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Na Guerra do Ultramar - As Lanchas do Lago Niassa





 


Como nota prévia, informo que no final desta história está um link para acesso a uma página só com imensas fotos sobre este acontecimento. Não percam este documento histórico.


Esta história, recheada de inacreditáveis peripécias, muita capacidade de superar dificuldades inimagináveis, dedicação extrema de tantos que serviram exemplarmente o seu país, tem ainda um forte aroma a guerra secreta, um forte odor acre a espiões, agentes secretos amantes de golfe e desertores que afinal o não são, simulando sê-lo...

Uma história tão secreta que não há alguns documentos importantes arquivados, que se saiba.

Mas os intervenientes são conhecidos.



E como leais servidores desta estranha pátria actual, permanecem calados mas certamente em paz com a sua consciência.

Para mim tem ainda o grande atractivo de estar recheada de muita gente que conheci e conheço.

E embora num papel muito modesto, muito modesto mesmo, eu também participei numa pequena parte da acção.

Esta é a história muito resumida da vida das Lanchas da nossa Marinha de Guerra que operaram em Moçambique no Lago Niassa e de tantos conhecidos ou anónimos que cuidaram delas, de uma ou de outra maneira.

Usei muita informação de várias fontes, de muitos blogues, com muitas fotografias de que me “apoderei”, como tantas que encontro que eu coloquei na net…

No final desta história encontrarão todos os sítios que visitei para completar o que sabia e eu mesmo vivi e conto aqui, com o muito que não sabia.

A todos, o meu obrigado. Sem o vosso precioso auxílio não poderia contar o que aqui deixo.

 

 

Vamos à história!



As instalações do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa, em Moçambique e a Base Naval de Metangula foram inauguradas em 1963 e nesse mesmo ano, com o fito de homenagear um distinto oficial de Marinha e cientista muito ligado àquela região, Augusto de Melo Pinto Cardoso, a localidade passou a denominar-se “Augusto Cardoso”.








Erro crasso já que nunca veio a ser conhecida por aquele ilustre nome. Eu sempre conheci a terra como Metangula e em 1975 voltou a chamar-se assim, oficialmente.






A situação de conflito com a Frelimo, o valor estratégico do vasto Lago Niassa e a sua confluência com vários países já independentes, levaram à criação, um pouco mais tarde do Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa, CELN, que foi depois apetrechado com várias unidades navais, como LFPs (Lanchas de Fiscalização Pequenas), LDMs e LDPs (Lanchas de Desembarque Médias ou Pequenas).

Devido ao conflito entre o Estado Português e o Movimento de Libertação Frelimo, os EUA, que favoreciam a descolonização, não queriam autorizar a venda de material de guerra a Portugal.

Numa visita turística que fiz em 1972 à sede das Nações Unidas, numa estadia que tive em Nova Iorque como Co-Piloto de Boeing 707 da TAP, na grande sala do Conselho a guia disse aos presentes:  


“Aqui discute-se a independência das colónias portuguesas”.



A aquisição de embarcações adequadas à estratégia nacional nos vários teatros de guerra passou assim pela criação de uma “empresa privada”, a Progresso Lda que negociou com a americana “Fairbanks Morse” a compra de excedentes da 2ª Guerra Mundial, algumas embarcações do modelo americano USN LCM-6.

Tendo-se conseguido os planos técnicos dessas embarcações, foram posteriormente construídas outras unidades nos Estaleiros Navais do Mondego

Havendo agora o equipamento era necessário coloca-lo no Lago Niassa, que fica a 650km em linha recta do Oceano Índico…




E foi em 1966 e 1967 que se arquitectou um elaborado e faraónico esquema de transportar umas quantas Lanchas de Fiscalização e Desembarque desde Portugal e Angola para o Lago Niassa, no meio do Continente Africano.

 

Foi utilizado tudo o que mexia!


Como principalmente os homens que o executaram mas também o muito de que se serviram:

 - Grandes navios cargueiros

 - Grandes gruas dos portos.

 - Comboios.

 - Grandes camiões e atrelados gigantes.

 - Pontes propositadamente rectificadas, e outras construídas de propósito, algumas por cima das originais.

 - Comandos que guardaram aqueles “terrestres” navios e quem cuidava deles.

 - E também os aviões da Força Aérea que no ar tentavam dissuadir a Frelimo de atacar aqueles extraordinários comboios.

Que a muito custo, com muita coragem e sobretudo com muito querer progrediam pela selva africana, centenas de infindáveis quilómetros, conquistados literalmente palmo a palmo.

As Lanchas, adormecidas, viajaram 500km embarcadas em vagões dos Caminhos de Ferro de Moçambique, dos portos de Nacala e do Lumbo, no Índico, para o Catur, já na província do Niassa e depois mais de 250km de estradas e pontes rodoviárias que tinham de suportar os enormes camiões e atrelados, até ao porto lacustre de Meponda, já no Lago Niassa.




 

Uma homérica aventura essa extraordinária façanha!...

 









As Lancha de Desembarque LDM 400 eram o principal meio de desembarque dos Fuzileiros da Marinha.
                    
Desenho de Luís Filipe Silva



 

 

 

 

Características dos navios:



DESLOCAMENTO:
59,5 toneladas

DIMENSÕES:
17,8 x 5 x 1 metros

PROPULSÃO:
2 motores a diesel FODEN FD6 MK - 374hp
2 hélices

GUARNIÇÃO:
Cabo: 1 (Patrão da lancha)
Marinheiros: 3
Total: 4

CAPACIDADE DE CARGA:
80 militares / 35 toneladas de carga / 1 viatura blindada até 32 toneladas / 1 camião de 6 toneladas / 2 viaturas ligeiras

SISTEMAS DE ARMAS:
1 Peça OERLIKON Mk2 de 20mm/65 (2 Km de alcance)
2 Metralhadoras MG-42 de 7,62mm

VELOCIDADE MÁXIMA:
9,2 nós (16 km)

EMPREGO OPERACIONAL:
- Transporte e apoio logístico (mantimentos, munições, etc);
- Embarque e desembarque de tropas;
- Serviço público.



A LFP (Lancha de Fiscalização Pequena), “Castor”- P 580 foi a primeira que ficou colocado sob comando do CELN  em Novembro de 1963.

Primeira e única daquela classe, foi embarcada no N/M Sofala em 20 de Agosto de 1963 com destino ao porto de Nacala onde chegou a 25 de Setembro desse ano.



N/M Sofala

A LFP “Régulus”- P369 da classe “Antares” ”, embarcada a bordo do N/M Rovuma, em Luanda, no dia 14 de Setembro de 1965 depois de ali ter prestado serviço desde Janeiro de 1962, foi o 2º navio colocado no CELN, em Novembro de 1965.


