terça-feira, 25 de março de 2014

A Minha Força Aérea - Os Cavaleiros Guardiões do Império


Esta é uma história de Cavalaria passada num Império, fictício.


Uma Epopeia dos Falcões nos idos dos anos 60 do Séc. XX




Como se sabe não há Império que dure sempre e na verdade onde haveria um Império em pleno Século XX cujo território se espraiasse por todos os grandes Oceanos da Terra?

Onde existisse um país espalhado por três Continentes diferentes?

É pois uma ficção cujos personagens, os Cavaleiros Guardiões desse Império, eram admirados e acarinhados pelo povo que no entanto vivia subjugado por uma ditadura.

E como acontece sempre...

Um dia o Império, puf!... Ruiu.

Como em Roma, como na Pérsia, como em Moscovo até.

E os novos pequenos guardiões do pequeno país que sobrou reescreveram a História, apagaram todos os vergonhosos feitos do passado que assim deixou de existir e inventaram, num pequeno território, algo que pretendem ser um país como alguns outros.

Reescreveram-na de tal maneira que levaram o povo a considerar que o facto mais importante de toda a sua História foi o 25 de Abril! Sondagem de Abril de 2014 no jornal Expresso

Isto também é uma ficção, claro.

Mas aqueles feitos desta fictícia história de Cavalaria que vos quero contar, para que a percebam melhor, necessitam de um ambiente geo-referenciado (eu, mesmo Reformado, também tenho um smartphone... já o tinha, senão…).

Mas não se esqueçam que é somente uma História de Cavalaria, passada num tempo em que a Guerra varria o Império, época de muitos heroísmos, de muitas traições também.

Naquele tempo...

Os Cavaleiros estavam em plena época de treino na Carreira de Tiro de Alcochete.

Eram pilotos dos aviões a jacto mais evoluídos daquela nobre Confraria a que ainda chamamos, com muita honra, a Força Aérea Portuguesa, que existia naquele tempo e que nos dias de hoje continua a ser uma referência de bem-fazer, de bem servir.

Eram, como hoje ainda são, os Falcões.

Aqueles Cavaleiros guardiões volta e meia juntavam-se em grandes banquetes, alguns memoráveis, fora do Palácio dos Falcões onde habitavam, como este banquete de que vos dou notícia porque o li num amarelado pergaminho que consultei numa noite de muito frio, à lareira, com o meu gato Arnold ao colo. O Silvester não é muito de colos…

E vendo melhor, pode ser que eu também lá tenha estado…
 

Naquele dia os Falcões escolheram uma adega particular perto de uma praia com um grande promontório onde reza a história um outro Cavaleiro, D. Fuas Roupinho (atenção aos mais novos: este existiu mesmo… já não vos ensinam, eu sei) uns bons 784 anos antes, ao raiar do dia 14 de Setembro de 1182, na perseguição a um veado, travou a montada mesmo na beirinha de um precipício após uma breve prece à Virgem Maria:

- Senhora! Valei-me!.

Ainda hoje se pode ver no Sítio o resultado daquela travagem milagrosa.

Até deve ter feito faísca, para marcar assim a rocha…

Pois tudo isto fica muito perto do actual Castelo dos Falcões daqueles nobres Senhores.

Correu bem o repasto que era pago com o soldo dos nobres Cavaleiros. Ou melhor, era pago com as multas, em "bicadas", que lhes eram aplicadas por um qualquer deles quando alguém considerava que um dos Cavaleiros tinha cometido uma asneira.

E, como em Hollywood, aqueles banquetes nem sempre acabavam bem, nem sempre eram muito certinhos...

Àquele almoço, onde como era da praxe também compareceram o Falcão Mor e o Grande Comandante, acabou com os habituais prolongados discursos inflamados, desta vez em cima dos avantajados tonéis de vinho da adega, no meio de uma enorme vozearia onde ninguém ouvia ninguém mas todos concordavam com todos.

Nobre gente...



Acabado o almoço, reconfortados de fartos sólidos e imenso líquido, subiram às montadas e dirigiram-se para a praia onde muitos anos depois, ali mesmo ao lado o também famoso Cavaleiro Mc Namara cavalgou com grande mestria um grande monstro de mais de 20m de altura.


Não me digam que não gostam de Mitologia…


Lendárias paragens, estas. Recheadas com todas estas nobres histórias...

Um lugar mágico, certamente.


Chegados ao grande largo junto à praia, o magnifico Promontório à direita, no meio daquele lugar muito concorrido pelos muitos forasteiros que naquele sábado saboreavam o Sol do fim da tarde, os nobres Cavaleiros escolheram um espaço no meio da mais concorrida das esplanadas e juntaram as mesas suficientes onde coubessem todos.

Mas faltava ainda o Grande Comandante (que se atrasara, vá-se lá saber porquê…) Que o era não só dos Cavaleiros, mas de todo o Castelo a que os Falcões pertenciam. Um nobre cujos feitos memoráveis em combates pelas Terras do Demo lhe tinham valido duas promoções sucessivas.

Juntas as mesas, esperaram sossegadamente por ele. Chefe é chefe e sem ele, nada!

Até que…

  - Mas o que é isto?! Berrou o espantado empregado de mesa, toda a esplanada a ver, incrédula.
 - O que é que vem a ser isto?!
 - Isto o quê?!
 - As mesas!
 - O que é que tem?
 - O que é que tem?!… O que é que tem? Quatro mesas em cima umas das outras???!
 - E acha que cabíamos numa só?
 - Mas em cima umas das outras?!
 - E atão?!
 - Não vos sirvo nada!


E desandou, felizmente para ele...

Ao redor de toda a praça começa a juntar-se gente. O bom povo daquela nobre terra de pescadores.

Perante coisa nunca vista…

Afinal havia quem, à luz do dia, no meio da rua, afrontasse a podre normalidade daqueles tempos.

Havia quem afrontasse a ordem Superior e Divinamente estabelecida naquela ditadura.

Eram certamente seres poderosos. Só podia… e como tal o que é que mais poderia acontecer…

O silêncio começou a pesar. Quem serão estes... Pensava aquela muita gente já temente do que de desconhecido poderia ainda vir.

E eis que finalmente aparece o Grande Comandante, muito calmo sempre de semblante carregado e a dar-se conta daquela grande agitação em torno dos seus Cavaleiro Falcões!

 - O que é que se passa aqui?
 - Senhor Comandante, juntámos as mesas e o empregado diz que não nos serve o café!
 - Como?!
 - Não nos serve o café... foi o que ele disse!
 - Vamos já buscar a máquina do café!


Manda quem pode…

Levantaram-se todos de supetão, obedientemente como convinha e meia esplanada também!

Ui...

O dito café era antes um moderno snack-bar com toda a fachada em vidro. Óptimo écran para reproduzir completamente as muitas caras coladas, esborrachadas, a ver no que aquilo ia dar lá dentro…

No interior, poucos clientes, 2 ou 3, assistiam calma e silenciosamente.
Sentados ao balcão, aqueles bem vestidos e apessoados Cavaleiros em alegre convívio como se estivessem no Bar da Messe dos Oficias, pediam, com muitas palmadas no tampo:

 - Queremos café! Queremos café!

 - Não sirvo café a ninguém, respondia o indignado proprietário!


A montra já não tinha espaço para mais caras esborrachadas de atónitos cidadãos, na maioria autóctones, que estavam em pleno Reality Show.

 - Queremos café! Queremos café!

 - Vou chamar um polícia!


 - Olhe que um não chega! Tem de chamar mais...


E finalmente lá veio a Polícia da Esquadra ali perto. Mandaram dois ou três Agentes para controlar o motim.

A legítima autoridade presente tentou algemar um dos Cavaleiros que começava a asneirar em demasia mas o Grande Comandante agarrou-o por um braço e logo de seguida foram todos gentilmente convidados a seguir em procissão pela esplanada fora, para a Esquadra, custodiados pelos Agentes.

Em fila indiana. A furar literalmente através de um estreito corredor que se ia abrindo no meio de uma multidão que aplaudia em delírio, vibrantemente!

Simplesmente inacreditável mas só possível nesta ficção de Cavalaria Medieval…

É por isso que passei a respeitar ainda mais as gentes do mar. Nobre gente desta destemida Nação!

Chegados à esquadra com o “prisioneiro” de braço dado ao Grande Comandante, o guardião daquela unidade policial acedeu gentilmente que remédio permitir que o Grande Comandante, que se identificou verbalmente, fosse ao Castelo dos Falcões ali tão perto buscar as credenciais que o identificavam oficialmente.

O asneirento Camarada ficou como refém dentro da Esquadra.

Foi a mais sensata das soluções... Já que todos os demais Falcões se sentaram em amena cavaqueira nas altas escadas daquela Esquadra, completamente cercados por uma enorme multidão de intrigados mas alegres e vibrantes cidadãos daquela vila que no entanto aparentavam estar mais dispostos a dar a vida por eles do que a defender a autoridade e o bom nome locais.

Pelo menos parecia que ameaçavam isso... E na Esquadra a adrenalina subia.

E quando as coisas se podem complicar ainda mais, é certo e sabido que se complicam mesmo.

Nem 15 minutos depois aparece no largo um pequeno carro de matrícula francesa com um desvairado citoyen aos berros também.

