sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Aviões que voei > Boeing 707





O Boeing 707 é um avião de passageiros de tamanho médio de longo curso com quatro reactores, construído pela Boeing Commercial Airplanes entre 1958 e 1979.

As várias versões do avião permitiam transportar entre 140 a 189 passageiros com um alcance oscilando entre 4.600km e 10.650km.

Primeiro avião a jacto de transporte de passageiros desenvolvido pela Boeing, o 707 tem asas em forma de flecha num angulo de 35º para trás, com os motores encastrados sob as asas.

Dominou o transporte aéreo nos anos 60/70 do Séc XX, inaugurando a idade do jacto.

Foi o primeiro avião a jacto de transporte aéreo a ser comercialmente um sucesso.
Transportava aproximadamente 4 vezes mais passageiros que o British de Havilland Comet 1 a uma velocidade consideravelmente maior.

O mais evoluído Comet 4 foi o primeiro avião de passageiros a jacto a fazer voos transatlânticos, no dia 4 de Outubro de 1958.

O 707 elevou a Boeing ao estatuto de um dos maiores fabricantes mundiais de aviões comerciais.
Levou ao fabrico da família “7x7” partilhando elementos entre os 727, 737 e 757.


Eu e o Boeing 707

Fiz o meu curso de Piloto da TAP entre Outubro de 1969 e Dezembro de 1970.

O curso compreendia 4 partes

1ª    Aulas teóricas de, entre outros assuntos, Matemática, Física, Performances, Aerodinâmica, Meteorologia, etc
2ª    Simulador de voo básico
3ª    Curso teórico de qualificação em Boeing 707
4ª    Simulador de voo de Boeing 707 – Instrutor: Comte Amado.

Depois desta preparação seguiu-se o treino em voo real, Voo Básico como se chamava naquela altura - Instrutor: Comt A Reis.

O 1º voo de instrução fi-lo no dia 10 de Janeiro de 1971 no CS-TBB, de Faro para Lisboa.

Após a Instrução básica seguiu-se o treino em Linha, já em voos comerciais normais, com passageiros. O 1º voo, curiosamente, foi para a minha terra, Bissau, no dia 25 de Janeiro de 1971, avião CS-TBF. Coube-me fazer a “perna” de regresso a Lisboa. 4 horas e 10 minutos de voo.

O último voo de treino em Linha foi do Recife para Lisboa, no dia 8 de Março de 1971. Voei 9 horas e 55 min no CS-TBC.

O meu 1º voo a sério, já como Co-piloto, foi no dia 18 de Março de 1971. Um voo para Luanda. 8 horas e 50 min de voo.

Um ano depois…finalmente! O Atlântico Norte! Só acessível a pilotos com alguma experiência dada a complexidade da operação, na altura, Foi, como não podia deixar de ser, um voo para Nova Iorque… uma cidade que passei a amar desde esse dia 5 de Fevereiro de 1972. Levou-me lá o CS-TBF, após umas longas 8 horas e 20 minutos de voo e um grande stresse…

Dois anos depois, por ter tido acesso ao Boeing 747, fiz o último voo neste simpático, honesto, confortável avião. Fui a Faro no dia 28 de Março de 1974, à noite no CS-TBD e voltei a casa.

Dias antes de começar a qualificação em Boeing 747 e a menos de um mês do 25 de Abril.

Em 3 anos de Boeing 707 fiz 1988 horas de voo.

Um avião que me deixou muitas saudades.

Comecei a minha vida profissional com ele. Com ele recordei as minhas Áfricas. Com ele conheci as Américas. Por causa dele fiz grandes e novas amizades, colegas TAP, que irão até não houver passado...

E conheci grandes profissionais que muito me ensinaram.

Duas grandes escolas, a Força Aérea e a TAP.
Inseparáveis do que sou.


Desenvolvimento do avião

Durante e depois da 2ª Grande Guerra a Boeing era conhecida pelos seus aviões militares.

A companhia produziu modernos e importantes bombardeiros, do B-17 Fortaleza Voadora e B-29 Superfortaleza até ao B-47 Stratojet e B-52 Stratofortress. A sua vertente civil mantinha-se bem atrás da Douglas e outros concorrentes. Os únicos aviões de linha aérea com alguma notoriedade foram o Boeing 314 Clipper e o 307 Stratoliner.

Entre 1949/50 a Boeing embarcou em estudos de um novo transporte a jacto que servisse simultaneamente o mercado da aviação civil e militar.

Por essa altura o reabastecimento aéreo tornara-se uma técnica standard da frota de bombardeiros a jacto da USAF.

Era aqui que os novos estudos da Boeing poderiam potenciar novas encomendas militares.

Numerosos estudos aerodinâmicos de asas e também de motores, alguns baseados nos B-47 e no C-97, terminaram num projecto denominado 367-80.

“Rollout” do Dash 80 no dia 14 de Maio de 1954
 
O 707 foi desenvolvido a partir do Boeing 367-80, ou "Dash 80", como era conhecido na Boeing. Um protótipo de avião de reabastecimento aéreo de combustível, o KC-135 (e como tal quase não tinha janelas...) mas também um avião a jacto de passageiros.


O Dash 80

Era mais que provável que o 707 fosse um projecto rentável. Por essa altura a Boeing obtinha todo o seu dinheiro a partir de contractos militares.

O seu último avião de transporte civil, o Boeing 377 Stratocruiser, causou um prejuízo de $15 milhões de dólares antes de ter sido adquirido pela Força Aérea como KC-97 Stratotanker.

O Dash 80 começou a ser projectado em 1952 e o protótipo ficou pronto, “rollout”, no dia 14 de Maio de 1954 e fez o 1º voo no dia 15 de Julho de 1954, dia em que a Boeing comemorava o seu 38º aniversário e a América entrava na idade do transporte aéreo a jacto, descolando do Renton Field a sul de Seattle. Com um custo de projecto de 16 milhões de dólares foi um enorme risco para a Boeing, ainda por cima sem nenhum cliente ainda em carteira!

O Dash 80 foi usado durante 18 anos como laboratório de testes.

Voou com um 5º motor na cauda para estudo do futuro B727 e também com 3 diferentes motores instalados ao mesmo tempo. Investigou o reverse nos reactores, supressores de ruido e diversos outros sistemas. Foi testado com pneus de grandes dimensões e aterrou assim em pistas lamacentas que mal suportavam o peso de vulgares automóveis.

Depois de 2350 horas em 1691 voos de teste o avião foi retirado de uso operacional, em 1969.

Em 26 de Maio de 1972 foi entregue ao Smithsonian Air and Space Museum. Esta notável instituição considerou-o um dos 12 mais significativos aviões de todos os tempos.

Durante os 18 anos seguintes o avião permaneceu estacionado no deserto do Arizona.


O tonneaux do Dash-80

Bill Allen (William McPherson "Bill" Allen September 1, 1900 – October 28, 1985) foi Presidente da Boeing Company entre 1 de Setembro de 1945 até 29 de Abril de 1968.
Foi também chairman entre 1968 e 1972.


William McPherson "Bill" Allen

Enquanto presidente da Boeing tomou a famosa decisão, em 1952, de apostar na construção do Boeing 367-80 e também autorizou o lançamento do desenvolvimento do Boeing 707. Participou ainda no lançamento de outros famosos Boeings, como o 727 o 737 e o 747.

