos a rodar os ruidosos motores “Isota Fraschini” dos aviões brancos, decorados com verdes e vermelhos, e igualmente perante uma entusiástica população que encheu por completo o “Aterro”, o “Cais do Clemente” e a Doca, iniciou-se a descolagem das máquinas voadoras, com Balbo ao comando no seu I-BALB.



Em Ponta Delgada, um dos últimos a descolar foi o I-RANI que tinha como tripulação o capitão, piloto Celso Ranieri, o tenente, piloto Enrico Squaglia, o serg., mecânico Luigi Cremashi e o serg. rádio tele. Aldo Boveri. Ao descolar, na corrida final, embateu numa pequena onda, o suficiente para o fazer capotar. Do acidente, para além da quase total destruição do avião, resultou a morte do piloto, tenente Enrico Squaglia. Às cerimónias fúnebres realizadas em Ponta Delgada, associou-se a população, manifestando o seu profundo pesar pela morte do jovem aviador.



Dos destroços do I-RANI perduraram até hoje dois dos três lemes de direção, que integram as coleções do Museu Carlos Machado.










Em 2012, foi realizado para o museu o modelo do I-RANI, à escala 1/8, pelo engº José Toste Rego e pelo sr. Carlos Rodrigues. Este barco voador monoplano de dois cascos é um Savoia Marchetti S 55 X, a décima versão deste avião que se tornou um ícone da aeronáutica italiana e que proporcionou grandes êxitos, tendo sido o primeiro aparelho europeu a alcançar a América por ar.





A realização do modelo do I-RANI foi baseada nos planos do Comandante Clair Ibersol Gonzalez, proprietário da “Casa da Balsa”, no Sul do Brasil. Por o plano ser do “Jahú”, o único Savoia Marchetti 55 existente e recentemente reabilitado, houve que fazer as alterações para o transformar no “I-RANI” que, apesar de manter as mesmas dimensões, era de um modelo com menos 10 anos, beneficiando de soluções mais modernas. As informações para estas alterações foram obtidas em literatura existente sobre este avião, em fotografias e em filmes da época.



No modelo do I-RANI, e por opção dos construtores, construiu -se a “nacelle” dos motores parcialmente carenada, não só para que os motores se vissem, como também para homenagear o Marquês “Francesco di Pinedo” que por aqui passou em 1927, pilotando um Savoia Marchetti s 55, modelo C, denominado “Santa Maria II”.





Os meus agradecimentos ao Museo Carlos Machado pela publicação aqui deste texto e por ter preservado uma memória importanta da História dos primórdios da Aviação




domingo, 20 de agosto de 2017

Outras histórias - Breve História da Guiné



Como Guineense, não podia deixar de escrever
uma breve história sobre a Guiné-Bissau.

Socorri-me de várias fontes mas principalmente

do Blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné",

a quem agradeço a muita informação.

Mais abaixo indico o endereço deste Blogue







Breve História da Guiné

(A terra onde nasci)

 

Até à independência





Breves notas


do site Africa.com

A Guiné-Bissau nos dias de hoje:









A República da Guiné-Bissau está localizada na África Ocidental.

Os países com quem tem fronteiras são a Guiné-Conacri a sul e a leste, o Senegal ao norte e o Oceano Atlântico a oeste. O país tem 37 mil quilómetros quadrados. A população é de, aproximadamente, 1,694 milhões

A língua oficial, portuguesa, é falada apenas por 14% da população. O Kriol, uma língua crioula baseada no português, é falada por 44%. As demais pessoas falam línguas nativas. O islamismo e as religiões indígenas são os mais praticados.

A Guiné-Bissau faz parte da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, da União Africana, dos PALOP e da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul e da Francofonia.




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Economia

A Guiné-Bissau tem um dos mais baixos PIB per capita do mundo.
A agricultura é uma grande parte da economia. As principais exportações são peixes, amendoim e castanha de caju. A instabilidade política deprimiu a economia.
Em 1997 a Guiné-Bissau aderiu a o sistema do franco CFA.

Regiões e Sectores


Existem oito regiões na Guiné-Bissau e um sector. São Bafatá, Biombo, Bissau, Bolama, Cacheu, Gabu, Oio, Quinara, Tombali e o sector autónomo. Estes são subdivididos em 37 sectores.