Uma perfeita loucura aquele fim de tarde…

E declarou o seguinte, ao atónito Comandante da Esquadra:

- Fui abalroado por um Volkswagen preto! Ali mesmo à entrada da Vila! A matrícula do carro começa por "AM" (de Aeronáutica Militar, já se vê…) e o gajo… o gajo, veja lá, foi-se logo embora e ainda me mandou à merda!

O desgraçado do Comandante da Esquadra começou a arrepender-se e a ver a vida a andar para trás...
E com toda aquela ameaçadora gente ali mesmo à frente, do nosso lado, a torcer por nós.

Passada mais meia hora de grande emoção para todos os sitiantes e de completa descontracção entre os Falcões lá aparece um "novo" Comandante, agora devidamente fardado, ostentando discretamente (…) no peito os símbolos que a Nação achara por bem, por duas vezes, outorgar-lhe pelos muitos actos de bravura cometidos para com a Pátria. Promovido por distinção, sucessivamente a Ten Coronel e a Coronel...

Um pequeno intervalo para eu explicar melhor quem era este Senhor:

Em plena boda do casamento de um seu Camarada que viria a ser General (Galvão de Melo) este agora Comandante do Castelo dos Falcões, impecavelmente fardado, com a farda de gala, andava com um elegante prato com um enorme e delicioso bolo coberto de chatilly que oferecia às senhoras.

As que aceitavam ficavam com um bonito e farfalhudo bigode branquinho...

Voltando novamente àquela Esquadra da Polícia.

Após uma breve e protocolar conferência, as duas entidades soberanas da Nação ali representadas apertaram civilizadamente as mãos e tudo se resolveu com galhardia (não faço a mínima ideia do que teria realmente acontecido entre eles...)

Povo e guardiões da Pátria puderam assim voltar à sua vida rotineira.

Incluindo o asneirento Cavaleiro.

Ok…Falta o francês. Não me esqueci.

Este foi informado das circunstâncias e convidado a comparecer no dia seguinte no ninho dos Falcões para um almoço, pelo Grande Comandante.

E lá apareceu na manhã seguinte.

Enquanto comia umas coisas e bebia muitíssimo mais do que devia (é para aprenderes…) o seu pequeno carro foi completamente restaurado e ficou como novo.

Ao sair, o agora imensamente feliz citoyen e a sua gentil esposa tiveram de ser cuidadosamente acompanhados até à porta de armas não fosse ele falhar a pontaria entre os grandes portões, e com uma bela história para contar aos netos.

Isto podia ter ficado por aqui, não fosse a mania do costume de algumas pessoas não se conformarem por não ficarem nas fotografias.

Poucos dias depois o nosso Comandante irrompe no Palácio dos Falcões de semblante carregado como de costume e com um papel na mão que exibia ameaçadoramente. Percebia-se logo que o assunto era sério.

E dirigindo-se ao Falcão Mor, que era o Cavaleiro alado que comandava todos aqueles gentis-homens (em francês ficava mais bonito mas ninguém ia perceber-me) disse mais ou menos isto, a memória já me falha:

- Recebi esta carta do Presidente da Câmara daquela Vila a denunciar o comportamento dos seus subordinados naquela tarde. Queira agir em conformidade.

E foi-se… Sem mais palavras.

Cá se fazem, cá se pagam.

Como dizia o saudoso Vitorino Nemésio, se bem se lembram, eu disse lá mais atrás que quando esta ficção começou os Falcões estavam em plena época de tiro na Carreira de Tiro de Alcochete.


Torre de controlo da Carreira de Tiro
Como guerreiros que eram, as artes de tiro ao alvo com bombas rockets e metralhadoras, montados naquelas bem ajaezadas supersónicas montadas, tinham de ser praticadas nalgum sítio. Ele ainda hoje existe e no mesmo lugar. Onde o “Jamais” quis construir o eterno futuro Novo Aeroporto de Lisboa. Em Alcochete.

A propósito, eu tenho, tenho mesmo! um grosso livro com um estudo sobre esse futuro novo aeroporto, datado de 1972. Idade Média, claro…

Aquelas belas montadas descolavam da Base Aérea que fica a um curto galope do Castelo onde D, Dinis e a Rainha Santa Isabel viveram. Um muito belo Castelo… mandado construir pelo trisavô, o fundador do Reino.





Sentados naquela magnífica varanda virada para o rio Lis, o nosso Rei Lavrador e a Rainha Santa mandaram ajardinar tudo aquilo lá para trás com milhares e milhares de pinheiros (diz-se que foi o Rei mas sabe-se como são as Senhoras em questões de plantinhas) para, entre outras coisas, terem matéria-prima para construir as naus que a Coroa mais tarde mandou à Descoberta de tudo aquilo e que agora a República perdeu, ou entregou ou devolveu, uma coisa dessas.

Não interessa agora.

Cá se fazem cá se pagam e o que é que se pagou pelos sucedidos naquela tarde?

O Falcão Mor ordenou que «todos as supersónicas montadas, na ida e na volta de Alcochete, sobrevoassem aquela simpática vila a rapar os telhados».

A RAPAR OS TELHADOS!


Foram as suas ordens. Como castigo…

E foram umas dez parelhas de máquinas que durante uns dias passaram por ali duas vezes, na ida e na volta, cada uma.

A rapar os telhados.

Acho que ainda sei quantas telhas tem cada casa…

O Presidente da Câmara deve ter-se dado por satisfeito, mas ao menos podia ter agradecido. Nem uma palavra…

E pronto, acaba aqui esta fictícia história muito adequada para estas noites agora frias de Primavera.


(Actualizada em 17 de Abril de 2014)




sábado, 22 de março de 2014

A Minha Força Aérea - Alferes Rica


 







Uma Homenagem a um jovem Camarada prematuramente perdido











A gabardina em Terylene forrada a espuma sintética, bege clarinho, a última moda e muito cara, era à estreia...

Tinha-a comprado nesse dia e estava agora transformada num instrumento de degranhar o milho, de subelar as espigas, tanto que batia com ela furiosa e repetidamente no chão...



O jantar mensal da Esquadra 51, dos pilotos de F-86 em Monte Real, tinha corrido como sempre muito bem, demasiado bem, digo eu… e ali estávamos nós agora no Bar da Messe dos Oficiais da Base Aérea Nº 5 para o grande rescaldo do costume...

Estas coisas passaram-se em 1965/66, em ambiente de preparação de pilotos para a Guerra do Ultramar, num país fortemente condicionado para tal. Em ditadura. E onde ser militar era ainda um bem precioso para a Nação.

Já era a segunda ou terceira vez nessa noite que voltava a malhar milho, depois de os meus camaradas me terem metido à força na cama várias vezes por causa de uma minha enorme incapacidade acidental para me manter na vertical…

Enquanto desfazia a gabardina à estreia contra a calçada frente à Messe, na ausência de milho verdadeiro, chorava copiosamente e todos os meus camaradas sabiam o que me estava a acontecer:



- Muito poucos dias antes o Alferes Rica tinha sido vítima de um fatal
acidente de viação no seu pequeno Morris vermelho, descapotável.



Na Força Aérea sempre me senti um privilegiado. Fiz alguma coisa por isso, claro, mas fui sempre muito amparado, muito protegido, beneficiando de muitas oportunidades que agarrei avidamente.

Comecei por ter sido brevetado em T-6 pela Força Aérea Espanhola em Salamanca. Só depois o fui em Sintra, há meio Século... a comemorar este ano de 2012 no Palácio da Base Aérea de Sintra.

Convidaram-me depois a frequentar o Curso de Piloto de Caça, em aviões a jacto T-33 na Ota. Foi o primeiro curso na nossa Força Aérea em moldes totalmente Americanos. E no fim… o F-86 onde cheguei à Esquadra dos Falcões, acabado de ser promovido a Furriel.

Aqui, depois de me ter sido dado o curso ficaram à espera que digerisse o resto que me cabia estudar, sozinho, o tempo que eu considerasse necessário. O camarada anterior tinha sido devolvido ao remetente ao fim de 6 meses de boa vida e nenhum empenho.

Pois eu, em 15 dias, apresentei-me ao meu Comandante de Esquadra, Major Moreira e declarei-me pronto a voar naquele avião, o F-86, que era supersónico (em condições especiais) e monolugar ou seja teria de o voar sozinho sem ninguém a ensinar-me ao meu lado, dentro do avião…

Foi grande o seu espanto e logo ali ele, sentado à secretária e eu de pé à sua frente, me fez um exaustivo exame sobre um variado leque de matérias. Técnicas, de segurança e outras.

Nessa mesma tarde aprendi naquele fantástico avião a manobrá-lo no chão, com o instrutor encavalitado em cima da asa e eu a executar o que ele me dizia aos gritos, por causa do barulho do reactor.
 

Um grande instrutor, o Carvalhão!


E no dia seguinte estava a fazer o meu primeiro voo num avião que poucos dias depois me levou a bater a Barreira do Som!

Eu, o Ary e o Leite da Silva (um malandro que nos deixou há pouco, rumo às estrelas), o cocó o ranheta e o facada, a ordem dependia das asneiras que fazíamos, já andávamos nisto desde 1962 e chegar aqui foi um grande feito para nós, tão pouco graduados no meio de gente tão ilustre. Que olhava para nós com alguma natural desconfiança e expectativa, mas com toda a solidariedade.

Os senhores Tenentes pilotos nossos superiores pareciam-nos de outra galáxia. Os Sargentos-Ajudantes, mais próximos, tinham sempre um dedo apontado a nós: “Portem-se bem, senão…”

E tudo corria muito bem até que somos informados que uma nova leva de pilotos estava a chegar.
Pilotos da Academia Militar.