Em 1955, como parte da demonstração do programa do Dash 80, Bill Allen convidou os representantes da Aircraft Industries Association (AIA) e da International Air Transport Association (IATA) para a Seafair and Gold Cup Hydroplane Races no lago Washington, em Seattle.

Estava prevista uma simples passagem baixa do Dash 80.

Mas o piloto chefe de testes Alvin "Tex" Johnston teve outra ideia:

 - Fez 2, dois, tonneuax barrilados no Dash 80!

Chief Pilot Alvin Tex Johnston

Ver o vídeo deste histórico voo no Youtube em:

O Tonneaux do Dash 80

O tonneaux é uma figura acrobática em que o avião rola 360º no seu eixo longitudinal.

Barrilado porque em vez de rolar exactamente no eixo longitudinal faz simultaneamente uma trajectória paralela, circular, que alarga lateralmente a figura.

No dia seguinte o presidente Allen chamou o piloto chefe Alvin "Tex" Johnston ao seu gabinete e disse-lhe que não queria mais manobras daquelas em situações semelhantes ao que ele respondeu que estava simplesmente a “vender aviões” e que ao fazê-lo limitara-se a executar uma manobra perfeitamente capaz para aquele tipo de avião. Era, afinal, um avião muito seguro, como ele tinha demonstrado…


Voltando ao protótipo Dash 80

O protótipo revolucionou o transporte aéreo. Embora nunca tenha sido usado comercialmente, deu origem à série de 707s, maiores, mais rápidos e silenciosos do que os aviões de hélice que substituiu. Rapidamente mudou a face do transporte aéreo internacional.

O protótipo Boeing 367-80 N70700 numa foto de arquivo da  NASA

Em Maio de 1990 a Boeing retirou o protótipo Dash 80 do deserto do Arizona e restaurou-o.
O reconstruido Dash-80 fez um voo especial sobre Puget Sound, Seattle, sobre as 5 fábricas da Boeing, no dia 15 de Julho de 1991, para comemorar o 75º aniversário da The Boeing Company e o 37º aniversário do seu 1º voo.

Não tem janelas...

Este protótipo, o único que foi construído, está hoje no:


Smithsonian 
National Air and Space Museum

No anexo Steven F. Udvar-Hazy Center

localizado junto ao Washington Dulles International Airport de  Dulles, em Chantilly, Virginia.




De todo este estudo resultou o avião militar de reabastecimento KC-135 e o civil 707-120, com uma fuselagem mais larga e com motores Pratt & Whitney JT3C.




O meu amigo Luís Vieira da Silva, Comandante (da TAP) e veterano da Força Aérea Portuguesa cedeu-me esta história sobre o desenvolvimento e características únicas do mítico Boeing B707.


Vejam só o avião que ambos voámos, ele como Comandante e eu como Co-Piloto


Amor à Camisola
Um Cavalo de Batalha
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O Boeing 707, primeiro grande jacto americano de transporte, nasceu no dia 15 de Julho de 1954, curiosamente para servir a aviação militar.
Decorriam os primeiros anos da “Guerra-Fria”. Um pouco por todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, vivia-se a paranóia do comunismo e da espionagem. Foi no maior segredo que o protótipo do lendário Boeing 707 fez o seu primeiro voo, com a designação de código “367-80” para confundir o inimigo. Ainda hoje, lá no museu onde repousa, esse primeiro exemplar do modelo é conhecido pela “alcunha” de sempre, o “Traço Oitenta”.
Nessa época, os americanos viram-se obrigados a organizar um sistema fiável para enfrentar a ameaça soviética, as armas nucleares eram assustadoras e criavam um conceito de guerra totalmente novo. Foi necessário construir uma rede de defesa capaz de detectar com antecedência qualquer movimento ameaçador e, além disso, ter meios para retaliar, antes de sofrer o primeiro impacto atómico.
O problema era a fraca capacidade de ataque da força aérea dos Estados Unidos, assente nas obsoletas aeronaves militares da 2ª Guerra. Não havia nenhum avião com autonomia suficiente para levar uma bomba atómica até ao coração da URSS e voltar. A solução era o reabastecimento em voo e foi aí que entrou o B-707.
Feito à medida desse serviço militar o avião foi um sucesso. Conseguia despejar 3.800 litros de combustível por minuto dentro dos depósitos de qualquer aeroplano “aflito”. O “Traço Oitenta” provou tão bem, que o modelo foi encomendado às centenas pela força aérea americana.
Mas os responsáveis pela Boeing perceberam que o avião tinha potencial para muito mais, inclusivamente para revolucionar o transporte aéreo civil, e depressa iniciaram influências para obter a respectiva licença. Mas só em 1957 conseguiram autorização dos militares para construir a versão comercial.
De novo foi chamado ao serviço o velho “Traço Oitenta”, mas desta vez para desempenhar uma tarefa de paz: a de dar origem ao primeiro jacto americano para fins pacíficos que, simultaneamente, era o maior, mais confortável e mais rápido avião do mundo.
O Boeing 707 viria a tornar-se uma lenda. Não pelo seu tamanho, mas pela confiança que inspirou aos homens que o pilotaram. Durante mais de meio século realizou trabalhos extraordinários ao serviço do transporte aéreo comercial.
A certificar a excelência desse modelo, cabe aqui um caso que podia ter sido uma tragédia, não fora a competência duma tripulação excepcional. Mesmo assim, o desastre era quase certo se o avião que pilotavam não fosse um Boeing 707.
Corria o ano de 1992. Numa fria madrugada de Março, um B-707 com a matrícula nigeriana 5N-MAS descolava, completamente carregado, do Aeroporto Internacional do Luxemburgo.
A velha e fiel aeronave conhecera melhores dias. Trinta anos antes, novinho em folha, fora solenemente entregue pela fábrica ao seu orgulhoso proprietário, decano e pioneiro da aviação de transporte, agora, infelizmente, morto e enterrado, a Pan American Airways. Bastante mais tarde o aparelho foi vendido à Iran Air, a seguir pertenceu à Uganda Airways e à Dan Air´. Depois foi convertido em cargueiro e passou pelas mãos de várias companhias inglesas de carga aérea.
Naquele dia, o 5N-MAS ostentava as cores discretas de uma companhia quase anónima, e levava 40 toneladas de carga para Lagos, na Nigéria.
Ao atingir o nível de cruzeiro sobre os Alpes, os pilotos depararam com uma atmosfera rude e turbulenta, que fazia o avião sacudir como uma bailarina louca… De repente, duas explosões abafadas! Simultaneamente, todas as campainhas de alarme desataram a tocar aflitivamente, ao mesmo tempo que se acendiam várias luzes de aviso e o avião guinava violentamente para a direita.
Alguma coisa de grave tinha acontecido. Mas só depois de conseguirem dominar a máquina para um voo precário, mais ou menos estável, é que os pilotos descobriram a situação dramática em que se encontravam: dos quatro motores que o avião possuía, haviam desaparecido os dois da asa direita. No seu lugar, agora existiam dois enormes buracos. Havia fugas de hidráulico e de combustível no depósito interior da asa direita. Com a aeronave completamente carregada, os pilotos não poderiam manter o avião a voar durante muito tempo.
A situação era mais que dramática. Na aterragem não poderiam baixar normalmente, nem o trem nem os flaps. Não sabiam o estado da perna direita do trem, nem se os travões funcionavam.
O pior era a dificuldade em controlar o aparelho. Os dois motores que sobravam, na asa esquerda, em potência máxima, eram como duas mãos gigantes a empurrar o avião de lado, obrigando os pilotos a um esforço sobre-humano em cima do manche e dos pedais.
Era preciso encontrar imediatamente um aeroporto com uma pista bem comprida mas, com as guinadas, os pilotos já não sabiam a sua posição exacta. Aqui, a preciosa ajuda dos controladores aéreos encaminhou-os para onde podiam encontrar as condições mais favoráveis, a Base Aérea de Istres, perto de Marselha, que é a base de experiências de voo dos militares franceses.
Depois de muita luta, os pilotos lá conseguiram manobrar até uma posição em que avistaram a pista, bem à frente, a umas 10 milhas. Era tempo de começar o procedimento de baixar o trem que, pelo sistema manual de emergência, exige umas dezenas de voltas na respectiva manivela. Os flaps, cujo sistema de emergência utiliza motores eléctricos situados no interior das asas, viriam a seguir.
Quando chegou o momento de usar os flaps, os pilotos passaram pelo pior momento dos 25 minutos que durou toda aquela aventura. Uma faísca produzida nos respectivos motores eléctricos incendiou o combustível que vazava e fez explodir o respectivo tanque, arrancando grande parte do intradorso da asa direita.
Mesmo em chamas, os pilotos conseguiram uma aterragem decente. Tiveram de recorrer à travagem de emergência, que no B-707 funciona por intermédio de uma garrafa de ar a alta pressão e tem a desvantagem de bloquear as rodas, fazendo rebentar os pneus.
Só na parte final da aterragem é que os pilotos perderam o controle do avião, que guinou para um dos lados e saiu da pista, partindo o trem de aterragem. Acabou por parar assente sobre a “barriga”, incólume e com a carga intacta.
Este caso, de extrema competência duma tripulação e da mais cabal prova de excelência duma máquina voadora, nunca mereceu mais que algumas linhas publicadas em raros jornais da especialidade. Espantoso? Não…
Se em vez de carga, esse Boeing 707 levasse passageiros e se, de preferência, tivessem morrido alguns, este caso teria sido um dos maiores furos jornalísticos do século, e a tripulação guindada aos mais altos pináculos da fama.
Em vez disso, os dois pilotos e o mecânico de voo receberam a honrosa homenagem dos seus pares. Quando entraram na sala de operações da base de Istres, para pedir indulgência pelos estragos causados na pista, foram recebidos em sentido e continência pelos pilotos de experiência, que são aviadores de elite, e os homens mais qualificados para apreciar e julgar um feito aeronáutico magnífico.

