sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Linha Aérea . Viagem Presidencial a Oslo




3 de Junho de 1980


 














Como Comandante Verificador de Linha Aérea da TAP fui escalado para chefiar a missão de transportar o

Presidente da República, General Ramalho Eanes,  

numa viagem oficial a Oslo.










 


















Na Noroega reinava Olav V, pai do actual Rei Haroldo V.







Estranhamente esta viagem não está documentada na biografia oficial do Presidente Ramalho Eanes no sítio Oficial da Presidência da República.


Mas eu chefiei essa missão, que começou no dia 3 de Junho de 1980.


E que começou mal.



Confundiu-se  uma missão oficial do mais alto representante do Estado Português com o Militar/Político Ramalho Eanes.

Estou à vontade para o afirmar já que na altura não tinha em grande estima a pessoa em si (hoje estou exactamente na posição contrária...) mas como nunca misturei as águas nestas questões como profissional naquilo que fazia, indignei-me com o sucedido e tudo fiz para dar a volta ao assunto.


Mas afinal, o que é que aconteceu?



Vamos à história:


Uma viagem Presidencial requer uma série de procedimentos estabelecidos em várias reuniões na Presidência da República com todos os responsáveis. No nosso caso, além da condução do voo em si, incluía o tipo de serviço a bordo, a alimentação e o arranjo da cabina com zonas privadas e de convidados do Presidente, como Empresários e Jornalistas. Todos os responsáveis TAP desses serviços assistiram a essas reuniões.

Um dos problemas a resolver foi por exemplo a necessidade do Presidente trocar em voo a farda militar com que embarcaria pelo trajo civil para o desembarque em Oslo.









As reuniões no Palácio de Belém foram presididas por um Piloto Aviador da Força Aérea, Chefe da Casa Militar, o General Estevens. Na altura tinha uma graduação menor.


O Presidente da República teve na altura a amabilidade de convidar um dos Comandantes (iam sempre dois sendo que um tinha de ser Verificador) e a Chefe de Cabina para o jantar de gala que ia oferecer ao Rei Olavo V, em Oslo, durante a sua visita. Encaminhei o convite para o Comandante efectivo do voo, o Primavera.



Tudo resolvido chega o dia em que tudo está pronto e o voo vai sair, com todo o cerimonial destas ocasiões.


A tripulação do meu voo eram,  desculpem aqueles de que já não me lembro os nomes, o  Comandante Primavera, o então Co-Piloto Vieira Dinis,  e a Chefe de Cabina a saudosa Maria Antónia (a Tonica).


O Presidente e a sua mulher estão já a bordo, com todos os convidados anteriormente embarcados.



Faltava só um documento para o avião poder sair.



   O TBP numa foto de arquivo




O CS-TBP tinha só a porta da frente aberta com a escada encostada à espera que o Oficial de Placa a subisse com um documento oficial na mão, denominado "Folha de Carga".

Este documento é sine qua non. Sem ele não se pode iniciar um voo.

Antes da informática era um impresso onde se registava manualmente tudo o que ia a bordo, o respectivo peso e localização como passageiros carga e combustível.




Documento determinante para nos certificarmos a bordo se o número de passageiros coincidia com outros elementos que tínhamos, se a quantidade de combustível registada era o pedido para aquele voo e para sabermos qual o peso total e a disposição de toda esta carga ao longo do avião de modo a avaliar o equilíbrio aerodinâmico do avião, obtendo elementos para cálculo do Cartão de Parâmetros.

Que era um quadradinho de papel onde se escreviam os parâmetros de potência dos reactores a aplicar, velocidades de referência a cumprir e ajuste das superfícies de controlo do avião para a descolagem naquelas circunstâncias.

Complicado como se vê sair sem aquele documento.

Mas estava perfeitamente ao nosso alcance preencher o Cartão de Parâmetros mesmo sem a Folha de Carga, com cálculos aproximados com o que sabíamos ter a bordo.

Mas ilegalmente. Pondo em risco a Segurança e eliminando o ressarcimento de quaisquer indeminizações por parte das Seguradoras à TAP em caso de algum acidente ou mesmo incidente.

Tudo isto em mente, a Folha de Carga não aparecia e o voo, mesmo Presidencial, não podia sair.

5, 10, 15 minutos de atraso para um voo daqueles!

E com toda a gente sentada à espera de nada e nada acontecia realmente. Movimento algum...

Misteriosamente a Folha de Carga não aparecia e ninguém sabia o que se passava.

Nem com longos contactos via rádio com as nossas Operações de Voo que nada podiam fazer porque o documento não era ali elaborado.