Imaginámos o que nos iria caber, agora que já estávamos encaixados naquela estrutura, com jovens Oficiais da Academia Militar a confrontarem-se connosco, nós mais antigos na Base, mais experientes mas de uma condição militar muito inferior.


Mas isto passava-se num tempo e num lugar que hoje parece mais ficção que realidade.


Nós os três, abaixo de Sargentos, fomos encarregues de dar instrução àqueles jovens pilotos Top Gun, acabados de sair da Academia.

Ao mesmo tempo que nos divertíamos imenso a ensiná-los a voar Chipmunk e Super Cub (é melhor não falar muito no que se fazia…) também íamos para o ar, em parelhas de F-86, para lhes dar a qualificação de Comandantes de Parelha.

Ou seja, à chegada à Esquadra, de manhã, batíamos a pala aos nossos superiores e depois íamos para o ar, eles a obedecerem às nossas instruções como mais qualificados que nós éramos. No fim do debrieffing saía mais uma palada nossa de despedida.

Este era o ambiente em Monte Real, anos 60 do Século XX.

Um dia cabe-me levar o Alferes Rica num voo de instrução que acabaria com manobras de aproximação e aterragem à pista da Base, às cegas, só com apoio radar, até ao chão. o GCA (Ground Controlled Aproach, um controlador fechado dentro de uma roulote junto à pista, a dar instruções de aproximação e aterragem pela rádio, frente a um grande écran).

No brieffing delineámos todas as manobras que se iam executar, estudou-se o quadro meteorológico, não muito famoso mas razoável, em que iríamos voar, a quantidade de combustível necessária e todos os itens pertinentes a uma missão que teria de ser executada com todo o rigor.

Nesse dia cabia ao meu aluno, o Alferes Rica, fazer de chefe e executar todas as manobras comigo no outro avião ao seu lado mas um pouco mais atrás, como se eu fosse o nº2 da parelha.

Como instrutor eu tinha o dever de lhe ministrar tudo o que sabia mas nunca descurando a segurança, ou seja, se algo corresse mal a responsabilidade era só minha e eu podia e devia assumir o comando da parelha em qualquer altura que entendesse.

E lá fomos para o ar, o Rica todo ufano no avião da frente, ele era o “chefe” e eu expectante mas confiante nele.






A missão compreendia umas quantas manobras iniciais em voo para apurar as capacidades de chefia de parelha e ao mesmo tempo descontrair antes das complicadas manobras de aproximação e aterragem sob controlo de radar, GCA, na nossa Base.

Já a grande altitude a situação meteorológica, contrariamente ao brieffing que nos tinham dado, alterou por completo os nossos planos.

Num instante a nossa Base “fechou” meteorológicamente e fomos encaminhados para pistas mais a sul, na zona de Lisboa. Pouco depois, para nosso espanto, fui também informado que as Bases de Tancos e da Ota, bem como Alverca e Lisboa estavam abaixo dos mínimos, impedindo qualquer tentativa de aproximação.

E como os homens só são postos verdadeiramente à prova quando tudo parece fugir do nosso controlo, as frequências rádio começaram a falhar. À medida que os minutos passavam fomos progressivamente ficando sem contactos rádio ao mesmo tempo que nos dirigíamos para Norte, confortáveis quanto ao combustível nos depósitos, mas sem saber onde aterrar…

Lembro-me que só tinha uma frequência rádio funcional de um qualquer interlocutor que tentava ser prestável mas que pouco podia fazer.

Entretanto eu como responsável pelo desenrolar dos acontecimentos começava a ter outro problema que para mim era não menos grave.

O meu aluno, que tinha o comando provisório do voo em si, estava a ficar, naturalmente, nervoso.

Quando falava eu ouvia perfeitamente a respiração alterada dentro da máscara de oxigénio, equipamento obrigatório neste tipo de aviões.

Não sei se as minhas palavras denotavam ou não o meu stress mas esforcei-me para lhe falar calmamente sem nunca o perder de vista, antes quase colado a ele, a 10km de altitude e a quase 500km/h.

E aí comecei a pensar que o melhor seria eu tomar os comandos reais da parelha…

Era fácil. Eu é que era ali o responsável perante o Comandante da Base e da Esquadra.

A Meteorologia impedia-nos de aterrar fosse lá onde fosse. As frequências rádio reduziam-se a uma única e não era de uma torre de controlo sequer. O meu aluno estava a ficar nervoso.


Faltava o quê para eu assumir o comando?


Faltava o respeito pelo meu aluno.

Faltava saber realmente se ele era ou não capaz de chefiar uma parelha numa situação de emergência.


E se eu assumisse o comando o que seria da sua auto-estima? Estaria a ajudá-lo? A formá-lo como piloto?

E se ele pensasse que eu queria pôr-me em bico dos pés perante ele? Não ajudaria ao reconhecimento da sua hipotética incapacidade de gestão da situação.


A 500km/h e sem pista onde aterrar não há lugar para grandes divagações.










 

O Rica tem de seguir à frente, decidi eu.

Enquanto isto se passava eu tentava falar
com mais alguém capaz de nos ajudar.





Já perto de Monte Real consegui contacto com o GCA mas não conseguia falar com os outros responsáveis do controlo da Torre ou da aproximação da nossa Base.

Ficou decidido que o Radar ia tentar levar-nos à pista que não estava operacional devido às condições meteorológicas. Mas a descida para o encontro da capacidade de alcance do Radar teria de ficar por nossa conta.

Éramos  os únicos aviões militares no ar, naquele momento...


O Rica continuava a respirar com algum nervosismo mas ia cumprindo o seu papel e eu seguia-o que nem galgo a uma lebre, controlando-o “à distância”, o que ele supunha não estar a acontecer.






Quando o GCA finalmente nos apanha no Radar e dá início a uma tentativa de aproximação à pista, o Rica aumenta os níveis de stress e eu baixo a voz uns tons a ver se consigo simular uma normalidade que de todo não existia.

Era talvez a nossa única oportunidade de colocar aquelas preciosas máquinas e os seus dois pilotos no chão, em segurança.

Asseguro-me de que o Rica cumpre escrupulosamente as instruções do radar e simultaneamente vou tentando ver se encontro algum vislumbre de terra, eu que estava confortável quanto à capacidade do Radar em nos guiar até a um ponto de decisão. Conseguir ou não ver a pista era um assunto para mais à frente…


Pouca conversa havia entre nós os três, o Alferes Rica, eu e o magnífico controlador do Radar.
Só o estritamente necessário para resolver aquela delicada situação, muito pouco habitual. 


Agora estamos já a chegar à nossa hora da verdade e o Rica continua a cumprir a sua função de futuro Comandante de Parelha...


E de súbito vejo finalmente a pista!



Mas como nunca a tinha visto!


Parecia que metade do Pinhal de Leiria tinha “aterrado” nela, tal era a quantidade de pequenos ramos de pinheiro aqui e ali plantados por algumas rajadas de vento não previstas no brieffing meteorológico que tivéramos há menos de uma hora.

Pedi ao Rica para não travar muito fortemente (uma tentação nestas emergências em que finalmente se vê a salvação à frente e o que se quer é parar "aquilo" rapidamente) e aterrei atrás dele como me competia.

Missão cumprida! O meu aluno cumprira integralmente o que seria de esperar de um chefe e eu cumprira bem o meu dever de o levar a assumir as suas futuras responsabilidades.

Estas coisas, quando se corre grande perigo e tudo acaba bem porque nós fazemos bem o que deve ser feito e ainda mais em equipa, levam a um grande aproximação entre as pessoas.

Quando finalmente nos encontrámos no chão, os aviões intactos e nós melhor do que nunca, as lágrimas a cair no meio de um forte abraço, em silêncio, percebemos que os nossos caminhos estavam inexoravelmente ligados.

Foi por isso que naquele jantar, poucos dias depois, eu não aceitei a ausência do meu Amigo Rica.

Foi por ele que naquela noite malhei tanto milho. Foi por ele que não consegui ficar na cama as vezes que tentaram deitar-me lá.



E é em sua memória que escrevo isto.




PS: a fotografia do Alferes Rica foi "colhida" por mim no painel onde estão todos os pilotos que passaram pelo Palácio dos Falcões, na Base Aérea N 5, em Monte Real, no último encontro dos Falcões, 4 de Outubro de 2017.




(Ultima actualização em 29 de Março de 2018)





sábado, 18 de janeiro de 2014

Linha Aérea - 100 Anos de Aviação Comercial

   

 Comemorou-se no primeiro dia de 2014 o Centenário do primeiro voo comercial regular. 

Um experiente piloto e um bem concebido, construído e mantido avião provaram ser a receita certa para uma Aventura.

Aquela que levaria milhares e milhares de homens e mulheres a abraçarem uma actividade, ser piloto, que simultaneamente é um sonho, uma muito aperfeiçoada e segura técnica mas também uma missão, a de proporcionar aos milhões e milhões de seres humanos poderem deslocar-se com a máxima segurança entre quaisquer dois pontos do globo.

Condensei 100 brilhantes anos numas quantas pobres linhas que de modo algum conseguirão mostrar-vos o que tem sido esta alquimia de Arte e Técnica que é voar.