Luis Vieira da Silva




Pequena história do 707

Uma série de versões comerciais foram construídas e uma avalanche de encomendas de companhias de todo o mundo assolou a Boeing, fomentada pela grande encomenda (20 aviões, no dia 13 de Outubro de 1955) da Pan American World Airwais, a mítica companhia Americana de Aviação fundada em 1927 e extinta a 4 de Dezembro de 1991.



A Pan Am inaugurou a operação 707 com o baptismo do 1º avião deste tipo no dia 17 de Outubro de 1958 no National Airport, com a presença do Presidente Eisenhower, seguido de um voo transatlântico para VIPs (convidados pessoais do fundador da Boeing Juan Trippe) do Friendship International Airport de Baltimore para Paris.

O primeiro voo comercial transoceânico deste avião, feito pela Pan Am, foi no dia 26 de Outubro de 1958 para Paris com um reabastecimento em Gander, Newfoundland e o primeiro voo transcontinental em 25 de Janeiro de 1959.

A Qantas Australiana foi a primeira companhia não Americana a usar 707s, em 1959.

O 707 tornou-se rapidamente no mais popular jetliner do seu tempo. A sua popularidade levou ao rápido desenvolvimento dos terminais nos aeroportos, do catering, do manuseamento da bagagem (deu origem ao handling) e outras importantes infra estruturas.

Levou também ao upgrading do Controle do Tráfego Aéreo e à coordenação obrigatória entre o tráfego aéreo civil e militar devido à intensa actividade militar aérea na Guerra Fria.

Este rápido crescimento da actividade aérea no transporte civil, paradoxalmente, levou à morte o 707.

Era demasiado pequeno para conter o exponencial aumento de passageiros que gerou nas rotas criadas para ele. E o aumento da fuselagem, maiores motores, trens de aterragem reforçados, tudo isto deixou de ser compatível com a estrutura do avião.

O Boeing 747 parecia inevitável…

A geração 707 tornou-se rapidamente obsoleta, nomeadamente na área do ruido e economia de combustível, especialmente com a crise do petróleo em 1973.

A Trans World Airlines, TWA, fez o ultimo voo de linha regular de uma companhia Americana num 707 no dia 30 de Outubro de 1983. (A TWA foi uma companhia fundada em 1925. Fez o último voo no dia 1 de Dezembro de 2001. Flight 220 de Kansas City, Missouri, para St. Louis num avião MD-80 (N948TW) com o CEO Captain William Compton aos comandos).


Desenvolvimento das versões do 707

O protótipo da versão comercial fez mais de 1000 horas durante 4 anos de testes enquanto os 1ºs 3 aviões de produção usados pela Civil Aeronautics Administration para certificação elevaram aquele total para mais de 1650 horas de voo em testes, auxiliados pelas versões militares do KC-135 que entrara em serviço em 1957.

A Boeing vendeu 1011 B707s nas várias versões e mais 800 modelos militares.

Embora certificadas como 100, 200, 300, etc., as versões ficaram conhecidas como 120, 220, 320, onde o “20” significa o número do cliente para o desenvolvimento do modelo.

A versão 707- 120

O 707-120, o 1º 707 comercial, fez o primeiro voo no dia 20 de Dezembro de 1957.

A certificação do FAA seguiu-se a 18 de Setembro de 1958.

Tinha uma cabina maior e outros melhoramentos em comparação com o protótipo. Tinha capacidade para 179 passageiros e estava destinado a voos transcontinentais com reabastecimento antes do destino final.

Era impulsionado por motores turbojet JT3C-6 com uma potência inicial de 13.000lb de impulso, cada um, com injecção de água.


Boeing_707-123 de 1959. Cockpit

Peso máx à descolagem 247.000lb.
As encomendas maiores foram as da Pan Am com a encomenda de lançamento de 20 aviões 707-121, seguida da American Air Lines de 30 aviões 707-123.

Boeing 707-138B da Qantas pertence agora ao actor John Travolta


A versão 720

Á medida que o 707-100 era introduzido e o 707-300 estava já a ser planeado, a Boeing decidiu desenvolver versões que permitissem aumentar a performance nomeadamente facilitando o uso de pistas mais curtas.
A designação passou de 707-020 para 717-020 e graça á United Airlines que o lançou, passou definitivamente para 720 (era cliente do Douglas DC-8 e não queria ver-se como compradora do concorrente Boeing 707)
Tinha uma estrutura muito mais leve, era mais curto, levava menos combustível permitindo uma melhor performance de descolagem e mais velocidade.

O avião entrou ao serviço no dia em eu que fiz 19 anos, 5 de Julho de 1960, com a United Airlines.
Foram construídos 65 aviões 720s
A única variante do 720 foi o 720B que usava motores Turbofan Pratt and Whitney JT3D que lhe aumentavam a performance da descolagem, subida e velocidade de cruzeiro.

Fez o 1º voo no dia 6 de Outubro de 1960.

