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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Outras histórias - 21 toneladas de doces


Um episódio verídico durante a Ponte Aérea para Berlim em 1948/49.



 

A cidade de Berlim foi bombardeada com mais de 21 toneladas de doces durante a Ponte Aérea.


E tudo por causa de duas pastilhas elásticas...
 




A Segunda Grande Guerra teve início no dia 1 de Setembro de 1939.

Berlim tinha nessa altura 4,5 milhões de habitantes. 

Em 1943, os ataques aéreos começaram sobre a cidade.



Em 8 de maio de 1945, já no final da Segunda Grande Guerra,
os soviéticos ocuparam e saquearam Berlim que já estava
em grande parte destruída.

A população estava quase reduzida a metade.




















Praticamente um terço do parque habitacional da cidade ficou em ruinas e muitos dos edifícios históricos também




Com a chegada das tropas americanas o cenário mudou. 
Na Conferência de Potsdam, no mesmo ano,
Churchill, Stalin e Truman decidiram a sorte de milhões de alemães. 


A Alemanha ficou assim dividida 
em  duas zonas de influência:
a capitalista e a socialista.




















As zonas Ocidentais eram administradas pelo Comando Aliado.


Berlim era um enclave situado bem dentro da parte da Alemanha ocupada pelos soviéticos.




As quatro potências vencedoras também dividiram a cidade de Berlim entre si: 
 
A União Soviética ficou com a zona Este
Os USA ficaram com a zona Sudoeste
A Grã-Bretanha ficou com a zona Oeste
E á França coube-lhe a zona Noroeste
 
A divisão da cidade de Berlim e os seus aeroportos
 




Desde 1947, a operação tartaruga dos soviéticos dificultava a viagem de berlinenses orientais para fora da cidade.

Em 20 de Junho de 1948, o governo americano introduziu a reforma económica, numa tentativa de controlar a inflacção, com o Plano Marshal e a nova moeda: o Deutsche Mark– DM. 


As notas foram distribuídas e trocadas em guichês enquanto na Zona Soviética, o Reichsmark era mantido após ser carimbado.


Esta reforma não foi do agrado dos soviéticos...


E na noite de 23 para 24 de Junho de 1948, á  revelia Conferência de Potsdam, Josef Stalin mandou bloquear todos acessos terrestres e fluviais a Berlim ocidental, vetando o abastecimento.

Cortaram também a electricidade e o gás. 


A situação dos berlinenses que já era má tornou-se terrível.

Viviam 2,2 milhões nas ruínas, sem apartamentos. As crianças brincavam ás escondidas nos escombros

Havia, muitas doenças, muita fome. Nada para comer...






A Porta de Brandemburgo na altura e na actualidade





Depois de alguns dias de intenso dramatismo em que se pôs seriamente a hipótese da eclosão de uma nova guerra, o presidente Truman decide abastecer a cidade através de uma gigantesca ponte aérea, a Operação Vittles.

Isolado, o oeste de Berlim ficou sem electricidade e sem alimentos desde 24 de Junho de 1948 até  12 de maio de 1949, dia em que a União Soviética encerrou o bloqueio.


Nesse espaço de tempo os Aliados realizaram um gigantesco esforço logístico para manter o seu enclave ocidental.







   Aeroporto de Tempelhof











De 26 de Junho de 1948 a 12 de Maio do ano seguinte, foram realizados 277.278 voos e transportadas 2.326.205 de toneladas de géneros básicos – principalmente carvão e alimentos, mas também os componentes para a montagem de uma central termo-elétrica completa. Os principais destinos em Berlim eram a base aérea britânica de Gatow e os aeroportos Tempelhof e Tegel.  






O aeroporto de Tempelhof, hoje desactivado e transformado num parque.








Inaugurado em 1923 e com um novo terminal inaugurado em 1934, era uma obra-prima e um clássico da arquitetura moderna.

O projecto foi de Albert Speer, o arquiteto oficial do nazismo, mas que é ainda hoje respeitado como um génio na sua área – de tal modo que até o insuspeito e respeitadíssimo ex-chanceler e Prêmio Nobel da Paz Willy Brandt, lutou pela sua libertação da prisão.










Tempelhof tinha um projeto muito interessante e ousado, com um taxiway circular em volta da pista (uma segunda pista paralela foi construída na época do Bloqueio da cidade) No tempo em que os aviões eram menores, a hélice e não havia jactos nem mangas de embarque, o embarque e desembarque eram feitos num imenso hangar coberto, protegendo os passageiros das intempéries. Tempelhof foi um projeto revolucionário, histórico e um dos mais belos aeroportos já construídos.





















