quarta-feira, 19 de junho de 2013

Aviões que voei > F-86F - 2ª Parte

 

 

 

 

Esta segunda parte da história do F-86, tem o seguinte sumário:

 

  • O F-86F na Força Aérea Portuguesa
  • Uso do F-86 em combate
  • Guerra da Coreia
  • A crise do Estreito da Formosa de 1958
  • Envolvimento em África / Guiné Portuguesa
  • As Guerras Indo-Paquistanesas de 1965 e 1971
  • Construtores
  • Os F-86 excedentários
  • Alguns notáveis pilotos de F-86
  • Cronologia
  • Links mais utilizados


     O F-86F na Força Aérea Portuguesa







Em 1955 começaram as negociações para a renovação do acordo de cedência da Base das Lajes aos Estados Unidos. Pediram-se mais F-84G a juntar aos que operavam na Base Aérea Nº2, na Ota.

Além desses aviões foi ainda proposto o fornecimento de F-86E.











Em Novembro de 1957 o acordo foi assinado, tendo a Esquadra 50, “Falcões” sido criada em 4 de Fevereiro de 1958 sob o comando do Capitão Piloto Aviador Gualdino Moura Pinto, interinamente a funcionar na Base Aérea Nº2 Ota, até à conclusão das obras da Base Aérea Nº5 em Monte Real.





Para símbolo foi escolhido o “Falcão Peregrino”.




O escudo tem uma forma singular distintiva dos Falcões.

A divisa na periferia do escudo, centrado, sobre fundo dourado, em letras maiúsculas, de negro:

« GUERRA OU PAZ TANTO NOS FAZ »


O falcão em voo picado exprime o expoente máximo da aviação de caça. Gracioso e letal.
O sol radioso alude para força e energia.
Os rastos conferem dinamismo e remetem para o incessante serviço em prol da nação.
A divisa - « GUERRA OU PAZ TANTO NOS FAZ » é, no jargão dos Falcões, a expressão da sua vontade férrea e busca contínua da perfeição, sendo alusivo ao elevado espírito de dedicação e profissionalismo com que os Falcões abordam qualquer missão.
O azul de fundo representa o ar e o espaço, simboliza a lealdade e o zelo.
O ouro da periferia do escudo significa a nobreza, a força e a sabedoria.
O escudo dos Falcões é o mesmo desde 1958 tendo apenas mudado o número da esquadra conforme os ditames organizacionais (Esquadras 51, 302 e 201).


Os primeiros F-86 começaram a chegar a partir de Agosto de 1958 provenientes dos stocks da USAF.







No entanto os 65 aviões fornecidos foram na totalidade do modelo "F" bloco 35 e não do modelo "E" como acordado originalmente. Foram depois elevados ao padrão F-86F bloco 40, com capacidade de transporte e disparo do míssil AIM-9B Sidewinder, os quais só foram adquiridos em 1962.

O Agrupamento da USAF que acompanhou o MTU (Mobile Training Unit) era chefiado por dois pilotos veteranos da Guerra da Coreia, Maj Akola e Cap Brown e mais um pequeno grupo de especialistas.
Publicado em “Pássaro de Ferro” pelo Cap. (Ref) Fernando Moutinho : Ver Eu e o F-86


A 11 de Setembro de 1958 a Esquadra passou a designar-se Esquadra 51, devido à então revisão do sistema de numeração das Unidades da Força Aérea.

 No dia 22 de Setembro de 1958, realizou-se o primeiro voo de um piloto português em F-86F, primeira aeronave que equipou a esquadra dos Falcões. A 24 de Setembro o mesmo Piloto passa pela primeira vez a barreira do som em Portugal.

Neste período, foi igualmente reactivada a patrulha acrobática “Dragões” operando, agora, os F-86F.

No dia 4 de Outubro de 1958 a Base Aérea Nº5 em Monte Real ficou operacional e até Dezembro desse mesmo ano toda a logística e todos os F-86 finalizaram a mudança, onde ficaram a operar na esquadra 51, "Falcões".



Inauguração da B.A.5


  

Em 1974, a reestruturação que ocorreu na Força Aérea levou à constituição do Grupo Operacional 51 na BA5, dando origem, em 1978, a uma renomeação dos “Falcões” para, agora, "Esquadra 201".

Os Falcões continuaram a operar o F86F até 1980, somando um total de 60.000 horas de voo, com esta plataforma em tempo de Paz e no teatro de operações Ultramarino, onde pereceram cinco Pilotos Aviadores.

Portugal foi o último país utilizador do Sabre na NATO. Nesta data, 1980, foram retirados do activo os últimos 10 Sabres Portugueses sobreviventes, após o último voo, a 30 de Junho, com a duração de uma hora e vinte e cinco minutos, no qual uma parelha de F-86F, n.ºs de cauda 5347 e 5360, sobrevoaram todas as unidades da FAP, pilotados respectivamente pelos Tenente Coronel Victor Silva e Capitão Roda.

Voei com estes dois notáveis Falcões nos meus anos na Base Aérea Nº5, em Monte Real, Leiria.








Algumas fotos

dos meus tempos de

Falcão, no Sabre:













Vários inesquecíveis Falcões de 1965:
Coronel Soares de Moura, Comandante da B.A. 5 (4º da Dta p Esq, atrás, Major Moreira, Comte Esquadra, o 6º na mesma sequência, Canto e Castro, 1º da Esq ajoelhado (foi Conselheiro da Revolução) General Nico, últ da dta, ajoelhado. Eu estou sentado no chão ao lado do Canto e Castro
















      De pé, da esq p a dta:
          Canto e Castro, eu, Costa Pereira e Egídio Lopes
      Na frente:
           Leite da Silva, sorry..., sorry..., Ary






       A fantástica linha da frente!






    Reparem na matrícula e vejam como ficou bonito o meu F-86, aqui acima...




    ...E hojeno Museu do Ar em Bruxelas,  fotos aqui abaixo.









Historicamente, os “Falcões” são uma Esquadra de referência para a Força Aérea Portuguesa e para a Nação, não só pelos meios que operam, mas também na vanguarda em termos tecnológicos, pela atitude profissional, competente e dedicada dos seus elementos.



No dia 4 de Outubro de 2018, 60º Aniversário da Esquadra dos Falcões, foi dia de festa na Base Aérea Nº 5.