Geografia


A Guiné-Bissau, com 35,125 km2, é um pouco maior do que a área de Taiwan ou da Bélgica. Tem uma altitude baixa com seu ponto mais alto a 300 metros. O litoral é uma planície com pântanos e o interior é uma savana. Tem uma estação chuvosa semelhante a uma monção.

As principais cidades são Bissau, a capital (população 388.028), Bafatá (22.521) e Gabu (14.430).
Há uma média de 2.024 mm de chuva por ano, mas esta cai principalmente na estação chuvosa, entre Junho e Setembro.


Demografia


Os guineenses estão divididos em muitos grupos étnicos, incluindo o Fula, Mandinga, Balanta, Papel, Manjaco e Mancanha. Existe também uma minoria cabo-verdiana e pessoas de origem mista portuguesa e africana.
Os portugueses são apenas uma pequena percentagem da população. A maioria deixou a Guiné após a independência.


Saúde


Existem menos de 5 médicos por cada 100.000 habitantes na Guiné-Bissau
Embora tenha aumentado, a expectativa de vida ao nascer ainda é de apenas 49 anos.

Educação


Existe educação obrigatória dos 7 aos 13 anos.

Música


A música da Guiné-Bissau é principalmente do género polirrítmico gumbé.
O instrumento tradicional na Guiné-Bissau é a calabaza, que é usada em música de dança complexa.






Breve cronologia


Resumida e editada por mim, com elementos basicamente coligidos por Luís Graça
no seu blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
(mais de 8.053.221 visualizações) 
mas também com a ajuda dos sites que refiro no final desta história
 
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No século XIII, chegam a esta região da costa ocidental de África os povos naulu e landurna, na sequência do declínio do império do Ghana.

Antes da chegada dos Europeus e até o século XVII, a quase totalidade do território da Guiné-Bissau integrava o reino de Gabu, tributário do legendário Império Mali, dos mandingas, que florescera a partir de 1235 e subsistiu até o século XVIII. Os grupos étnicos eram os balantas, os fulanis, os mandayakos e os molinkes.
 


 
Monumento a Nuno Tristão em Bissau. Site: "Guiné 1968/69"   











O primeiro navegador e explorador europeu a chegar à costa da actual Guiné-Bissau foi o português Nuno Tristão, em 1445.





Inicia-se então um longo processo de implantação do monopólio comercial na região, incluindo ouro e escravos, o qual vai ser, durante muito tempo, frequentemente e sobretudo contestado por corsários e traficantes franceses, holandeses e ingleses

















A área, englobando também a Guiné portuguesa, era conhecida como a Costa dos Escravos.




Nuno Tristão foi morto em data desconhecida, provavelmente no ano de 1446.

O  ocorrido deu-se na costa africana, no Rio do Ouro, que se ficou a chamar Rio do Tristão, durante um assalto destinado à captura de escravos,
 

Em 1588 os portugueses fundam, junto à costa, em Cacheu, a primeira povoação criada de raiz, a qual será sede dos capitães-mor, nomeados pelo rei de Portugal, embora sob jurisdição de Cabo Verde. Passa a vila em 1605.

Seguir-se-á a criação da localidade de Geba, bem no interior do continente.

Em 1642, os portugueses fundam Farim e Ziguinchor (esta última cidade integrando hoje o território do Senegal), a partir da deslocação de habitantes de Geba, e dando início a uma ocupação das margens dos rios Casamansa, Cacheu, Geba e Buba, a qual se torna efectiva em 1700. Passa então a zona a ser designada por Rios da Guiné.
 

Em 1687 o rei daquela região concordou que Portugal construí-se ali uma fortificação, a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição. Bissau foi fundada, então, em 15 de março de 1692 e, de facto, em 1696, foi iniciada a edificação da fortaleza pela Companhia de Cacheu e Cabo Verde (uma Empresa Publico Privada dos dias de hoje...) cujos objcetivos eram promover o comércio de tecidos manufacturados, marfim e escravos, entre a costa da Guiné e o arquipélago de Cabo Verde, e a do Brasil.


Em 1703, no entanto, a companhia responsável pela construção não teve o seu contrato de exploração de escravos renovado pela Coroa portuguesa, o que conduziu ao acumulo de prejuízos e ao abandono da Capitania-Mor de Bissau, em Dezembro de 1707 Neste ano, já no governo do rei D. João V, o forte foi destruído.















Em 1766 inicia-se em Bissau (que era uma ilha) a construção da fortaleza da Amura, (na época chamada "Praça de S. José" em homenagem ao rei que a mandou construir)  a partir do trabalho de cabo-verdianos.



