domingo, 14 de abril de 2013

Aviões que voei > Do27




 
O Dornier Do27 é um avião STOL (Short Take-off and Landing) monomotor de asa alta, trem de aterragem convencional, fixo, com a capacidade de transportar seis passageiros ou o equivalente em carga. Foi construído pela Dornier GmbH (mais tarde DASA Dornier, Fairchild-Dornier).

O conceito foi o mesmo do Fieseler Storch. O Do27 foi usado tanto na aviação civil como militar.


Em 1951 a Dornier iniciou estudos sobre a construção de um avião ligeiro de ligação observação e transporte, a pedido do Ministério Espanhol dos Transportes.


O líder deste grupo de Engenheiros foi o Professor Claude Dornier a pedido do Ministro da Defesa da RFA Franz Josef Strauss.


Ao protótipo de desenvolvimento deram o nome de Do25 P.




Dois protótipos acabaram por ser construídos, em Sevilha.

O voo inaugural do primeiro protótipo, o Do25-P1, foi no dia 25 de Junho de 1954 em Sevilha. O avião tinha um motor Enmasa Tigre G IV B de 150 hp.


O programa de testes, efectuado pela Força Aérea Espanhola (a Alemanha estava proibida de construir aviões militares como consequência da II Grande Guerra) durou até finais de 1954.





O conceito, desenvolvido pela oficina Técnica Dornier em colaboração com a CASA espanhola, deu origem a um novo modelo a que chamaram Do27.


O segundo protótipo, o Do27-P2, foi completado em 1954. O motor era um Continental O-470-J de 230 hp


O voo inaugural foi no dia 27 de Junho de 1955. O avião foi registado como EC-AKY.


Depois de a Alemanha ter readquirido a sua capacidade de desenvolver e construir aviões, este protótipo foi levado para a Alemanha e foi matriculado como D-EBUC.


A maior parte da produção deste avião foi então feita na Alemanha, voando o primeiro modelo industrial no dia 17 de Outubro de 1956.


50 aviões foram construídos em Espanha pela Construcciones Aeronáuticas SA com a denominação CASA-127.


O motor que equipava este modelo era um Lycoming GO480-B1A6.


Em 1957 o Do27 foi exibido no Salão Aeronáutico de Paris - Le Bourget.


No dia 5 de Novembro de 1957 o primeiro modelo civil do Do27 com o Nº 2001, deixa a fábrica Oberpfaffenhofen, registado como D-ENTE.





O avião foi entregue ao Professor Dr Bernhard Grzimek que o voa nas planícies do Serengeti, Tanzania, para a realização do filme "Serengeti não morrerá". O preço do avião rondou os 115.000 DM (Marcos).

Ao todo foram construídos 627 aviões, incluindo os dois protótipos e os 50 CASA C127. O último a ser construído, um Do27-B3 Nº2200, foi em 1976 para a Rheingau Airservice/Rüdesheim.



Cockpit de um modelo civil, melhor equipado

 A última revisão anual de um Do27 militar deu-se em 1980. Foi o fim do Do27 como avião militar. Nos anos 70 as Forças Armadas Alemãs começaram a reduzir os seus Do27. Foram vendidos a particulares, doados a aeroclubes e a diversas Forças Aéreas estrangeiras.

O Do27 foi o primeiro avião construído em larga escala na Alemanha após a II Grande Guerra. Era apreciado pelas suas generosas dimensões interiores, conforto e excelentes capacidades de operação em pistas curtas e não pavimentadas.




O Do27 na Força Aérea Portuguesa

Além do uso militar na Alemanha e em Espanha, Portugal também comprou 40 aviões novos e 106 ex-aviões da Força Aérea Alemã.

Entraram ao serviço na nossa Força Aérea em Dezembro de 1961.





Foram utilizados na Guerra do Ultramar, onde eram conhecidas por DO, nas três frentes, Guiné, Angola e Moçambique, com missões de transporte de passageiros, evacuação de feridos, reconhecimento aéreo e transporte de correio.



Cockpit do Do27

Esporadicamente foram utilizados em missões de apoio utilizando foguetes ofensivos montados sob as asas ou mesmo mini foguetes de sinalização de alvos a bombardear, como eu operei no Niassa, Moçambique.


Foram abatidos ao efectivo em 1979.






