quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Linha Aérea e outros voos - TVI

A TVI passou nos dias 6 e 7 de Novembro uma reportagem, «O lugar onde eu fiquei», da Jornalista Catarina Canelas onde se conta como foi o êxodo de centenas de milhares de portugueses.

Para que não esqueça.







Veja aqui a 1ª parte do Documentário
e aqui a 2ª parte do Documentário




Na 21ª Hora, programa transmitido logo a seguir ao segundo Documentário, foram entrevistados pela Pivot Judite de Sousa os Jornalistas Fernando Dacosta, Diamantino Pereira Monteiro e o autor deste Blogue.










 
Podem ver toda a entrevista aqui.




















No final do programa o Jornalista Fernando Dacosta teve a amabilidade de me oferecer, autografado, o seu livro "Os Retornados mudaram Portugal".





















No dia 20 de Abril de 2017 a Jornalista Catarina Canelas

lançou o  seu livro

"A Hora da Partida"

no Auditório da FNAC Colombo.


O livro reflecte a temática desta sua reportagem
"O lugar onde eu fiquei"


Apresentaram o livro Sérgio Figueiredo, José Alberto Carvalho, Judite de Sousa e a Editora Verso de Kapa


A Catarina autografando o exemplar que teve a amabilidade de nos oferecer































Não deixe de ver também aqui esta

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Outras histórias - Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa

 


 



A RTP num seu recente programa "Prós e Contras" tratou da problemática do futuro do Aeroporto que serve a capital.

O Aeroporto Humberto Delgado ora está à beira da saturação ou pode ser ampliado e durar ali muitos mais anos.

   Aeroporto da Portela em 1969 - Voos domésticos



Este desacordo de opiniões pode muito bem ter a ver com os interesses de cada um.















Uns ganharão mais com as obras onde ele está e outros com uma nova localização e uma grande obra de raiz.


Espero que esta situação não demore mais 48 anos a resolver.
Teria que esperar pelo ano 2065.
Nesse ano eu faria 123 anos.
Terei morrido no mínimo 3 anos antes, em 2062, porque a Bíblia diz que ninguém pode viver mais de 120 anos.
Já vi que não chego lá...



 
















Isto porque a última vez de que me lembro do assunto ter sido tratado, a sério, como deve ser, foi em 1969.






E por decreto Lei!
Foi constituído o GNAL - Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa

Decreto Lei Nº 48.902 de 8 de Março de 1969.

O dito cujo foi assinado por:

  • Marcello Caetano - 1º Ministro
  • João Augusto Dias Rosas - Ministro das Finanças
  • José Estevão Abranches Couceiro do Carmo Moniz
  • Américo Deus Rodrigues Thomáz - Presidente da República do falecido Estado Novo



O Ministro das Finanças Dias Rosas, à esquerda e Maurice Schumann discutem o Mercado Comum




E a 19 de Dezembro de 1969 já havia conclusões, 285 dias depois!

Na 4ª sessão do Conselho Técnico Consultivo criado pelo mesmo Decreto Lei, na altura chamado Conselho Aeronáutico.


 







E a opção Portela, chamava-se assim o Aeroporto de Lisboa, onde ele ainda hoje está e estará,

não foi considerada por:


"Apresentar, além do mais e desde logo, graves inconvenientes
resultantes de se encontrar praticamente dentro da cidade
e não se vislumbrar qualquer hipótese de expansão."



Foram consideradas então as seguintes localizações possíveis

  • Fonte da Telha
  • Montijo
  • Alcochete
  • Porto Alto
  • Rio Frio

 
Foi escolhido o Rio Frio.

Quando comecei a voar na TAP, em 1971, quis comprar uma casa que ficasse o mais perto possível do Aeroporto de Lisboa.

Falava-se numa mudança breve mas não havia estudos publicados.



 












Aluguei casa no Bairro dos Olivais Sul, na Av Cidade de Luanda.

E no ano seguinte, 1972, finalmente! apareceu o estudo publicado.





 

















Apressei-me a comprar o volumoso livro da Imprensa Nacional onde tudo estava explicado.

Li-o atentamente e até sublinhei a lápis o que achava mais importante.



Custou-me 120$00 e tem 420 páginas. 

Olha se eu tinha comprado casa em Rio Frio...

 

 

(Actualizada em 25 de Fevereiro de 2018) 


 

 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Pedaços de Vida - O Voo VA-2504









Em Lisboa a azáfama era grande...















Celebrava-se o dia da Liberdade.
O 25 de Abril.