E eu, responsável pelo rigoroso cumprimento da parte técnica do voo acordado entre a TAP e a Presidência da República, também nada podia fazer a não ser espumar de raiva, impotente.

Finalmente!

 O Oficial de Placa, ofegante,  apresenta-se no Cockpit com o muito importante pedaço de papel.

Conseguimos sair da Placa com 20 minutos de atraso, a caminho de Oslo, onde o Rei Olavo V esperava pelo nosso Presidente pelas 11h e 30 minutos dessa manhã, de acordo com o Protocolo estabelecido entre os nossos dois países.

Mas o Rei teria de esperar pelo Presidente de uma pequena República que conseguira atrasar um voo, contrariamente à normal actividade da sua Companhia de Bandeira.

Pelas condicionantes políticas do momento, Eanes contra os que se lhe opunham, tive a certeza de que aquele atraso resultara de uma sabotagenzinha. Uma muito pequena pedra na engrenagem da nossa habitual baixa política.




O Comandante Primavera descola então rumo a Norte e sempre acompanhados por uma Esquadrilha de aviões T-38 bi-lugares de treino da nossa Força Aérea, afastámo-nos de Portugal pela Galiza em direcção a Londres, em rota para a Noruega.

Na primeira oportunidade que tive falei com o senhor Presidente e expliquei-lhe todo o sucedido, expressando-lhe o meu desagrado pessoal pela situação, não deixando de enfatizar a anormalidade do sucedido e a minha sensação de se ter cometido um acto deliberado de atrasar o voo. O senhor General Ramalho Eanes ouviu-me atentamente mas nada comentou. Limitou-se a ouvir.



Algures perto de Nantes o Primavera foi esticar as pernas pela cabina e eu tomei então conta do voo.

E resolvi fazer umas contas.

Para conseguir chegar a Oslo âs 11h 30m faltavam-nos uns tantos minutos.

Para cobrir a distância nesse tempo que nos restava teríamos de voar a que velocidade?

Pareceu-me que a velocidade máxima legal, publicada nos Manuais do avião, seria suficiente.

Acelerei o avião até Mach .87.

Fiz o cálculo do consumo de combustível e achei um valor que ainda estava dentro do legal para a nova hora prevista para a aterragem.

Mantendo estes novos parâmetros, conseguiríamos recuperar os 20 minutos de atraso, sem beliscar a Segurança, sem atropelar nenhuma legalidade.

Á custa de um pouco de combustível gasto a mais mas por uma boa causa, entendi eu.

Ao aproximarmo-nos de Londres, comigo ainda sentado no lugar do Comandante, o controlo Inglês pede-me para fazer um desvio que nos iria obrigar a prolongar o caminho pondo em risco a minha estratégia de recuperação do tempo.

Explico ao controlador que aquele não era um voo comercial normal mas sim um voo de Estado, com o Presidente a bordo e que precisava imperiosamente de recuperar o atraso.

Pedi-lhe a sua compreensão.

Como resposta imediata tive a seguinte mensagem:


- Voo TAP está autorizado a seguir imediatamente directo para Oslo.


Nem queria acreditar!

Naquele tempo não havia GPSs nem Navegações electrónicas mas se apontasse mais ou menos para ali, ali, ia directo ao meu destino.

Entretanto entra no cockpit o futuro General Estevens, piloto como eu que olha para o velocímetro fixamente e pergunta um pouco depois, lentamente:


- É verdade o que eu estou a ver...?


Era... E o que ele estava a ver era o ponteiro do velocímetro escondido por baixo de um outro ponteiro, com várias riscas muito Vermelhas, que significava a velocidade limite legal do avião.


- Mas vamos chegar no horário, acrescentei e o Senhor Presidente não vai fazer esperar o Rei Olavo V da Noruega!


Logo a seguir o Primavera volta do seu périplo pela cabina e eu peço-lhe que mantenha os parâmetros do voo.

Estava uma manhã bonita, cheia de sol.

Estatisticamente, as temperaturas médias em Oslo para o início de Junho rondavam os 7ºC. Mas nós tivemos cerca de 24ºC à meia-noite!

Já íamos entretanto para lá de metade da viagem e o atraso ia sendo comido pela velocidade que levávamos. Tínhamos menos de 10 minutos de atraso.

Vamos conseguir....

E foi num instante que chegámos ao limite do Espaço Aéreo da Noruega, onde fomos recebidos por uma esquadrilha de caças também F 5 mas monolugares que nos escoltaram até à aterragem.





Dada a velocidade muito acima do normal procedimento de aproximação, pedi ao Comandante Primavera que iniciasse a descida mais tarde, mantendo sempre Mach 0,87.