Variantes

Do27A - versão básica;
Do27B - versão com duplo comando;
C-127 - versão construída em Espanha pela CASA;
Do27Q-5 - versão com um trem de aterragem de maiores dimensões;
Do27S-1 - hidroavião com dois flutuadores;
Do27H-2 - versão com um motor Lycoming GSO-480-B1B6 de 340 CV 


Specifications (Do27Q-5)

General characteristics


Crew: 1
Capacity:                      4-6 passengers
Length:                       9,60 m
Wingspan:                      12 m
Height:                       2,80 m
Wing area:                 19,4 m²
Empty weight:           1073 kg
Max. takeoff weight:  1850 kg
Max. weight carried:    720 kg
Powerplant:     1 × Lycoming GO-480-B1A6 6-cylinder piston engine, 201 kW (270 hp)


Performance

 
Never exceed speed:      333 km/h (180 kn)
Maximum speed:            232 km/h (125 kn)
Cruise speed:                 211 km/h (114 kn)
Stall speed:                     74 km/h (40 kn)
Take off distance:          185 m
Landing distance:            80 m
Initial climb rate:         1082.68 ft/min    5.50 m/s
Range:                         1287 km (695 nm)
Service ceiling:            3290 m (10.800 ft)
Motor:                        AVCO Lycoming GO-480-B1A6
Power rating (max.):     270 hp




                          
O meu 1º voo em Do27:  
                       > na B.A. 2 - Ota em 7 de Maio de 1965 no avião 3463

O meu último voo em Do27 (no Ultramar): 
> no A.B. 6 - Nova Freixo (Moçambique) em 25 de Fevereiro de 1969 no avião 3450



O texto acima é uma compilação da diversa informação que recolhi em muitos sítios na Internet

Alguns sítios consultadost:

http://www.altertiger.de/40764.html
http://www.saairforce.co.za/the-airforce/aircraft/149/do-27a
http://en.wikipedia.org/wiki/Dornier_Do_27







quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aviões que voei > Ju 52






 O texto que se segue é uma compilação de vários textos que pesquisei em blogues e sítios na internet. Limitei-me a dar-lhes o tratamento e tradução que me pareceram poder resultar numa leitura mais fácil e compreensível.

No final deixo-vos os endereços electrónicos de todos estes sítios.
A maior parte das fotos e vídeos estão também nesses sítios.




O Junkers Ju 52, também conhecido por Tante Ju ou Auntie Ju e apelidado pelas tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial como "Iron Annie" é um avião alemão trimotor de transporte para utilização civil e militar fabricado entre 1932 e 1945 pela empresa Junkers, com capacidade para 17 passageiros É um dos aviões mais bem sucedidos na história da aviação europeia. Foram produzidas mais de 4.000 unidades.



Na aviação civil voou em 12 companhias incluindo a Swissair e a Deutsche Luft Hansa como avião de transporte de passageiros e carga.



Militarmente voou inicialmente na Luftwaffe como transporte de topas e carga e esporadicamente como bombardeiro médio.

Foi o mais famoso tri-motor de transporte da sua época e provavelmente o mais famoso avião cargueiro militar e civil Alemão. O Ju52 foi originalmente concebido como um monomotor, o Ju 52/1m. Fez o seu 1º voo no dia 13 de Outubro de 1930.

Desenhado pelo Engenheiro Dr. Ernst Zindel na fábrica da cidade de Dessau, era um grande monomotor com trem fixo, construído com o típico metal ondulado da Junkers. De asa baixa, tinha acoplada uma “asa dupla”. Uma solução que consista num estreito perfil de asa, um flap, ao longo do de todo o bordo de fuga, que também actuava como aileron.


Ju 52/1m - o Ju monomotor

Concebido principalmente para transporte aéreo tinha uma fuselagem de estrutura rectangular com uma área útil de 16,7m3 além de um pequeno espaço extra junto ao cockpit e outros espaços semelhantes por baixo da cabina.

A porta de carga principal, do lado esquerdo da fuselagem, media 1,81m x 0,90m. Abria horizontalmente para criar uma plataforma. Outras duas portas do lado direito, por baixo da fuselagem, permitiam um rápido acesso ao porão.

O protótipo produzido em 1930 e certificado no mesmo ano pelo Ministério dos Transportes do Reich, D-1974, tinha um único motor Junker L88 de 800hp com um hélice bi-pá.

Dois anos depois, em Abril de 1932, devido à falta de interesse por parte dos compradores, principalmente da Deutsche Lufthasa, uma versão maior foi desenhada e o novo avião, JU 52/3m foi equipado com mais dois motores, para aumentar o seu desempenho. Motores BMW VIIau de 600hp ou 755hp e hélices de 2 pás.



O 3m significa drei motoren, ou três motores. Algumas fontes indicam ter sido da empresa Lloyd Aéreo Boliviano (LAB) o pedido pela adição de mais dois motores, enquanto outras afirmam ter sido um requisito da Deutsche Lufthasa. 