Depois, no Jantar de Gala no Palace Hotel de Monte Real
foi com muito orgulho que recebi, com outros 4 Falcões, o
"Falcão de Ouro".



Foi a primeira vez que tal galardão foi atribuído.







Uso do F.86 em combate



Guerra da Coreia 

O F-86 Sabre foi intensivamente usado na Guerra da Coreia (que durou de 26 de Junho de 1950 a 27 de Julho de 1953 com a assinatura de um armistício, mas legalmente não terminou ainda…) com resultados notáveis.

O F-86A foi introduzido no conflito Coreano em Novembro de 1950 na 51st Fighter Interceptor Wing. E, segundo os Americanos, obteve um rácio de enorme sucesso:14 para 1 em combates com os MIG-15 soviéticos.




 

Os pilotos dos MIGs eram na sua maior parte muito bons pilotos veteranos Russos mas também inexperientes Chineses e Norte Coreanos, enquanto muitos dos pilotos dos Sabre eram veteranos da 2ª Grande Guerra.

















Os grandes dogfights sobre o rio Yalu, que desagua no Mar Amarelo, a Norte da Coreia, tornaram-se inevitáveis ficando essa área conhecida como a “Alameda MIG”, “MIG Alley”.









Os MIGs voavam de Bases Aéreas na Manchúria no início do conflito quase exclusivamente por pilotos soviéticos da VVS (Soviet Air Force) sob grande segredo para não envolver oficialmente a União Soviética no conflito. Nos finais de 1950, após cursos intensivos dados pelos Soviéticos os MIGs passaram a voar com pilotos do China Vermelha e Norte Coreanos, mantendo-se os Soviéticos limitados ao espaço aéreo onde não pudessem ser capturados no caso de serem abatidos.




E foi a partir de Fevereiro de 1952, quando os craques pilotos Soviéticos foram largamente substituídos pelos inexperientes e mal preparados Norte Coreanos e Chineses Vermelhos que a superior formação dos pilotos Americanos veio ao de cima no conflito.




A superioridade inicial do MIG-15 face aos antiquados e lentos aviões Americanos causou enormes baixas nos Lockheed F-80 Shooting Star e Republic F-84 Thunderjet e nos Bombardeiros B-29.
Grandes formações de MIG-15 esperavam a grande altitude pelos aviões Americanos, do lado chinês da fronteira, na MIG Alley e então atacavam em vertiginosos voos picados.



 







 


 Lockheed F-80 Shooting Star

que está ligado à
génese do T-33.






F-84




B-29


A superioridade do MIG-15 nos finais de 1950 é completa e assim no dia 1 de Novembro de 1950 8 MIGs enfrentam cerca de 15 F-51D Mustangs e 10 F-80 Shooting Stars da USAF e o Tenente Semyon Fyodorovich Khominich obtem a primeira victória em combate ar-ar entre jactos militares, abatendo o F-80C de Frank Van Sickle que morreu, embora a USAF credite esta morte a actividade anti-aérea Norte Coreana.


F-51 Mustang


Mas no dia 9 de Novembro de 1950 o MIG-15 sofre a primeira baixa quando o Lieutenant Commander William T. Amen, piloto do porta-aviões USS Philippine Sea aos comandos de um Grumman F9F Panther abate o Capitão Mikhail F. Grachev.


Grumman F9F Panther

No início apenas 15 dos 19 F-86A enviados para a Coreia de modo apressado em Novembro de 1950, tinham adquirido capacidade de combate.

Iniciaram as operações de patrulha no dia 16 de Dezembro de 1950 e no dia seguinte,17 de Dezembro de 1950, o Coronel Bruce Hinton abateu logo o primeiro MIG, a primeira vitória em combate ar-ar entre MIGs e F-86, obrigando o Major Yakov Nikanorovich Yefromeyenko a ejectar-se do seu avião em chamas.





Nos seis meses seguintes, até Junho de 1951, os F-86A da 4ª Esquadra de Caça e Intercepção (4th Fighter Interceptor Wing) abateram 40 MIG-15, danificaram 71 e provavelmente destruíram mais 6, contra apenas 7 F-86A perdidos, um dos quais resultante de acidente operacional.
Em Julho de 1950 a série E do F-86 chega à Coreia.

Largamente ultrapassados em quantidade pelo inimigo, os F-86E em serviço na Coreia, lutando também contra uma crónica falta de abastecimentos que afectavam duramente a operacionalidade e prontidão dos aviões, conseguiram mesmo assim 83 vitórias contra apenas 6 F-86E perdidos.
Em 1952 chegam ao conflito coreano o F-86 da série F, somente 3 meses depois de terem sido aceites na Força Aérea Americana. Apesar da maior potência do seu motor, tinham uma performance semelhante ao F-86E.

O F-86F, com as actualizações decorrentes do seu emprego operacional, demonstrou claramente a sua superioridade de tal modo que em Março de 1953 os F-86E foram retirados da linha da frente.
No final do conflito as baixas de MIGs somavam o impressionante número de 818 aviões abatidos, contra 58 F-86…

É de salientar que no início do conflito os MIG eram exclusivamente voados por experientes pilotos Soviéticos que mais tarde deram lugar aos pouco experientes pilotos Chineses e Norte Coreanos.
O treino dos pilotos Americanos, feito na Base Aérea de Nellis, era muito superior.
Mutos dos combates deram-se na Manchúria (violando o espaço aéreo chinês) e todas as filmagens que o mostravam eram destruídas…

De qualquer modo, algumas características do F-86 como por exemplo a cauda toda movível que permitia manobrar bem a velocidades perto da velocidade do som, permitindo recuperar de um mergulho sónico, contrariamente aos MIG que não podiam exceder com segurança Mach 0,92, davam maior vantagem ao Sabre em combate ar-ar

O F-86 na generalidade e o F-86F em particular conseguiram uma relação de 14 vitórias contra os MIG-15 por cada F-86 perdido.

Este rácio tem vindo a ser muito contestado e os pilotos soviéticos afirmam ter abatido 600 Sabres, contra os 58 que os Americanos registam…

Elogios vindos da 5ª Força Aérea Americana (fifth Air Force), afirmavam que o F-86F era sem margem para dúvidas o melhor caça-bombardeiro em operação na Coreia, constituindo-se como uma plataforma muito estável para tiro ar-ar bem como para bombardeamento de baixa altitude, tendo ainda um comportamento aerodinâmico muito bom, em altitudes acima dos 9 000 metros transportando todo o armamento utilizável.