Em poucas semanas, haviam sido reunidos em Frankfurt mais de 200 aviões para a tarefa. Foram removidas poltronas e paredes para o acondicionamento de carne, farinha e carvão, enquanto tanques especiais foram ampliados para o transporte de mais combustível.(DW)








O primeiro grande problema logístico foi a organização do cronograma.

Os aviões mais lentos tinham uma hora de voo para aterrar, enquanto os mais rápidos dispunham de 45 minutos. O piloto que não conseguisse aterrar no tempo previsto era obrigado a voltar com a carga para Frankfurt, para não atrasar os outros.(DW)


O ponto alto da operação – e que levou a um registo no livro Guinness de Recordes – foi a parada de Páscoa de 16 de Abril de 1949, quando num único dia foram transportadas 12.940 toneladas de carvão, combustível e alimentos. Em cada 63 segundos aterrava um avião sobre uma pista provisória de metal em Gatow e Tegel.(DW)


Esta pista, construída há 60 anos por 19 mil berlinenses, principalmente mulheres, merece registo histórico: em apenas 85 dias, trabalhando dia e noite, conseguiram construir em Tegel a pista mais longa da Europa na época, com 2.400 metros de extensão. Foi inaugurado a 5 de Novembro de 1948.


Por envolver milhares de pessoas, o projecto também custou vidas. Nos 11 meses que durou a operação, dificuldades técnicas e o mau tempo causaram a morte de 78 pessoas, das quais 31 norte-americanos, 39 ingleses e oito alemães.(DW)



Durante a Ponte Aérea de 1948/49 cerca de 250 mil voos de carga abasteceram os berlinenses ocidentais com 2,34 milhões de toneladas em víveres, medicamentos e combustível, evitando a morte de milhares de cidadãos






















Os três corredores aéreos de 32 quilômetros de largura ligando Berlim a Hamburgo, Frankfurt e Bückeburg haviam sido aprovados pelos Aliados já em 30 de Novembro de 1945, para o transporte regular entre a Alemanha Ocidental e Berlim Ocidental.




Garantir o abastecimento de alimentos e remédios para dois milhões e meio de pessoas e manter as fábricas de uma cidade em funcionamento é uma operação gigantesca. Os aviões transportavam 12 a 13 mil toneladas por dia.


Após a aterragem havia uma interminável fila de caminhões americanos à espera. Os berlinenses descarregavam os aviões, que voltavam para Frankfurt, em viagens sucessivas de ida e volta.

O abastecimento a Berlim era feito através de dois únicos corredores aéreos por cima do território alemão sob domínio soviético



Carregamento típico de um Dakota:






 
Na via única de regresso para aeroportos como Hamburg, Frankfurt, Wiesbaden, vinham alguns passageiros, alguns só em viagem, outros emigrados ou gravemente doentes evacuados para hospitais do lado ocidental.













"Todos os aviões disponíveis foram enviados para a Alemanha, para criar uma ponte aérea. Nunca tinha sido feito nada parecido.
Traziam remédios, combustível, suprimentos domésticos, tudo o que uma cidade precisa para sobreviver. Nós ficávamos na varanda e cronometrávamos (os voos). No fim, a cada 90 segundos, um avião passava sobre a nossa casa. Era maravilhoso.”


Depoimento de um berlinense, Kircshbaum, na altura com 6 anos, à BBC.







Até que um belo dia...













Um tenente piloto americano de 19 anos Gail Halvorsen, Hal de alcunha, estava parado perto de uma cerca no Aeroporto de Templehof quando um grupo de crianças lhe veio pedir rebuçados.

O que tinha naquele momento eram apenas duas pastilhas elásticas, que partiu em vários pedaços e distribuiu pelos miúdos. 




Foi aí que ele pensou, “e se eu atirasse guloseimas para os putos, lá de cima, do avião?”.














E inesperadamente, um dia caíram do céu rebuçados, chocolates e pastilhas elásticas amarrados em lenços de pano que caíam ao chão como minúsculos para-quedas para estes e todos os outros miúdos de Berlim.


















A partir desse dia, com bastante regularidade começaram a chover dos céus de Berlim todo o tipo de guloseimas para aqueles miúdos maravilhados. 







 










E sabiam qual era o avião do tenente Halvorsen em aproximação: ele abanava as asa antes do doce bombardeamento.