A Boeing construiu um total de 89 aviões 720s
Era muito económico em operação e o favorito dos operadores, pilotos e passageiros.


Air Zimbabwe 707 num show


Mas com o muito rápido desenvolvimento da tecnologia este modelo foi logo ultrapassado pelo Boeing 727 que se tornou líder no médio curso.

A versão 707- 320

Foi, de longe, a versão de maior sucesso. Com diversas variantes.

                                     Aviões
Versão                      Vendidos

707-320             69
707-320B        174
707-320C        337
         Total:     580

A versão 707-320 Intercontinental, aumentada do 707-120, passou a usar motores turbojets JT4A-3 ou JT4A-5 com 15.800lb de impulso cada. Eventualmente foram usados motores JT4A-11 com 17.500lb de impulso

A cabina acomodava até 189 passageiros devido a uma extensão da fuselagem de 2m. O aumento da envergadura das asas implicou maiores depósitos de combustível com a extensão do alcance em 2.600km permitindo ao avião transformar-se num transoceânico verdadeiro.

O peso à descolagem aumentou de 137 Ton para 142 Ton devido a um mais potente motor turbofan JT4A e um tanque central de combustível

O primeiro voo realizou-se no dia 11 de Janeiro de 1958.

69 unidades foram ao todo entregues, sendo estreado pela Pan Am em Agosto de 1959.
Nenhuma variante -320 Intercontinental foi remotorizada com fan engines em uso civil.

A versão 707- 320B

Enquanto muitas das versões anteriores fossem conversões para motores JT3C, os 707-320B, equipados com motores turbofan Pratt & Whitney JT3D eram aviões completamente novos com uma estrutura mais forte um peso máximo à descolagem aumentado em 8.600kg (para 149 Ton) além de alguns pequenos mas importantes refinamentos aerodinâmicos nas asas, o que lhes permitia voos non-stop da Europa para os Estados Unidos e dos USA para o Japão.

Venderam-se 175 aviões desta versão. O primeiro entregue, como não podia deixar de ser, foi à Pan Am em Junho de 1962.

Os 707-320B produzidos depois de 1963 usavam as mesmas asas do -320C e eram conhecidos como 707-320B Advanced. A partir de 1965 os -320Bs passaram a ter o mesmo trem de aterragem do 320C permitindo um peso máximo à descolagem de 152Ton. Eram vulgarmente identificados como 707-320BA-H.




A versão 707- 420

Era idêntica ao -320 mas com motores Rolls-Royce Conway 508 turbofans (ou by-pass turbojets como a Rolls-Royce lhes chamava).

O 1º cliente foi a Lufthansa. A encomenda da BOAC ficou marcada por polémica com a negativa da British Air Registration Board em certificar o avião por critérios aerodinâmicos. As modificações introduzidas para a certificação passaram a ser aplicadas em todas as versões anteriores e futuras do 707.

37 -420s foram entregues.

A versão 707- 320C

A versão final do 707 foi a 707-320C, “C” de Convertible, versão de carga e passageiros, simultaneamente. A mais utilizada nos 707s.

Tinha um pavimento reforçado, uma grande porta de carga na fuselagem, 3 renovadas secções de leading edges flaps, melhorando as performances de descolagem e aterragem.

Duas saídas de emergência adicionais elevaram a capacidade do avião para 219 passageiros. Só uns quantos aviões foram entregues como cargueiros puros.

335 aviões desta versão foram construído.

Versões de uso militar

Boeing C-137 Stratoliner – Transporte VIP usado pela USAF e outras nações.


Boeing C-137 Stratoliner

Boeing E-3 Sentry – Um AWACS (airborne early warning and control) All-weather surveillance, command, control and communications, usado pela United States Air Force (USAF), NATO, Royal Air Force (RAF), French Air Force and Royal Saudi Air Force.

Reconhece-se pela antenna rotativa de radar sobre a fuselagem:



68 aviões foram vendidos.

Versão Air Force One

 “Air Force One” é o indicative radio do avião que transporta o Presidente dos Estados Unidos. Este “call sign” foi criado em 1953 após um incidente com o avião que transportava o President Dwight D. Eisenhower.

Naquele dia o voo 8610 da Eastern Airlines e o avião presidencial Air Force One 8610 tinham o mesmo cal sign e ambos entraram simultaneamente no mesmo espaço aéreo. Pouco saudável…

2 Boeings 707 Air Force One introduzidos em 1960 e em 1970, foram usados pelos Presidentes Americanos.


O Air Force One SAM 26000

Boeing 707 SAM 26000 foi usado pelos Presidentes Kennedy a Clinton
Boeing 707 SAM 27000 foi usado pelos Presidentes Nixon a George H. W. Bush.

Ver: Air Force One



O fim

A produção civil do 707 terminou em 1978.
As versões militares E-3 e E-6 estenderam a produção até 1991
Traços do 707 existem na fuselagem do 737, 727 e 757.




O 707 e a TAP

O CS-TBA “Santa Cruz”, primeiro Boeing 707 da TAP, foi recebido em Seattle no dia 17 de Dezembro de 1965.

O voo de entrega realizou-se no dia seguinte. Um voo directo de Seattle, no Oceano Pacífico, até Lisboa, mas que afinal, devido ao nevoeiro acabou no Porto.
A tripulação era constituída pelos Comandantes Silva Soares e Marcelino, Mecânico de voo Coragem e Navegador Maia Loureiro.


Baptismo do 1º Boeing 707 da TAP

O voo de linha inaugural fez-se 4 dias depois, 22 de Dezembro de 1965, de Lisboa para Luanda com o Presidente da Companhia a bordo, Engenheiro Vaz Pinto.

A TAP adquiriu à Boeing mais cinco aviões e comprou outros 7 em segunda mão.
Operou as Versões 707-382C, -399C, 373C e -3F5C, dependendo a designação do operador inicial do avião.



O 707 voou na TAP 23 anos (desde 22 de Dezembro de1965 até 15 de Agosto de 1988) tendo transportado mais de 16 milhões de passageiros


LISTA DOS Boeing 707 da TAP

Avião        Baptizado como            Modelo                     Operou até                 Notas
CS-TBA    Santa Cruz                   -382B (s/n: 18961)    Maio de 1987   
CS-TBB    Santa Maria                 -382B (s/n: 18962)    Outubro de 1987   
CS-TBC    Cidade de Luanda        -382B (s/n: 19740)    Fevereiro de 1989   
CS-TBD    Lourenço Marques      -382B (s/n: 19969)    Novembro de 1986    Avião do Mobutu
CS-TBE    Pedro Alvares Cabral   -382B (s/n: 20136)    Junho de 1983   
CS-TBF    Vasco da Gama            -382B (s/n: 20297)    Novembro de 1983    Acabou como US
                                                                                                                            Air Force Two
CS-TBG    Fernão de Magalhães   -382B (s/n: 20298)    1988   
CS-TBH    Pedro Nunes                 -399C (s/n: 19415)    Novembro de 1983   
CS-TBI     D. João de Castro          -399C (s/n: 19767)    1984                          Cargueiro
CS-TBJ     Lisboa                           -373CB (s/n: 19415)  1987                           Cargueiro
CS-TBT    Humberto Delgado      -3F5C (s/n: 20514)    1988                            ex CS-DGI
CS-TBU    Jaime Cortesão            -3F5C (s/n: 20515)    1989                            ex CS-DGJ


Para uma leitura aprofundada, com muitas fotografias, da existência do 707 na TAP, consultar a pag do Facebook “Os Boeing 707 na TAP” do “VOA PORTUGAL - O Portal da Aviação Portuguesa” em:

Os Boeing 707 na TAP

E também o Portal da Aviação Portuguesa em:

Voa Portugal




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Esta breve histótria do Boeing 707 que aqui vos deixo, foi escrita com muitas ajudas.
As fotografias estão normalmente identificadas com o nome do autor e origem.