É seguramente um dos grandes aviões da História da Aviação Militar







A crise do Estreito da Formosa de 1958


A Formosa, a partir de Dezembro de 1954 até Junho de 1956 recebeu 160 ex-F-86Fs. Em Junho de 1958 já tinha 320 F-86Fs e 7 RF-86Fs.

Sabres e MIGs voltaram a combater em Agosto de 1958 opondo Chineses Comunista e Chineses Nacionalistas.

Sabres e MIG 15 e 17 envolveram-se em numerosos dogfights.

Durante o conflito, ao abrigo de uma acção mantida em segredo (Operation Black Magic) foi introduzido um novo tipo de armamento no combate ar-ar: mísseis guiados por infravermelhos, o AIM-9 Sidewinder.

Os MIG-17 voavam a uma altitude superior aos Sabres, atacando só quando tinham uma posição favorável.

O Sidewinder acabou com essa vantagem...

No primeiro dia em que foram testados em combate, 24 de Setembro de 1958, os Sabres equipados com misseis Sidewinder abateram 10 MIGs e danificaram outros dois, sem nenhuma perda.
Num mês de combates sobre as disputadas ilhas de Quemoy e Matsu os pilotos Nacionalistas abateram pelo menos 31 MIGs mais 8 prováveis contra 2 F-84G e nenhum Sabre.


F-84



Envolvimento em África / Guiné Portuguesa

Ver o tópico O F-86 na Força Aérea Portuguesa / Envolvimento em África


A 9 de Julho de 1961 oito F-86F, com os n.ºs de cauda 5307, 5314, 5322, 5326, 5354, 5356, 5361, 5362, iniciaram uma viagem de 3.800km, o equivalente a seis horas e dez minutos de voo, um recorde para Força Aérea Portuguesa ao tempo, que os levou até Bissalanca, um aeródromo junto a Bissau na Guiné Portuguesa, actual Guiné-Bissau, constituindo o destacamento 52.

A missão que ficou conhecida pelo nome de código Atlas, foi comandada pelo Major Ramiro de Almeida Santos, num voo com escalas na BA6 no Montijo, Gando (Ilhas Canárias) e Ilha do Sal (Cabo Verde).


Aeroporto da Ilha do Sal


Era suposto ficarem no terreno apenas oito dias, fazendo uma demonstração de força, no sentido de evitar acontecimentos semelhantes aos verificados meses antes na então Província de Angola e nos quais foram chacinados várias centenas de colonos e nativos.

Inicialmente, a deslocação destes aparelhos visava constituir forma de dissuasão, perante a ameaça que constituía a presença de Mig-15 e Mig-17 em países vizinhos como a Tanzânia e a Guiné-Conakry contra a Guiné Portuguesa.

No entanto com o agravar da situação em Angola e com o início das movimentações dos guerrilheiros do PAIGC, os F-86 foram ficando, mas apenas entraram em operações de combate no verão de 1963, quando a parte Sul da colónia teve que ser evacuada, devido a intensa actividade da guerrilha.

Entre Agosto de 1963 e Outubro de 1964, os F-86 voaram 577 missões a maioria das quais de ataque ao solo ou apoio aéreo próximo. Dos oito aviões destacados, sete foram atingidos por fogo inimigo, mas sempre conseguiram regressar.


Frente ao Hangar de Bissalanca estão Fiat G-91


Dois foram destruídos, o 5314 a 17 de Agosto de 1962 numa aterragem de emergência em que o avião ultrapassou o fim da pista, ainda com as bombas sob as asas e o 5322 a 31 de Maio de 1963 abatido por fogo antiaéreo inimigo. Em ambos os casos os pilotos foram recuperados de imediato com vida. Um terceiro seria muito danificado por fogo antiaéreo.

Este destacamento ocorreu entre 1961 e 1963 e terminou face a fortes pressões políticas exercidas pela Administração Norte-Americana e de alguns países da NATO para que os aviões regressassem a Monte Real.

Inviabilizaram assim a continuação da operação e ditaram o regresso dos Sabres a Portugal, já que os mesmos tinham sido fornecidos no âmbito da NATO e destinavam-se à protecção do seu flanco Sul.
A última missão operacional, aconteceu a 20 de Outubro de 1964 e foi protagonizada pelo Major Barbeitos de Sousa, após a qual o destacamento 52 foi dissolvido, passando as suas missões a serem asseguradas pelos Fiat G.91/R4 e o North-American T-6 Havard.


Guerra Indo-Paquistanesa de 1965 

Tratou-se do segundo conflito entre a Índia e do Paquistão pela disputada região da Caxemira, tendo o primeiro ocorrido em 1947.

O Paquistão recebeu 120 F-86F a partir de 1954 os quais no início do conflito com a duração de 22 dias, estavam com a operacionalidade bastante reduzida, por falta de peças de substituição, com origem no embargo Norte-Americano. Mesmo assim e já não sendo um caça de primeira linha, numa época em que a regra era a existência de caças da classe mach 2, teve um comportamento meritório tanto no combate ar-ar como no ataque ao solo obtendo mais vitórias do que perdas.




Guerra Indo-Paquistanesa de 1971

A guerra esteve estreitamente associada com a Guerra de Independência de Bangladesh
Os F-86F Paquistaneses voltaram a ser utilizados, acompanhados por Sabres Mk.6 de fabrico Canadiano (ex Luftwaffe obtidos de modo não oficial via Irão) exercendo o maior esforço contra antagonistas como o MiG-21 e o Sukhoi Su-7 da Força Aérea Indiana.

No final dos anos 70 do Séc. XX foi meu passageiro num voo B 727 de Lisboa para Frankfurt, um dos mais condecorados oficiais pilotos paquistaneses participante neste conflito como piloto de F-86. Era na altura adido militar da Embaixada do Paquistão em Lisboa.


Construtores 


A juntar aos Sabres produzidos nos Estados Unidos, a Canadair Ltd. em Montreal construíu 60 F-86Es para a US Air Force, mais pelo menos 1.750 Sabre Mk 2/3/4/5/6s para a  Royal Canadian Air Force e The Royal Air Force. Os mais recentes Sabres tinham motores Canadianos Orenda.