No momento que me pareceu o indicado, os speed breaks foram accionados, a velocidade começou a cair rápidamente e a partir daí toda a normal manobra para configurar o avião para a aterragem eminente foi executada de acordo com os manuais.

E finalmente, pista em frente, já à vista há bastante tempo aliás






- Voo TAP, autorizado a aterrar.


Com a destreza habitual o Primavera faz as rodas tocarem suavemente no chão e no final da pista, estacionamento à vista com um longo tapete vermelho, o controlador de Oslo comunica-nos:


- Voo TAP aterrado às 11h e 29m.











Eram precisamente 11h e 30m quando o avião pára.

 Exactamente ao lado daquele tapete vermelho que nos esperava...







O Rei Olavo V não teve de esperar nem um segundo...










Chegámos 4 horas e um pouco mais de 15 minutos depois da Folha de Carga ter resolvido entrar no avião, sem pressas, em Lisboa.

A Imprensa, alguma Imprensa, a do costume, a que faz as notícias que vendem papel, resolveu dar uma de ignorante e dias depois era publicada uma notícia num semanário (não era óbviamente o Expresso) que comentava o "excesso de velocidade desnecessária" que até tinha obrigado a "turbolências desnecessárias" durante a descida (provavelmente referia-se à utilização dos speed breaks, acho eu...).

Não me pareceu uma ideia do jornalista. Alguém lhe deve ter vendido tal brilhante ideia...


Oslo, com temperaturas mais altas que em Lisboa nessa primeira semana de Junho de 1980, proporcionou-nos dois dias de folga que aproveitámos para conhecer melhor a cidade.

Entre passeios de barco e visitas a Museus, valeu tudo.

Um pouco mais a Norte e teríamos visto o Sol da meia-noite. Quando chegavamos ao Hotel perto da meia noite, ainda se podia ler o jornal na rua...


Uma grande estadia para recordar...








De pé: Dalio. Sentados da esq p/a dta: Aragão, Matos (MMA Faro), X, X, Riba Tamega (Rel Públicas), São Maduro, Primavera, X (X > não identificados ou familiares)




















Fui ao National Museum of Art, Architecture and Design, Munch Museum ver O Grito, o célebre quadro de Edvard Munch.

Era aliás um pedido de uma amiga, a Maria João.

- Tens de ver o quadro! 

É realmente impressionante!



































     Da esq p/ a dta: eu, X, X, Matos, Lorga




     Da esq p/ a dta: X, X, Maria Antónia, Vieira Dinis, São Maduro








     Da esq p/ a dta: Vieira Dinis, André Renato, Lorga, Matos












A ilha de Utøya onde no dia 22 Julho 2011 o louco Anders Breivik, diagnosticado com  "narcissistic personality disorder", matou desenas de jovens a tiro.












Uma tripulação de luxo...
Da esq p/ a dta: São Maduro, Maria Antónia























Os nossos colegas a caminho do jantar de gala oferecido pelo Presidente General Ramalho Eanes ao Rei Olav V.

A Tonica estava lindíssima!



Da esq p/ a dta: Primavera, Maria Antónia, X





O dia 6 de Junho acordou com a hora da partida...




Não há mal que sempre dure nem bem que não se acabe...


Uma estadia magnífica, uma tripulação de luxo.




Da esq p/ a dta: Rui Quinta, Riba Tamega, Maria Antónia, X, André Renato, Lorga, São Maduro, Dalio, Dr. Maia Malta (Rel Públicas) e X












O Rei Olav V e o filho despedem-se  



Chegámos a Lisboa com a noção do dever ter sido bem cumprido.


Pudera! Em tão boa companhia...






NOTA : Excluindo as 4 primeiras imagens que ilustram esta história, todas as outras são da minha autoria.

Obrigado ao Luis Santiago Baptista Coelho, ao Mike Delta e ao José Piconez pela identificação dos colegas nas fotos





Vídeo da RTP, Arquivo:
Biografia de Ramalho Eanes










domingo, 2 de novembro de 2014

Aviões que voei - Eu e o Boeing 727 - na TAP

2ª Parte da História do Boeing B727                  
Clicar aqui para ver a 1ª Parte                  




Comecei a voar na TAP em 1971 como Co-Piloto de B707.

Até aí a entrada em Linha fazia-se sempre pelo avião menor mas por razões de acessos futuros com as previsiveis despesas com cursos sucessivos, foi decidido que não seria assim para o meu curso.

Sina minha já que na Força Aérea também não fiz o T-6 em Sintra mas sim em… Salamanca, 1963 (Ver aqui).