Os sítios aonde fui colher informação estão na lista abaixo.

Aos seus autores os meus agradecimentos.

Sem eles não conseguia o meu objectivo que é só o de divulgar uma breve história dos aviões em que voei al longo das minhas carreiras militar e civil.



Lista de alguns sítios por onde naveguei


    http://collectingtap.blogspot.pt/2011/10/boeing-707-tap-memories.html   
    http://restosdecoleccao.blogspot.pt/p/ranking-de-posts.html   
    http://en.wikipedia.org/wiki/TAP_Portugal   
    http://www.sr692.com/qualiflyer/tap/fleet/index.html   
    http://www.sr692.com/qualiflyer/tap/fleet/   
    http://www.airliners.net/aircraft-data/stats.main?id=87   
    http://www.boeing.com/boeing/commercial/707family/product.page   
    http://www.boeing.com/boeing/commercial/707family/   
    http://en.wikipedia.org/wiki/Boeing_707   
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Boeing_707   
    http://www.aviation-history.com/   
    http://en.wikipedia.org/wiki/Air_Atlantis   
    http://www.airliners.net/search/photo.search?airlinesearch=Air%20Atlantis&distinct_entry=true   
    http://en.wikipedia.org/wiki/Trans_World_Airlines   
    http://en.wikipedia.org/wiki/Pan_American_World_Airways   
    http://www.voaportugal.org/index.php?option=com_content&task=view&id=179&Itemid=238














quarta-feira, 19 de junho de 2019

LINHA AÉREA e outros voos - Os nossos R A I D S







Os mais marcantes voos que ligaram Portugal Continental
ao resto do nosso vasto Império e ao Brasil


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Primeiro raid aéreo Lisboa-Funchal


1921 22 de Março - Num Hidroavião Felixtowe F3



      Momento da amaragem do Felixtowe no Funchal. A pilotar vinha Ortins Bettencourt





       Chegada ao Funchal. Da esquerda para a direita: Gago Coutinho, Sacadura Cabral e Ortins Bettencourt


















Foi um voo que serviu para testar o uso do sextante com horizonte artificial e corrector de rumos, invenção do Almirante Gago Coutinho, como preparativo para a grande travessia do Atlântico Sul no ano seguinte















Raid Aéreo Lisboa-Funchal
foi protagonizado pelos 
seguintes oficiais da Marinha,
da esquerda para a direita:




Capitão Tenente Aviador
Arthur Sacadura Freire Cabral
Mecanico
Roger Soubiran,
Primero Tenente Aviador
Manoel Ortins Tôrres Bettencourt
Capitão de Mar e Guerra
Carlos Viegas Gago Coutinho




As características da Ria de Aveiro, com as suas águas calmas por oposição à agitação do rio Tejo, levou Sacadura Cabral e Gago Coutinho a fazerem ali os treinos de descolagem e amaragem para a viagem aérea Lisboa – Funchal.

S. Jacinto era o único posto onde existiam hangares para recolha dos 3 hidroaviões adquiridos na Grã-Bretanha para o efeito, e gruas que os içassem para terra.


Partiram para a Madeira da  Doca do Bom Sucesso ás 10h30.m, chegaram ao Funchal ás 18h04.m





1ª Travessia do Atlântico Sul


1922 – 30 de Março - Foi a primeira da História da Aviação Mundial


A descolagem do "Lusitânea"     









Serviu para confirmar os resultados do uso do sextante modificado, inventado por Gago Coutinho e para validar as observações em voo para a Navegação Aérea Astronómica em longas distâncias ou sobre o mar.














Hidroavião "Lusitânia" na Doca do Bom Sucesso em 30 de março de 1922, antes da partida para a travessia aérea do Atlântico Sul.
Revista da Armada, N.º 196 / Fevereiro 1988.




Pormenores do voo:

30 de Março - Descolagem junto à Doca do Bom Sucesso e da Torre de Belém no Fairey III D "Lusitânea" Nº15.

Escalas em Las Palmas/Gando/S. Vicente/S. Tiago/Arquipélago de São Pedro e São Paulo/Fernando de Noronha/Recife/Baía/Porto Seguro e Vitória

17 de Junho - Chegada ao Rio de Janeiro

8.088km voados em 60h 14m.
133km/h de velocidade média.




     O Fairey "Santa Cruz" no Museu do Ar


Por causa de uma amaragem em mar muito agitado com perda de um flutuador e outra amaragem forçada por falha de motor e consequente acidente na amaragem (e resgate dos tripulantes 9 horas depois em mar revolto) o voo só foi completado com 3 Faireys diferentes: 

- Lusitânea
- Pátria e
- Santa Cruz



(Brevemente neste Blogue a História desenvolvida
desta Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul)






Viagem Aérea a Macau



1924 - 
7 de Abril  - 1º Raid a partir da Escola de Vila Nova da Rainha.





Pilotos Sarmento de Beires e Brito Pais. Mecanico Manuel Gouveia


A partida deu-se do Campo dos Coitos, junto a Vila Nova de Milfontes no avião Breguet 16 Bn2, "Pátria"




O Breguet 16 Bn2, "Pátria" aqui na descolagem da pista de Bac-Mai, Hanoi



O plano de voo comportava as escalas de Málaga, Tripoli, Cairo, Bagdad, Karachi, Lahore, Calcutá, Bangkok, Hanói e finalmente Macau ,onde acabaram por não poder aterrar devido a condições meteorológicas muito adversas.

Tiveram de fazer uma aterragem forçada em Shum-Chum na China no dia 20 de Junho. Última etapa do raid.






















Sarmento de Beires e Brito Pais junto ao aeroplano Pátria na Índia


Chegaram finalmente a Macau mas... de barco.

Fizeram 16.760km em 110h 13m de voo a uma média de 151,7km/h


































No regresso a casa tiveram, como acontecia sempre após cada raid, uma recepção entusiástica na Praça do Comércio











1ª ligação aérea Lisboa-Bolama


1925 – 27 de Março - 2º raid da Amadora, no Breguet 14 A2 “Stª Filomena”.


A mulher do Tenente Sérgio da Silva (Mãe do Comandante da TAP Filomeno Sergio da Silvadevota da santa, pediu-lhe para baptizar o avião com este nome para dar sorte.




Ten Sérgio da Silva    Capt Pinheiro Correia    Sarg Manuel António




O avião, na fuselagem, em vez da tradicional Cruz de Cristo tinha pintada a Cruz dos Templários, a de Ourique, com a insígnia "In Hoc Signo Vincis" (Com Este Sinal Vencerás)


Cruz de Cristo estava pintada nas asas
























O início do Raid foi realmente no dia 7 de Março.
Mas devido a um nevoeiro cerrado logo no início do voo, foram obrigados a uma aterragem de emergência na Quarteira que acabou num pilão e com uma asa partida





Depois de nova partida 20 dias depois, o raide decorreu bem em 7 etapas:

Amadora – Casablanca / Casablanca – Agadir / Agadir – Cabo Juby / Cabo Juby – Vila Cisneros / Vila Cisneros – S. Luís do Senegal / S. Luís do Senegal – Dakar e, finalmente, Dakar – Bolama, onde chegaram no dia 2 de Abril:







     Vista aérea de Bolama tirada do avião antes de aterrar.