Como disse Percy E. Fansler na apresentação do primeiro voo:



 « aquilo que era impossível ontem é uma realidade hoje, enquanto o amanhã nos anuncia o inacreditável »


 Podia tê-lo dito hoje...





 1914 - 1 de Janeiro


 Primeiro voo Comercial Regular




Neste histórico dia, o já muito experiente piloto Tony Jannus pilotou um hidroavião Benoist XIV entre St. Petersburg e Tampa com um único passageiro, o presidente da Camara de St. Petersburg que participou no leilão de angariação de fundos (para a compra de duas bóias de sinalização da baía que ainda existem). O bilhete acabou por ser licitado por US $400 em vez de ter custado $5 dólares que era a tarifa publicada.

 Ler a história deste 1º voo > aqui



 1914 - 2 de Janeiro

Primeira passageira pagante. 

A senhora L. A. Whitney, mulher do Secretário do Comercio
de St. Petersburg, Florida, ao lado do piloto Tony Jannus


1916 >

Fundação da Pacific Aero Products Co. 

Um mês depois do voo experimental do Hidroavião B & W, o magnata da indústria da madeira para construção
William Boeing e o Eng Naval Conrad Westerveldt,
fundaram a Pacific Aero Products Co. em Seattle. Mais tarde passou a chamar-se:



Boeing Airplane














William Boeing em 1934










                   O Boeing Model 1, também conhecido como  B & W Seaplane, era um hidroavião biplano, monomotor.
                  Foi o primeiro Boeing e devia o seu nome às iniciais dos seus dois criadores.






O primeiro B & W ficou concluído em Junho de 1916 no hangar da Boeing, no Lago Union de Seatle. Chamaram-lhe Bluebill e fez o primeiro voo no dia 15 de Junho de 1916. Foi construído outro B & W, o Mallard, que voou em Novembro seguinte.

Tentaram vender os dois aviões à Navy Americana que não os quis comprar. Acabaram por ser vendidos à New Zealand Flying School, sendo a assim a primeira venda internacional da Boeing.


No dia 25 de Junho de 1919 o B & W bateu o record Neozelandês de altitude, 6.500 pés.


A escola de aviação acabou por ser vendida ao Governo Neozelandês em 1924 após ter tentado sobreviver aos problemas causados pela 1ª Grande Guerra.



1919 >


Primeiro voo Transatlântico

Feito em Junho num voo sem escala pelos aviadores Alcock e Brown num avião Vickers Vimy que está preservado no Museu da Ciência de Londres.






Nesta foto abaixo, o acidente que no dia 15 de Junho de 1919 os aviadores John Alcock e Arthur Whitten Brown tiveram na aterragem num pântano perto da estação de radio de Clifden, na Irlanda.



John Alcock e Arthur Whitten Brown nos seus fatos de voo, em 1919.




Primeiro voo comercial regular, diário.

Agosto, 25 - Efectuado pela Air Transport & Travel Ltd (AT&T), futura British Airways (BA), para o transporte de passageiros, carga e correio.











O avião era um De Havilland DH4A G-EAJC, avião militar já usado na 1º Grande Guerra, transformado em avião civil, com um único motor de combustão interna Rolls Royce Eagle, pilotado pelo veterano da RAF Tenente E. H. “Bill” Lawford, num cockpit a céu aberto. O avião tinha capacidade para 14 passageiros.












O voo teve um único passageiro, o jornalista do “Evening Standard” de Londres George Stevenson-Reece e demorou duas horas e 30 minutos.    Por esta aventura o jornal gastou £21 Libras, cerca de $1225 US Dólares, o equivalente aos dias de hoje.





O voo descolou de Hounslow Heath, um local muito perto do actual Aeroporto de Heathrow


De realçar que o primeiro voo com motor tinha sido feito 16 anos antes e que o primeiro voo sem escala entre Londres e Paris fora 7 anos antes.


Primeiro voo postal oficial

Dezembro, 16 - Realizou-se na Nova Zelândia usando um dos B & W da Boeing construídos em 1916.


1920 >

KLM

A companhia de aviação KLM foi fundada a 7 de Outubro de 1919, por Albert Plesman, tendo mantido sempre a mesma designação até à actualidade, o que faz com que seja a empresa mais antiga do ramo. A companhia tem o epíteto de Koninklijke ("real") concedido pela rainha Guilhermina dos Países Baixos no ano da fundação.













O primeiro voo da KLM foi no dia17 de Maio de 1920 entre Amesterdão, nos Países Baixos, e Londres, na Inglaterra, com um avião De Havilland DH-16 . No primeiro ano de operações a companhia holandesa transportou 345 passageiros e 25 toneladas de carga, aproximadamente o mesmo que um B 747 transporta hoje…



O primeiro voo intercontinental da companhia teve por destino as Índias Orientais Holandesas , a 1 de Outubro de 1924. Cinco anos mais tarde, a KLM passou a ter voos regulares para o Extremo Oriente, naquela que era a mais extensa rota regular do mundo. Contudo, foi interrompida devido ao início da Segunda Guerra Mundial, em 1939.
Mas antes, em 1934, a KLM tinha feito o seu primeiro voo transatlântico entre Amesterdão e Curaçao, nas Antilhas Holandesas, no Caribe.

Depois do conflito mundial, o aeroporto de Schiphol, em Amesterdão, onde estava sedeada a KLM teve de ser totalmente reconstruído. O responsável pela reconstrução das instalações foi o fundador da KLM, Albert Plesman.
As ligações ao Extremo Oriente recomeçaram no Outono de 1945 e em Maio de 1946 a KLM foi a primeira companhia aérea europeia a retomar as rotas para os Estados Unidos.


Qantas

Empresa aérea australiana, foi formada em 1920 e é a terceira mais antiga do mundo.


Qantas é o acrónimo de Queensland and Northern Territory Aerial Services Ltd.

Começou por operar com aviões biplano Avro 504, recuperados às forças militares, para fazer passeios turísticos destinados a apreciar as paisagens. Entretanto passou a fazer voos de transporte de passageiros com aparelhos De Havilland 61.

Em 1928 foi a Qantas que iniciou um serviço aéreo de transportes de médicos para regiões mais longínquas e isoladas.

Em 1934 a companhia, em parceria com a Imperial Airways, iniciou as ligações com a Europa, através de Inglaterra. Ainda nesse ano, e de novo em parceria com a Imperial Airways, a Qantas iniciou o transporte de correio, fazendo a rota Brisbane-Londres a partir de Janeiro. Em Abril abriu a rota Brisbane-Singapura.

No final da década de 30, a Qantas começou também a utilizar hidroaviões nos trajectos para Londres, serviço que interrompeu em 1940 devido à Segunda Guerra Mundial.

Durante esse conflito, a Qantas passou a fazer voos entre a Austrália e a África do Sul, assim como assegurou o transporte de tropas australianas. Após o final da guerra a Qantas começou a utilizar aparelhos Lockheed Constellation, na nova rota para o aeroporto de Heathrow em Londres.


Os aviões a jacto entraram ao serviço da Qantas em 1959 com recurso aos Boeing 707-130.


Comissários de bordo:

Os Comissários de bordo foram introduzidos pela Imperial Airwais na Inglaterra e pelas Western Air Express e Pan Am nos Estados Unidos.

Também em 1920 algumas companhias europeias serviram as primeiras refeições a bordo.


1921 >


Primeira travessia aérea entre o Continente e a Madeira 

















Num hidroavião Felixstowe F.3 B pilotado por Sacadura Cabral e Ortins de Bettencourt, tinha Gago Coutinho como  navegador e o mecânico de bordo era Roger Soubiran.



Ver mais sobre o avião nesta ligação     




Primeiro filme em voo



O filme promocional 'Howdy Chicago' foi mostrado numa feira em Chicago a bordo do avião anfíbio Curtiss F5L



1922 >

Pela 1ª vez um membro de um Governo voou em serviço
 




O Presidente da Colômbia, General Pedro Nel Ospina
usou oficialmente um avião da SCADTA,
mais tarde renomeada Avianca.


1924 >

Primeiros voos regulares internacionais

Sendo o Reino Unido um dos países pioneiros da aviação civil, após a Primeira Guerra Mundial foram criadas várias empresas.
O primeiro serviço regular internacional foi um voo entre Londres e Paris em 1924.
No mesmo ano, foi criada a Imperial Airways, especializada em voos para as colónias britânicas na Austrália e África, através da fusão de quatro empresas de aviação.


1925 >

Ford Trimotor

O avião foi produzido pela primeira vez em 1925 por Henry Ford.

Foi o primeiro avião totalmente construído em
alumínio "enrugado" o que lhe conferia grande robustez.






Ailerons e demais superficies de controlo eram actuados por cabos no exterior do avião. Até os instrumentos dos motores eram montados no exterior pelo que os pilotos tinham de espreitar para fora para os verem. Como todos os produtos fabricados por Henry Ford, o avião era barato, bem construído e seguro. Com o empenho de Ford neste ramo de actividade, que veio a abandonar, a aviação comercial evoluiu positivamente com a construção de pistas asfaltadas, ajudas rádio à navegação, hangares e terminais de passageiros




1926 >

Lufthansa







Logo a seguir ao final da primeira Grande Guerra a aviação da Alemanha era constituída por um número pequeno de companhias aéreas, e dessas poucas, restaram duas companhias, a Deutscher Aero Llyod, e a Junkers Luftverkehr.

Estas duas companhias aéreas fundiram-se na Deutsche Luft Hansa AG, no dia 6 de Janeiro de 1926.