N/M Rovuma

As primeiras lanchas a chegarem,  desembarcaram  no porto do Lumbo, próximo da Ilha de Moçambique. Decidiu-se que seriam depois encalhadas para poderem ser transportadas por terra. Coisa aparentemente simples, dada a pequena tonelagem e baixo calado das lanchas.

Mas o transporte da ”Régulus”, numa altura em que o conflito armado já começara, mostrou-se bastante difícil, entre outras razões porque durante o transporte de comboio ao passar num dos cruzamentos da via e por excesso de velocidade, a plataforma descarrilou saltando o navio sobre o berço, ficando a mesma deslocada cerca de 50 cm.


A ”Régulus”

A operação de recarregamento da plataforma levantou alguns problemas muito difíceis de superar, seguindo depois de completada a operação até Catur, onde se procedeu a nova transferência para uma outra plataforma, agora rodoviária que seguiu via Vila Cabral, até Meponda. Nas margens do Lago Niassa

Reposta a flutuar, rumou a Norte para Metangula.










As lanchas LFP “Mercúrio” e “Marte” mais duas LDM e uma LDP, chegaram ao porto de Nacala no início de Setembro de 1965.

Mas porque não correu bem a manobra de encaixe dos navios nas plataformas ferroviárias, os atrelados dos Caminhos de Ferro que suportariam as Lanchas desembarcadas na maré alta, os Caminhos-de-ferro de Moçambique desistiram da operação, tendo as lanchas voltado ao mar.


Na imagem, Operação "Atum". Transposição no Catur do transporte ferroviário para o rodoviário.
LFP Mercúrio 4Dez65




E foi então que o Comando Naval de Moçambique decide organizar uma grande operação conjunta dos três ramos dar Forças Armadas, terra mar e ar para levar aquelas lanchas desde o Índico até ao Lago Niassa, ao porto lacustre de Meponda, de onde seguiriam pelos seus próprios meios para Metangula, umas milhas a Norte, já a navegar no grande lago.


 

A primeira operação com o nome de código “Atum”

teve início no dia 13 de Setembro de 1965.





 O problema do encaixe das embarcações no carril da linha férrea foi resolvido pelo Engº Lino Ferreira e pelo Capitão de Mar e Guerra Pedro Mouzinho, que construíram para o efeito uma autêntica linha férrea mar dentro, no Oceano Índico.


Depois, na maré alta com carris já submersos e o atrelado em posição colocaram as embarcações sobre este e esperaram pela maré vazante para que as lanchas ficassem na posição certa quando os carris estivessem novamente fora de água.






 


A operação de transporte decorreu sob comando de um oficial do Comando Naval de Moçambique, e contou com escolta dos Comandos. Um agrupamento formado meses antes na Namaacha, perto de Lourenço Marques, que garantiu a segurança aos homens e material. Ao Alf. Comando Cabral Sacadura que comandou esta unidade foi ainda atribuída a responsabilidade de autorizar ou não a circulação de comboios entre o Lumbo no Oceano Índico e Catur na província do Niassa, já perto do grande lago para dar total prioridade ao transporte das Lanchas.




Alferes Comando José Cabral Sacadura


 




















Carlos Águas trindade, de chapéu, observa a travessia do rio Manguel























LDM 404

Durante esta última parte do trajecto, por estrada, foi necessário destruir alguns muretes das pontes, porque as lanchas eram mais largas que algumas delas.


Noutros sítios foi necessário construir autênticos viadutos com travessas em madeira, para elevar as muito pesadas embarcações em cima dos enormes atrelados e vencer dessa forma os obstáculos.

























Toda esta actividade foi realizada à custa de muita força bruta de homens, numa incrível operação extraordinariamente épica mas muito bem-sucedida.


A passagem das lanchas por Nampula foi supervisionada pelo chefe da Estação, Pai do conhecido treinador de futebol Carlos Queirós. segundo ele me contou pessoalmente.







 

 

 

 


 

 



























 

 

 

À Força Aérea foi pedida a colaboração na segurança e dissuasão

de possíveis ataques dos combatentes da Frelimo entre o Catur e Meponda.

 













Fiz vários vôos desses que se limitavam a ter de andar por cima dos camiões e atrelados carregados com as grandes Lanchas, armado de metralhadoras ou rockets na esperança que algum hipotético ataque fosse imediatamente neutralizado.














O único problema que tive foi o tédio da missão. Andava por ali até ao limite do combustível, sendo substituído por outro camarada, isto em contínuo, até ao anoitecer.

Que me lembre o único momento mais entusiasmante deu-se com o meu amigo Capitão Piloto Mira Godinho.





Descolado de Vila Cabral, a sua missão era de prevenção. Fiscalizar as pontes não fosse haver tentativas de sabotagem.


E uma bela manhã, debaixo de uma delas, bem grande por sinal, o Mira Godinho apercebe-se de que três almas suspeitas e aparentemente de uniforme, não se percebia bem, procediam a manobras pouco claras.

Uma ou duas passagens mais baixas e nada. Aqueles homens não queriam aparecer.

Activadas as metralhadoras o Mira Godinho efectua uma manobra sobre o rio e desce ao nível da ponte, aquelas 3 almas, a segundos de partirem para o Além, na mira certeira, é agora, gatilho puxado e nem adeus disseram…Não acredito!





Ou melhor, não ligaram nenhuma apesar da manobra.

Aconteceu que as metralhadoras encravaram…

À segunda tentativa novamente falhada, como que a agradecerem, os três militares do nosso Exército ali em patrulha de segurança também, debaixo da ponte, subiram calmamente à ponte e finalmente disseram-lhe um sentido adeus.


Se eles soubessem…




A Operação “Atum”, de transporte da LDM 404, terminou a 19 de Dezembro de 1965, quando as lanchas navegando desde Meponda, chegaram a Metangula, e a escolta regressou ao Lumbo.

As LDM 405 e LDM 408 foram transportadas em Abril de 1966.

E a LDM 407 em Agosto de 1967 ao abrigo da "Operação Roaz".



Finalmente a chegada a Meponda de uma das lanchas:







Daqui seguiam as lanchas, já a navegar, umas poucas milhas para norte, até Metangula,
a grande Base Naval da Marinha Portuguesa no Lago Niassa.











      Em 1967 o CELN recebeu também as duas últimas embarcações LFP, “Saturno” e “Urano”.
      Estas embarcações completaram a força naval no lago Niassa.






Nas LFP Castor, Régulus, Marte, Mercúrio, Saturno e Urano, estiveram como comandantes a prestar serviço, mais de quatro dezenas de oficiais, a maioria dos quais da Reserva Naval.

A vida das Lanchas, com este começo épico não poderia continuar então na modorra e beleza do local com os seus estonteantes pôr-do-sol sobre o Lago, em grandes letargias, sem mais histórias.
Além das inúmeras acções de suporte e combate ao longo das margens do Lago Niassa, a cargo do Fuzileiros, as Lanchas deram “emprego” a mais cidadãos, militares ou não.