A Australia's Commonwealth Aircraft Corporation também os construíu, modificando-os para aceitar dois canhões de 30mm e motores Rolls-Royce Avon 26.

A Fiat italiana montou pelo menos 220 F-86K de Kits fornecidos pela North American.

Uma associação entre a North American e a Japonesa Mitsubishi fabricaram ao todo 480


Os F-86 excedentários


O F-86F, assim como o F-86E, deixaram de equipar a Força Aérea Americana depois do conflito na Coreia. No início de 1955 o Air Defense Command não tinha nenhum F-86F. No fim desse ano os últimos 53 F-86F da TAC foram substituídos por F-86Hs.

A exportação dos excedentários F-86F para as Nações aliadas dos Estados Unidos começou em 1954.

Em 4 anos o avião tornou-se no mais usado caça a jacto do Mundo Livre. O TAC usou alguns F-86F para treino de pilotos estrangeiros durante os anos 60 do Séc XX.

Uma das primeiras nações a receber F-86F foi a China Nacionalista, com mais de 325 aviões.
A Força Aérea Espanhola recebeu cerca de 250.
A Republica da Coreia 122
O Pakistão recebeu 120
A Noruega 90
Portugal 50
A Tailandia e as Filipinas, 40 cada
A Argentina 28
A Venezuela 22
O Peru 10

Por volta dos anos 80 do Séc. XX, oito nações desenvolvidas ainda incluíam caças F-86 nos seus arsenais.

O último Sabre foi fabricado no Japão em 1961.


Alguns notáveis pilotos de F-86




M. M. Alam














O Comandante de Esquadrão (mais tarde Air Commodore) M. M. Alam, da Pakistan Air Force, tornou-se um “Ás” ao abater 5 caças da Indian Air Force no espaço de 1 minuto na Guerra Indo-Paquistanesa de 1965. 
Foi condecorado com a “Sitara-e-Jurat” a “Estrela da Coragem”.







 














Coronel Edwin "Buzz" Aldrin, piloto de testes da USAF e Astronauta da Apollo 11.































Major John Glenn, piloto da U.S. Marine Corps e da USAF. Primeiro Astronauta Americano a orbitar a Terra. Foi mais tarde Senador pelo Ohio.









Virgil "Gus" Grissom

















Lieutenant Colonel Virgil "Gus" Grissom, astronauta dos programas Mercury, Gemini e Apollo. Morreu num fogo a bordo da nave Apollo.








Flying Officer Waleed Ehsanul Karim, Pakistan Air Force, o mais novo piloto a voar um Sabre, com 18 anos!





Cronologia


Datas importantes, em modo não exaustivo, no desenvolvimento do F-86 Sabre

22 de Novembro de 1944

    A North American inicia os estudos de um caça a jacto com asa recta, convencional, para a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos da América.

18 de Maio de 1945

    Autorização para a construção de três protótipos NA-140/XP-86A

20 de Junho de 1945

    Aprovada a maqueta do XP-86A
  
1 de Novembro de 1945

    Aprovada a proposta do fabricante para mudar a asa em ângulo recto para asa em flecha.

1946
    Ano da concepção do Mig-15.

8 de Agosto de 1947

    Sai da fábrica o primeiro protótipo XP-86A, 45-59597

1 de Outubro de 1947

    Primeiro voo do protótipo XP-86A 45-59597.

30 de Dezembro de 1947
        Primeiro voo do protótipo do MIG-15.

20 de Maio de 1948

    Primeiro voo do F-86A de produção final.

23 de Setembro de 1950

    Primeiro voo do F-86E.

1 de Dezembro de 1950

    Primeiros F-86A enviados para a Coreia

Dezembro de 1950

    São aceites pela USAF os dois últimos F-86A construídos.   

17 de Dezembro de 1950

    Abatido o primeiro MIG-15 por um F-86.

Julho de 1951

    Envio do primeiro F-86E para a Coreia

19 de Março de 1952

    Primeiro voo do F-86F

9 de Maio de 1953

    Primeiro voo do F-86H

27 de Julho de 1953

    Términus da Guerra da Coreia

Agosto de 1958

    Chegam os primeiros F-86F bloco 35 a Portugal

22 de Setembro de 1958

    1º voo de um F-86 em Portugal por um piloto português

24 de Setembro de 1958

    Batida a Barreira do som pela 1ª vez por um piloto português

1 de Outubro de 1961

    Três esquadrões de F-86H dos Estados Unidos são reactivados e enviados para a Europa, durante o Bloqueio de Berlim.

30 de Setembro de 1970

    Retirado do activo o último Sabre nos Estados Unidos, um F-86H Air National Guard do Estado de Nova Iorque

31 de Julho de 1980

    Portugal foi o último país utilizador do Sabre na NATO. Nesta data foram retirados do activo os últimos 10 Sabres Portugueses sobreviventes.

Junho de 1994

    Retirado o último F-86F no activo em todo o mundo, pertencente à Força Aérea da Bolívia.















Links mais utilizados:


http://en.wikipedia.org/wiki/F-86_Sabre
http://en.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Gurevich_%28aircraft_designer%29
http://en.wikipedia.org/wiki/North_American_FJ-1_Fury
http://f-86.tripod.com/barrier.html
http://f-86.tripod.com/index.html
http://guerreirosdapaz.fotosblogue.com/91411/O-F-86-Sabre-Aeronave-utilizada-pela-Forca-Aerea-portuguesa-na-guerra-do-Ultramar/
http://it.wikipedia.org/wiki/North_American_FJ_Fury
http://pt.wikipedia.org/wiki/AIM-9_Sidewinder
http://pt.wikipedia.org/wiki/Artem_Mikoyan
http://pt.wikipedia.org/wiki/F-86_Sabre
http://pt.wikipedia.org/wiki/F-86_Sabre#Envolvimento_em_.C3.81frica
http://pt.wikipedia.org/wiki/F-86_Sabre#Especifica.C3.A7.C3.B5es
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Coreia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Me-262
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikoyan-Gurevich
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikoyan-Gurevich_MiG-15
http://sabre-pilots.org/
http://upmagazine-tap.com/pt_artigos/um-novo-museu-do-ar/
http://walkarounds.home.sapo.pt/
http://walkarounds.home.sapo.pt/walkarounds.htm
http://www.aereo.jor.br/2012/10/19/chuck-yeager-voa-supersonico-mais-uma-vez-65-anos-depois-agora-num-f-15d/
http://www.aviation-history.com/north-american/f86.html
http://www.boeing.com/boeing/history/bna/f86.page
http://www.emfa.pt/www/esquadra-47
http://www.emfa.pt/www/po/musar/
http://www.emfa.pt/www/unidade-18-base-aerea-n-5
http://www.globalsecurity.org/military/systems/aircraft/f-86.htm
http://www.joebaugher.com/usaf_serials/
http://www.nationalmuseum.af.mil/factsheets/factsheet.asp?id=2297
http://www.passarodeferro.com/2010/12/f-86-os-dias-do-sabre-m450-50al2010.html
http://www.pbs.org/wgbh/nova/military/mig-v-sabre.html
http://www.spaads.org/
http://www.warbirdalley.com/f86.htm