 Fortaleza da Amura. Foto de 1908 do Arquivo Histórico Militar


Em 1800 a Inglaterra começa a fazer sentir a sua influência na Guiné, iniciando a sua reivindicação pela tutela da ilha de Bolama, arquipélago dos Bijagós, Buba e todo o litoral em frente.










Em 1855, foi criada em Bissau uma comissão municipal tendo sido elevada ao estatuto de vila a 29 de Abril de 1858 




















Em 1870, por arbitragem do presidente dos EUA, Ulysses Grant, a Inglaterra desiste das suas pretensões sobre Bolama e zonas adjacentes (21 de Abril); ainda neste ano, é feito um acordo com os régulos nalus, estendendo a influência portuguesa no sul da Guiné até à foz do Rio Tombali (24 de Novembro).





A partir de 1879 gera-se uma guerra com várias tribos decidindo então a Coroa portuguesa a separação administrativa entre Cabo Verde e a Guiné Portuguesa tendo sido transferida para Bolama, a capital da Guiné.


Os focos de contestação e a rebelião permanente e consequente dos diversos  grupos étnicos fez com que o poder colonial se limitasse ao controlo de algumas praças e presídios (Bissau, Bolama, Cacheu Farim e Geba).

Paralelamente, começa a instalação de propriedade de colonos ou de luso-africanos, em várias explorações agrícolas de grande dimensão (pontas) inicialmente dedicadas ao cultivo da mancarra (amendoim).

Em
15 de Janeiro de 1886 é assinada em Paris a convenção franco-portuguesa de delimitação das fronteiras da Guiné e em 12 de Maio de 1886 são delimitadas as fronteiras entre a Guiné Portuguesa e a África Ocidental Francesa, passando a região de Casamansa para o controlo da França, por troca com a região de Quitafine (Cacine),

Entre 23 e 30 de Setembro de 1886, em Sancorlá, no Geba, o tenente Geraldes vence os fulas-pretos comandados pelo célebre régulo Mussá Moló 

A partir do final do século XIX a população recomeça a desencadear uma decidida vaga insurrecional

O ministro Ferreira do Amaral transforma a Guiné, por decreto de 21 de Maio de 1892, num distrito militar autónomo.


Segue-se um período que vai de 1910 a 1925 de resistência à forte repressão das forças coloniais as quais lhe deram o nome de “guerra de pacificação”, embora os verdadeiros objectivos das acções militares fossem:


  • pretender eliminar os chefes militares africanos mais combativos 
  • impor pela força o pagamento pelas populações de impostos à administração colonial (o imposto de palhota)
  • e aceder mais facilmente aos recursos económicos e humanos existentes no território.





     Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada - 1908















Entre vitórias e derrotas das populações insubmissas, dois nomes emergem neste período: por um lado, João Teixeira Pinto, militar que já na época tinha uma longa carreira colonial e que, entre 1913 e 1915, ficou conhecido como o "capitão diabo", herói  das campanhas do Oio (1913-14).






























Por outro, Abdul Indjai, que fora auxiliar de Teixeira Pinto na sua acção em Canchungo e que se revolta acabando por ser preso em Mansabá, em 1919, deportado para Cabo Verde e mais tarde para a Madeira.

 

























Em 1917, durante a 1ª Grande Guerra, uma força de soldados alemães e Askaris, (tropas indígenas da África Oriental) comandada por Paul Emil von Lettow-Vorbeck,  invadiu a Guiné em busca de provisões







  
     Militares alemães e Askaris







Uma força portuguesa sob o comando do major João Teixeira Pinto foi enviada para travar Lettow-Vorbeck de atravessar a fronteira e a 25 de Novembro de 1917, na Batalha de Negomano as tropas portuguesas foram completamente dizimadas e o major João Teixeira Pinto foi morto.





Apesar do poder colonial considerar como 'pacificado' e 'dominado' o território, nos anos posteriores, muitas regiões voltaram a rebelar-se e antigos focos de resistência ressurgiram, como o caso dos bijagós, entre 1917 e 1925 e dos baiotes e felupes em 1918.


Em 1920 o meu Avô Gabriel Cavaleiro, Major Médico do Exército , manda o meu pai trabalhar para a Guiné, tinha ele 18 anos.







 









Entre 1925 e 1940 prosseguiram as revoltas militares dos papéis de Bissau, dos felupes de Djufunco (1933) e Susana (1934-35) e dos bijagós da ilha de Canhabaque (1935-36), os quais se recusaram a pagar o imposto de palhota até 1936.