Primeira travessia aérea nocturna do Atlântico Sul



1927 7 de Março Tentativa da primeira volta ao Mundo que acabou por ser a primeira travessia aérea nocturna do Atlântico Sul, por Sarmento de Beires, a voar o Argos.











O Argos era um hidroavião Dornier Do J (Wal), metálico, com dois motores push/pull Lorraine-Dietrich de 450 cv equipados com hélices Dornier de quatro pás.




Ensaio do Argos no Tejo      



     A testar o uso da vela em caso de emergência












A equipe era composta (da esq. p a dta) por Capitão Jorge de Castilho (navegador) Major Sarmento de Beires e Capitão Duvalle Portugal (pilotos),  e Alferes Manuel Gouve(mecânico). 






Argos descolou do rio Tejo junto ao Parque de Material Aeronáutico de Alverca para uma viagem á volta do Mundo.

Esta viagem á volta do Mundo era um projecto inicial de Sacadura Cabral retomado em 1926 pelo Major Sarmento de Beires e pelo Comandante José Cabral.

Na Guiné, em Bubaque no Arquipélago dos Bijagós, Sarmento de Beires apercebe-se que o avião não tinha afinal as características necessárias para a volta ao Mundo.

Pedem autorização superior para prosseguirem só até ao Brasil, mas sem Duvalle Portugal que se ofereceu para desistir de os acompanhar para aliviar a carga do avião.

No dia 16 de Março, ás 18h08m descolam de Bolama em direcção a Fernando de Noronha onde amaram no dia seguinte ás 12h20m do dia seguinte.

Foi um percurso de 2595 km, realizado em 18h11m, tendo sido a primeira vez, que avião passou uma noite inteira voando sobre o marsem ter para se orientar outro recurso além dos processos astronómicos, que se mostraram ser absolutamente praticáveis e dignos de confiança.


     O Argos em Belém do Pará


No regresso a Alverca pelo Atlântico Norte, devido ás condições meteorológicas entre Belém do Pará e as Guianas, sofrem um acidente e amaram na passagem do Cabo Norte. O hidroavião ficou com danos irreparáveis num flutuador. A tripulação foi salva ao fim de 6 horas em alto mar por um barco de pesca que os deixou em Montenegro, no Norte do Brasil. Voltaram a Lisboa no navio Hildbrand. Chegaram a 27 de Junho.

Comportamento do Argos em voo:

Velocidade máxima 185 km/h (99,8 kn)
Velocidade de cruzeiro 145 km/h (78,2 kn)
Alcance (MTOW) 800 km (497 mi)
Teto máximo 3 500 m (11 500 ft)

Razão de subida 1,5 m/s



Numa escala na ilha presídio brasileira de Fernando de Noronha, foram recebidos pelo director do presídio na ilha, que exclamou:

"Não sabíamos de nada! Mais a mais, os aviões não costumam chegar, pelo ar, a Fernando de Noronha."







Primeira viagem aérea à Guiné,
S. Tomé, Angola e Moçambique.





1928 5 de Setembro - 3º Raid - Primeira viagem aérea efectuada às colónias portuguesas da Guiné, S. Tomé, Angola e Moçambique.



Partiram da Amadora a 5 de Setembro em dois aviões Vickers Valparaíso com os Nºs 1 e 2 pintados na fuselagem 














Escalaram a Guiné, S. Tomé e Angola.

Chegaram a Moçambique, ao Zumbo, no dia 16 de Outubro,
após 51 dias com aterragens em mais de 15 localidades.







O voo prosseguiu por Tete, Beira a 19 de Outubro, Quelimane, Beira de novo, Inhambane e finalmente Lourenço Marques no dia 26 de Outubro.

Acabaram por efectuar o primeiro correio aéreo em Moçambique entregando cartas e postais em Inhambane e na capital.

No Buzi, tão afectado em Março de 2019 pelo ciclone Idai, por falta de uma pista, lançaram borda fora a mala postal...









     Aviões utilizados: dois Vickers Napier Valparaiso



Tripulantes:













Avião 1 - Capt Celestino Pais de Ramos, piloto e comandante da expedição



                     Ten João Maria Esteves Navegador/observador (não tenho fotos)


















Avião 2 - Capt António Oliveira Viegas, piloto e...















1º Sarg Manuel António, Mecanico.
Já tinha participado no Raid a Bolama.




Em S. Tomé      












Voaram 17.357km, aterraram em 15 Aeródromos, fizeram 94h51m de voo em 51 dias à média de 206 km/h




A tripulação foi a Paris receber o Troféu da Liga Internacional dos Aviadores.





O Aeroporto da Beira passou mais tarde a chamar-se "Aeroporto Pais Ramos"

Regressam à Metrópole (Continente) no navio “Niassa” tendo desembarcado em Lisboa, no dia 15 de Dezembro. No dia 4 de Janeiro de 1929chegou a Lisboa o Capitão Viegas. a bordo paquete alemão “Usubara”.

Celestino Pais de Ramos, nasceu em Abrantes, na Rua Marquês de Pombal, freguesia de S. Vicente de Abrantes, no dia 21 de Junho de 1895.



Num dia de 1926Pais de Ramos fez uma inesperada aterragem na terra da sua Mãe, a Vila do Cano:






Aterrou nem mais nem menos do que no meio da vila, no Largo do Rossio, como a foto documenta.

A foto (colhida em canoonline.blogs.sapo.ptfoi "cedida ao canoonline pelo saudoso António Rovisco".

Obrigado Canoonline pela foto.

Em 1940 Celestino Pais de Ramos, agora Major, morreu prematuramente no Hospital da Ordem Terceira de S. Francisco.

Pais de Ramos recebeu as seguintes condecorações:
Ordem Militar da Torre de Espada, Medalha da Vitória da Campanha do Exército Português em França, 1ª Classe de Mérito de Espanha, concedida por D. Afonso XIII, Medalha de Ouro de Bons Serviços de Prata de Comportamento Exemplar e Cruz de Bronze da Cruz Vermelha. Era Oficial das Ordens de Avis e de Cristo.




Raid a Goa


1930 1 de Novembro 

Tenente Sarmento Pimentel tendo como navegador o Capitão Manuel Moreira Cardoso, partiu a 1 de Novembro de 1930 da Amadora, localidade onde se situava o campo de instrução da Aeronáutica Militar Portuguesa, rumo a Goa.





















Sarmento Pimentel recebeu o brevet em Julho de 1928.
























Manuel Moreira Cardoso em Março de 1926




O avião utilizado no raid a Goa foi um monomotor De Havilland Puss Moth, de 120 cavalos, que Sarmento Pimentel fora comprar a Londrescom o seu dinheiro, pelo custo de 84 contos.







O avião De Havilland DH-80 Puss Moth é um monomotor de asa alta, com dois lugares lado a lado e duplo comando, construído entre 1929 e 1933 pela empresa britânica de Havilland. (Wikip)


Chegaram a Goa a 19 de Novembro depois de terem atravessado o sul da Europa, o Egipto e o Médio Oriente num percurso com 11 800 km de extensão.

A viagem terminou no campo de aviação de Mormugão a 19 de Novembro de 1930.