1927 >

Primeiro voo a solo Transatlântico




















Charles Lindbergh, no Spirit of St. Louis, um Ryan M-2 modificado, realizou nos dias 19 e 20 de Maio de 1927, entre os arredores e Nova Yorque e Paris, a primeira ligação transatlântica num voo a solo









Pormenor do avião de Charles Lindberg



     Chegada a Paris     











Levou 33,5 horas entre Nova Iorque e Paris, percorrendo 3,610 milhas.






Primeiro passageiro Transatlântico










O primeiro passageiro Transatlântico voou de Nova Iorque para a Alemanha.

O piloto, Clarence Chamberlin, à direita, posa com o seu passageiro, Charles A. Levine, ao centro, junto ao avião Bellanca.



VARIG

A VARIG nasceu em 27 de Maio de 1927, em Porto Alegre, fundada pelo imigrante alemão Otto Ernst Meyer, em conjunto com diversas outras personalidades, com o nome de Condor. O nome foi alterado para Viação Aérea do Rio Grande do Sul (VARIG), pelo Presidente Getúlio Vargas.

É a companhia aérea mais antiga do Brasil, e uma das mais antigas do mundo.

Em 1965, por manobra política entre a Ditadura e a Varig, a Panair do Brasil foi dissolvida pelo governo brasileiro. Os seus aviões e as rotas foram entregues à Varig, o que permitiu o início dos voos para a Europa, que eram operadas pela Panair.

A Varig incorporou dois Douglas DC-8 que a Panair utilizava nos seus voos para a Europa o que levou a empresa a ser a única companhia aérea do mundo a operar os três jactos americanos concorrentes (Boeing 707, Convair 990 e Douglas DC-8).

No dia 20 de Agosto de 2010, a Justiça do Rio de Janeiro decretou falência da antiga Varig,

A falência da "Velha Varig", decretada no dia 20 de agosto de 2010, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.




Os primeiros pilotos da Varig eram todos alemães.



1928 >

Primeira refeição quente servida em voo


A Lufthansa serviu a primeira refeição quente no seu "Flying Dining Car” na rota Paris-Berlim.



1929 >


A Convenção de Varsóvia
 











A Convenção de Varsóvia, assinada no dia 12 de Outubro de 1929, foi o primeiro acordo global sobre aviação.




PANAIR do Brasil




Foi uma das companhias aéreas pioneiras do Brasil. Nasceu como subsidiária de uma empresa norte-americana, a NYRBA (New York-Rio-Buenos Aires), em 1929. Incorporada pela Pan Am em 1930, teve o seu nome modificado de Nyrba do Brasil para Panair do Brasil, em referência à empresa controladora (Pan American Airways).
  





Entretanto, no seu apogeu acabou por ter as suas operações aéreas abruptamente encerradas em 10 de Fevereiro de 1965, devido a um decreto do governo militar, que suspendeu as suas linhas. 









Imediatamente após a suspensão, estranhamente, os aviões e tripulações da VARIG já se encontravam prontos para operar os principais voos da Panair nos aeroportos do Brasil e do mundo, evidenciando que a Varig havia sido informada do acto antes mesmo da própria Panair do Brasil.






O principal beneficiário deste processo foi Ruben Berta, proprietário da VARIG, que era apoiante do regime militar e amigo pessoal de diversos militares de alta patente, que acabou por receber as concessões das linhas aéreas internacionais da Panair do Brasil e incorporou parte dos qualificados funcionários da empresa sem custo algum.

Vários comandantes da Panair acabaram por enriquecer o quadro de pilotos dos TAP. Fui colega de alguns no meu Curso Geral de Pilotos iniciado em 1969 e acabei por voar com todos os outros quando fui co-piloto de B 707 e B 747, entre 1971 e 1976.







1930 >

As primeiras Assistentes de Bordo




primeira Assistente de Bordo foi uma enfermeira de 25 anos, Ellen Church.
Na foto, de pé à esquerda na porta da avião. Contratada pela United Airlines em 1930.




« O ar é irritantemente composto por um grande número de perturbações verticais que nos enjoam e nos obrigam a permanecer cativos dos nossos cintos de segurança.   
Nós suamos na cabina, embora na maior parte do tempo voemos com as janelas laterais abertas.  
Os aviões cheiram a uma mistura de óleo quente, alumínio muito quente, desinfectante, fezes, couro e vomitado...   
As assistentes, mal-humorados e cheirando também a vomitado aparecem amiúde na cabina, acabando por serem uma lufada de ar fresco. »


- Ernest K Gann, descrevendo como era voar nos anos 30




As primeiras galleys



Os fabricantes do Douglas DC-3 e do Boeing Stratoliner incluiram galleys nos aviões, por esta altura.

Começaram também a fornecer copos de enjoo e mais tarde sacos para o mesmo efeito.


1933 >

Air France

A Air France foi criada em 1933, através da fusão de várias companhias aéreas que operavam em França. Oferecia voos para diversos destinos na Europa e para as colónias francesas no norte de África.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a companhia mudou temporariamente as suas operações para Casablanca, Marrocos.

Após a Segunda Guerra Mundial, a empresa foi adquirida pelo governo francês e nacionalizada, sendo criada a Société Nationale Air France. 

Foi, juntamente com a britânica British Airways, a única companhia aérea a utilizar o Concorde em 1976.



1934 >

South African Airways


A South African Airways foi criada a 1 de Fevereiro de 1934. 

Naquele ano, o governo sul-africano, através da South African Railway Administration passou a controlar as actividades da Union Airways, que realizava voos postais entre Joanesburgo, Cidade do Cabo, Durban e Port Elizabeth desde 1929.


1935 >

Primeiros voos trans-Pacifico com Clippers





O China Clipper

No dia 22 de Novembro de 1935 a Pan Am operou o primeiro voo trans-Pacifico com Clippers, o China Clipper entre San Francisco e Manila, o primeiro voo postal Trans-Pacifico.











O avião era um Martin M-30 e o voo durou uma semana com escalas em Honolulu, Midway Island, Wake Island e Guam. Transportou 100.000 cartas e encomendas.






China Clipper era um nome genérico para os voos Trans-Pacifico da Pan Am.

Mais tarde apareceram outros voos denominados Hawaii Clipper e Philippine Clipper



O Philippine Clipper a chegar a Hong Kong no primeiro voo que ligou a América do Norte e o Continente Asiático, no dia 23 de Outubro de 1936.



1936 >


O “Avião que mudou o Mundo” entrou ao serviço em 1936.


O Dakota, DC-3



O Douglas DC-3, o “Avião que mudou o Mundo” entrou ao serviço na American Airlines num voo directo de Nova Iorque para Chicago.


Cockpit do DC-3 Dakota

Custava US $100.000 e hoje custa mais ou menos o mesmo…



DETA - Linhas Aéreas Moçambicanas (hoje LAM)




O Diploma Legislativo que cria a DETA tem o Nº. 521 e a data de 26 de Agosto de 1936.

Assina o importante Diploma que dá início a uma das mais antigas actividades da aviação comercial em todo território Português, o Governador-Geral Coronel José Cabral.



Em princípios de 1937 começam voos de treino e de preparação de pessoal, tendo-se realizado também algumas viagens em regime de fretamento.

Em 22 de Dezembro desse mesmo ano iniciam-se as carreiras aéreas regulares com um voo no " Hornet" CR-AAD de Lourenço Marques a Germinston, cidade Sul-Africana a Leste de Johanesburg, avião esse pilotado por outro entusiasta pela aviação, Manuel Faria Rocha, que levava como mecânico nesse voo, Joaquim Antunes da Costa.
















O percurso de Lourenço Marques a Germinston levava, nesse tempo, duas horas e meia de voo.

O CR-AAD, pilotado por Manuel Rocha partiu para esse histórico voo do campo militar da "Carreira de Tiro", única pista então existente em Lourenço Marques (Maputo)




1938 >

Primeiro avião de Linha Aérea pressurizado.
















O Boeing 307 Stratoliner foi o Primeiro
avião de Linha Aérea com cabina pressurizada.



TAAG -  Linhas Aéreas Angolanas

A empresa foi criada em 1938 como DTA - Divisão dos Transportes Aéreos da Direcção dos Serviços de Portos, Caminhos de Ferro e Transportes de Angola.

No entanto, iniciou de facto as suas operações em 1940 com aviões Dragon Rapide, Klemen e Leopard Moth.

São assim activadas as primeiras linhas regulares entre Luanda-Moçâmedes (hoje Namibe) e Lobito, e os primeiros vôos internacionais Luanda – Ponta Negra.


1939 >

BOAC

British Overseas Airways Corporation, também conhecida pela sua sigla, BOAC, foi uma empresa aérea do Reino Unido. Surgiu como fusão da British Airways Ltd. e da Imperial Airways no ano de 1939.










A BOAC (futura British Airways)  foi a primeira Companhia a efectuar voos intercontinentais, entre  Londres e Nova Iorque.

Estes voos entre os dois continentes demoravam no total cerca de 20 horas, com várias aterragens.







Em 1952, foi a primeira companhia aérea a utilizar um avião a jacto para o transporte de passageiros,


o de Havilland Comet.





Em 1974, a BOAC fundiu-se com a, British European Airways de acordo com acto do parlamento britânico de 1971.


A American Airlines abre o primeiro airport lounge















A American Airlines abre o primeiro Airport Lounge a que chamou Admirals Club, no Aeroporto de LaGuardia,, New York.