Assim, em Metangula a Marinha tinha ao seu serviço um pequeno avião Cessna que se dizia tinha sido “requisitado” (nós, na Força Aérea dizíamos roubado) a um Aero-Clube e que servia de ligação mais rápida com Vila Cabral.

Nunca tirei a limpo a situação real daquele avião. Mas conheci muito bem quem o tripulava, o CTEN Manuel da Silva Rodrigues que pertencera a Aviação Naval e agora desempenhava as funções de Chefe do Estado-Maior do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa.


Aeroporto de Lichinga, ex-Vila Cabral - Imagem actual






Na altura não passámos do protocolar cumprimento militar para além da incomodidade de a Força Aérea e a Marinha (coisas deste estranho país…) não se entenderem e o avião não ser autorizado a estacionar e pernoitar dentro da Base Aérea em Vila Cabral. Era para todos os efeitos um avião civil (matricula e tudo) e como tal ficava na placa civil do Aeroporto que partilhava a pista com a Força Aérea.









Eu, eu também era misto…

Militar, Sargento Miliciano piloto, também não usava as instalações da Base. Vivia com a minha mulher e filha em casa do Director do Aeroporto, de quem era e sou amigo desde a juventude compartilhada no Colégio Nuno Alvares, em Quelimane, anos 50.

Alguns anos depois o Comandante Silva Rodrigues viria a juntar-se à TAP, já depois de mim, e fomos assim colegas no mesmo ramo aeronáutico. Acontece que ele é Tio da mulher de um meu grande amigo. E esse amigo, o Pedro, é filho do Dr. Gouveia e Melo, Governador Civil da província da Zambézia, também nos anos 50 e portanto chefe do meu Pai, que foi Administrador de Circunscrição de Quelimane.

A placa da Base em Vila Cabral, com T 6 e Dorniers DO 27


Como curiosidade, este Dr Gouveia e Melo, tinha um irmão mais novo, Advogado, em Quelimane.

Este senhor, o Advogado, é Pai do Vice Almirante Gouveia e Melo que tão brilhantemente nos ajudou a combater a epidemia de Covid 19 em 2021...



Mas não é tudo…


Voltemos a Metangula, agora em 1968.

Uma manhã na Base Aérea em Vila Cabral recebemos uma mensagem via rádio a dar conta de movimentos suspeitos de uma embarcação no Lago Niassa que se supunha estar ao serviço das forças da Frelimo.

Era preciso ver o que era e eventualmente abater aquele alvo.

Saímos dois aviões T-6 carregados de bombas para uma zona um pouco a Norte de Metangula. O meu chefe era um Alferes Piloto Miliciano.

Nem meia hora de voo depois de iniciarmos as buscas no Lago a embarcação é finalmente avistada.

As tentativas de contacto via rádio, como era de esperar dadas as dificuldades habituais de contacto entre aviões e quaisquer outras forças no terreno ou na água, não deram em nada. Nem a guarnição se quis mostrar, mantendo o rumo mais ou menos em direcção ao Malawi.

Tinha armamento visível a embarcação mas ninguém se mostrou preocupado em aparecer. Nenhum símbolo identificável. Uma nave mistério que se aproximava sorrateiramente da fronteira marítima, afastando-se de Moçambique.

Aí o meu chefe perde a paciência e resolve bombardear o inimigo.

Quase já em passe de tiro para largar as bombas, peço-lhe calma e que reconsidere mais uma vez.

Tudo aquilo me parecia estranho.

E foi quando, não o conseguindo demover mais, ele resolve abater mesmo aquele alvo e se faz novamente ao passe de tiro, que aquelas almas da nossa Marinha, Fuzileiros de Metangula, tripulantes daquela Lancha que nunca viramos nenhuma a navegar, resolvem aparecer e acenam para nós…

Se estes também imaginassem o que lhes esteve quase a acontecer…




E agora falemos da tal guerra secreta.
Com um forte odor acre a espiões, agentes secretos e desertores
que afinal o não são, que vos prometi no início desta história.




A partir de 1964 três países viviam junto ao Lago Niassa.

Tanzânia e Malawi independentes e a Portuguesa Província Ultramarina de Moçambique.

Com a independência da Tanzânia em 9 de Dezembro de 1961 (Ex Tanganica, que foi uma colónia alemã entre 1880 e 1919) o Lago Niassa, o 3º maior de África, torna-se a partir de 1964 um lugar de grande importância estratégica. A Tanzânia adquire um estatuto de país profundamente anticolonialista, servindo de base de apoio aos movimentos de independência das colónias portuguesas.

O Malawi anteriormente Niassalândia ou Protectorado de Niassalândia foi um protectorado britânico criado em 1907, quando o antigo Protectorado Britânico da África Central alterou o seu nome. Entre 1953 e 1963, a Niassalândia foi parte da Federação da Rodésia e Niassalândia. Depois de a Federação ter sido dissolvida, a Niassalândia tornou-se independente da Grã-Bretanha em 6 de julho de 1964 e foi renomeada Malawi.

A Frelimo lançou sua primeira ofensiva em território Moçambicano em Setembro de 1964
Ao contrário da Tanzânia, o Malawi enveredou por uma solução meio ambígua, mantendo relações com Portugal, ao mesmo tempo que permitia alguma mobilidade à Frelimo.

Portugal conseguiu obter as boas graças do líder da Malawi Hastings Kamuzu Banda, cujo cônsul honorário em Moçambique era o controverso engenheiro Jorge Jardim que fora subsecretário de Salazar.



Hotel Embaixador, na Beira - foto da época






Conheci o Engº Jorge Jardim em 1958, em casa dos meus primos Saul e Aida Brandão, num jantar de família, estando eu a frequentar o 6º Ano do Liceu Pêro de Anaia na Beira. O meu primo era ali um grande empresário, sendo por exemplo o proprietário do Hotel Embaixador.





Ver aqui uma breve biografia do Engº Jardim, neste Blogue.
É a última biografia das 3 que estão na história


O Engº Jardim tinha relações privilegiadas com o poder, relacionando-se directamente com Salazar e depois com Marcelo Caetano.

São conhecidos inúmeros contactos seus junto das chefias militares que actuavam em sintonia com ele em operações coordenadas, semiclandestinas.

E Metangula e as suas Lanchas de Desembarque e Fiscalização tornaram-se óbvios mecanismos de controlo naval da guerrilha emergente no Norte de Moçambique, com o apoio dos seus vizinhos Independentes.

E o Malawi era um polo demasiado atractivo e acessível para ser descartado.

E foi fácil negociar e chegar a acordo em 1968 de modo a colocar, com controlo dissimulado, uma lancha de Metangula ao “serviço” da inexistente Marinha do Malawi.

A Lancha seria colocada em Nkata-Bay, na margem Malawiana do Lago. A primeira unidade naval daquele Estado.