Três anos e meio depois de ter começado a voar o B 707, no dia 25 de Abril de 1974, acordei em plena Revolução dos Cravos para estudar o resto do meu curso teórico de Boeing B 747, antes de partir para Seattle fazer o simulador.

Sina minha…não podia ser um curso normal, como o de toda a gente.





Fui Co-Piloto de B747 durante a Revolução, o PREC e as independências das Províncias Ultramarinas (o Estado Novo dera-lhes esse estatuto. Não eram oficialmente “Colónias”).

Como consequência de todos estes acontecimentos somados, a frequência dos voos de B747 diminuiu drasticamente, até ao ponto de a TAP ter de vender metade da frota ao Paquistão, à PIA e a maioria dos voos passar a ser feita sempre com dois Comandantes e um só Co-Piloto que acabava por fazer uma média de uma única aterragem por mês…



E foi com toda esta falta de treino e proficiência nos dois anos anteriores que chegou o meu dia de ir a comando.

Valeu-me ter voado um mês com aterragens quse diárias na minha estadia em Karachi no verão de 1976, aquando da venda dos nossos amados B 747 à PIA (Ver aqui).

Fiz o último voo de Co-Piloto poucos meses depois na passagem de ano 1976 / 77 num voo Lisboa, Kinshasa, Joanesburgo, Kinshasa, Lisboa em B 747, claro.













E tive o previlégio de os dois Comandantes desse último voo me terem dado 2, duas ! 2 aterragens nesse percurso! Em Joanesburgo e em Kinshasa. Não é para me gabar, mas foram das melhores que fiz…

 
As teóricas do curso de B 727 foram feitas com recurso á mais moderna das técnicas e em regime de… é melhor dizer em português corrente, “salve-se quem puder”...

Com recurso a um “muito sofisticado (?!)” sistema áudio-visual autogerido pelos alunos, com base em dois projectores de slides e um leitor de cassetes que iam debitando a matéria mas que faziam normalmente grandes paragens porque aquilo empancava tudo e tinha de se chamar o técnico para harmonizar tudo de novo.

Sina minha… tenho sempre sorte nos cursos: o meu colega de aulas teóricas foi nem mais nem menos que o meu grande amigo Carlos Varanda.

Quando percebemos como aquilo funcionava, acabaram-se as investidas do técnico e passámos nós a fazer o trabalho em auto-gestão com passaetas a pé em cima dos equipamentos e outras actividades semelhantes que é melhor não mencionar…

Acabámos o curso teórico em tempo recorde, acho que uma semana antes do previsto e agendado.

Já no meu curso de F-86 conseguira economizar 5 meses e meio ao tempo do curso anterior…(Ver aqui).


Cockpit de um Boeing B 727  









Findas as aulas teóricas, as muitas sessões de simulador e o Voo Base (voos de instrução, sem passageiros) fomos finalmente para a Linha, com passageiros e tudo mas assitidos por um Comandante encartado.

Desses voos assistidos em linha por outro Comandante, antes de eu ser largado, lembro-me principalmente dos dois primeiros.



O primeiro de todos, um Lisboa Geneve-Zurique, com o Comandante Queirós. No dia 6 de Abril de 1977 no CS-TBK

E lembro-me porque sendo o primeiro voo de todos como Comandante, embora asistido, o controlador suiço de Geneve resolveu mudar a pista no último instante e consciente da quase impossibilidade de uma aterragem segura naquelas condições me ter até perguntado:


- Você consegue?...


Com a minha nenhuma experiência em Comando e naquele avião (era o 1º voo e com a responsabilidade de ter a cabina cheia de passageiros, que nunca sabem o que está prestes a acontecer...) fiquei mudo aqueles milésimos de segundo que parecem sempre uma eternidade, sem saber o que lhe responder...

O Queirós disse-me rapidamente que sim, eu podia e assim aceitei a rasteira do controlador.

Mas o Queirós ensinou-me como fazer, sentado na cadeira atrás de mim:

- Reduz toda a potência, já! Trem em baixo! Não desças! Deixa a velocidade cair! Flaps todos em baixo! Aterra agora…

E lá passei eu aquela montanha entre Lion e Geneve com enorme razão de descida em direcção à pista mesmo em frente, a querer desaparecer-me debaixo do nariz do avião...

Mas fiz uma boa e segura aterragem.

Já na Placa do Aeroporto o Queirós ensinou-me mais uma coisa:

- Da próxima vez quando ele te perguntar se és capaz, responde-lhe:


- Eu não e você?!


Obrigado Queirós, lá onde estiveres.