 


Dirigentes dos grandes e pequenos partidos políticos as mais altas chefias das Forças Armadas vários membros do Governo grandes figuras da Magistratura  o Presidente da República todos se preparavam para a grande cerimónia.
Na Assembleia da República davam-se os últimos toques na limpeza, afinava-se o cerimonial do Protocolo e a Segurança ia discretamente ocupando os seus lugares.












Era dia de festa, de celebração e muito povo queria ver a chegada sempre festiva de tanta gente ilustre.

E o Presidente hoje não ia chegar a caminhar pela rua abaixo… 



Foto colhida no "Observador"  




Por essa altura, com alguma pena por não poder assistir mas com uma agenda muito importante a cumprir do outro lado do Atlântico, o Dr. José Abrantes encaminhava-se apressado para o eternamente renovado Aeroporto Humberto Delgado.
Já não tinha muito tempo e ainda havia que enfrentar a segurança apertada e demorada. O seu fiel motorista da Uber levou-o até à porta da Partidas exactamente na hora prevista.




Check-in electrónico feito, era só procurar a porta de embarque.
Ainda não havia muita gente e a fila avançava com vagar mas avançava.
Pela frente ainda tinha muitas horas de voo sobre o mar mas o seu fiel tablet, companheiro de trabalho mas não só, estava ali consigo agora que tinha sido cancelada a hipotética proibição do seu uso a bordo.
Estava ansioso por ver aquele novo modelo de avião, a última palavra da tecnologia, um monstro. Mas bonito por dentro e por fora.
Quando chegasse ao Hotel iria poder falar com o Pai, ilustre e respeitado político, para saber como tinha corrido a grande cerimónia desse 25 de Abril na Assembleia da República.
A essa hora começavam a chegar os primeiros VIP ao antigo Mosteiro Beneditino do século XVI, Mosteiro de S. Bento da Saúde.












Mais tarde, com a extinção das ordens religiosas, passou a sede das Cortes Gerais da Nação, o Palácio da Cortes, até 1911. Palácio do Congresso até 1933. Palácio da Assembleia Nacional até à data que hoje se celebrava. Normalmente conhecido como Palácio de S. Bento, ostenta hoje com orgulho a designação de Assembleia da República.



E a gente curiosa começava a encher a rua em frente com muita Polícia na grande escadaria. Sabendo que não era dia de protestos mas de festa.
A grande expectativa estava canalizada para a última viatura a chegar. Um carro não ostensivamente luxuoso porque o Presidente tinha recusado os luxos oferecidos pelo anterior governo.
Seria uma chegada espampanante com tantos batedores à frente e todas as bandeirinhas a vibrar nas potentes motos e viaturas de apoio.
Ultrapassada a inspecção à bagagem. O Dr. José Abrantes encaminhava-se agora apressado mas descontraído para a porta de embarque.




Já sentado de tablet na mão procurou mais uma vez as imagens do avião novo que o iria levar ao outro lado do Mundo. Como seria realmente a cabina? Esperava que o seu lugar de Executiva fosse de grande conforto.
Lá no fundo tinha uma secreta esperança de poder ver o cockpit. Devia ser um espanto comparado com o seu pequeno Ultra Light que lhe dava tanto prazer pilotar.
A rua de S. Bento era agora uma espécie de Salão Automóvel com tanto bólide reluzente, tanta gente ilustre. Eram afinal os mais altos representantes da Nação, aqueles em quem o Povo tinha votada e os mais altos magistrados que os eleitos tinha escolhido.
Já não faltava muito para a grande cerimónia.
Mas ainda havia muito automóvel a chegar. E a segurança começava a agitar-se mais.









Na sala de embarque o Dr. José Abrantes ouve o aviso de embarque dos passageiros VIP e levanta-se ainda com o tablet na mão e encaminha-se para a porta do avião com muita curiosidade. Ia finalmente voar naquele festival de tecnologia e design.



Para a solene cerimónia no Palácio de S. Bento (um eufemismo, naturalmente, sabendo-se que Palácio não condiz com a pobreza de S. Bento…) os embaixadores acreditados de países amigos incluindo os dos PALOP não quiseram faltar. O Núncio Apostólico tomava já o seu lugar ao lado do Cardeal Patriarca não muito longe das chefias da Associação 25 de Abril.
E como sempre, os últimos são mesmo os primeiros.
Confortavelmente sentado no seu carro, o Presidente lia as últimas mensagens e ria-se com uma que o neto mais novo lhe mandara. Era o benjamim e o Avô amava-o acima de tudo.
No grande avião a porta fechava-se agora e finalmente o Dr. José Abrantes confirmava todas as suas mais altas expectativas. O avião era um portento. Era de uma beleza fria mas ao mesmo tempo acolhedora. A simpatia do pessoal de cabina era cativante e sabia que iria ser uma viagem de sonho.