Ju 52/3m
                                            
A intensão era criar um avião multi-funcional que servisse como transporte de passageiros carga e militares, missões de bombardeamento, evacuações médicas, como avião de reboque de planadores, avião anfíbio e até como detector de minas marítimas. Alguns foram até equipados com skis.

Embora tivesse havido mais de 30 motorizações diferentes, normalmente a versão militar do avião era equipado com 3 motores radiais BMW de 9 cilindros, de 525/600kW (830 hp), sendo a versão civil, o Ju 52/3mg4e, equipada com motores BMW 132A de 750 hp.

O Ju 52 transformou-se na aeronave padrão da Lufthansa, representando 74% da frota em 1944. A Lufthansa teve 230 aviões Ju 52/3m até 1945. Introduzido no Verão de 1932 para a linha Berlim-Munique-Veneza-Roma com sobrevoo dos Alpes, em apenas 8 horas de voo, um tempo considerado excelente para a época. No entanto, por não possuir cabine pressurizada, era equipado com máscaras de oxigénio para voos de grande altitude.







Outras companhias que utilizaram este modelo de avião, na altura, foram:
- AB Aerotransport, Aero O/Y, Aeroposta Argentina, AGO, Ala Littoria, British Airways, CAUSA, DDL, DETA, DNL, Eurasia Aviation Corporation, LAB, LOT, Iberia LAE, Malert, Österreichische Luftverkehrs, Sabena, Sedta, Serviços Aereos Portugueses, Sindicato Cóndor, SHCA, South African Airways, Varig e VASP.
 
Os governos da Colombia e do Peru também usaram versões civis e no pós-guerra a Air France, Aéro-Cargo, Air Atlas, Aigle Azur, Air Nolis, Air Ocean, Cie Gle Transsaharianne, TAI e outros como a Força Aére Francesa usaram variantes AAC (construídos em França).

Começou a perder espaço no mercado com o surgimento dos aviões Douglas DC-2 e DC-3, que eram mais económicos e transportavam um número maior de passageiros.

Em 1944 foi permitida a construção do modelo pela Construcciones Aeronáuticas S.A. (CASA) da Espanha, sendo então designado de CASA 352-L.

Os Ju 52 também foram produzidos em França a partir de 1942, numa fábrica da empresa aeronáutica francesa Amiot, incorporada pela Junkers durante a guerra, localizada na cidade de Colombes. Os aviões produzidos nesta fábrica foram baptizados de Amiot AAC.1 Toucan. Após a guerra, alguns destes modelos foram para a Força Aérea Portuguesa, Air France e CSA Czech Airlines.

Esteve em serviço na Força Aérea Suíça até ao anos 80. Actualmente, alguns exemplares ainda voam na Alemanha, Suíça e Estados Unidos para passeios turísticos. Outros dois exemplares, restaurados, estão na África do Sul e em França.



Um "moderno" Ju 52 em voo turístico

A sua primeira utilização militar foi para o transporte de equipamentos e tropas bolivianas para a frente de batalha pelos cinco aviões da Lloyd Aéreo Boliviano (LAB) durante a Guerra do Chaco, no conflito entre a Bolívia e o Paraguai.

Na Guerra Civil Espanhola, o Ju 52 foi utilizado como transporte de tropas, principalmente de soldados vindos de Marrocos para a Espanha, além de servir de bombardeiro e de transporte para missões de paraquedistas pela Legião Condor (uma força de aviadores voluntários enviados pela Alemanha para ajudar o General Franco durante a Guerra Civil em Espanha).


Cockpit do Ju 52

O mesmo uso foi feito durante a Segunda Guerra Mundial pela Alemanha, para o transporte de tropas e equipamento para a frente oriental (Estalinegrado), ou para o norte da África (Afrika Korps).





A versão Ju 52/3m W, hidroavião, serviu na campanha da Noruega em 1940 e posteriormente no teatro de operações do mediterrâneo.



O Ju 52 também foi uma peça fundamental na Operação Merkur (invasão alemã da ilha de Creta) no ano de 1941, como avião de transporte de paraquedistas. A operação foi considerada um sucesso, pois os seus objectivos de conquista foram alcançados. No entanto, as baixas de paraquedistas foram grandes e um pouco mais de metade dos 493 aviões que participaram da invasão foram danificados ou destruídos. Devido às altas perdas humanas e materiais desta operação, não foi realizada pela Alemanha mais nenhuma grande ofensiva utilizando tropas aerotransportadas.

Um modelo do Ju 52, estacionado no Equador, da empresa Syndicato Condor, subsidiária da Lufthansa no Brasil, foi um dos primeiros aviões capturados pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Durante este período beligerante, inúmeros Ju 52 foram destruídos. No entanto, alguns aviões capturados foram postos ao serviço das forças vitoriosas, sendo alguns utilizados pela Aeroflot.