Ficou conhecido como o “Tio Abana as Asas” 




Por iniciativa do tenente Gail Halvorsen, muitos outros pilotos americanos começaram a lançar, em pára-quedas-miniatura, chocolates e outras goluseimas destinadas às crianças de Berlim.







Ainda segundo o depoimento de Kircshbaum á BBC:

"Aquela ponte aérea transformou radicalmente a nossa atitude em relação aos americanos, aos ingleses e aos franceses. Tínhamos sido inimigos durante a guerra, mas agora éramos grandes amigos."

Stalin reconheceu a derrota dos seus planos e encerrou o bloqueio à meia noite do dia 12 de maio do ano de 1949.




Pouco tempo depois, as zonas americana, francesa e britânica unificaram-se, dando origem á República Federativa da Alemanha ou Alemanha Ocidental, com capital em Bonn.

Na zona soviética surgiu a República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental, com capital em Berlim.




O muro de Berlim foi construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda.







Imagem de satélite de Berlim, com a localização do Muro em amarelo.





O muro de Berlim caíu no dia 9 de Novembro de 1989

A reunificação da Alemanha deu-se oficialmente em 3 de Outubro de 1990.





Coronel Gail Seymour "Hal" Halvorsen

(nascido a 10 de Outubro de 1920) 



 









Halvorsen recebeu numerosos prémios pelo seu papel na "Operação Little Vittles", incluindo a Medalha de Ouro do Congresso Americano.

No entanto, "Little Vittles" não foi o fim da carreira militar e humanitária da Halvorsen.

Nos 25 anos seguintes, a Halvorsen prolongou a idéia e realizou lançamentos de doces na Bósnia-Herzegovina, na Albânia, no Japão, em Guam e no Iraque.

A carreira profissional de Halverson incluiu vários cargos notáveis. Ele ajudou a desenvolver aeronaves tripuladas reutilizáveis ​​na Direção de Espaço e Tecnologia e serviu como comandante do aeroporto de Templehof.

Reformou-se em Agosto de 1974 com mais de 8.000 horas de vôo.














Gail Halvorsen, aos 88 anos, distribui chocolates em

Maio de 2008 na Exposição Aeroespacial em Berlim.






















Vídeos sobre o Coronel
Gail Seymour "Hal" Halvorsen












Para contar esta história servi-me principalmente da Wikipédia
e também de outros sítios na net, incluindo estes (textos e imagens):

http://wigglywings.weebly.com/berlin-airlift.html

http://www.historynet.com/interview-with-gail-halvorsen-the-berlin-candy-bomber.htm

http://www.avioesemusicas.com/um-episodio-heroico-da-aviacao-a-ponte-aerea-de-berlim.html

http://prosimetron.blogspot.pt/2008/05/ponte-area-de-berlim.html

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39156521

http://www.dw.com/pt-br/1948-corredor-a%C3%A9reo-abastece-berlim-ocidental/a-3439525

domingo, 14 de abril de 2013

Aviões que voei > Do27




 
O Dornier Do27 é um avião STOL (Short Take-off and Landing) monomotor de asa alta, trem de aterragem convencional, fixo, com a capacidade de transportar seis passageiros ou o equivalente em carga. Foi construído pela Dornier GmbH (mais tarde DASA Dornier, Fairchild-Dornier).

O conceito foi o mesmo do Fieseler Storch. O Do27 foi usado tanto na aviação civil como militar.


Em 1951 a Dornier iniciou estudos sobre a construção de um avião ligeiro de ligação observação e transporte, a pedido do Ministério Espanhol dos Transportes.


O líder deste grupo de Engenheiros foi o Professor Claude Dornier a pedido do Ministro da Defesa da RFA Franz Josef Strauss.


Ao protótipo de desenvolvimento deram o nome de Do25 P.




Dois protótipos acabaram por ser construídos, em Sevilha.

O voo inaugural do primeiro protótipo, o Do25-P1, foi no dia 25 de Junho de 1954 em Sevilha. O avião tinha um motor Enmasa Tigre G IV B de 150 hp.


O programa de testes, efectuado pela Força Aérea Espanhola (a Alemanha estava proibida de construir aviões militares como consequência da II Grande Guerra) durou até finais de 1954.





O conceito, desenvolvido pela oficina Técnica Dornier em colaboração com a CASA espanhola, deu origem a um novo modelo a que chamaram Do27.


O segundo protótipo, o Do27-P2, foi completado em 1954. O motor era um Continental O-470-J de 230 hp


O voo inaugural foi no dia 27 de Junho de 1955. O avião foi registado como EC-AKY.