A formalização do acordo entre o Estado Português e o Malawiano foi celebrada no dia 5 de Agosto de 1968 em Metangula com a entrega da Lancha “Castor”, “por empréstimo”, rebaptizada “John Chilembwe”.

Tratou-se afinal de uma bem urdida e secreta manobra. De tal modo que não se conseguem encontrar documentos que o comprovem em nenhum arquivo conhecido.

Mas sabe-se quem formalizou o acordo. Nesse dia, estavam presentes em Metangula entre outras individualidades, o Comodoro Tierno Bagulho, Comandante Naval de Moçambique, e “em representação” do governo do Malawi, Aleke Banda, ministro da Economia e presidente do Malawi Youngers Pionners.

Existe no entanto um relato feito nos anos 80 e logo pelo primeiro Comandante da “Lancha Malawiana”, um oficial que “se passou para o outro lado”.



Este “desertor” (o ex-Comandante da Lancha “Mercurio”) que já o era antes da transacção, assistiu inclusivamente à entrega da Lancha “Castor” já como oficial da Marinha do Malawi. Que passou a existir ali, com um navio português e um único Oficial, também português…


Era o Engenheiro Manuel Alexandre de Sousa Pinto Agrelos.


Com o novo comandante da lancha seguiram o marinheiro telegrafista Mário Fernandes e o cabo fogueiro Martinica, que foram graduados, respectivamente, em segundo e primeiro-sargentos da Marinha de Guerra do Malawi. O resto da guarnição pertencia aos Young Pioneers, uma espécie de «guarda pretoriana» do regime ditatorial de Hastings Banda.

Naquela cerimónia esteve também e obviamente o Engenheiro Jorge Jardim, cônsul honorário do Malawi em Moçambique. Jardim ficou a pagar o salário de Manuel Agrelos, que o depositava numa conta especial de um banco.

Jorge Jardim passou a ser o interlocutor das informações que o oficial português da Marinha do Malawi lhe fornecia.

Manuel Agrelos, praticamente o “Ministro da Marinha” do Malawi, passou a participar nas reuniões do Conselho de Ministros Malawiano e teve vários encontros ao mais alto nível, não só com o “seu” Presidente Hastings Banda mas também com altos dirigentes da Frelimo, inclusive com Eduardo Mondlane.

Nada de muito estranho neste recente país Africano, já que o seu próprio Presidente não era quem dizia ser, tendo sub-repticiamente assumido a identidade de um estudante de medicina da Niassalândia que um belo dia desapareceu em Londres sem deixar rasto.

Um senhor que nem conseguia falar a “sua” língua natal e que quando as desconfianças sobre a sua identidade ultrapassaram o limite resolve ir “à terra da sua família” onde uma tia conhecia um sinal do sobrinho numa perna. Lá chegados a tal tia foi levada a uma sala e saiu de lá a dizer que sim. Era o seu sobrinho. Esta senhora passou a viver muito confortavelmente na vida, até ao fim dos seus dias…Teve sorte. Ficou com a cabeça e com muito dinheiro para tudo...

O Presidente não era casado mas havia uma senhora, Miss Cecilia Kadzamira Tamanda, cujo título oficial era "official hostess of the Government of Malawi" familiarmente conhecida como "Mama ou Mãe da Nação" a quem ele, quando morreu deixou a fortuna avaliada em 458 milhões de dólares. Nada mau…

No Diário de Notícias do dia 22 de Abril de 2004, num artigo de Serafim Lobato, autor do Blogue Tabanca de Ganturéde onde compilei a maior parte deste relato, pode ler-se:

«…a flotilha de lanchas de Metangula passava a ser abastecida em gasóleo vindo do Malawi.
A lancha de desembarque média, que ia buscar o combustível, levava um logótipo da SONAP (a GALP na altura) e os membros da guarnição tinham fardas da mesma companhia petrolífera portuguesa.

Agrelos foi, durante muito tempo, um enigma para muitos dos «brancos» que gravitavam, de uma maneira ou de outra, nas mesmas funções no interior das Forças Armadas do Malawi, principalmente os ingleses.

Quem seria aquele branco, que se apresentava completamente desligado das Forças Armadas portuguesas, e que falava fluentemente inglês?

Com o tempo, aceitaram-no e começou a frequentar os selectos clubes «europeus» mantidos, apesar da independência, naquela antiga colónia.

A sua missão «tipo James Bond» decorreu, pacificamente, até que terminou a sua comissão de serviço em 1969.»


O Manuel Agrelos foi depois Comandante da TAP onde evidentemente nos encontrámos. Foi Instrutor mas também amante do golfe.



Sempre foi e é muito estimado ente todos nós, tripulantes da TAP.


Quando publiquei esta história, ele era Presidente da Federação Portuguesa de Golfe.



Metangula, o Lago Niassa e Moçambique ficarão indelevelmente ligados à História da Marinha de Guerra e à importância da participação da Reserva Naval na construção dessa memória histórica.

O Lago Niassa é um verdadeiro mar. Dizem que tem tantas milhas de comprimento como dias tem um ano e tantas de largura como as semanas desse mesmo ano.



Para verem todas estas fotografias e outras aqui não publicadas, vão a:

"Álbum de Fotografias das Lanchas do Lago Niassa"





A recolha de informações escritas e de imagens foi possível através destes sítios da Internet por onde andei:


http://tabancadeganture.blogspot.pt/search?q=agrelos

http://desenvolturasedesacatos.blogspot.pt/2014/04/historia-da-guerra-colonial-23-accoes.html

http://maneldarita.blogspot.pt/2013_06_01_archive.html

http://reservanaval.blogspot.pt/2009_02_01_archive.html

http://companhia2fz.blogspot.com/

http://reservanaval.blogspot.pt/2009/02/navegando-do-indico-ao-lago-niassa-3.html

http://www.blogger.com/profile/03865066644318097470

http://gaivotasnoniassa.blogspot.pt/2010/01/1-1.html

http://reservanaval.blogspot.pt/2009_05_01_archive.html

http://picaorelha.blogspot.pt/2013/07/transporte-de-lanchaspara-o-lago-niassa.html

http://memoria-africa.ua.pt/

http://reservanaval.blogspot.pt/2009/06/mocambique-metangula.html

http://farol-da-torre.blogspot.pt/2013/10/momentos-de-historia.html

http://barcoavista.blogspot.pt/2009/10/lanchas-de-desembarque-medias.html

http://historyofafricaotherwise.blogspot.pt/2011/11/malawi-incredible-true-story-of-dr.html




Aviões que voei - T 6 - Harvard

    T-6 Harvard - 1ª Parte



     Breve história da North American Aviation
     A companhia americana que gerou o T6.



A North American foi responsável por inúmeros aviões hoje considerados históricos. Para além do T-6 Texan/Harvard, o caça P-51 Mustang, o bombardeiro B-25 Mitchell, o caça F-86 Sabre, o X-15, e o Sabreliner.