(Actualizada em 10 de Outubro de 2018)






 








domingo, 14 de abril de 2013

Aviões que voei > Do27




 
O Dornier Do27 é um avião STOL (Short Take-off and Landing) monomotor de asa alta, trem de aterragem convencional, fixo, com a capacidade de transportar seis passageiros ou o equivalente em carga. Foi construído pela Dornier GmbH (mais tarde DASA Dornier, Fairchild-Dornier).

O conceito foi o mesmo do Fieseler Storch. O Do27 foi usado tanto na aviação civil como militar.


Em 1951 a Dornier iniciou estudos sobre a construção de um avião ligeiro de ligação observação e transporte, a pedido do Ministério Espanhol dos Transportes.


O líder deste grupo de Engenheiros foi o Professor Claude Dornier a pedido do Ministro da Defesa da RFA Franz Josef Strauss.


Ao protótipo de desenvolvimento deram o nome de Do25 P.




Dois protótipos acabaram por ser construídos, em Sevilha.

O voo inaugural do primeiro protótipo, o Do25-P1, foi no dia 25 de Junho de 1954 em Sevilha. O avião tinha um motor Enmasa Tigre G IV B de 150 hp.


O programa de testes, efectuado pela Força Aérea Espanhola (a Alemanha estava proibida de construir aviões militares como consequência da II Grande Guerra) durou até finais de 1954.





O conceito, desenvolvido pela oficina Técnica Dornier em colaboração com a CASA espanhola, deu origem a um novo modelo a que chamaram Do27.


O segundo protótipo, o Do27-P2, foi completado em 1954. O motor era um Continental O-470-J de 230 hp


O voo inaugural foi no dia 27 de Junho de 1955. O avião foi registado como EC-AKY.


Depois de a Alemanha ter readquirido a sua capacidade de desenvolver e construir aviões, este protótipo foi levado para a Alemanha e foi matriculado como D-EBUC.


A maior parte da produção deste avião foi então feita na Alemanha, voando o primeiro modelo industrial no dia 17 de Outubro de 1956.


50 aviões foram construídos em Espanha pela Construcciones Aeronáuticas SA com a denominação CASA-127.


O motor que equipava este modelo era um Lycoming GO480-B1A6.


Em 1957 o Do27 foi exibido no Salão Aeronáutico de Paris - Le Bourget.


No dia 5 de Novembro de 1957 o primeiro modelo civil do Do27 com o Nº 2001, deixa a fábrica Oberpfaffenhofen, registado como D-ENTE.





O avião foi entregue ao Professor Dr Bernhard Grzimek que o voa nas planícies do Serengeti, Tanzania, para a realização do filme "Serengeti não morrerá". O preço do avião rondou os 115.000 DM (Marcos).

Ao todo foram construídos 627 aviões, incluindo os dois protótipos e os 50 CASA C127. O último a ser construído, um Do27-B3 Nº2200, foi em 1976 para a Rheingau Airservice/Rüdesheim.



Cockpit de um modelo civil, melhor equipado

 A última revisão anual de um Do27 militar deu-se em 1980. Foi o fim do Do27 como avião militar. Nos anos 70 as Forças Armadas Alemãs começaram a reduzir os seus Do27. Foram vendidos a particulares, doados a aeroclubes e a diversas Forças Aéreas estrangeiras.

O Do27 foi o primeiro avião construído em larga escala na Alemanha após a II Grande Guerra. Era apreciado pelas suas generosas dimensões interiores, conforto e excelentes capacidades de operação em pistas curtas e não pavimentadas.




O Do27 na Força Aérea Portuguesa

Além do uso militar na Alemanha e em Espanha, Portugal também comprou 40 aviões novos e 106 ex-aviões da Força Aérea Alemã.

Entraram ao serviço na nossa Força Aérea em Dezembro de 1961.





Foram utilizados na Guerra do Ultramar, onde eram conhecidas por DO, nas três frentes, Guiné, Angola e Moçambique, com missões de transporte de passageiros, evacuação de feridos, reconhecimento aéreo e transporte de correio.



Cockpit do Do27

Esporadicamente foram utilizados em missões de apoio utilizando foguetes ofensivos montados sob as asas ou mesmo mini foguetes de sinalização de alvos a bombardear, como eu operei no Niassa, Moçambique.


Foram abatidos ao efectivo em 1979.






Variantes

Do27A - versão básica;
Do27B - versão com duplo comando;
C-127 - versão construída em Espanha pela CASA;
Do27Q-5 - versão com um trem de aterragem de maiores dimensões;
Do27S-1 - hidroavião com dois flutuadores;
Do27H-2 - versão com um motor Lycoming GSO-480-B1B6 de 340 CV 


Specifications (Do27Q-5)

General characteristics


Crew: 1
Capacity:                      4-6 passengers
Length:                       9,60 m
Wingspan:                      12 m
Height:                       2,80 m
Wing area:                 19,4 m²
Empty weight:           1073 kg
Max. takeoff weight:  1850 kg
Max. weight carried:    720 kg
Powerplant:     1 × Lycoming GO-480-B1A6 6-cylinder piston engine, 201 kW (270 hp)


Performance

 
Never exceed speed:      333 km/h (180 kn)
Maximum speed:            232 km/h (125 kn)
Cruise speed:                 211 km/h (114 kn)
Stall speed:                     74 km/h (40 kn)
Take off distance:          185 m
Landing distance:            80 m
Initial climb rate:         1082.68 ft/min    5.50 m/s
Range:                         1287 km (695 nm)
Service ceiling:            3290 m (10.800 ft)
Motor:                        AVCO Lycoming GO-480-B1A6
Power rating (max.):     270 hp