Uso no pós-guerra


Vários Junjers Ju 52 continuaram a voar depois da 2ª Guerra Mundial, civil e militarmente.
Em 1956 a Força Aérea Portuguesa que já os usava como transporte de tropas, passou a usá-los para lançamento de paraquedistas na sua recentemente organizada tropa de elite de forças paraquedistas, conhecida posteriormente como Batalhão de Caçadores Paraquedistas.



A Swiss Air Force também o usou de 1939 a 1982 quando 3 aviões permaneceram em estado operacional, provavelmente o último e mais longo historial de serviço militar em qualquer força aérea. Mantêm-se ainda em estado de voo conjuntamente com um CASA 352 (Ju construído em Espanha) e podem ser alugados para voos turísticos com a Ju Air.



Durante os anos 50 a Força Aérea Francesa usou-os na Guerra da Indochina, esporadicamente, como bombardeiros.

A Força Aérea Espanhola operou o JU 52, o “Pava” como lhe chamavam, até aos anos 70 no Escuadrón 721, voando a versão construída em Espanha, em treino de paraquedistas na Base Aérea de Alcantarilla, perto de Murcia.

Alguns Ju 52 militares foram convertidos em aviões civis, como por exemplo na British European Airways (BEA) que operou 11 ex-Luftwaffe Ju 52/3mg8e aprisionados pela RAF, entre 1946/47, em voos internos no Reino Unido.




Companhias francesas como a Societe de Transports Aeriens (STA) e a Air France voaram Toucans (Jus fabricados em França) nos finais dos anos 1940 e princípio dos anos 50.



Um Ju 52 e um Douglas DC-3 foram os últimos aviões a descolar em Berlim do desmantelado Aeroporto de Tempelhof no dia 30 de Outubro de 2008.

A maior parte dos aviões foi destruida depois da 2ª Grande Guerra mas 585 foram construídos depois de 1945.



Em França, durante a 2ª Grande Guerra, o avião tinha sido construído pela companhia Avions Amiot e a produção continuou depois disso com a designação Amiot AAC 1 Toucan.

Em Espanha, a Construcciones Aeronáuticas SA, continuou também a construção do modelo como CASA 352 e 352L. 4 aviões CASA 352 estão ainda em estado de voo.

Voo inaugural modelo 1m-        13 de Outubro de 1930
Voo inaugural modelo 3m -         7 de Março de 1932
Período de produção -               1932-1952 (na Alemanha)
Produção total -                         cerca de 5.000 aviões
ICAO Code -                             JU52
IATA Code -                              JU5

ESPECIFICAÇÕES

Envergadura -       29.95 m; 
Comprimento -     18.9 m;
Altura -                 2.60 m;
Superfície alar -    119.5 m2; 
Peso em cazio -    5,346 kg;
Peso carregado -    9,200 kg.

PERFORMANCE     (versão com motorização BMW 132A)
Velocidade máxima -         290 km/h;
Vel máx de cruzeiro -         255 km/h;
Vel mínima -                      92-98 km/h
Corrida de descolagem -    340 m;
Subida até 1.000 m em -    4.8 min;
Tecto de serviço -               5,500 m
Alcance -                            915 km.

Variantes: Ju 52/3mce, Ju 52/3mge, Ju 52/3mg3e, Ju 52/3mg4e, Ju 52/3mg5e, Ju 52/3mg6e, Ju 52/3mg7e, Ju 52/3mg8e, Ju 52/3mg9e, Ju 52/3mg10e, Ju 52/3mg11e, Ju 52/3mg12e, Ju 52/3m12e, Ju 52/3mg1


História dos Ju 52 na Esquadra 502
da Força Aérea Portuguesa:

Esquadra 502
Sobre as Asas Ínclitas da Fama 


Em 1937 a FAP adquiriu dez aviões da versão g3e, sendo que outros dois vieram em 1951 (da versão g7e). Um outro lote de 14 aviões chegou em 1962. Estes últimos eram Amiot AAC-1 Toucan, fabricados em França.

A opção por um avião alemão, quando uma aeronave britânica faria bastante mais sentido em Portugal por causa da extensão do nosso Império, deveu-se às reticências de franceses e britânicos, relacionadas com o apoio de Portugal às forças do General Franco na guerra civil em Espanha.

A origem da Esquadra 502 remonta à primeira unidade aérea a que foi atribuída a missão de cooperação com as tropas paraquedistas. Estava então equipada com o Junkers Ju-52/3m. As primeiras aeronaves chegaram a Portugal em Dezembro de 1937 e foram atribuídas ao GEBN, Grupo de Esquadrilhas de Bombardeamento Nocturno com base em Sintra, situação que se manteve até meados da década de 40, quando foram distribuídos pelas Bases Aéreas de Sintra e da Ota, sendo-lhe atribuída, em acumulação, a missão de transporte.