Tive a sorte de ter voado dois destes aviões. O T-6 e o Sabre F-86.


A fundação da North American Aviation ficou registada no dia 6 de Dezembro de 1928, no estado de Delaware a sul de New Jersey.



Em Março de 1930, entrou na bolsa de Nova Iorque, a New York Stock Exchange, como North American Aviation Inc

Em 1934 James "Dutch" Kindelberger, de 39 anos, que tinha deixado a Douglas Aircraft em que era vice presidente da secção de Engenhria, tornou-se Presidente e General Manager of General Aviation da North American nas instalações fabris da empresa em Dundalk, Mariland, uma subsidiária da NA.

Consigo levou, dois proeminentes "aircraft designers”, também ex-Douglas Aircraft, Lee Atwood e J S Smithson.

Estes três senhores conceberam ali um avião a que deram pela primeira vez na empresa um nome de código numerado para os seus produtos.

O avião concorria, em 1934, a um concurso nacional de avião de treino para a USAAC (United States Army Air Corps que mais tarde se viria a converter na United States Air Force.


                   Chamaram-lhe NA-16

 




Era um avião bi-lugar em tandem de asa baixa, monoplano, de trem fixo sem carenagens.

Como inovação proeminente a sua construção era feita em quatro partes separadas que depois eram montadas numa única.

A fuselagem tinha painéis laterais em tela mas não tinha ainda carlinga deslizante para proteger os pilotos das intempéries.

O motor era um Wright R-975-ET «Whirlwind» com uma potência de 400cv.

Foi o vencedor do concurso!

Vou pela primeira vez em Dundalk, Md., no dia 1 de Abril de 1935.





Este protótipo evoluiu rapidamente para o BT-9 (de basic trainer), agora com trem retráctil e outras modificações, predecessor de uma série de versões deste avião de treino cuja produção foi mantida por mais de 25 anos.

E porque a Califórnia oferecia durante todo o ano melhores condições meteorológicas de voo, o senhor Kindelberger resolveu transplantar toda esta secção de engenharia e produção da North American para as imediações do Aeroporto Municipal de Los Angeles.




Alugou ali ao lado um terreno com 20 hectares e lá instalou a produção fabril em 14.772m². 75 operários foram transferidos para Los Angeles e toda a maquinaria também.

As novas instalações foram inauguradas em Janeiro de 1936, agora com 250 trabalhadores.
Pouco tempo depois outras novas instalações foram também construídas em Dallas, Texas.

O NA-16 era já um grande vencedor, com enorme futuro!

Em 1936 a Marinha dos Estados Unidos encomendou cerca de 40 aviões à North American Aviation para instrução dos seus pilotos

Com algumas modificações feitas logo a seguir, no NA-26, uma nova asa, nova cauda e fuselagem inteiramente em metal (sim, o modelo original tinha partes em tela…) o protótipo actualizao foi submetido a concurso, em 1937, na USAAC para um "Basic Combat" aircraft.



USAAC 191-1941


Daí resultou a construção e entrega à USAAC de 180 aviões sob a designação BC-1 e 400 outros para a RAF, como Harvards. A US Navy recebeu 16 aviões ainda mais modificados, sob a designação SNJ-1 e ainda outros 61 como SNJ-2, com um motor diferente.



    Aviões SNJ em treinos no Porta Aviões Monterey em 1953



Rapidamente e principalmente pela característica de possuir o trem retráctil, o fabricante começou a receber inúmeras encomendas, dos três ramos das forças armadas americanas.

O Exército alterou a designação para AT-6.






Em 1947, foi o avião escolhido para a instrução básica de pilotagem.

Em 1948 começaram a aparecer aviões ostentando uma nova designação, o T-6G Texan que apresentava algumas inovações como depósitos com maior capacidade, um novo painel de instrumentos com melhores instrumentos de navegação, etc.

Sob licença, os canadianos também fabricaram este avião com o nome Harvard.

A North American existiu até 1967 altura em que se fundiu com a Rockwell-Standard Corporation e se transformou na North American Rockwell Corporation.




O North-American T-6 é pois um avião monomotor, de trem de aterragem convencional retráctil, com roda de cauda, destinado à instrução e ao treino de pilotos e também utilizado em combate em diversos cenários como a Segunda Guerra Mundial, as Guerras da Coreia e Vietname e posteriormente em todas as guerras que envolveram independência de
ex-colónias como na Argélia, a Revolta dos Mau Mau no Quénia e a nossa Guerra do Ultramar, entre outras…




 Aqui abaixo, duas fotos de T-6 do "Esquadrão Mosquito" em plena Guerra da Coreia








Os nossos T-6   


A denominação T-6 Texan pela qual o avião ficou famoso, só foi adoptada pela Força Aérea dos Estados Unidos em 1948. Até aí, as suas várias versões tiveram várias designações, quer de fábrica quer dos diversos utilizadores.


NOTA: O sistema de designação norte-americana pode ser bastante confuso. Cada avião tinha duas denominações diferentes, um número de modelo (NA-) e um "número de cobrança" para fins de contabilidade (na-), mostradas aqui em letras minúsculas para maior clareza. BT-9s entregue a Argentina em 1937, por exemplo, teve um número de modelo NA-34 e um número de cobrança na-16-4P. Isto é válido, também, para o grupo NA-44




Vamos agora ao que interessa


A história e sucessivo desenvolvimento do  “nosso”  T6

 

 

O North American T-6 Texan de dois lugares de treino avançado foi a sala de aula para a maioria dos pilotos aliados que voaram durante a Segunda Guerra Mundial.

De 1940 a 1955, quase todos os pilotos norte-americanos e da Comunidade Britânica receberam algum treino em Harvards.

Ao todo, o T-6 treinou centenas de milhares de pilotos em 34 países diferentes ao longo de um período de 25 anos. Cerca de 11 mil canadianos e 8.000 aviadores dos Aliados receberam formação de voo em Harvards no Canadá durante a Segunda Guerra Mundial. Um total de 15.495 aviões foram construídos. Embora mais conhecido como um avião de treino, o T-6 Texan também ganhou honras na II Guerra Mundial e nos primeiros dias da Guerra da Coreia.

O avião foi muito utilizado pela RAF / RCAF durante o British Commonwealth Air Training Plan in World War II e, posteriormente, para treinamento de pilotos da NATO na era do pós-guerra.

O avião também pôde ser modificado como um simulador de armamento capaz de transportar, em treino/combate, metralhadoras, foguetes ou bombas.

Forte e implacável, era um avião de treino ideal. O Canadá construiu mais Harvards do que qualquer outra aeronave, com um total de 3.350 produzidos.