Se pudesse espreitar o cockpit…






Agora o frenesim era total na rua de S. Bento.
Telemóvel arrumado no bolso das calças, em silêncio não fosse o neto ligar-lhe no meio do discurso, o Presidente muito amado sai da viatura e acena a toda aquela multidão que o espera há tanto tempo.
Neste momento exacto uma esquadrilha de F-16 da nossa Força Aérea sobrevoa o local em respeito pelo mais alto magistrado da Nação.
Cumpridas finalmente as formalidades protocolares, o Presidente entra no grande Palácio.
Já lá estavam todos à sua espera e quando chega ao grande hemiciclo é recebido por uma efusiva salva de palmas.
Nenhum partido se absteve. Nenhum deputado deixou de se manifestar, agradado.
No Aeroporto o avião deixava agora a placa e encaminhava-se majestoso para a grande pista que começava nas redondezas de Camarate, de má memória e só acabava mesmo junto à Segunda Circular.





O cheiro a novo, a bordo, era inebriante e o Dr. José Abrantes, confortavelmente sentado seguia com atenção o vídeo de segurança que o seu ecran do lugar lhe transmitia mesmo a tempo porque afinal esquecera-se de apertar o cinto. Som de alta fidelidade graves no ponto e imagem 4K! Fantástico! O que a aviação evoluiu…






Sorriu pensando no ecrã digital de menor tamanho que também equipava o seu pequeno avião e que era todo um painel de instrumentos de voo…




Mas aquele cockpit mesmo ali à sua frente de porta trancada devia ser o máximo! Talvez, talvez…
Curioso tentou fazer um cálculo de quanto combustível haveria a bordo para tão grande voo. Pelas características que, interessado, tinha lido na Wikipédia seria coisa para mais de 150 toneladas. Não sabia ao certo, claro. Mas tinha ainda muitas horas pela frente para perguntar a alguém.
Do outro lado da cidade a grande cerimónia comemorativa do 25 de Abril estava aberta.











Não havia um lugar vago.
Todos os deputados que estavam no País, todo o Governo, os presidentes de todos os partidos com e sem assento na Assembleia, a Magistratura, as grandes chefias das Forças Armadas, os velhos Capitães de Abril e a memória dos que já lá não estariam mais, todos seguiam com expectativa o desenrolar da cerimónia de abertura.



Tinha sido organizado um mini sarau com os mais conhecidos a amados artistas, cantores fadistas e guitarristas que numa breve mas belíssima actuação predispuseram os presentes para a longa maratona de discursos que se iria seguir.
Uma estopada previsível mas havia que ter muita atenção ao que entre linhas os oradores iriam dizer.
O dia 26 de Abril seria o dia do ajuste de contas e a política seguiria o seu caminho.
Mas hoje era um dia de união. A sério.
O Comandante do grande avião dá as boas vindas num breve discurso aos passageiros, agora que se aproxima a cabeceira da pista.
Na Torre de Controlo a equipa de serviço verifica a situação no chão e em redor do Aeroporto para se certificar se há condições para autorizar o avião a entrar na pista.
O Dr. José Abrantes sente no ar o frenesim da descolagem próxima com um breve sorriso. Sabia bem o que isso era e o gozo que lhe dava controlar o seu Ultra Light nas descolagens de algumas pistas de quintas de amigos que tinha no Alentejo.
O que estaria a sentir o Comandante, pensava… Com toda aquela electrónica ali à sua frente.
Ainda tentou mandar uma mensagem ao Pai, a ver se ia e se ele a podia ler agora.
O Sr. Presidente da Assembleia da República começa finalmente o seu discurso. Perto de si o Pai do Dr. José Abrantes, velha raposa da política, deseja boa viagem em resposta à mensagem que esperava do filho. A viagem era muito importante para ele e esperava que tivesse sucesso. Queria ver o filho no topo antes de se reformar. Mas estava tudo a correr bem.
E com isto não ouviu parte de discurso mas tinha em mãos uma cópia…
A Torre de Controlo autoriza a entrada do avião na pista mas não o deixa ainda descolar.
Em coordenação com a Força Aérea, o Controlo precisa de se certificar se o espaço  Aéreo em frente estava livre dos F-16 que permaneceram sobre Lisboa em algumas manobras sobre o Tejo para gáudio de milhares de pessoas que ao longo do rio os puderam ver. Afinal era um dia de grande festa! E o espaço aéreo sobre a capital estava reservado para os F-16.
Abril costuma ser um mês de chuva, Abril das águas mil, mas naquele final de mês o céu estava limpo, sem vento. A Meteorologia ideal para os ases dos F-16 vindos da Base Aérea Nº5 em Monte Real, Leiria, a casa dos Falcões. Assim se chamam os pilotos daquela Esquadra.
Finalmente a Torre de Controlo autoriza o avião a descolar.
O grande pássaro começa lentamente a mover-se. Os dois enormes reactores com as manetes na potência máxima puxam por ele com uma vontade inesgotável. E a velocidade aumenta exponencialmente.
O Dr. José Abrantes, sentado à janela do lado esquerdo da executiva, o corpo forçado contra as costas da cadeira pela aceleração dos reactores, vê agora toda a Aerogare a desaparecer velozmente.
E finalmente, de nariz empinado, aquelas mais de 450 toneladas de metal, plástico, sangue músculos, quilómetros de fios e muito combustível para atingir o outro lado do Mundo, elevam-se afinal com enorme facilidade.