Em 1954 constituíram-se as tropas paraquedistas, integradas na Forca Aérea, ficando instaladas no Polígono Militar de Tancos, Junto à Base Aérea nº3. Um dos Ju-52/3m foi atribuído a esta unidade-base, sendo o embrião de outra unidade aérea que nos conduz à actualidade e à Esquadra 502.




A 11 de Janeiro de 1955 é formada a Esquadrilha de Ligação e Treino (ELT), equipada com 22 aviões "Piper Cub" L-21 (que, além dos serviços de ligação,  apoiava o Exército) e dois bimotores "Oxford" para treino. Nesse dia é nomeado comandante daquela Esquadrilha o Capitão Fernando Gomes dos Santos. Em Maio do mesmo ano começam a ser recebidos na BA3 aviões Junkers para o lançamento de paraquedistas, iniciando-se os voos de adaptação e os lançamentos, em 17 e 30 de Agosto respectivamente. Com o abrir do leque de missões atribuídas à ELT, foi decidido criar uma Esquadra que manteria as suas missões e efectivos.




A 12 de Abril de 1956 é constituída uma Esquadra Mista com duas Esquadrilhas: uma de ligação e treino, com 22 aviões L-21 e dois bimotores Oxford, e outra de transporte, com cinco aviões Ju-52, à data com sete pilotos. A Esquadra Mista viria a ser extinta em Dezembro de 1959, e com ela a Esquadrilha de Transporte, dando lugar à Esquadra de Instrução Complementar de Pilotagem e Navegação em Aviões Pesados (EICPNAP). Esta unidade viria a formar um reduzido número de alunos-piloto, não indo além de dezena e meia, mantendo como principal actividade o lançamento de paraquedistas. São-lhe atribuídos mais dois aviões Junkers e reequipados os restantes com motores Pratt & Whitney R-1340.

Nos meses de Novembro e Dezembro de 1960, a França entrega a Portugal 15 aviões Amiot AAC-1 Toucan, sendo a maior parte entregues a EICPNAP.


Avião histórico da Lufthansa

Com o eclodir da guerra no Ultramar, em 1963 foi decidido formar mais tropas paraquedistas. Foram então introduzidas novas técnicas de lançamento de pessoal e de carga, incluindo lançamentos nocturnos.




A EICPNAP é extinta em finais do ano de 1963, sucedendo-lhe a Esquadra de Treino e Transporte de Tropas Paraquedistas (ETTTP). Na prática só a designação mudou, mantendo-se a sua localização, aeronaves e a missão. Os Ju-52/3m são "baptizados" de Tartarugas e surge o primeiro distintivo, uma "tartaruga-aviador" transportando um paraquedista num carro de bebé. Com o incremento do esforço de guerra, os "velhinhos" Ju-52/3m são explorados intensivamente no treino de tropas paraquedistas, falando-se na sua substituição por aeronaves C-47 "Dakota". Mas tal não ocorreu e os Junkers continuaram a cumprir a sua missão, aproximando-se cada vez mais o fim da sua vida operacional. A ETTTP, que formou com elevado espírito de missão sucessivos cursos de paraquedistas, foi finalmente extinta em 1971, dando lugar à Esquadra 32.


Avião da JU Air para voos turísticos



Características dos Ju 52
da Força Aérea Portuguesa:
   
Dimensões:  
Comprimento: 18.9 M
Envergadura:   29.2 M
Altura:               4.65   

Motores/ Potência
3 x motores BMW 132 A3
Potência total: 2250 HP/CV

Peso / Cap. carga
   
Peso vazio: 6500 Kg
Peso máximo/descolagem: 11030 Kg
Numero de suportes p/ armas: 0
Capacidade de carga/armamento: 2700 Kg
Tripulação : 3
Passageiros: 12 a 18

Velocidade / Autonomia
Velocidade Maxima: 286 Km/h
Máxima(nível do mar): Não disponível
De cruzeiro: 250 Km/h
Autonomia standard /carregado : 1100 Km
Autonomia máxima / leve 1300 Km.
Altitude máxima: 5500 Metros


O D-AQUI da Lufthansa
____________________________

 


