segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Outras Navegações - Yacht Amélia - O lado B de El Rei D. Carlos

 Logo "Yacht Amélia" desenhado por El Rei D. Carlos. Montagem minha        














D. Carlos é reconhecido como
o fundador da Oceanografia Portuguesa.




«O monarca sábio»
 como lhe chamou o Príncipe do Mónaco.







D. Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael
Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão
de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha
 



Foi um dos pioneiros a nível mundial.




Aguarela desenho do Rei D. Carlos - 1885      

Apaixonado pelo mar, levou a cabo 12 campanhas oceanográficas entre 1889 e 1908, ano do regicídio.

O naturalista Alberto Alexandre Artur Girard, falecido em 1914, conservador do Museu de História Natural da Escola Politécnica foi quem lhe serviu de mestre na orientação científica de tão relevante projecto.

O interesse maior de El Rei era o conhecimento detalhado da fauna marítima da costa portuguesa, orientado para a vertente económica das nossas pescas.





El Rei D. Carlos era um homem sensível, humano, muito inteligente mas também artista. Pintor de talento deixou-nos inúmeras aguarelas.






















Ilustrou primorosamente um catálogo das aves de Portugal.


Assina como Carlos de Bragança







Aguarela do Rei D. Carlos de um peixe capturado em Sesimbra -1904    


Diversos estudos nas nossas águas anteriormente feitos por cientistas estrangeiros e a sua admiração e amizade para com o Príncipe Alberto de Mónaco, um dos maiores oceanógrafos de então, levaram-no a ir mais longe e a abrir Portugal à sua própria Oceanografia começando ele mesmo por estudar as correntes marítimas e a topografia da baia de Cascais em Agosto de 1896.

Segundo o próprio Rei, "em 1 de Setembro de 1896 tivemos o prazer de começar o primeiro cruzeiro oceanográfico nacional nos mares de Portugal"





Todo aquele acervo científico estudado e recolhido nas 12 campanhas oceanográficas, colocaram Portugal na vanguarda daquela ciência. Poucos países então se dedicavam a estes estudos.

Foram várias as exposições nacionais e internacionais promovidas para divulgação do precioso conhecimento adquirido.

Para levar a cabo todas aquelas missões em alto mar El Rei D. Carlos equipou-se com embarcações que espelhavam o contínuo desenvolvimento e progresso das suas investigações.

Com uma característica comum.






















Todos os seus barcos se chamaram “Amélia” em homenagem à Rainha D. Amélia de Orleães, sua mulher.







O "Yacht Amélia I" protagonista da primeira expedição científica foi utilizado pela primeira vez em 1896.











Era um Yacht de casco de ferro com 117 toneladas de deslocamento e 35m de comprimento e três mastros, desenhado pelo próprio Rei, para trabalhos costeiros.

Estava apetrechado com três embarcações pequenas e alguns apetrechos de investigação.





Aguarela de El Rei D. Carlos










 Tinha o senão de baloiçar imenso mesmo com mar bonançoso. Além disso era desprovido de laboratório o que no entanto rapidamente se veio a tornar imprescindível desde as primeiras excursões nas nossas costas.







Baia de Cascais 1885 - Aguarela de El Rei D. Carlos                   



D. Carlos viu-se obrigado a trocá-lo já em 1897.


Aguarela de El Rei D. Carlos







Originalmente baptizado “Geraldine” o Amélia II, principalmente destinado à oceanografia, estava equipado com quatro pequenas embarcações, uma das quais a vapor para além de vários instrumentos adequados à recolha preparação e conservação de peixes e outras espécies marítimas.


O Amélia II permitia também alojar diversos investigadores.


Para exposição permanente das suas investigações, D. Carlos inaugura em 1898 o Aquário Vasco da Gama e promoveu exposições no Rio de Janeiro e em Milão, bastante admiradas pela comunidade científica mundial.

No entanto em 1899 D. Carlos ainda não satisfeito e com o avançar dos progressos nas suas investigações decide substituí-lo.



Compra o Yacht “Yacona” e rebaptiza-o como Amélia III.










Com dois mastros, tinha 55m de comprimento, equipamento científico específico para a oceanografia e um laboratório.



Mas não era ainda o ideal.

Ainda não era o seu navio oceanográfico.



Razão pela qual El Rei D. Carlos o trocou em 1901 pelo quarto Yacht Amélia.



O Amélia IV. O último que viria a utilizar, até 1907.




Era um navio a vapor com 70 metros de comprimento.

Foi adquirido como Yacht real, navio oceanográfico e vaso de guerra.

Tinha excelentes condições para a oceanografia e estava também bastante bem equipado.

O “Banshee”, seu nome de origem e agora Amélia IV, chegou a Cascais no dia 2 de Novembro de 1901.

Como vaso de guerra era um Cruzador de 2ª classe com casco de aço.






Equipado com seis pequenas embarcações, uma delas era movida a electricidade e outra a vapor.












Era um autêntico navio oceanográfico que elevou El Rei D, Carlos ao mais alto nível internacional nesta ciência de que Portugal foi um dos poucos pioneiros.







Como resultado das expedições oceanográficas são também publicadas obras de divulgação científica como:


Yacht Amélia: campanha oceanográfica de 1896. Em Lisboa pela Imprensa Nacional,1897.

Pescas Marítimas. Em Lisboa pela Imprensa Nacional, entre 1899 e 1904, 2 vols.

    Vol. I: “A pesca do atum no Algarve em 1898 (Ichthyologia)”.

    Vol. II: “Esqualos obtidos nas costas de Portugal durante as Campanhas de 1896 – 1903”.

D. Carlos de Bragança - bulletin des campagnes cientifiques accomplies sur le yacht “Amélia”. Lisbonne: Imprimerie Nationele, 1902, 112 p.





Novembro de 1901

D. Carlos, a Casa Real, tinha outros três Yachts:


Yacht Palhabote "Lia"





















 


Yacht "Sado"



Yacht "Viking"















D. Carlos não conseguiu levar a cabo a inauguração de um Museu Oceanográfico que pretendia montar no Palácio das Necessidades por ter sido barbaramente assassinado no dia 1 de Fevereiro de 1908.



Regicídio - Quadro de Paula Rego




Foi o filho El Rei D. Manuel quem legou todo o espólio à Liga Naval Portuguesa exposto então numa secção oceanográfica do Museu de Marinha na altura existente no Palácio dos Duques de Palmela, no Calhariz.

Em 1929, extinta aquela Liga Naval, o acervo da exposição passa para o Museu Condes de Castro Guimarães em Cascais, sendo mais tarde doada, em 11 de Junho de 1935 e por escritura pública notarial, ao Aquário Vasco da Gama.

A Biblioteca Científica do Rei, incluindo verdadeiras preciosidades bibliográficas e constituindo um espólio de valor inimaginável, foi também oferecida nessa mesma altura.

Actualmente todo o seu enorme e fantástico património, contributo da nossa valiosíssima e pioneira Oceanografia de então, continua patente no Aquário Vasco da Gama, desde 20 de Maio de 1943.










Foi no Amélia IV que D. Manuel II, último Rei de Portugal e a Rainha D. Amélia sua mãe embarcaram ao largo da Ericeira em direcção a Gibraltar, a caminho do exílio na Inglaterra, no dia 5 de Outubro de 1910, depois do golpe militar que derrubou a Monarquia.












Alguns dos sítios por onde naveguei para colher elementos para esta história:







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