Majestoso!

- Olha a 2ª Circular!. Vazia! Pois é, hoje é feriado…

Pensa o Dr. José Abrantes.
E foi quando um enorme estrondo estremeceu todo o avião.
Em milésimos de segundo que pareceram horas, a asa esquerda liberta subitamente do seu reactor eleva-se obrigando o avião a guinar ligeiramente para a direita.
Como num filme de terror o Dr. José Abrantes vê o reactor despenhar-se a grande velocidade exactamente sobre o largo recinto do Hospital Júlio de Matos.
Já não pode ver mas aquela autentica bomba arrasou tudo á frente e só parou umas centenas de metros depois em plena Avenida de Roma, deixando um enorme rasto de destroços no Hospital e até se imobilizar, depois de destruir e incendiar uma série de automóveis e um Autocarro.
O Comandante do avião consegue controlar inicialmente a trajectória, compensando o desvio com os pedais.
O Pai do Dr. José Abrantes ouve atentamente o discurso no alto da bancada do Presidente, defronte de toda a Câmara, onde literalmente todos os principais dirigentes dos diversos organismos que compõem um Estado de Direito se sentavam.
Não fazia a mínima ideia do que estava a passar com seu brilhante filho mais velho.
A Torre de Controlo, declarada a emergência, activa de imediato todos os procedimentos legais respeitantes a uma grande catástrofe.
Uma enorme nuvem vermelho escuro elevava-se da zona adjacente à 2ª circular, exactamente no local onde foi possível ver perfeitamente da Torre o reactor a cair.
A Protecção Civil tinha de tomar conta da ocorrência que começava a desenrolar-se fora do perímetro do Aeroporto.
Mas era também necessário prestar assistência aos dois pilotos, únicos ocupantes do cockpit, sem mais ninguém para os auxiliar.
A primeira ideia que veio ao Controlador foi mandar o avião voltar pela esquerda de modo a poder aterrar de imediato no Montijo.
Mas as chamas que agora se viam na asa esquerda nada augurava de bom. 
O Comandante, ainda sem conseguir comunicar com a Torre, tentava tudo para controlar o avião ferido de morte, ao mesmo tempo que o Copiloto prosseguia os procedimentos de emergência. E o trem de aterragem recusava-se a voltar ao casulo provocando uma enorme resistência ao avanço de tamanho avião.
O Dr. José Abrantes sem acção, completamente paralisado, o olhar fixo na asa a arder, ainda teve tempo de ver que sobrevoavam o Parque Eduardo VII a relativamente baixa altitude.
Na Torre de Controlo o Chefe de Turno num tom de voz o mais calmo que pode, informa o Comandante:

- VA 2504, turn left towards Montijo Airbase. You are Nº 1 to Land.

As comunicações rádio são sempre em Inglês entre os aviões e o chão e embora o Comandante fosse Irlandês, tão assoberbado estava com a tentativa difícil de controlar aquela cada vez maior bola de fogo com asas que não conseguiu responder.
Primeiro controlar o avião, depois resolver o resto.
O que ele não sabia era que a explosão do motor tinha atirado com milhares de pequenas peças metálicas que transformaram em estilhaços as alhetas dos rotores.
Diversos equipamentos tinham sido atingidos por autênticos projecteis. A mecânica do trem de aterragem ferida de morte. A electrónica à solta com os electrões desgovernados naquele emaranhado de fios e comunicações Wi-Fi.
Os comandos de voo exauriam-se lentamente, os computadores de bordo sem informação para digerir. Os painéis do glass-cockpit, aflitos com a insuportável quantidade de software que se atropelava no porão dos electrónicos, não transmitiam nada de útil.
Já a muito baixa velocidade, o Dr. José Abrantes sabe que está a passar sobre o Largo do Rato, o avião sempre a voltar muito ligeiramente para a esquerda.
E sempre a descer. imperceptívelmente mas a descer. 