Voos feitos por mim como 2º piloto em
Ju 52 na Força Aérea Portuguesa



Data              Avião        Matrícula    Local                         T. de voo
24-Julh-64     JU-52/3m      6311        Mreal/Tancos/Mreal    01:10
24-Julh-64     JU-52/3m      6311        Mreal/Portela               01:00
29-Out-64     JU-52/3m      6311        Mreal/Tancos               00:40
29-Out-64     JU-52/3m      6311        Tancos/Mreal               00:40
16-Nov-64    JU-52/3m      6311         MReal/Mreal                00:45
17-Nov-64    JU-52/3m      6311         Mreal/Ota                     00:45
17-Nov-64    JU-52/3m      6311         Ota/Mreal                     00:35
                                         Total de horas voadas     >>>        05:35




NOTA:

endereços electrónicos de onde compilei toda esta informação:


http://www.youtube.com/watch?v=fIVWSXAXQTE

http://www.luftwaffe39-45.historia.nom.br/aero/ju52.htm

http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/Aer.aspx?nn=50&P=77&R=FA

http://www.avioesemusicas.com/junkers-ju523m-um-pouco-de-historia-parte-1.html#!prettyPhoto

http://www.emfa.pt/www/po/esquadra/link-502-005.002.001.002.001-junkers-ju-52

http://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7a_A%C3%A9rea_Portuguesa

http://www.aereo.jor.br/2009/10/26/museu-da-tam-recebeu-ju-52-de-portugal/

http://www.museutam.com.br/o_museu.php

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_airworthy_Ju_52s

http://www.airforcecenter.ch/index.php?id=25 





sábado, 9 de março de 2013

Pedaços de vida - O Dembo e a Vagabunda

A história dramática de uma fuga


No dia 5 de Março deste do Ano da Graça do Senhor de 2013, o meu Dembo, um cão da raça Leão da Rodésia com quase 5 anos e 40kg de peso, saiu portão fora por volta das 11 da manhã e só voltou 48 horas depois.

Com 4kg a menos...


Entretanto passou duas noites ao relento sob forte temporal. Alerta vermelho no Algarve, com chuva torrencial e vento muito forte.


Sem comer a sua recomendada ração habitual. Sem a sua confortável almofada.


Voltou pelo seu pé porque, entre outras razões, fez um golpe na cauda que lhe cortou uma artéria.


Voltou para pedir socorro, com uma grande hemorragia.


Voltou para nos dar uma grande alegria.


Voltou, também, para nos sacar 125€ que foi o que se pagou na urgência veterinária.


Como prometi, a todos os que se preocuparam com o seu desaparecimento, aqui vos deixo o relato da conversa que tive com ele.

- Meu querido cãozinho… conta aí o que te passou pela cabeça para chateares meio mundo com a tua fuga. Para tua vergonha informo-te que só no facebook de uma Associação de Defesa Animal, em Tavira havia mais de 460 partilhas com a tua foto e a notícia do desaparecimento. Só aí, fora tudo o mais. Até a Ordem dos Médicos Veterinários publicou um anúncio! Conta lá…


Desculpa Pai… Não sei o que me passou pela cabeça... Lembras-te quando o senhor da PT entrou pelo portão para te resolver o problema do Meo e da internet que estão sempre a funcionar menos bem?


- Sim...


Pois a Vagabunda estava naquele terreno baldio em frente, onde costuma estar o pónei do vizinho, o Sininho de seu nome, a pastar. Olhámo-nos e perdi-me logo ali.


Um ligeiro aceno dela e desaparecemos os dois para lá da casota do Chuabo, aquela que deste ao Rox, o maluco do cão do vizinho.


O Rox e a mãe, a Dalila, estavam presos, felizmente... Ele é desvairado como sabes e as gajas pelam-se pelas suas maluquices. E a Vagabunda… tu nem imaginas!


Bem se lamentou o desgraçado do Rox, o arame todo esticado, não o ouviste a uivar?


- Não me lembro nada...


Pois, mas nós só parámos uns metros abaixo na ribanceira a Norte da casa do teu vizinho pescador. Naquele sítio…


Já estás habituado àquele magnífico cheiro que por vezes me orgulho de exibir na minha confortável cama junto à grande televisão onde tu vês a Euronews. Não entendi ainda porque é que corres logo comigo e pedes à Oksana para me lavar a cama. Afinal aquele muito antigo resto de peixes podres e marisco é uma espécie de bálsamo para os meus sentidos.


E foi para esse sítio, onde o vizinho deixa apodrecer o que não vende para a praça nem consome que a Vagabunda e eu nos dirigimos.


Uma delícia! Havia restos de sargos, conquilhas, besugos… eu sei lá! Alguns até já lá estavam há meses e o cheiro era magnífico… Ok, não comentes…


Esfregámo-nos no chão uns largos minutos, o belo pelo dourado da miúda todo enfeitado de espinhas e conquilhas putrefactas. Lindo!