1940 >

Iberia

A companhia aérea espanhola Iberia - Linhas Aéreas de Espanha foi fundada a 7 de Julho de 1940 Por Gouglas Nectar Pereira e Karlus Pula-Pula, pertencendo em 51 por cento ao estado espanhol, mas sendo também propriedade da sua congénere alemã Lufthansa.

A frota da Iberia era na altura constituída maioritariamente por aparelhos Junkers, dada a influência da Lufthansa.

No início a Iberia fazia apenas voos domésticos ou internacionais com destino e chegada a Espanha, mas em 1941 começou a fazer carreiras internacionais. No entanto, o desenrolar da Segunda Guerra Mundial levou a que essa expansão fosse adiada.

No pós-guerra a Iberia aproveitou a frota de Douglas C-47 militares abandonados pelos norte-americanos para os adaptar ao transporte de passageiros, usando-os paralelamente aos Junkers.




1944 >


Assinatura da Convenção de Chicago
















A Convenção de Chicago estabeleceu os regulamentos para o uso do espaço aéreo e para a segurança. Foi assinada por 52 entidades e continua a governar, ainda hoje, a aviação comercial. 



1945 >

Fundação da IATA

A IATA foi fundada em Havana, Cuba e representa hoje 240 Linhas Aéreas, ou seja 84% do tráfego aéreo.





Transportes Aéreos Portugueses

 


A Companhia foi fundada pelo General Humberto Delgado a 14 Março de 1945.



1º Logotipo - 1945
Foram adquiridos 2 DC 3 Dakota de 21 lugares e admite-se a 1ª Ass de Bordo portuguesa Maria de Lurdes Martins Owen. O 1º Piloto Chefe foi Benjamim Fernando Fonseca de Almeida.






A 19 de Setembro de 1946, é aberta a primeira linha comercial, de Lisboa para Madrid e a 31 de Dezembro desse ano é aberta a 'Linha Aérea Imperial' ligando Lisboa, Luanda e Lourenço Marques (hoje Maputo), com doze escalas e duração de 15 dias (ida e volta) sendo a mais extensa linha a nível mundial operada com aviões DC-3 Dakota.








A primeira linha doméstica, entre Lisboa e Porto, é aberta em 1947, no ano em que foram adquiridos aparelhos C-54 Skymaster. 



Super Constellation



South African Airways first Springbok Service.

A South African Airways após o fim da 2ª Grande Guerra, começa os voos entre Johanesburg e Londres, em cooperação com a BOAC, conhecidos como Springbok Services.
Este nome deriva do símbolo escolhido pela empresa, uma espécie de antílope, em afrikander, Springbok.



1946 >

Na TAP

O primeiro Curso geral de pilotos tem início em 1946.


A 19 de Setembro é inaugurada a 1ª Linha comercial Lisboa-Madrid.

A 31 de Dezembro desse ano é aberta a 'Linha Aérea Imperial' ligando Lisboa, Luanda e Lourenço Marques (hoje Maputo), com doze escalas e duração de 15 dias (ida e volta) sendo a mais extensa linha a nível mundial operada com aviões DC-3 Dakota.



31 de Dezembro de 1946. DC-3 Dakota CS-TDC. 1º voo da Linha-Área-Imperial.


Alitália

A companhia aérea italiana Alitalia foi fundada em 16 de Setembro de 1946, tendo realizado o voo inaugural a 5 de Maio de 1947 com uma aeronave Fiat G-12 Alcione que fez a viagem entre Turim, Roma e Catânia.

No ano seguinte, em Março de 1948 faz o seu primeiro voo intercontinental tendo partido de Milão com destino a diversas cidades da América do Sul depois de fazer escala em Dakar, no Senegal.

Em 1957, a companhia adquiriu a Linee Aeree Italiane, ficando com o nome oficial Alitalia Linee Aeree Italiane.


SAS

A companhia foi fundada em Agosto de 1946, quando as companhias de bandeira da Dinamarca, Suécia e Noruega criaram uma parceria para gerar tráfego internacional para a Escandinávia.

As empresas coordenaram operações conjuntas de e para a Europa em 1948, e em 1951 foi criado o consórcio SAS.

Nessa altura, foram estabelecidas a SAS Denmark (Dinamarca), SAS Norge (Noruega) e SAS Sverige (Suécia).



1947 >

Primeiro voo de volta ao Mundo completa


 









Um Lockheed Constellation da Pan Am fez um voo de 20,000 milhas num total de 92 horas e 43 minutos durante 12 dias, aterrando em 17 cidades de 10 países.





1948 >

Na TAP
















Ao lado, inauguração da Linha Lisboa-Paris.



TAP começa a efectuar voos para Paris e Sevilha em 1948.


A TAP torna-se membro da IATA e abre a sua 1ª loja de vendas no Marquês de Pombal.

Início dos voos para Londres em 1949Casablanca Tânger durante a década de 1950.



1950 >

Na DETA














O avião da DETAVila de João Belo” no Aeroporto de Quelimane, Zambézia, Moçambique, anos 50.




1952 >

Primeiro voo comercial num avião a jacto:
                       
>>> de Havilland Comet:


 






Em 1952, a BOAC foi a primeira companhia aérea a utilizar um avião a jacto para o transporte de passageiros.

O de Havilland Comet.






No dia 2 de Maio de 1952 um avião De Havilland Comet da BOAC voou de Londres para Johannesburg via Nairobi com cinco escalas e 23 horas e 38 minutos de voo.




A BOAC voava também através do Extremo Oriente para tóquio





  










A deficiente concepção do avião levou à queda de três Comets 1 em pouco espaço de tempo (a estrutura superior da cabina "rasgava-se" em voo).


A BOAC suspendeu os voos do Comet em 1965.







O avião não teve êxito não só por problemas estruturais mas também devido ao aparecimento do Boeing 707 e do Douglas DC 8. O último voo comercial do Comet foi em 1981.



1954 >

  
O primeiro jacto comercial de passageiros Americano

 
No dia 15 de Julho de 1954 o Boeing 367- 80, o Dash 80 como ficou conhecido, fez o seu primeiro voo nos céus de Seatle:






Foi o protótipo do Boeing B-707 que revolucionou o mundo do transporte aéreo.



Na TAP











Na Linha Aérea Imperial
é introduzido, no mês de Outubro,
o DC-4 Skymaster que efectua o 1º voo
Lisboa-Luanda em 17 horas.






1955 >

  
Na TAP

  
Chega em Agosto o 1º Lockeed L-1049G Super Constellation que em Novembro começa a operar na linha de África


 
Lockheed L-1049H Super Constellation, CS-TLD dos TAP



Cockpit do Lockheed L-1049H Super Constellation



           Foto histórica: o Lockeed dos TAP na ilha do Sal, em Cabo Verde,
      vendo-se á direita os 4 F-86 da Esquadra dos Falcões (Base Aérea Nº 5
      em Monte Real, Leiria) em transito para a Guiné.



TAIP

 
 
Os Transportes Aéreos da Índia Portuguesa foram criados em 1955 como uma empresa pública ligada ao Governo-Geral do Estado Português da Índia, sob o nome inicial de STAIP - Serviços de Transportes Aéreos da Índia Portuguesa, designação logo simplificada para TAIP.

O primeiro avião adquirido pelos TAIP chegou a Goa pilotado pelo
Major Piloto-aviador Solano de Almeida no dia 10 de agosto de 1955.


 

 



Era um pequeno quadrimotor de marca De Haviland Heron, fabricado na Inglaterra com capacidade para transportar 14 passageiros e alguma mercadoria.





Cockpit do De Haviland Heron

Pouco antes da invasão indiana do Estado Português da Índia, os TAIP foram utilizados para a evacuação de civis de Goa para Karachi. No dia da invasão (18 de Dezembro de 1961) encontrava-se no Aeroporto de Dabolim apenas um DC-4 dos TAIP que escapou, juntamente com um avião Super Constellation dos TAP, ao bombardeamento que sofreu aquela instalação.



Nessa noite a pista foi reparada permitindo aos dois aviões levantar voo para Karachi de onde seguiram para Lisboa. Acabou aí a operação dos TAIP.
   
Agradecimentos ao Blogue "restosdecoleccao"



1958 >


Outubro 4 – A BOAC fez o primeiro voo comercial intercontinental em avião a jacto. Nesse dia descolaram de Londres e de Nova Iorque dois Comet 4.









O voo de Londres para Nova Iorque teve de aterrar na Terra Nova para reabastecer.





Mas o voo de Nova Iorque para Londres, graças aos ventos sempre favoráveis nesta rota, fez o voo sem escala em 6 horas e 12 minutos cerca de 13h e 48m menos do que o habitual em aviões a hélice…


Nesse voo para Londres, uma das Assistentes de Bordo, a primeira da direita na foto acima, era Peggy Thorne.















Peggy Thorne hoje (2019) com 91 anos.




A Pan American só 3 semanas depois, em Boeing 707, fez o primeiro voo intercontinental a jacto.





Na TAP

  

Inicio dos estudos para a operação com aviões a jacto.
 
E retirada do último dos 8 DC 3 Dakota.