                          
O meu 1º voo em Do27:  
                       > na B.A. 2 - Ota em 7 de Maio de 1965 no avião 3463

O meu último voo em Do27 (no Ultramar): 
> no A.B. 6 - Nova Freixo (Moçambique) em 25 de Fevereiro de 1969 no avião 3450



O texto acima é uma compilação da diversa informação que recolhi em muitos sítios na Internet

Alguns sítios consultadost:

http://www.altertiger.de/40764.html
http://www.saairforce.co.za/the-airforce/aircraft/149/do-27a
http://en.wikipedia.org/wiki/Dornier_Do_27







quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aviões que voei > Ju 52






 O texto que se segue é uma compilação de vários textos que pesquisei em blogues e sítios na internet. Limitei-me a dar-lhes o tratamento e tradução que me pareceram poder resultar numa leitura mais fácil e compreensível.

No final deixo-vos os endereços electrónicos de todos estes sítios.
A maior parte das fotos e vídeos estão também nesses sítios.




O Junkers Ju 52, também conhecido por Tante Ju ou Auntie Ju e apelidado pelas tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial como "Iron Annie" é um avião alemão trimotor de transporte para utilização civil e militar fabricado entre 1932 e 1945 pela empresa Junkers, com capacidade para 17 passageiros É um dos aviões mais bem sucedidos na história da aviação europeia. Foram produzidas mais de 4.000 unidades.



Na aviação civil voou em 12 companhias incluindo a Swissair e a Deutsche Luft Hansa como avião de transporte de passageiros e carga.



Militarmente voou inicialmente na Luftwaffe como transporte de topas e carga e esporadicamente como bombardeiro médio.

Foi o mais famoso tri-motor de transporte da sua época e provavelmente o mais famoso avião cargueiro militar e civil Alemão. O Ju52 foi originalmente concebido como um monomotor, o Ju 52/1m. Fez o seu 1º voo no dia 13 de Outubro de 1930.

Desenhado pelo Engenheiro Dr. Ernst Zindel na fábrica da cidade de Dessau, era um grande monomotor com trem fixo, construído com o típico metal ondulado da Junkers. De asa baixa, tinha acoplada uma “asa dupla”. Uma solução que consista num estreito perfil de asa, um flap, ao longo do de todo o bordo de fuga, que também actuava como aileron.


Ju 52/1m - o Ju monomotor

Concebido principalmente para transporte aéreo tinha uma fuselagem de estrutura rectangular com uma área útil de 16,7m3 além de um pequeno espaço extra junto ao cockpit e outros espaços semelhantes por baixo da cabina.

A porta de carga principal, do lado esquerdo da fuselagem, media 1,81m x 0,90m. Abria horizontalmente para criar uma plataforma. Outras duas portas do lado direito, por baixo da fuselagem, permitiam um rápido acesso ao porão.

O protótipo produzido em 1930 e certificado no mesmo ano pelo Ministério dos Transportes do Reich, D-1974, tinha um único motor Junker L88 de 800hp com um hélice bi-pá.

Dois anos depois, em Abril de 1932, devido à falta de interesse por parte dos compradores, principalmente da Deutsche Lufthasa, uma versão maior foi desenhada e o novo avião, JU 52/3m foi equipado com mais dois motores, para aumentar o seu desempenho. Motores BMW VIIau de 600hp ou 755hp e hélices de 2 pás.



O 3m significa drei motoren, ou três motores. Algumas fontes indicam ter sido da empresa Lloyd Aéreo Boliviano (LAB) o pedido pela adição de mais dois motores, enquanto outras afirmam ter sido um requisito da Deutsche Lufthasa. 


Ju 52/3m
                                            
A intensão era criar um avião multi-funcional que servisse como transporte de passageiros carga e militares, missões de bombardeamento, evacuações médicas, como avião de reboque de planadores, avião anfíbio e até como detector de minas marítimas. Alguns foram até equipados com skis.

Embora tivesse havido mais de 30 motorizações diferentes, normalmente a versão militar do avião era equipado com 3 motores radiais BMW de 9 cilindros, de 525/600kW (830 hp), sendo a versão civil, o Ju 52/3mg4e, equipada com motores BMW 132A de 750 hp.

O Ju 52 transformou-se na aeronave padrão da Lufthansa, representando 74% da frota em 1944. A Lufthansa teve 230 aviões Ju 52/3m até 1945. Introduzido no Verão de 1932 para a linha Berlim-Munique-Veneza-Roma com sobrevoo dos Alpes, em apenas 8 horas de voo, um tempo considerado excelente para a época. No entanto, por não possuir cabine pressurizada, era equipado com máscaras de oxigénio para voos de grande altitude.







Outras companhias que utilizaram este modelo de avião, na altura, foram:
- AB Aerotransport, Aero O/Y, Aeroposta Argentina, AGO, Ala Littoria, British Airways, CAUSA, DDL, DETA, DNL, Eurasia Aviation Corporation, LAB, LOT, Iberia LAE, Malert, Österreichische Luftverkehrs, Sabena, Sedta, Serviços Aereos Portugueses, Sindicato Cóndor, SHCA, South African Airways, Varig e VASP.
 
Os governos da Colombia e do Peru também usaram versões civis e no pós-guerra a Air France, Aéro-Cargo, Air Atlas, Aigle Azur, Air Nolis, Air Ocean, Cie Gle Transsaharianne, TAI e outros como a Força Aére Francesa usaram variantes AAC (construídos em França).

Começou a perder espaço no mercado com o surgimento dos aviões Douglas DC-2 e DC-3, que eram mais económicos e transportavam um número maior de passageiros.

Em 1944 foi permitida a construção do modelo pela Construcciones Aeronáuticas S.A. (CASA) da Espanha, sendo então designado de CASA 352-L.

Os Ju 52 também foram produzidos em França a partir de 1942, numa fábrica da empresa aeronáutica francesa Amiot, incorporada pela Junkers durante a guerra, localizada na cidade de Colombes. Os aviões produzidos nesta fábrica foram baptizados de Amiot AAC.1 Toucan. Após a guerra, alguns destes modelos foram para a Força Aérea Portuguesa, Air France e CSA Czech Airlines.