Fizemos amor longamente naquele autêntico cabaz de peixes e mariscos que fizera a delícia dos teus vizinhos nos últimos dois ou três meses. Do que restava, felizmente para nós.


Ainda pensei que te ias chatear e correr comigo, continuo sem perceber porquê, quando voltasse a casa e foi aí que comecei a conceber o meu plano.


Estava feliz, todo lambuzado em peixe deliciosamente podre, aquele fabuloso odor que me cobria todo, a Vagabunda ao meu lado completamente ornamentada que até parecia uma árvore de Natal, espinhas, cabeças de peixe, conquilhas, rabos de douradas, eu sei lá, envolta naquele delicioso perfume de Etar abandonada há anos


-Que nojo, Dembo!


Espera! De repente, no meio daqueles folguedos todos, lembrei-me de te ter ouvir dizer que uma tempestade se avizinhava nesse fim de dia. Até havia um aviso laranja para o Algarve, lembras-te?


-Sim e depois?


Se nós esperássemos pela chuva torrencial que tu previas, podíamos voltar a nossas casas já despojados daquelas lentejoulas que tão bem nos ficavam, as espinhas, as conquilhas e todo o resto do tesouro que aquele desperdício com meses de existência constituía.


- Acredito...

E assim nos perdemos... Corrida para aqui, corrida para ali, não demos pelo passar das horas, sempre à espera da tempestade que nos redimisse e permitisse um regresso a casa despreocupado: a chuva lavar-nos-ia e o forte vento havia de nos secar o pêlo. Quem eu!? No peixe podre!? Nem pó! Limpinho, como vês, Pai…


E a Vagabunda voltaria a fazer andar a cabeça à roda ao Rox quando passássemos por ele. 


Ela a meu lado e o gajo preso no arame... Yesse! 

Mas faltavam umas horas para a tempestade…


E a inebriante sensação de liberdade, ainda para cima ao lado daquela beleza bem cheirosa, toldaram-me o juízo. Comecei aí a deixar de pensar em voltar a casa.


Eu até já nem pensava em nada.


-Como é teu costume, aliás…


Não digas isso Pai… Sem dar por ela afastámo-nos dali em correrias tresloucadas, afugentando tudo à nossa frente. Gatos, galinhas, patos, eu sei lá.


-Os gatos e as galinhas do vizinho, Dembo!?


Desculpa Pai, sabes bem que a esses eu vejo como irmãos. A Dalila e o Rox dão-se bem com eles todos e não era eu que ia estragar a coisa. Confesso que ás vezes me apetece chatear o parvo do gato mas a Dalila olha para mim com aquela cara e eu faço de contas que me estou a confessar e pronto.


- E depois?


Depois, depois, olha, nem sei…


Só me lembro que quando começou a chover, a chover, a chover, as espinhas a escorrerem por nós abaixo (as conquilhas já tinham ficado lá para trás com as correrias) a Vagabunda toda molhada, eu encharcado até aos ossos, as nossas caras a espelharem aquela felicidade toda, veio-me à memória por uns instantes a minha bela cama tão perto da lareira, as guerras do costume na Euronews e tu e a Mãe ali ao pé de mim…


Mas não. Naquele momento não trocava nada pela minha liberdade ao lado da Vagabunda! Nada!


Essa noite de tempestade passámo-la nem sei bem onde, algures abrigados num curral ao pé de cabras e um grande bode e outros bichos que me pareceram medonhos mas se calhar era do medo. Do desconhecido.


E lembrei-me de me teres contado a história do bode que o Chuabo desgraçou um dia e até a GNR andou à procura dele… mas não, estava muito frio e eu e a Vagabunda, enroscados um no outro, adormecemos cheios de fome mas muito felizes.


Infalível!... Sonhei com o teu bode, salvo seja, o do Chuabo, que no sonho me confundiu com ele e para se vingar atirou-se à Vagabunda.


Eu, no sonho, não conseguia mexer-me e a desgraçada mal se aguentava com o peso daquela besta em cima, a tentar a todo o custo escapar-lhe.


Já me estava a vê-la parir um enorme Leão da Rodésia com cornos retorcidos a olhar para mim e a querer marrar com grande raiva. Livra! Entrei em pânico!


Acordei e ali estava ele, aquele bode! Mesmo ao meu lado, a tentar espetar-me um corno nas costas, aos berros, enlouquecido, através da vedação do curral, completamente fora de si. A tentar, a tentar!


Acordei logo a Vagabunda e fugimos dali a bom fugir, numa aberta.


- Não és nada parecido com o Chuabo, Dembo…


Não, não sou, Pai. Mas não faz mal.


O melhor é continuar a minha história…


Já se tinham passado 24 horas de completa liberdade sempre na companhia da minha amada Vagabunda.