Imagem do blogue "Voa Portugal"




Aeroporto Internacional de Pequim

   
Abriu no dia 2 de Março de 1958:

Aeroporto de Pequim nos finais do Séc XX


1959 >


Primeiro uso de Mangas de acesso aos aviões, nos Estados Unidos






A primeira utilização de Mangas telescópicas nos Estados Unidos foi no dia 29 de Julho de 1959 no Aeroporto Internacional de San Francisco, Califórnia, para protecção dos passageiros do mau tempo.
 
No entanto, quando o novo Aeroporto de Gatwick em Londres abriu, nos anos 30, tinha um terminal com passadiços telescópicos cobertos com lona que eram puxados para fora do terminal, permitindo aos passageiros caminhar abrigados para o avião.



1960 >

 
Na TAIP
 
Viagem inaugural Lisboa-Goa com 5 escalas e 19 horas de voo.

A TAP retira do serviço o último dos seus DC-4 Skymaster



1961 >


TWA primeira transportadora a utilizer Inflight Motion Pictures


 
David Flexer da Inflight Motion Pictures desenvolveu o sistema de filme de 16mm para ser exibido em voo.

A Pakistan International foi a primeira companhia não Americana a usá-lo


Primeiro filme num voo regular:




O filme 'By Love Possessed,' com Lana Turner, Efrem Zimbalist Jr., Jason Robards e George Hamilton, foi pela primeira vez exibido num B 707 da TWA em 1961



Na TAIP
 
Primeiro voo Lisboa Goa






 1962 >

 
Na TAP

 
Os Caravelle na TAP


















Em 1961 o Presidente da TAP Engenheiro Alfredo Vaz Pinto, com vista à modernização da TAP decidiu apetrechar a companhia, no médio curso, com aviões a jacto Caravelle da Sud Aviation, uma concepção do engenheiro Francês Sartre.
 
O primeiro "Caravela" da TAP entregue no dia 16 de Julho de 1962, baptizado com o nome "GOA", foi um Sud-Aviation SE210 Caravelle VI-R, matriculado CS-TCA.







O segundo, a 25 de Julho de 1962 o CS-TCB baptizado de "Damão", e o terceiro em Dezembro do mesmo ano.


Imagens do Blogue "Restos de Colecção"                                                                                        


Voaram até 1975.


Em 1962 inaugura-se
a linha Lisboa Luanda com aviões a jacto.




Santa Bona Patrona das Assistentes de Bordo


  

Em 1962 Bona of Pisa, Santa Bona de seu nome Giovanni Lorenzetti Fusari, nascida cerca de 1156 em Pisa, foi canonizada pelo Papa João XXIII como Santa e Patrona das Assistentes de Bordo. A sua festa celebra-se a 29 de Maio.





 1964 >


7 de Fevereiro de 1964

Os Beatles chegam a JFK




















Ficou na História da aviação a chegada dos Beatles ao Aeroporto de Nova Iorque no início da sua primeira tournée americana.

Um símbolo da capacidade da indústria do transporte aéreo ser um veículo de transmissão cultural.





Os Beatles voltaram aos Estados Unidos, em tournée, mais 3 vezes.     





Inauguração do aeroporto de Sta Catarina, na Ilha da Madeira





 

O Aeroporto da Madeira Cristiano Ronaldo foi inaugurado a 8 de Julho de 1964 


Na TAP

 
 
  

















Primeira farda, a 6ª, desenhada por um estilista, Sérgio Sampaio






1965 >

  Na TAP

 
Entrega do primeiro Boeing B-707 (CS-TBA) Santa Cruz

 
O avião em Seattle, antes da entrega



Benção do 2º Boeing B-707, em Seattle:





1966 >

  Na TAP

   
Abertura da Linha do Rio de Janeiro.


Em 1966 inicia-se a linha do Rio de Janeiro com aviões B707, tendo a primeira aterragem no aeroporto do Galeão sido efectuada às 17:32 GMT de 17 de Junho, no mesmo dia e hora em que, no longínquo ano de 1922, Gago Coutinho e Sacadura Cabral amaravam na baía de Guanabara.

 
1966 foi o ano de abertura da linha Lisboa - Nova Iorque, sendo a TAP a mais antiga companhia a operar esta rota com aviões B 707.



Voo inaugural Nova Iorque-Lisboa

1967 >

Na TAP

Entrega do 1º Boeing 727-100


Ainda em construção












Em Março de 1967 a companhia recebe o seu primeiro Boeing 727-100 com que decidiu equipar a frota de médio curso, passando a ser a primeira companhia aérea europeia a operar exclusivamente a jacto.





Retirado de serviço o último dos 5 Super Constellation.



 
       General França Borges desembarca na inauguração da linha Buenos Aires-Lisboa


 
1969 >

   
Concorde

O Concorde 001 (construído em França) fez o seu primeiro voo de teste no dia 2 de Março de 1969
 





Brian Trubshaw e John Cochrane, os pilotos do primeiro voo de teste do Concorde 002 (Inglês) no dia 9 de Abril de 1969












  



 

Vídeo do primeiro voo de teste. Ver aqui:



1970 >

Boeing 747 fez o primeiro voo comercial


O Boeing 747 foi o primeiro wide body a voar comercialmente, no dia
22 de Janeiro de 1970 na Pan Am, num voo Nova Iorque Londres.



   









No dia 15 de Janeiro de 1970 a Primeira Dama Americana Pat Nixon baptizou o primeiro 747 Clipper Victor no Aeroporto Internacional de Dulles (mais tarde Washington Dulles International Airport) na presença do chairman da Pan Am, Najeeb Halaby.








Com um upper deck que as companhias transformariam entre outras coisas em piano-bars, era o maior avião comercial do mundo e o primeiro wide-body, ou seja, com duas coxias ao longo de toda a cabina. Manteve o record de capacidade de assentos vendáveis durante 37 anos.

O avião continua em produção, embora em versão muito melhorada.


Fundada a Airbus Industries em Toulouse

A francesa Aérospatiale e um grupo de companhias aeroespaciais alemãs fundaram a Airbus Industries.
O primeiro produto do grupo foi o avião A300 de 250 lugares que daria lugar ao A310 que por sua vez catapultaria a Airbus para o 1º lugar entre os construtores de aviões, no ano de 2003.




Uma fuselagem do A300 vê-se aqui a ser carregada num "Super-Guppy," durante um teste em Bremen, na Alemanha.




1971 >
  

Na TAP
 
Inauguradas as novas (actuais) instalações no aeroporto de Lisboa



Primeira companhia 'low cost'.












A Southwest Airlines tornou-se a Companhia pioneira dos voos low cost. Este conceito transformou o transporte aéreo com inúmeras inovações e forçou as companhias de bandeira a aumentar a competitividade em benefício dos consumidores.




1972 >

  1º voo do Airbus A300

 
British Airways

 
No Reino Unido foi criada a Imperial Airways em 1924
Especializada em voos para as colónias britânicas na Austrália e África, através da fusão de quatro empresas de aviação. Entretanto, outras empresas menores iniciaram serviços regulares, e pouco depois ocorreu a fusão destas, criando-se a British Airways Ltd. Em 1939, as duas companhias mencionadas foram nacionalizadas, criando-se a British Overseas Airways Corporation (BOAC). Em 1949, as rotas europeias foram operadas pela recém criada British European Airways (BEA), enquanto que a BOAC se concentrava nos voos intercontinentais. As duas empresas juntaram-se em 1972 e deram origem à actual British Airways.



Na TAP
 
Chegada a Lisboa do 1º B 747, CS-TJA:







1974 >

  Entrada em serviço do Airbus A300



1975 >


 Na TAP


 
 





















, de 8 B727-200's, ainda em construção, em Seattle





 1976 >


Primeiro voo do Concorde, no dia 21 JAN 1976.


 



O supersónico Concorde começou a voar comercialmente.
O esguio avião, com pintura branca reflectiva devido ás altas temperaturas provocadas pela grande velocidade (entre 2.346 e 2.652 km/h), cruzava o Atlântico em 3 horas e meia ao invés das 8 horas dos aviões comerciais subsónicos normais.
   
Naquele já longínquo 21 de Janeiro de 1976, os dois únicos operadores do Concorde, a Air France a e British Airways, inauguraram os seus voos supersónicos entre Paris-Charles de Gaulle e o Rio de Janeiro, via Dakar e London-Heathrow e o Bahrein, respectivamente. Com partidas exactamente há mesma hora, 12:40PM.
 
Devido à elevada altitude de voo do avião (tinha um tecto operacional de 17.700 metros de altitude, aproximadamente 58.070 pés) raramente era sujeito a turbulência.
 
Olhando pelas janelas podia ver-se claramente a curvatura da terra. Voava mais rápido que a velocidade de rotação da terra.



1976 >

 Na TAP

Venda de 2 B 747's da TAP à PIA, Pakistan International Airlines pela queda de tráfego provocada pelas independências e a consequente  descolonização.







     O Piloto chefe da Pia aos comandos
     do nosso ex Boeing 747






  

1977 >

  O pior acidente da história da aviação

 

Dois B 747 chocaram na pista de Tenerife.





Todos os 248 ocupantes do voo da KLM morreram. 335 dos 396 ocupantes do avião da Pan Am também morreram.

O acidente ocorreu por mal entendidos e deficiente compreensão linguística entre pilotos e controladores aéreos.

O avião da KLM tentou descolar enquanto o B747 da Pan Am permanecia na pista.



1978 >

US Airline Deregulation Act










As tarifas, rotas e mercado saíram da alçada governamental abrindo caminho a novas companhias e forçando as existentes a enfrentar abertamente a concorrência, levando à liberalização global da indústria. Como exemplo, o preço ida e volta de um bilhete Nova Iorque-Los Angeles passou de $1.500 para $300.