Depois de a Alemanha ter readquirido a sua capacidade de desenvolver e construir aviões, este protótipo foi levado para a Alemanha e foi matriculado como D-EBUC.


A maior parte da produção deste avião foi então feita na Alemanha, voando o primeiro modelo industrial no dia 17 de Outubro de 1956.


50 aviões foram construídos em Espanha pela Construcciones Aeronáuticas SA com a denominação CASA-127.


O motor que equipava este modelo era um Lycoming GO480-B1A6.


Em 1957 o Do27 foi exibido no Salão Aeronáutico de Paris - Le Bourget.


No dia 5 de Novembro de 1957 o primeiro modelo civil do Do27 com o Nº 2001, deixa a fábrica Oberpfaffenhofen, registado como D-ENTE.





O avião foi entregue ao Professor Dr Bernhard Grzimek que o voa nas planícies do Serengeti, Tanzania, para a realização do filme "Serengeti não morrerá". O preço do avião rondou os 115.000 DM (Marcos).

Ao todo foram construídos 627 aviões, incluindo os dois protótipos e os 50 CASA C127. O último a ser construído, um Do27-B3 Nº2200, foi em 1976 para a Rheingau Airservice/Rüdesheim.



Cockpit de um modelo civil, melhor equipado

 A última revisão anual de um Do27 militar deu-se em 1980. Foi o fim do Do27 como avião militar. Nos anos 70 as Forças Armadas Alemãs começaram a reduzir os seus Do27. Foram vendidos a particulares, doados a aeroclubes e a diversas Forças Aéreas estrangeiras.

O Do27 foi o primeiro avião construído em larga escala na Alemanha após a II Grande Guerra. Era apreciado pelas suas generosas dimensões interiores, conforto e excelentes capacidades de operação em pistas curtas e não pavimentadas.




O Do27 na Força Aérea Portuguesa

Além do uso militar na Alemanha e em Espanha, Portugal também comprou 40 aviões novos e 106 ex-aviões da Força Aérea Alemã.

Entraram ao serviço na nossa Força Aérea em Dezembro de 1961.





Foram utilizados na Guerra do Ultramar, onde eram conhecidas por DO, nas três frentes, Guiné, Angola e Moçambique, com missões de transporte de passageiros, evacuação de feridos, reconhecimento aéreo e transporte de correio.



Cockpit do Do27

Esporadicamente foram utilizados em missões de apoio utilizando foguetes ofensivos montados sob as asas ou mesmo mini foguetes de sinalização de alvos a bombardear, como eu operei no Niassa, Moçambique.


Foram abatidos ao efectivo em 1979.






Variantes

Do27A - versão básica;
Do27B - versão com duplo comando;
C-127 - versão construída em Espanha pela CASA;
Do27Q-5 - versão com um trem de aterragem de maiores dimensões;
Do27S-1 - hidroavião com dois flutuadores;
Do27H-2 - versão com um motor Lycoming GSO-480-B1B6 de 340 CV 


Specifications (Do27Q-5)

General characteristics


Crew: 1
Capacity:                      4-6 passengers
Length:                       9,60 m
Wingspan:                      12 m
Height:                       2,80 m
Wing area:                 19,4 m²
Empty weight:           1073 kg
Max. takeoff weight:  1850 kg
Max. weight carried:    720 kg
Powerplant:     1 × Lycoming GO-480-B1A6 6-cylinder piston engine, 201 kW (270 hp)


Performance

 
Never exceed speed:      333 km/h (180 kn)
Maximum speed:            232 km/h (125 kn)
Cruise speed:                 211 km/h (114 kn)
Stall speed:                     74 km/h (40 kn)
Take off distance:          185 m
Landing distance:            80 m
Initial climb rate:         1082.68 ft/min    5.50 m/s
Range:                         1287 km (695 nm)
Service ceiling:            3290 m (10.800 ft)
Motor:                        AVCO Lycoming GO-480-B1A6
Power rating (max.):     270 hp




                          
O meu 1º voo em Do27:  
                       > na B.A. 2 - Ota em 7 de Maio de 1965 no avião 3463

O meu último voo em Do27 (no Ultramar): 
> no A.B. 6 - Nova Freixo (Moçambique) em 25 de Fevereiro de 1969 no avião 3450



O texto acima é uma compilação da diversa informação que recolhi em muitos sítios na Internet

Alguns sítios consultadost:

http://www.altertiger.de/40764.html
http://www.saairforce.co.za/the-airforce/aircraft/149/do-27a
http://en.wikipedia.org/wiki/Dornier_Do_27