O primeiro “T-6” a voar  fê-lo no dia das mentiras, 1 de Abril de 1935


Foi o protótipo NA-16 Basic Trainer




  NA-16

O último protótipo da North American produzido na fábrica da General Aviation em Dundalk, Maryland,  passando a ser produzido depois na Califórnia.


O monoplano de asa baixa tinha cockpits em tandem, descobertos e um trem de aterragem fixo, sem carenagem e flaps de accionamento mecânico. Feito principalmente de metal, mas com painéis em tela nas laterais da fuselagem, foi submetido ao Corpo Aéreo do Exército para a avaliação um mês depois do seu primeiro vôo.

O projeto foi selecionado para ser produzido como um basic trainer, tendo a Força Aérea pedido que os cockpits fossem fechados, instaladas carenagens no trem de aterragem e o motor mudado para o P & W R1340 de 600 cavalos de potência. Com estas modificações, passou a ser classificado como NA-18.

As versões de produção lançaram a North Américan como um fabricante de aviões de instrução, começando com 267 BT-9s (exemplares de Instrução Básica encomendados Pelo Exercito dos Estados Unidos) e 330 BC-1 significando "basic combat" de instrução (versão com trem de aterragem retráctil e carenado do NA-48).


O BT-9 "Yale" basic trainer do Army Air Corps foi uma evolução do NA-16, o último protótipo construído na fábrica em Dundalk, Maryland. O modelo já de produção, o NA-19, voou pela primeira vez em Inglewood, Calif. A versão da Marinha do avião foi designado NJ-1.



 North American BT-9 - Foto Leslie Burgess aerofiles


O BT-9, um monoplano de dois lugares em tandem de cockpits fechados com carlinga deslizante, era de construção toda em metal mas com painéis laterais em tela, removíveis, para manutenção fácil do avião. O motor e os seus acessórios podiam ser retirados como uma única peça, e trocados em menos de uma hora.













O BT-9C incluía uma metralhadora fixa que disparava através do hélice, e uma outra de manejo flexível montada no cockpit traseiro, com o atirador sentado num banco baixo virado para trás.







 A North American construiu um total de 766 BT-9s e NJ-1s, e a evolução natural da série BT-9 foi a série BC de "Basic Combat", mas um avião também de treino.

Durante a década seguinte, a North American produziu mais de 17.000 variantes do avião de instrução na empresa em Los Angeles, Calif., e em Dallas, Texas. Além disso, outros quatro países construíram cerca de 4.500 mais, sob licença especial.

O BC-1 foi a versão de produção do protótipo NA-26, com uma nova asa, nova cauda e fuselagem inteiramente em metal, trem de aterragem retráctil, suportes para o armamento, um rádio de duas vias e o motor R-1340-47 de 550 hp (410 kW) como equipamento de série, o protótipo actualizado foi submetido a concurso, em 1937, na USAAC para um "Basic Combat" aircraft.

Daí resultou a construção e entrega à USAAC de 180 aviões sob a designação BC-1 e 400 outros para a RAF, como Harvards. A US Navy recebeu 16 aviões ainda mais modificados, sob a designação SNJ-1 e ainda outros 61 como SNJ-2, com um motor diferente.

O BC-1, foi assim inicialmente designado pelo Exército Americano e depois, AT-6.

O Texan foi uma evolução do BC-1, avião de treino de combate básico que foi produzido pela primeira vez para os EUA Army Air Corps, com trem de aterragem fixo, em 1937, sob um contrato para 174 aviões.

As versões de produção incluíram o BC-1 (modelo NA-36), com apenas pequenas modificações (177 construídos), dos quais 30 foram modificados como BC-1I para treino de voo por instrumentos; NA-49 um Avião de Treino de Baixo Custo com todas características de um caça de alta velocidade, o BC-1A (NA-55) com melhoramentos na estrutura (92 construídos); e um único AC-1B com uma secção central da asa modificada.





   Denominado SNJ-1 na Marinha dos EUA e Harvard II na RAF. (Os paineis em tela na fuselagem são aqui bem visíveis)


 North American NJ-1 - Foto Harry Thorell aerofiles

Três BC-2 foram construídos antes da mudança para a designação de "Advanced Trainer" AT-6, que era equivalente ao BC-1A. As diferenças entre o AT-6 e o BC-1 eram novos painéis na ponta da asa com uma bordo de ataque mais pronunciado, pontas das asas mais rectangulares e um leme de direcção triangular. Depois de uma mudança na parte traseira da canopy, o AT-6 foi designado o Harvard II para RAF / RCAF e 1173 foram fornecidos por compra ou Lend Lease, a maioria operando no Canadá, como parte da British Commonwealth Air Training Plan.




North American BC-2 - Foto North American aerofiles





Conhecido por SNJ pela Marinha e como Harvard pela Real Força Aérea Britânica, passou a ser registado como T-6 em 1948 versão USN, SNJ, RCAF e em versão de exportação para a RAF como Harvard

Apesar de não ser tão rápido como um caça, era de fácil manutenção e reparação, tinha mais capacidade de manobra e era mais fácil de manusear. Avião do agrado dos pilotos, podia executar facilmente todas as manobras acrobáticas. Foi projectado para dar a melhor formação possível em todos os tipos de táticas, desde o combate ar-chão ao bombardeamento e dogfighting (combate ar-ar).

Estava equipado de um modo versátil como aptidão para voo por instrumentos, suportes de bombas, metralhadoras fixas e nas primeiras versões metralhadoras manuseáveis, e todos os outros dispositivos que os pilotos militares tiveram que operar.

Rapidamente e principalmente pela característica de possuir o trem retráctil, o fabricante começou a receber inúmeras encomendas dos três ramos das forças armadas americanas.


Surgiu depois o AT-6A, que foi baseado no NA-77 com um motor Pratt & Whitney R-1340-1349.Wasp radial. A USAAF recebeu 1.549 e a Marinha dos EUA 270 (modelo SNJ-3). O AT-6B foi construído para o treino de tiro e podia ter uma metralhadora de calibre 0,30” por cima da fuselagem dianteira.

Utilizava o motor R-1340-AN-1, que viria tornar-se o padrão para a produção de T-6 daí para a frente. A Empresa Canadá Noorduyn Aviation construiu uma versão R-1340-AN-1 do AT-6A, que foi fornecido à USAAF como a AT-16 (1.500 aeronaves) e à RAF / RCAF como a Harvard IIB (2.485 aeronaves), alguns dos quais também actuaram na Fleet Air Arm e Royal Canadian Navy.

O NA-88  resultou em 2.970 AT-6C Texans produzidos e mais 2400  SNJ-4. A RAF recebeu 726 dos AT-6C como a Harvard IIA. Modificações no sistema eléctrico deram origem ao AT-6D (3713 construídos) e SNJ-5 (1357 construídos). O AT-6D, redesignado  Harvard III, foi fornecido à RAF (351 aeronaves) e Fleet Air Arm (564 aeronaves). O AT-6G (SNJ-7) sofreu grandes melhoramentos, incluindo um sistema hidráulico a tempo inteiro e uma roda de cauda dirigível.