Lembro-me perfeitamente do meu Pai (ver aqui uma história sobra a Memória Colonial que escrevi em sua homenagem) se referir a isso quando eu tive idade para perceber do que se tratava.




Este período é marcado igualmente pelo início da construção de infra-estruturas (estradas, pontes e alargamento da rede eléctrica) e pelo desenvolvimento da principal cultura de exportação, a mancarra.






 

A organização social colonial nessa altura tem:

No topo da hierarquia:
(a) um pequeno núcleo de dirigentes e de quadros técnicos portugueses

A nível intermédio:
(b) funcionários públicos, maioritariamente cabo-verdianos (75%).

O sector comercial é dominado por:
(c) patrões e empregados cabo-verdianos.

A nível inferior, a imensa maioria dos guineenses são:
(d) trabalhadores domésticos e braçais, artesãos, agricultores e assalariados agrícolas nas pontas (quintas).




Foto recente de Bissau      







Em 9 de Dezembro de 1941, tinha eu 5 meses, a capital muda de Bolama para Bissau, que já então era, de facto, a “capital económica” da Guiné, e que vai conhecer um notável crescimento com o Governador Sarmento Rodrigues (1945-49).





Em 1950, dos 512.255 residentes só 8320 eram considerados civilizados

  • 2273 brancos
  • 4568 mestiços
  • 1478 negros
  • 11 indianos



E entre os civilizados, 3824 eram analfabetos, dos quais

  • 541 brancos
  • 2311 mestiços
  •  772 negros
  

















Foto Rui Gonçalves dos Santos



Foto Rui Gonçalves dos Santos





Foto Rui Gonçalves dos Santos











Bissau por volta de 1950 Foto de Agostinho Gaspar





Bissau por volta de 1950 Foto de Agostinho Gaspar





Bissau por volta de 1950 Foto de Agostinho Gaspar







Em 1956, uma revolta armada feita pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) consolidou as participações na Guiné sob a liderança da Amilcar Cabral. Ao contrário de outros grupos de guerrilha, o PAIGC controlou grandes porções de território. Chegou facilmente às fronteiras dos aliados e recebeu apoio de Cuba, dos EUA, da China e das nações africanas de esquerda.





 








Além das armas, Cuba forneceu especialistas em artilharia, técnicos e médicos. Depois de se equipar com armas antiaéreas em 1973, nomeadamente com misseis 9K32 Strela-2, designação NATO: SA-7 Grail, o PAIGC conseguiu passar a defender-se  dos ataques aéreos.







Em 1973, Amílcar Cabral foi assassinado, sendo substituído na presidência do Partido pelo seu irmão Luís Cabral



A 24 de novembro de 1973, o PAIGC declarou, unilateralmente, a independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, não reconhecida por Portugal mas reconhecida por 82 membros da Organização das Nações Unidas. 
















Depois do 25 de Abril, logo a 14 de Novembro, foi declarada conjuntamente com Portugal a independência da Guiné-Bissau, sendo a Presidência da República ocupada por Luís Cabral.








Por tudo o que aqui fica dito, facilmente se conclui que
a independência da Guiné-Bissau não foi um exclusivo do PAIGC.



O Povo da Guiné, as diversas tribos e os muitos Régulos desde o primeiro desembarque de um português em 1445, Nuno Tristão, "o primeiro fidalgo que viu terra de negros" ( Gomes Eanes de Azurara) demonstraram sempre e ao longo dos tempos que queriam seguir o seu próprio caminho.




Como natural de Bissau presto-lhes a minha homenagem.




Sem esquecer os muitos portugueses anónimos que amaram genuinamente a Guiné e as suas gentes.




Nem os muitos Combatentes que ali deram a vida por um ideal mal concretizado.




Não esqueço, em especial, os meus Camaradas e amigos abatidos pelas anti-aéreas.










Alguns dos sites pesquisados

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bissau
https://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_de_Cacheu_e_Cabo_Verde
https://entrefogocruzado.wordpress.com/mancarra/ 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desastre_de_Bolol
https://www.africa.com/countries/guinea-bissau/afripedia/ 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Teixeira_Pinto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Negomano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Emil_von_Lettow-Vorbeck
http://timashby.com/wp-content/uploads/2012/07/Askari-on-March.jpg 
https://guine6869.wordpress.com/sobre/