Pelo feito, Manuel Moreira Cardoso foi condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada.

A viagem foi homologada internacionalmente como o recorde de distância até então percorrida num só avião, tendo Francisco Sarmento Pimentel recebido a correspondente placa da Liga Internacional dos Aviadores. Contudo, sendo já então um reconhecido opositor ao regime da Ditadura Nacional saído do Golpe de 28 de Maio de 1926, a façanha não teve em Portugal grande divulgação oficial. Ainda assim, receberia por esta altura duas condecorações.

A adesão de Sarmento Pimentel à oposição ao Estado Novo levou a que fosse compulsivamente reformado no posto de tenente-aviador e em 1936 desterrado sob prisão para o Castelo de São João Baptista do Monte Brasil, na ilha Terceira, Açores. Aí solicitou autorização para se exilar no Brasil, onde se fixou na cidade de São Paulo. Foi figura de destaque entre a comunidade portuguesa radicada naquela cidade.



Voo a solo à Índia Portuguesa


1934 – 19 de Fevereiro – Carlos Eduardo Bleck inicia um dos vôos solitários mais longos, complexos e importantes da década de 30.






















Carlos Eduardo Bleck nasceu no Dafundo a 23 de Maio de 1903 – Morreu em 1975.
Foi o primeiro aviador civil português.




1922 - Voou pela primeira vez, aos dezanove anos de idade, no Grupo de Esquadrilhas de Aviação da República

1925 - Recebe o primeiro brevet português de aviação civil, tirado na Escola de Aviação Militar em Sintra. O instrutor de Carlos Bleck foi o Tenente António Dias Leite, um dos impulsionadores da sua carreira aeronáutica.

1927 - Neste ano fez a sua primeira viagem (Londres-Tancos-Lisboa) a pilotar o seu Moth-Cirrus DH60X de 90 cavalos acabado de comprar (depois de frequentar em Inglaterra um curso de aperfeiçoamento). Baptizou-o com o nome de “Portugal”.



Aqui em Alverca




1928 - Primeira tentativa de chegar a solo a Goa no seu DH60X Cirrus, “Portugal”.

Foi obrigado a desistir a meio da viagem devido a uma aterragem imprevista com perda do avião, na Palestina.

1928 - Nesse mesmo ano tentou fazer a travessia do Atlântico Norte mas não obteve os apoios necessários.

1929 - Fez nova tentativa e voltou a não conseguir.

1930/31 - Fez a ligação aérea Lisboa-Luanda-Lisboa, juntamente com o Tenente piloto Humberto Amaral da Cruz, outra figura grande da História da Aviação em Portugal, num “Havilland Moth”, baptizado com o nome “Jorge Castilho”

Chegaram a Bolama a 3 de Janeiro de 1931, mas antes ainda sobrevoaram a esquadrilha de onze hidroaviões Savoia Marchetti SM55x de Italo Balbo que ali estava fundeada a aguardar a partida para o Rio de Janeiro.




Humberto Amaral da Cruz com um capacete e Carlos Bleck em Bolama

Os aviadores portugueses viriam a ser recebidos nessa tarde a bordo do navio chefe da esquadra que dava apoio aos hidroaviões italianos onde tomaram uma taça de champanhe. 

À noite, no Palácio do Governador, António Leite de Magalhães, Cruz e Bleck jantaram com Italo Balbo que os convidou a assistirem à partida da sua esquadrilha que teria lugar no dia 6 de Janeiro por volta da 01h30m. Isso implicava a perda de um dia na viagem rumo a Angola, mas aquela era uma oportunidade que os portugueses não podiam perder e assim aconteceu.

(Veja aqui a razão da estadia da Esquadrilha de Italo Balbo em Bolama naquela altura.)




Um dos Savoia-Marchetti SM55X em Bolama





















A permanência em Bolama acabou por ser mais longa que o esperado devido à necessidade de fazer manutenção ao motor Gipsy do DH60G.

Descolam de Bolama no dia 17 para Ponta Negra, no Zaire


No dia 18 de Janeiro de 1931 Carlos Bleck e Humberto Amaral da Cruz descolaram manhã cedo de Ponta Negra.





 Foto em Luanda de Jaime de Morais.
 Pertence ao acervo da Fundação Mário Soares









Passaram Ambriz e Ambrizete e pouco depois sobrevoaram a baía do Bengo em direcção ao campo de aviação de Luanda. Apesar deste não ter qualquer sinalização - era apenas um campo mais ou menos plano sem obstáculos visíveis - lá conseguiram aterrar em segurança.





1931 - Ainda nesse ano fez parte da direcção do Aero Clube de Portugal que fundou a primeira escola de aviação civil portuguesa.


- Finalmente o voo a Goa...



















Descolou da Granja do Marquês ás 7 horas da manhã do dia 19 de Fevereiro de 1934.




Aterra em Oran 7 horas depois no aeródromo de “La Sénia”.

No dia 20 Argel, Tunis, a 21 o aeródromo militar italiano de “El Mellah” e a 22, lTripoli a Benghazi.

No dia 24, descolou de Benghazi, aterrou em Mersa Matruh, Aterrou ainda em El Amyra, a poucos quilómetros de Alexandria. No dia seguinte aterra em Alexandria e nesse mesmo dia deixou Alexandria rumo a Gaza. e cruzou o Canal do Suez.

A 26, descolou para Bagdade. Uma hora depois, aterrou em Amã numa base da RAF, onde os pilotos ingleses lhe fizeram uma recepção especial e forneceram a Carlos Bleck todos os pormenores importantes.

Voltou a descolar e aterrou em Rutbah. Após o abastecimento rumou a Bagdad.

No dia 27, descolou de Bagdad e aterra de emergência no aeródromo de Shaibah em Basra.

No dia 28 às 6 horas da manhã, já estava de novo no ar, aterrou em Lingeh, num pequeno campo de recurso num palmar.

No dia 1 de Março, Bleck deixou a pequena aldeia e três horas depois aterrou em Djask na Pérsia

No dia 2 de Março sob um calor escaldante, deixou a Pérsia e 6 horas depois aterrou em Carachi.




No dia 4 de Março, deixou Carachi rumo a Diu onde o CS-AAI aterrou pouco depois do meio-dia.




É recebido por uma multidão entusiasmada e pelo Governador Feyo Folque, de uniforme branco.



No dia 5 de Março o sonho tornou-se realidade...


Bleck deixou Diu às 8h30 da manhã, sobrevoou Damão, escalou Bombaim e rumou a Goa onde aterrou no Campo “Vasco da Gama”, em Mormugão.


"O momento em que tive a honra de sentir as rodas do avião por mim pilotado beijarem o planalto de Vasco da Gama, em Mormugão, foi o mais emotivo da minha vida de aviador”.



afirmou numa entrevista a Vasco Callixto em 1957 para o livro "Fala a Velha Guarda"



Em 1935, na tentativa de bater o recorde aéreo Europa-América do SulCarlos Bleck, acompanhado por Costa Macedovoltou a não ter a sorte.

Na descolagem da pista da Granja do Marquês o avião, o De Havilland DH88 Comet "Salazar", sofre sérios danos no trem de aterragem e a missão é abortada...



O De Havilland DH88 Comet "Salazar"




Não voltou a pilotar, “tal o desgosto de que fiquei possuído”.
























Mais tarde tornou-se fundador da Companhia de Transportes Aéreos e integrou o Conselho Administrativo da TAP (Transportes Aéreos Portugueses).