Esteve em serviço na Força Aérea Suíça até ao anos 80. Actualmente, alguns exemplares ainda voam na Alemanha, Suíça e Estados Unidos para passeios turísticos. Outros dois exemplares, restaurados, estão na África do Sul e em França.



Um "moderno" Ju 52 em voo turístico

A sua primeira utilização militar foi para o transporte de equipamentos e tropas bolivianas para a frente de batalha pelos cinco aviões da Lloyd Aéreo Boliviano (LAB) durante a Guerra do Chaco, no conflito entre a Bolívia e o Paraguai.

Na Guerra Civil Espanhola, o Ju 52 foi utilizado como transporte de tropas, principalmente de soldados vindos de Marrocos para a Espanha, além de servir de bombardeiro e de transporte para missões de paraquedistas pela Legião Condor (uma força de aviadores voluntários enviados pela Alemanha para ajudar o General Franco durante a Guerra Civil em Espanha).


Cockpit do Ju 52

O mesmo uso foi feito durante a Segunda Guerra Mundial pela Alemanha, para o transporte de tropas e equipamento para a frente oriental (Estalinegrado), ou para o norte da África (Afrika Korps).





A versão Ju 52/3m W, hidroavião, serviu na campanha da Noruega em 1940 e posteriormente no teatro de operações do mediterrâneo.



O Ju 52 também foi uma peça fundamental na Operação Merkur (invasão alemã da ilha de Creta) no ano de 1941, como avião de transporte de paraquedistas. A operação foi considerada um sucesso, pois os seus objectivos de conquista foram alcançados. No entanto, as baixas de paraquedistas foram grandes e um pouco mais de metade dos 493 aviões que participaram da invasão foram danificados ou destruídos. Devido às altas perdas humanas e materiais desta operação, não foi realizada pela Alemanha mais nenhuma grande ofensiva utilizando tropas aerotransportadas.

Um modelo do Ju 52, estacionado no Equador, da empresa Syndicato Condor, subsidiária da Lufthansa no Brasil, foi um dos primeiros aviões capturados pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Durante este período beligerante, inúmeros Ju 52 foram destruídos. No entanto, alguns aviões capturados foram postos ao serviço das forças vitoriosas, sendo alguns utilizados pela Aeroflot.


Uso no pós-guerra


Vários Junjers Ju 52 continuaram a voar depois da 2ª Guerra Mundial, civil e militarmente.
Em 1956 a Força Aérea Portuguesa que já os usava como transporte de tropas, passou a usá-los para lançamento de paraquedistas na sua recentemente organizada tropa de elite de forças paraquedistas, conhecida posteriormente como Batalhão de Caçadores Paraquedistas.



A Swiss Air Force também o usou de 1939 a 1982 quando 3 aviões permaneceram em estado operacional, provavelmente o último e mais longo historial de serviço militar em qualquer força aérea. Mantêm-se ainda em estado de voo conjuntamente com um CASA 352 (Ju construído em Espanha) e podem ser alugados para voos turísticos com a Ju Air.



Durante os anos 50 a Força Aérea Francesa usou-os na Guerra da Indochina, esporadicamente, como bombardeiros.

A Força Aérea Espanhola operou o JU 52, o “Pava” como lhe chamavam, até aos anos 70 no Escuadrón 721, voando a versão construída em Espanha, em treino de paraquedistas na Base Aérea de Alcantarilla, perto de Murcia.

Alguns Ju 52 militares foram convertidos em aviões civis, como por exemplo na British European Airways (BEA) que operou 11 ex-Luftwaffe Ju 52/3mg8e aprisionados pela RAF, entre 1946/47, em voos internos no Reino Unido.




Companhias francesas como a Societe de Transports Aeriens (STA) e a Air France voaram Toucans (Jus fabricados em França) nos finais dos anos 1940 e princípio dos anos 50.



Um Ju 52 e um Douglas DC-3 foram os últimos aviões a descolar em Berlim do desmantelado Aeroporto de Tempelhof no dia 30 de Outubro de 2008.

A maior parte dos aviões foi destruida depois da 2ª Grande Guerra mas 585 foram construídos depois de 1945.



Em França, durante a 2ª Grande Guerra, o avião tinha sido construído pela companhia Avions Amiot e a produção continuou depois disso com a designação Amiot AAC 1 Toucan.

Em Espanha, a Construcciones Aeronáuticas SA, continuou também a construção do modelo como CASA 352 e 352L. 4 aviões CASA 352 estão ainda em estado de voo.

Voo inaugural modelo 1m-        13 de Outubro de 1930
Voo inaugural modelo 3m -         7 de Março de 1932
Período de produção -               1932-1952 (na Alemanha)
Produção total -                         cerca de 5.000 aviões
ICAO Code -                             JU52
IATA Code -                              JU5

ESPECIFICAÇÕES

Envergadura -       29.95 m; 
Comprimento -     18.9 m;
Altura -                 2.60 m;
Superfície alar -    119.5 m2; 
Peso em cazio -    5,346 kg;
Peso carregado -    9,200 kg.

PERFORMANCE     (versão com motorização BMW 132A)
Velocidade máxima -         290 km/h;
Vel máx de cruzeiro -         255 km/h;
Vel mínima -                      92-98 km/h
Corrida de descolagem -    340 m;
Subida até 1.000 m em -    4.8 min;
Tecto de serviço -               5,500 m
Alcance -                            915 km.

Variantes: Ju 52/3mce, Ju 52/3mge, Ju 52/3mg3e, Ju 52/3mg4e, Ju 52/3mg5e, Ju 52/3mg6e, Ju 52/3mg7e, Ju 52/3mg8e, Ju 52/3mg9e, Ju 52/3mg10e, Ju 52/3mg11e, Ju 52/3mg12e, Ju 52/3m12e, Ju 52/3mg1


História dos Ju 52 na Esquadra 502
da Força Aérea Portuguesa:

Esquadra 502
Sobre as Asas Ínclitas da Fama 


Em 1937 a FAP adquiriu dez aviões da versão g3e, sendo que outros dois vieram em 1951 (da versão g7e). Um outro lote de 14 aviões chegou em 1962. Estes últimos eram Amiot AAC-1 Toucan, fabricados em França.

A opção por um avião alemão, quando uma aeronave britânica faria bastante mais sentido em Portugal por causa da extensão do nosso Império, deveu-se às reticências de franceses e britânicos, relacionadas com o apoio de Portugal às forças do General Franco na guerra civil em Espanha.