 
Persistiu até a década de 1950 como o avião de treino avançado da USAF.





   Canadian Car and Foundry (CC&F) stacks_image_365















Posteriormente, o projeto NA-121 deu origem a 25 AT-6F Texans para a USAAF e 931, SNJ-6 para a Marinha dos EUA. A versão final, o Harvard 4, foi produzido pelo Canadá Car and Foundry durante a década de 1950, e fornecida à RCAF, USAF e Bundeswehr.









Ao todo, mais de 17.000 derivados do NA-16 foram construídos em Los Angeles, na Califórnia e em Dallas, Texas durante os anos 1930 e 1940.




North American T-6 Texan



Especificações

Trem retractil
1º voo (NA-49):    28 de Set 1938.

Dimensões:
Comprimento:     8,45m
Envergadura:     12,81m
Altura:                 3,58m

Peso:
Peso vazio:           1270kg
Peso Máx TOff:    1740kg
Suportes p/ armas:      2

Motores/Potência:
Pratt & Whitney R-1340-AN-1. 600HP/CV
Hélice:        Controllable pitch

Velocidade/Autonomia:
Vel. Máx:                             280km/h
Vel. Cruzeiro:                      250km/h
Autonomia Std carregado:  800km
Autonomia Máx leve:        1200km
Altitude Máx:                     5800m




O T-6 na Força Aérea Sueca

«Em 1936 representantes da ASJA, o departamento Aeronáutico da AB Svenska Järnvägsverkstäderna (Swedish Railway Workshops Ltd.), visitaram uma série de empresas de aviões nos EUA. O resultado foi um acordo de produção sob licença do NA-16-4M da North American, como um avião de treino avançado, Tipo II, na Swedish Air Force.

A designação sueca do avião foi Sk 14. Compraram nos EUA um NA-16 que foi usado pela Força Aérea, o SwAF / n 671, para avaliação e testes.

A ASJA também conseguiu atrair cerca de cinquenta engenheiros americanos, principalmente os originários da Douglas, para os seus trabalhos em Linköping. Os engenheiros voltaram aos Estados Unidos com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, mas entretanto deram à indústria aeronáutica sueca um inestimável know-how durante a sua estadia naquele país.



NA 16_SK 14 o 1º comprado Lars E. Lundin collection 






O Sk 14 foi o primeiro avião de treino sueco com cockpit fechado. Inteiramente construído em metal excepto nos lados da fuselagem e nas superfícies de controle que eram em tela. Equipava-o um motor Wright Whirlwind R-975-E3, de 455 hp. O trem de aterragem não era retráctil e tinha roda de cauda.





Em 1938, a Força Aérea assinou um contrato com ASJA para o fornecimento de 35 aviões. Um segundo NA-16-4M foi comprado à North American para ser utilizado como aeronave padrão e foi entregue como o último avião do primeiro lote (SwAF / n 609). Os outros 34 Sk 14s têm os números da Força Aérea 672-699 e 603-608. engrenagem.

As entregas para a Academia da Força Aérea em Ljungbyhed ocorreram em 1939-1940. Um segundo lote de 18 aeronaves foi encomendado pela Força Aérea no final de 1939. Estas aeronaves foram entregues no primeiro semestre de 1941 com os números 5810 a 5827.

A ASJA incorporou-se na SAAB em 1939. Quando a Força Aérea em 1940 pediu um terceiro lote de 23 aeronaves, elas foram construídos pelas oficinas da SAAB em Linköping. Devido ao embargo americano, não poderam obter mais motores Wright. Em vez disso, estes 23 aviões estavam equipados com o motor italiano Piaggio P VIIRC16 de 500 hp. Este lote tem os números da Força Aérea 5824 a 5850. Devido à mudança de motor, esta variante foi designado Sk 14A. As entregas foram realizadas no primeiro semestre de 1942.

Mas a história não termina aqui. Um último 4º lote de 60 Sk 14As foi encomendado em 1942. Essas aeronaves foram construídas nas oficinas da Saab em Trollhättan, onde os carros Saab são fabricados hoje. As aeronaves foram entregues entre 1943-1946 com os números 14001 a 14060.

No total, 137 Sk 14 / Sk 14As foram fornecidos para a Força Aérea da Suécia entre 1937 e 1946.



  NA 16_SK 14N Lars E. Lundin collection







Algumas aeronaves, Sk 14N, foram posteriormente equipado com trens de aterragem com roda de nariz para preparar os pilotos para a J 21A.









NA 16_SK 14 Lars E. Lundin collection



Todos Sk 14 foram infelizmente demolidos após o seu serviço na Força Aérea. Apenas algumas partes foram salvas, como rodas principais, hélice, alguns instrumentos e pedaços da fuselagem. Mas, usando partes de um Wirraway australiano e um Yale canadiano, uma réplica autêntica foi construída.





Após 20 anos de trabalho (17.000 homens/hora, voluntários),
a aeronave está desde 2003 em exposição no Flygvapenmuseum.»

Traduzido de: http://www.avrosys.nu/aircraft/Skol/413sk14/413Sk14.htm


Vídeo a não perder:
Swedish Air Force Museum



O T-6 Australiano



Commonwealth Wirraway

O BT-9 da North American Aviation sofreu na Austrália algumas modificações introduzidas pela CAC que acabou por construir 750 aviões de diversas versões.






A este modelo tipo chamaram-lhe “Wirraway”.
Devido ao reforço da estrutura era um T-6 mais robusto





O Boomerang  (CA-12)

O Boomerang não foi um upgrade do T-6 mas antes um modelo inicialmente construído com partes de “Wirraway”.  



Parecia um T-6, mas mais musculado...


Foi concebido pelo Eng Fred David um Austriaco Judeu que chegou â Austrália como refugiado (e como tal trabalhou com o estatuto de “Internado”, concedido pela Imigração Australiana).


   CAC CA-12 Boomerang A46-25 foto the Australian National Aviation Museum


Tinha trabalhado para a Heinkel (He 112), antes dos Nazis e para a Mitsubishi (A6M “Zero”) e Aichi japonesas.




Foram concebidas 5 versões e construídos 250 aviões deste tipo.