1979 >

Na TAP

  
 A Companhia passa a designar-se:

 




1981 >

 Primeiro programa autentico de passageiro frequente




1982 >

1ºvoo teste A310




1983 >

O abate de um avião civil de linha aérea por um jacto militar de combate



O Voo 007 (estranha coincidência) da Korean Air Lines em rota de Nova Iorque para Seul via Ancorage, foi abatido por um caça soviético SU-15 a Oeste da Ilha Sakhalin, no Mar do Japão. O avião voou (acidentalmente?) em espaço aéreo militar soviético proibido, por altura de um voo militar de reconhecimento americano.

Morreram todos os 269 ocupantes.
Na foto, a polícia procura destroços do avião na ilha japonesa de Hokkaido.



Na TAP
 
15 de Janeiro de 1983

 
Primeiro Lockeed L-1011entregue à TAP, registado CS-TEA e baptizado “Luís de Camões”.






1985 >

O Concorde, no dia 19 de Dezembro de 1985, protagonizou um feito único.

Um Concorde e um Boeing 747 da Air France descolaram ao mesmo tempo, o Concorde de Boston e o Boeing 747 de Paris. O Concorde chegou a Paris, fez uma escala de uma hora no Aeroporto de Charles de Gaulle, descolou novamente, para Boston e aterrou ali 11 minutos antes do Boeing 747.




Criação da Air Atlantis







A Air Atlantis foi uma companhia aérea portuguesa de voos charter, subsidiária
da TAP Portugal. Operou entre 1985 e 1993, inicialmente com Boeing 707,







     e depois com Boeing 727-200.

 


Mais tarde, em 1987, este seria substituído pelos Boeing B737-200 e Boeing B737-300

 
Em 1993 a TAP decide efectuar uma reestruturação da empresa, acabando por fechar a companhia.

 

Ryanair

 
A empresa low cost com base em Dublim foi criada em 1985.
É presentemente uma das maiores companhias aéreas da Europa no setor low cost.

Opera 362 rotas em 22 países. Tornou-se a primeira companhia aérea estrangeira a estabelecer uma base em Portugal, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.

A companhia está a expandir-se rapidamente e vai operar uma frota de 292 aeronaves até 2012.
Em Março de 2013, A Ryanair encomendou à Boeing 175 Boeing 737. A Ryanair alargará a frota a mais de 400 aviões



1988 >

A PGA-Potugália Airlines
 
Foi criada a 25 de Julho de 1988, mas só dois anos mais tarde deu início à actividade, devido ao atraso da liberalização do transporte aéreo em Portugal.



AIR LUXOR



 


A Air Luxor foi fundada em 1988 e iniciou operações no negócio da aviação executiva, que se manteve, a par da aviação comercial, até à abertura do processo de falência em 2006.

A frota da Air Luxor chegou a ser bastante numerosa, principalmente durante o verão IATA. Dela fizeram parte aeronaves como o A319, A320, A321, A330-200, A330-300, 


B767-200ER e o L1011-500, num total que chegou a ser de mais de 15 aeronaves em operação.


1989 >


Na TAP

Recebidos Airbus A-310-300

  
1ª mulher piloto da TAP, Teresa Carvalho







AIR SUL

 
A Air Sul foi fundada em 1989 por investidores privados em Lisboa. Foi capaz de celebrar contractos de longo prazo com diversos operadores turísticos. A empresa voou principalmente do aeroporto de Faro para o Reino Unido e Holanda. Dificuldades económicas levaram à falência da empresa em Janeiro de 1992.



Air Columbus 





 
  











A companhia charter Air Columbus foi criada em 1989 sob a designação de Transporte Aéreo Não Regular e operava aviões dos modelos B727, B737 e B757, maioritariamente para destinos do mercado alemão, e foi extinta em 1995.



Aliança entre as companhias KLM e Northwest Airlines





A primeira grande aliança entre duas companhias




1990 > 





O primeiro voo da PGA foi realizado a 7 de Julho de 1990, de Lisboa para o Porto. No mesmo dia a companhia também voou para Faro.






1992 >


Na TAP

Entrada ao serviço do primeiro Airbus A-320





PGA-Potugália Airlines:
Os seus voos internacionais começaram em Junho de 1992.



1994 >


Na TAP

Entrada ao serviço do primeiro Airbus A-340. No dia 22 de Dezembro de 1994.









1995 >


EasyJet Airlines

  A companhia aérea foi estabelecida em 1995, ano em que também iniciou as suas operações. É composta por uma frota com mais de 180 aviões
A low cost britânica, foi a primeira companhia estrangeira a efectuar voos domésticos em Portugal, em Outubro de 2008, quando deu início à rota Lisboa - Funchal. É ainda a segunda companhia, em número de voos e passageiros, no aeroporto da Portela em Lisboa e abriu durante o Inverno 2011/2012 a sua 20ª base europeia naquele aeroporto.



1997 >


Na TAP

Entrada ao service dos primeiros A-319

A Star Alliance é fundada











5 Companhias de 3 Continentes fundaram a Star Alliance. Duas outras associações de Companhias, a Oneworld e a SkyTeam também aderiram levando uma multitude de benefícios aos clientes.




1998 >


Primeiro voo Transpolar, efectuado pela Cathay Pacific.

 
O Voo “Polar One” entre Nova Iorque e Hong Kong através do Polo Norte, com duração de 16 horas melhorou as ligações Estados Unidos/Asia.

  
Actuais rotas polares da United Airlines



 1999 >


MADEIRA AIRLINES

A companhia aérea Madeira Airlines teve ao seu serviço um B737-300, operado pela Air Madeira (actualmente euroAtlantic Airways) em "wet leasing".

A Madeira Airlines operou apenas durante o verão do ano 1999.


2000 >


Na TAP

Entrada em serviço do primeiro Airbus A-321

First in-flight wi-fi


Instalado pela Boeing, era caro e pesado. Foi abandonado em 2006.
Outros fornecedores surgiram e hoje o wi-fi em voo está a ser instalado em milhares de aviões.














2001 >


11 de Setembro de 2001, “nine eleven”.






Um ataque terrorista a dois voos da American Airlines e a outros dois voos da United levaram ao embate e destruição das duas Torres Gémeas de Nova Iorque, a um embate no Pentágono em Washington e a um despenhamento num campo da Pensilvânia.

Morreram 3.000 nova-iorquinos, 213 ocupantes dos aviões, 8 pilotos, 25 assistentes de bordo e 19 assaltantes




Lie-flat beds





Primeiras cadeiras-cama totalmente planas na classe Executiva, em aviõe da British Airways



2004 >

Inauguradas novas rotas sem escalas mais extensas.

A Singapura Airlines começou a operar voos directos para Los Angeles e Newark, New York. Os mais longos da indústria aeronáutica.



2005 >

Na TAP

No dia 1 de Fevereiro apresentado um novo logotipo e a companhia passa a denominar-se "TAP Portugal"


  


Em Março passa a integrar a Star Alliance


O maior avião de passageiros do mundo, o Airbus A380



 
O Airbus A380 entrou ao serviço com a Singapura Airlines.



Tem obviamente duas coxias e um upper deck ao longo de toda a cabina.
Pode voar 8500 milhas náuticas e transportar 850 passageiros.
A Emirates tem chuveiros para os passageiros da 1ª Classe.


2007 >

Na TAP

Integração TAP/ PGA-Potugália Airlines em meados desse ano



2008 >

Bilhetes 100% electronicos














Uma inovação óbvia que abre caminho a outras iniciativas “Fast Travel” como “self-boarding” e recuperação de bagagem.





2011 >


Primeiro voo comercial com combustível biofuel.









A Lufthansa conduziu uma série de voos regulares usando biofuel, entre Hamburgo e Frankfurt.





2014 >


1º Centenário da Aviação Comercial



 
No dia 1 de Janeiro de 2014 uma réplica do Hoffman X-4 experimental seaplane recreou o primeiro voo regular comercial da história, entre St Petersburg, Fla e Tampa, Fla.
Ver uma história completa aqui, neste Blogue.



Airbus A350. Entrada estimada em serviço em 2014


 




 
A Qatar Airways é a companhia lançadora do avião.

Está a um século de distância do avião pilotado por Tony Jannus, representando um significativo avanço tecnológico e um substancial incremento no conforto e prazer de voar, aliando ainda eficiência ambiental.









 FONTES:

 Entre muitas outras:

http://www.floridaahs.org/flight-2014.html
http://online.wsj.com/
http://www.voaportugal.org
http://www.iata.org/pressroom/pr/Pages/2013-12-30-01.aspx
http://www.flyingclippers.com/M130.html
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2011/09/transportes-aereos-da-india-portuguesa.html
http://www.tapportugal.com/Info/pt/frota-historia/historia


http://www.portaldoconhecimento.gov.cv/bitstream/10961/399/1/O%20Valor%20Da%20Marca%20TAP%20Portugal.pdf 
http://notempodosaraujos.blogspot.pt/2009_01_01_archive.html
http://www.flickr.com/photos/tapportugal/9543214051/in/photostream/

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151053131672295.443087.270601957294&type=3 
http://home.earthlink.net/~ralphcooper/pimaga5.htm


e muita wikipedia…



(Actualizada em 28 de Agosto de 2019)