A fome era muita. Mas outros valores cantaram mais alto e passámos boa parte do resto do segundo dia a fugir à muita chuva, a correr mundo e a fazer muito amor também


Passámos outra noite acoitados numa casa abandonada, para esquecer os sustos da noite anterior. Foi uma boa escolha porque o cansaço acumulado e a fome por resolver estavam á espera de uma noite repousante. 


Nada que se comparasse com as minhas noites calmas na tua sala.


Às vezes nem por isso… especialmente quando te dá para ouvir aqueles concertos malucos no Mezzo e a minha boa almofada encostada ao Home Cinema e o sono a tentar vencer o  Brad Mehldau, o Mendelsohn ou outros que tal, a 70/90 dB’s! Poramordedeus!


Foi um penoso acordar, confesso-te…


Tinha os músculos retesados e as paredes do estomago coladas. E tremia muito.
Forças, nenhumas.


Vontade de comer, toda do Mundo!


- Mãezinha! Paizinho!...



- É muito bem feito, para teres juízo! E a Vagabunda?


Não sei como é que ela ainda se mantinha de pé. Pior ainda! Estava fresca que nem uma alface, não é como vocês dizem?


- Tenho uma fome que nem vejo, Vagabunda… Tenho de ir comer a casa. Estamos mesmo aqui à porta…


- Tás-te a passar ó quê, Dembo... Agora que não chove, vamos até à 125… Anda lá, mor…


- Vagabunda! Não aguento mais com a fome. Não vês que já perdi muito peso? Vai para 48 horas que não comemos. Temos de comer qualquer coisa. Já mal me tenho nas canetas e nem quero fazer amor, esquece, tenho de comer. Vou mesmo comer!


- Só pensas nisso, Dembo. Agora que estávamos bem... Agora que éramos felizes!


- Desculpa lá miúda mas não aguento mais!


- Rox, queres ir comigo até á 125 enquanto o Dembo come? Bora ir… anda lá…


- Eu mato este gajo!


E num assomo de fúria virei-me de repente para a impedir de ir ter com ele e foi aí que aquele arame espetado me fez o golpe fundo na artéria mesmo no fim da cauda.


Dei um urro de dor que deu para vocês ouvirem


A Mãe ouviu-me e abriu logo o portão a chamar por mim.


- Dembo! Dembo!


Já não quis saber de mais nada. Estava a salvo!


Entrei pelo portão dentro que nem um tiro, o sangue a jorrar para todos os lados, até aos braços da Mãezinha. Finalmente!


- Finalmente… até à próxima! Palpita-me, Dembo…

Como nota de rodapé esclareço que o Chuabo era o meu amado Leão da Rodésia de 10 anos que nos deixou em 2008, ano em que nasceu o Dembo.


A Dalila é uma cadela do meu vizinho do outro lado da estrada, pescador de Olhão, arraçada de São Bernardo e Leão da Rodésia. Enorme!


O Rox, filho da Dalila, apareceu depois e dizem que o Pai é o Dembo. Ama-nos e passa muito tempo em nossa casa, especialmente no verão quando chega a banhar-se vezes sem conta na piscina… Gostamos muito dele cá em casa. Vem visitar-nos muitas vezes e pedir biscoitos que lhe damos para grande satisfação mútua…


O Sininho é um pónei lindíssimo e divertido com uma longa crina castanho dourada.

Costumo encher-lhe o balde da água com uma mangueira de rega, de longe, no verão. E eu sei que ele me agradece…

Têm ainda um canito branco de que não sei o nome. Além dos gatos e dos patos.


Tiveram também uns cisnes mas o Chuabo e a esposa Macua deram cabo deles. Morreram ao meu portão e eu tive que lhes dar outros, pequeninos. O bode, não paguei porque não soube do dono, a GNR não disse quem era.


Vivem todos felizes em perfeita harmonia.


(O Chuabo também me ofereceu várias sapatilhas, algumas á estreia, infelizmente todas desirmanadas. E três chupetas que tirou da boca sempre do mesmo bebé. Eram muito amigos, os dois. A Avó é que não gostou… Ele e a Macua tiveram 9 meninas. Dei-as todas…)


O Dembo respeita muito a Dalila. E não tem outro remédio senão respeitar o resto da matilha porque a Dalila não é para brincadeiras e faz ela muito bem…

A todos os que se preocuparam com a aventura do Dembo, dedico esta história.

A Vagabunda é isso mesmo. Uma ilustre e bela desconhecida a quem a Mãe Filomena deu o nome.


Deve existir por aí…


Para mal dos meus pecados.





(Actualizada em 15 de Abril de 2014)