Boeing B 727-100


O outro voo assistido de que me lembro, o 2º que fiz, foi um cargueiro a Londres, com escala no Porto. No dia seguinte, no CS-TBN

E quem me havia de calhar como Comandante assistente?



Nem mais nem menos que o Comandante Silva Soares.

O grande Senhor da TAP e da Aviação Portuguesa.



   Comandante Silva Soares








Vai ser o meu fim, pensei, mas tenho que passar por isto! E lá fui para as Operações, perfeitamente amarfanhado.

Tudo correu bem até à aterragem nocturna no Porto.

Uma avaria que requeria assistência da Manutenção local. O Técnico de Voo resolveu então ir para a Aerogare espairecer, pudera... mas eu decidi permanecer a bordo para me aperceber de toda aquela envolvência.

E o Comandante Silva Soares também…




Os dois sozinhos a bordo enquanto a Manutenção trabalhava...


E durante uma hora tive a mais completa e empenhada lição de Recursos Humanos na vertente Comandante de Avião que poderia ter tido.


O Senhor Comandante Silva Soares abriu o livro e naquela hora deu-me a mais fantástica aula teórica que tive em Aviação de Linha Aérea.



Nota aos filhos do Comandante Silva Soares: após ver o vídeo de Homenagem ao vosso Pai,
com ligação aqui em baixo, fiquei com a sensação que naquela noite no Porto ele viu em mim
mais um filho que merecia e precisava dos conselhos de um Pai 
do que um comandante qualquer em instrução.
Depois de ver o vídeo, senti-me um de vós, não levem a mal...


Video de Homenagem ao Comandante Silva Soares no 69º Aniversário da TAP 



Aproveitei tão bem a lição que sete meses depois estava a ser convidado para Verificador de Linha e Instrutor de Simulador, praticamente ao mesmo tempo que iniciava a operação no “antigo” Aeroporto do Funchal.

E 14 dias depois do meu treino naquele Aeroporto dá-se o terrível acidente do Funchal com o meu camarada de treino, o Comandante João Lontrão.


Nos primeiros 10 anos de B727, voei em operação contínua para Aeroporto do Funchal com menos 1.181m de comprimento do que actualmente tem.


Curiosidade:

À velocidade de 150km/h, a velocidade aproximada de aterragem de um avião, percorrer 1.181m leva mais de 28 segundos... Não acreditam? Façam as contas.


E voava para Ponta Delgada, que se considerava na altura um Aeroporto também difícil em condições marginais de situação meteorológica.

E obviamente que para todas as outras Linhas de Médio Curso que a TAP operava na Europa e em África.


Em 1986 fiz os primeiros voos para a Air Atlantis, a subsidiária de voos charter da TAP que operava principalmente a partir de Faro

Era uma operação simpática que deixava vontade de repetir.

A repetição deu-se no início do ano seguinte, com uma particularidade:

- Decidi abraçar a actividade do voo charter e assinei um contrato de dois anos com a Air Atlantis, não deixando o vínculo à TAP.

O último voo que fiz nos B 727 da TAP foi no dia 31 de Maio de 1987. No CS-TBW





Mas passei a voar, com imenso prazer e muita dedicação, os da Air Atlantis.



Assunto para uma outra história de uma forte ligação a este mágico avião que foi a minha Escola de Comando de Linha Aérea mas também uma Sala de Aulas como Instrutor que fui, em Simulador e em voos de Verificação para muitos futuros Comandantes da TAP.







quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Álbum de fotografias - Vivenda Victoria





A Vivenda Victoria é um palacete em ruinas que nos últimos anos foi morrendo para grande desgosto de muitos que diariamente a vêem já que fica na EN 125 na saída de Olhão para Tavira.

Desconheço completamente a sua história mas é um exemplo de como sabemos perder um património riquíssimo.

Aliás a cidade de Olhão da Restauração poderia rivalizar com a baixa de Tavira mas a ignorância, a falta de recursos e o laxismo das autoridades levaram à descaracterização da urbe principalmente a partir dos anos 80.

Tantos belos edifícios da cidade form demolidos para se construirem grandes prédios alegadamente modernos...

A cidade perdeu para sempre a possibilidade de ter uma característica única com edificações históricas que muito contribuiriam para a valorização do seu centro histórico.

Pois agora a Vivenda Victória renasceu graças ao "Homo Sapien" um artista local que lhe deu uma cara nova.

Nem sempre apreciada mas muito fotografada.

Era impossível resistir ao desafio e em breves minutos, ao entardecer do dia 25 de Outubro deste ano de 2014 fotagrafei também aquela Obra de Arte Pública em que se transformou a Vivenda Victória.

Está ou não uma beleza?