A origem da Esquadra 502 remonta à primeira unidade aérea a que foi atribuída a missão de cooperação com as tropas paraquedistas. Estava então equipada com o Junkers Ju-52/3m. As primeiras aeronaves chegaram a Portugal em Dezembro de 1937 e foram atribuídas ao GEBN, Grupo de Esquadrilhas de Bombardeamento Nocturno com base em Sintra, situação que se manteve até meados da década de 40, quando foram distribuídos pelas Bases Aéreas de Sintra e da Ota, sendo-lhe atribuída, em acumulação, a missão de transporte.





Em 1954 constituíram-se as tropas paraquedistas, integradas na Forca Aérea, ficando instaladas no Polígono Militar de Tancos, Junto à Base Aérea nº3. Um dos Ju-52/3m foi atribuído a esta unidade-base, sendo o embrião de outra unidade aérea que nos conduz à actualidade e à Esquadra 502.




A 11 de Janeiro de 1955 é formada a Esquadrilha de Ligação e Treino (ELT), equipada com 22 aviões "Piper Cub" L-21 (que, além dos serviços de ligação,  apoiava o Exército) e dois bimotores "Oxford" para treino. Nesse dia é nomeado comandante daquela Esquadrilha o Capitão Fernando Gomes dos Santos. Em Maio do mesmo ano começam a ser recebidos na BA3 aviões Junkers para o lançamento de paraquedistas, iniciando-se os voos de adaptação e os lançamentos, em 17 e 30 de Agosto respectivamente. Com o abrir do leque de missões atribuídas à ELT, foi decidido criar uma Esquadra que manteria as suas missões e efectivos.




A 12 de Abril de 1956 é constituída uma Esquadra Mista com duas Esquadrilhas: uma de ligação e treino, com 22 aviões L-21 e dois bimotores Oxford, e outra de transporte, com cinco aviões Ju-52, à data com sete pilotos. A Esquadra Mista viria a ser extinta em Dezembro de 1959, e com ela a Esquadrilha de Transporte, dando lugar à Esquadra de Instrução Complementar de Pilotagem e Navegação em Aviões Pesados (EICPNAP). Esta unidade viria a formar um reduzido número de alunos-piloto, não indo além de dezena e meia, mantendo como principal actividade o lançamento de paraquedistas. São-lhe atribuídos mais dois aviões Junkers e reequipados os restantes com motores Pratt & Whitney R-1340.

Nos meses de Novembro e Dezembro de 1960, a França entrega a Portugal 15 aviões Amiot AAC-1 Toucan, sendo a maior parte entregues a EICPNAP.


Avião histórico da Lufthansa

Com o eclodir da guerra no Ultramar, em 1963 foi decidido formar mais tropas paraquedistas. Foram então introduzidas novas técnicas de lançamento de pessoal e de carga, incluindo lançamentos nocturnos.




A EICPNAP é extinta em finais do ano de 1963, sucedendo-lhe a Esquadra de Treino e Transporte de Tropas Paraquedistas (ETTTP). Na prática só a designação mudou, mantendo-se a sua localização, aeronaves e a missão. Os Ju-52/3m são "baptizados" de Tartarugas e surge o primeiro distintivo, uma "tartaruga-aviador" transportando um paraquedista num carro de bebé. Com o incremento do esforço de guerra, os "velhinhos" Ju-52/3m são explorados intensivamente no treino de tropas paraquedistas, falando-se na sua substituição por aeronaves C-47 "Dakota". Mas tal não ocorreu e os Junkers continuaram a cumprir a sua missão, aproximando-se cada vez mais o fim da sua vida operacional. A ETTTP, que formou com elevado espírito de missão sucessivos cursos de paraquedistas, foi finalmente extinta em 1971, dando lugar à Esquadra 32.


Avião da JU Air para voos turísticos



Características dos Ju 52
da Força Aérea Portuguesa:
   
Dimensões:  
Comprimento: 18.9 M
Envergadura:   29.2 M
Altura:               4.65   

Motores/ Potência
3 x motores BMW 132 A3
Potência total: 2250 HP/CV

Peso / Cap. carga
   
Peso vazio: 6500 Kg
Peso máximo/descolagem: 11030 Kg
Numero de suportes p/ armas: 0
Capacidade de carga/armamento: 2700 Kg
Tripulação : 3
Passageiros: 12 a 18

Velocidade / Autonomia
Velocidade Maxima: 286 Km/h
Máxima(nível do mar): Não disponível
De cruzeiro: 250 Km/h
Autonomia standard /carregado : 1100 Km
Autonomia máxima / leve 1300 Km.
Altitude máxima: 5500 Metros


O D-AQUI da Lufthansa
____________________________

 


Voos feitos por mim como 2º piloto em
Ju 52 na Força Aérea Portuguesa



Data              Avião        Matrícula    Local                         T. de voo
24-Julh-64     JU-52/3m      6311        Mreal/Tancos/Mreal    01:10
24-Julh-64     JU-52/3m      6311        Mreal/Portela               01:00
29-Out-64     JU-52/3m      6311        Mreal/Tancos               00:40
29-Out-64     JU-52/3m      6311        Tancos/Mreal               00:40
16-Nov-64    JU-52/3m      6311         MReal/Mreal                00:45
17-Nov-64    JU-52/3m      6311         Mreal/Ota                     00:45
17-Nov-64    JU-52/3m      6311         Ota/Mreal                     00:35
                                         Total de horas voadas     >>>        05:35




NOTA:

endereços electrónicos de onde compilei toda esta informação:


http://www.youtube.com/watch?v=fIVWSXAXQTE

http://www.luftwaffe39-45.historia.nom.br/aero/ju52.htm

http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/Aer.aspx?nn=50&P=77&R=FA

http://www.avioesemusicas.com/junkers-ju523m-um-pouco-de-historia-parte-1.html#!prettyPhoto

http://www.emfa.pt/www/po/esquadra/link-502-005.002.001.002.001-junkers-ju-52

http://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7a_A%C3%A9rea_Portuguesa

http://www.aereo.jor.br/2009/10/26/museu-da-tam-recebeu-ju-52-de-portugal/

http://www.museutam.com.br/o_museu.php

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_airworthy_Ju_52s

http://www.airforcecenter.ch/index.php?id=25