Pensou em rezar, mas não sabia…
Teve a percepção nítida do que iria acontecer breves momentos depois, os telhados da Rua de S. Bento em tamanho natural.
E foi então que se lembrou do Pai e dos locais onde estavam ambos neste momento.

Tão perto um do outro...

Ainda teve muito tempo para se lembrar da última vez que o Pai lhe pegara ao colo.
A imagem muito nítida que ficou para a eternidade quando finalmente quase voltou realmente para o colo do seu Pai.

Que o acompanhava agora também, para todo o sempre.

O Palácio de S. Bento foi atingido em cheio como que por um míssil intercontinental.


Nada restou.
Nem paredes.
Nem ninguém…

E o dia seguinte foi o dia do caos.

Um país decapitado.
Sem lideres. Em nenhum sector da orgânica normal de um Estado.
Portugal estava agora novamente adiado.
Por muitos anos.

Mas podia ainda orgulhar-se de tanta coisa!

Havia até quem se orgulhasse daquele Aeroporto mesmo no meio da cidade…
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Isto é ficção, claro...

 

E no entanto...

Hoje, dia 17 de Abril de 2017, um bimotor Piper PA31T Cheyenne II com matrícula suíça (HB-LTI) – caiu cerca de dois minutos após a descolagem no aeródromo de Tires com um tripulante e três passageiros, adiantou fonte do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) (Notícia do Expresso dia 17 Abr às 17h)
O alerta foi dado por volta do meio-dia, de acordo com a PSP.
Entre as vítimas encontram-se quatro cidadãos estrangeiros: um suíço e três franceses. Quatro feridos ligeiros foram transportados entretanto para o hospital de Cascais.
Veja aqui um vídeo de um particular, Fábio Pocariço:




Piper PA31T Cheyenne II  

A aeronave caiu sobre um camião que descarregava junto ao Lidl, em Tires (Notícia do JN às 17h15)
Fonte oficial do GPIAAF - Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários disse à Lusa que a aeronave descolou do aeródromo de Tires em direção a Marselha, França, tendo-se despenhado cerca de dois mil metros depois da descolagem.
Vários testemunhos ouvidos pelo JN no local relatam que a avioneta "fez piruetas no ar" antes de se despenhar.
Fonte do sector aeronáutico indicou à Lusa que o aparelho é um Piper, modelo Cheyenne II, bimotor.
As vítimas são o piloto e os três ocupantes da aeronave, que tinha matrícula suíça, acrescentou a mesma fonte. A polícia identificou três de nacionalidade francesa e outro de nacionalidade suíça.






Em consequência do acidente um camionista a descarregar no Lidl foi atingido pelo avião e teve morte no local, segundo notícias das 17h também.

O local do acidente está assinalado com o pontinho vermelho abaixo da cabeceira da pista, ligeiramente para a direita


















O supermercado onde caiu o avião é bem visível ao centro da imagem, em baixo















Local do acidente: parque de estacionamento no canto inferior direito da imagem acima




Eu não acredito em bruxas, pêro que las ay, ay...

 
Esta história estava para ser publicada no dia 25 de Abril de 2017.
No entanto a queda do avião hoje em Tires e na sequência de vários comentários de colegas meus no programa Prós e Contras da RTP transmitido recentemente, resolvi publicá-la hoje.
Estava escrita há muito tempo. Juntei-lhe hoje as imagens, colhidas ao acaso na net.

Espero que inspire alguém quanto à problemática do Aeroporto Humberto Delgado...




E por mais extraordinário que possa parecer, exactamente um ano depois, na passada terça-feira, 17 de Abril deste ano de 2018, num Boeing 737-700 da companhia americana Southwest Jet com 143 passageiros e cinco tripulantes a bordo, o motor esquerdo do avião explodiu em voo.




Partes da aletas do motor rebentaram com o vidro de uma janela ali ao lado, matando uma senhora que, com a súbita despressurização ia sendo sugada para fora do avião.



       Eu não acredito em bruxas...


 (Actualizada em 25 de Abril de 2018)