A aviação comercial preencheu o resto da vida de Carlos Bleck.



Faleceu em Lisboa no dia 2 de Dezembro de 1975






Primeira viagem aérea entre Lisboa e Dili



1934 25 de Outubro - Tenente piloto aviador Humberto da Cruz e o Sargento mecânico António Lobato, (escolhido como companheiro de viagem por Humberto Cruz, devido à sua competência, carácter alegre, correcção, aprumo e camaradagem)  descolaram de manhã cedo da Amadora, num pequeno mono-motor vermelho com a Cruz de Cristo pintada nas asas, o nº30 na fuselagem e a frase “Com Deus pela Pátria” pintada na cobertura frontal do motor, para a primeira viagem aérea entre Lisboa e Díli.







Humberto da Cruz e António Lobato, na véspera da partida



A ideia e o projecto da viagem foram do próprio Humberto da Cruz:

Com a ajuda de uma subscrição pública lançada pelo jornal “O Século”, um subsídio do Governo e o apoio de algumas entidades privadas, Humberto da Cruz, comprou em Inglaterra um avião “De Havilland DH-85 Leopard-Moth”.

Um monoplano com cabine fechada, com um motor “Gipsy-Major” de 130cv que foi pilotado pelo próprio desde a fábrica inglesa até à Amadora.

O avião, foi equipado com depósitos suplementares de gasolina e óleo que lhe aumentaram a autonomia de 6 para 9 horas de voo.


É sem dúvida um dos maiores feitos da aviação portuguesa num pequeno avião relativamente frágil!




Foi a mais longa viagem até então feita, sobrevoando três continentes com 50 aterragens, num evento custeado pelos portugueses e que teve o "patrocínio moral" do jornal O Século.



O voo de ida, feito em 14 dias, atravessou o norte de África, com escalas em Argel, Tripoli, Bengasi e Tobruk, na Líbia, continuando pelo Médio Oriente em Gaza e Bassorá, no Iraque.

A aventura prossegue pela Ásia em direcção ao atual Paquistão (que ainda não era um país independente) e à India, com escalas em Jask, Karachi e Allahabad.

No sudeste asiático fizeram escala em Akyab, Banguecoque, Prachuab, Singapura, Surabaia e Rambang.

A chegada a Timor, a Dili, foi no dia 7 de Novembro

O avião foi baptizado, já em Timor-Leste, com o nome "Dilly".

O Governador ofereceu 20 contos para a continuação da missão e deu ao local onde o avião aterrou o nome de Aeródromo Humberto da Cruz.




O "Dilly" numa aguarela de Mário Costa





No regresso, com descolagem de Díli a 13 de Novembro, fizeram escala ainda em Timor-Leste em Bobonaro, Lautem e novamente Díli antes de regressar a Portugal, por outra rota de mais 14 dias com paragens em Surabaia, Batávia, Singapura, Taiping, Hanói e Macau, onde aterram na Areia Preta a 18 de Novembro.




Macau - Foto tirada a bordo do "Dilly"





















O "Dilly" foi a primeira aeronave a aterrar em Macau considerando que o "Pátria II" em 1924 foi incapaz de aterrar em Macau devido ao mau tempo.

No dia seguinte voam para Taipa, Coloane, Hong Kong, Hanói, Banguecoque, Akyab, Calcutá, Allahabad e Goa, onde aterram a 01 de Dezembro.



Seguem-se paragens em Bombaim, Diu, Karachi, Jask, Ziarat, Bushire, Brasa, Bagdad, Cairo, Bengazi, Tripoli, Tunis e Oran, com a chegada à Amadora a 21 de Dezembro.



Chegada dos aviadores à Amadora



Recepção aos aviadores no Rossio














De salientar também o terem "inaugurado" o correio postal aéreo entre Macau e Lisboa trazendo várias cartas e postais.













Tenente Humberto da Cruz, natural de Coimbra, recebeu por este feito a segunda condecoração da Torre e Espada como piloto excecional. Era piloto da então Aviação Militar desde 1928. A sua primeira viagem de destaque foi a que realizou entre 30 de dezembro de 1930 e 21 de fevereiro do ano seguinte na rota Lisboa-Guiné-Angola-Lisboa.























Sargento mecânico António Lobato, natural de Lisboa, foi mecânico do capitão Plácido de Abreu, acompanhando esse ás da acrobacia em viagens aos Estados Unidos.






Humberto da Cruz, segundo registos existentes definiu um conjunto de regras para Lobato durante o voo a Timor (com óbvio sentido de humor) a começar por:


"não ser preguiçoso e levantar-se à alvorada às 04:30 da madrugada" e até:

"não ultrapassar o tempo de 15 minutos para tomar ar em frente ao hotel"…



O Sargento Lobato, muito acarinhado pelo povo português morreria num acidente no dia 6 de Junho de 1935, durante o II Rally Aéreo de Portugal.

Acompanhando o Tenente piloto Tovar de Faro descolaram de Viseu e quando tentavam aterrar no campo de aviação da Muna, em Viseu, por volta das 10h30, o avião capotou, acabando o Sargento Lobato por falecer com múltiplos traumatismos.


"Morreu o Lobato!". Foi a mensagem que ecoou…


Mais tarde, em data não especificada, o «Dilly» foi oferecido ao governo da Guiné, recebendo a matrícula civil CR-GAA, o que leva a deduzir que foi a primeira matrícula civil atribuída naquele território ultramarino.



Acabou destruído num acidente no aeródromo de Bolama, ardendo completamente...







Humberto da Cruz descreve a viagem no seu livro «A viagem do "Dilly : Lisboa, Timor, Macau, Índia, Lisboa, 25 de Outubro 1934, 21 de Dezembro 1934»,



Como curiosidade, eis a origem de haver ainda o nome de algumas terras pintado num grande telhado.

Um trecho do livro de Humberto da Cruz:

<<Uma povoação que vimos minutos depois e o seu campo de recurso diziam-nos tudo: “Medenine”. Sabia, já onde estava e tomei o rumo da costa. Francamente, este “Medenine”, escrito no terreno, e que de tanto nos serviu, fez-me lembrar a pouca ou nenhuma atenção que mereceu o pedido feito pela inspecção da nossa Aeronáutica para que, em todas as terras do País, escrevessem, no maior telhado, o seu nome. Só os aviadores sabem quanto isso lhes vale em certas condições de voo com mau tempo>>.

A falta que o GPS nos fazia…

Eu mesmo, em alguns voos, ainda tive esse problema da falta de identificação do local, em mau tempo.




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Esta história é a 4ª e última parte sobre a

"História Ilustrada dos  Portugueses que conquistaram os céus".



Para ler as outras partes siga as ligações abaixo:


 Parte – De João Torto (o nosso Ícaro de Viseu) passando pela aerostação, os pombais os primeiros voos "mais pesado que o ar" em Portugal, até 1914 com a criação das “Tropas Aeronáuticas”. Para ler aqui

 Parte A nossa Aeronáutica do Exércitode 1914 até 1952, data da fusão das Aviações Militares 
criação da Força Aérea PortuguesaPara ler aqui

 Parte – A nossa Aeronáutica Naval, de 1917 até à sua extinção em 1952. Para ler aqui



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A lista dos créditos para a elaboração desta história estão na 1ª Parte em:

"História Ilustrada dos  Portugueses que conquistaram os céus"



Actualizada em 25 de Junho de 2019