Specifications (CA-12)

General characteristics
    1st Flight:        29 May 1942
    Crew: 1
    Length: 25 ft 6 in (7.77 m)
    Wingspan: 36 ft 0 in (10.97 m)
    Height: 9 ft 7 in (2.92 m)
    Wing area: 225 ft² (20.9 m²)
    Empty weight: 5,373 lb (2,437 kg)
    Loaded weight: 7,699 lb (3,492 kg)
    Powerplant: 1 × Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp radial engine, 1,200 hp (895 kW)
Performance
    Maximum speed: 305 mph (265 knots, 491 km/h) at 15,500 ft (4,730 m)
    Range: 930 mi (810 nm, 1,500 km)
    Service ceiling: 29,000 ft (8,800 m)
    Rate of climb: 2,940 ft/min (14.9 m/s)
    Wing loading: 34.2 lb/ft² (167.1 kg/m²)
    Power/mass: 0.16 hp/lb (256 W/kg)
Armament
    Guns:
        2× 20 mm (0.787 in) Hispano or CAC cannons
        4× 0.303 in (7.7 mm) Browning machine guns
    Bombs: Could be fitted when the large drop tank was not carried




Vídeo:
Um voo de Boomerang




As muitas variantes do T-6

Existiram numerosas variantes do T-6, algumas das quais foram as seguintes:

•    NA-16 - protótipo inicial, com trem de aterragem fixo, sem carenagem e motor de 225 CV;
•    NA-16-1E - versão com trem de aterragem retráctil do NA-16;
•    NA-19/ BT-9 - 42 exemplares de instrução básica encomendados pelo Exército dos Estados Unidos e ali designados como BT-9;
•    BT-9A/ BC-1B - versão armada desenvolvida para o Exército dos Estados Unidos do BT-9, depois redesignado BC-1B;
•    NA-23/ BT-9B - versão com uma nova asa e nova cauda do BT-9A
•    NA-26/ BC-1 - redesenho do BT-9 com uma nova asa, nova cauda e fuselagem inteiramente em metal;
•    NA-33/ Wirraway - versão de reconhecimento armado do BC-1 produzida na Austrália e ali conhecida como Wirraway;
•    NA-56/ BT-9B - Versão para a China do BT-9;
•    NA-57/ BT-9B - Versão para a França do BT-9;
•    NA-41/ BT-9C - Versão para o Exército dos Estados Unidos;
•    NA-48 - Versão do NA-26 para a China
•    NA-58/ BT-14 - versão com a fuselagem inteiramente em metal para o USAAC
•    NA-64/ BT-14A - versão do BT-14 destinados à França
•    NA-49/ Harvard I - 400 exemplares do NA-26 destinados à RAF e ali designados Harvard I;
•    NA-59/ BC-1A/ AT-6/ SNJ-1/ Harvard II - versão com trem de aterragem retráctil do NA-48. Inicialmente designado no Exército Americano BC-1 e, depois, AT-6. Denominado SNJ-1 na Marinha dos EUA e Harvard II na RAF;
•    SNJ-2 - versão desenvolvida do SNJ-1;
•    NA-54/ BC-2 - desenho modificado do BC-1;
•    NA-77/ AT-6A/ SNJ-3 - desenvolvimento do NA-59;
•    NA-84/ AT-6B - versão de treino de tiro
•    NA-88/ AT-6C/ SNJ-4/ Harvard IIA
•    AT-16/ Harvard IIB
•    T-6D/ SNJ-5/ Harvard III - programa de modernização do AT-6 com nova cabina, nova hélice, nova roda de cauda e maiores tanques de combustível. Passou a denominar-se na Força Aérea dos Estados Unidos T-6D Texan;
•    NA-121/ AT-6F/ SNJ-6
•    NA-168/ T-6G/ SNJ-7 - modernização do T-6 iniciada em 1949 e denominada T-6G Texan pela Força Aérea dos Estados Unidos;
•    NA-186/ T-6J/ Harvard 4 - versão produzida no Canadá até 1954.



Links consultados:

http://www.passarodeferro.com
http://walkarounds.home.sapo.pt/
http://www.westhoustonsqdn.org/at6_pg.html
http://ex-ogma.blogspot.pt/2006/05/t-6-harvard-snj_18.html
http://especialistasdaba12.blogspot.pt/2013/11/voo-2946-voando-com-cruz-de-cristo.html
http://www.warbird-photos.com/gallery.php?Airshow=2012-MCASElToro-1
http://en.wikipedia.org/wiki/Portal:Aviation


VIDEOS (a não perder!):

T6 Formation
https://www.youtube.com/watch?v=oBSh8IWp5mg&feature=player_detailpage

How to Fly a T6 Texan
https://www.youtube.com/watch?v=bmcunqH4_88&feature=player_detailpage

North American AT-6 Texan Flyover - loud radial engine
https://www.youtube.com/watch?v=NI9ZiH6Sakg&feature=player_detailpage

Cel. Braga - NA T6 - PT TRB
Comandante Braga em 1990 da um show no Aeroclube de Catanduva nas comemorações do seu 50º anos.
https://www.youtube.com/watch?v=oONq85YtE7M&feature=player_detailpage

Coronel Braga (PT-TRB)
Por
Norte Verdadeiro
https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=pFbNANvyF00

Ultramar – Memórias de uma guerra
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qoxQuTvOm-M

AB4 – Henrique de Carvalho
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RpHEzXJemtU


North American T-6 Harvards at WoW'11
https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=ZRdZHJaiJCw
The New Zealand Warbirds Assn Harvard display team. These displays are from the Wings Over Wairarapa 2011 airshow and are available on DVD and Bluray disk from the HAFU website.

GoPro North American Harvard II (T-6 Texan)
N96281 Flight at Riverside Airport 2013
https://www.youtube.com/watch?v=sN8hFV_0dpM&feature=player_detailpage
This is Part 1 of 2 shot with my GoPro onboard the Harvard II (T-6). Recorded November 30th, 2013, I had an awesome flight in this North American Harvard II (T-6) at Riverside Airport, Riverside CA.

North American T6 Texan
https://www.youtube.com/watch?v=ML-TW8PJvec&feature=player_detailpage

Aviators 301 FREEview: WWII Pilot Training - T-6 Texan
https://www.youtube.com/watch?v=EUPrupq1SFo&feature=player_detailpage
Kurtis takes you back in time to see what it was like for young WWII pilots to fly in the legendary fighter, the P-51 Mustang. But first he has to earn his wings in a T-6.


Advanced Flight Training
With the AT-6 SNJ: Take-Offs, Approaches & Landings
https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=3UZmEhayBVI
A United States Navy Training Film 1953

Gene McNeely AT-6 Racing Texan in HD
https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=sa8HRVRywWk
Gene McNeely presents his racing North American AT-6 Texan with impressive style. Turn up the speakers as this race-tuned Pratt & Whitney R-1340-AN-1 Wasp radial engine (nominally 650 hp) sings like a opera tenor hitting a high C. This is what is known as a Buzz-job! The prop tips are going supersonic which makes the distinctive rasping noise. Gene is flying by at around 230mph but it seems a lot faster! Low and graceful with nicely executed aerobatics. Gene shows how it's done.
North American T-6 Texan (aka Harvard)

New Zealand Warbirds Association
https://www.youtube.com/watch?v=LCLSmv-rTmQ&feature=player_detailpage
One of the founding aircraft of the New Zealand Warbirds Association, this ex-Royal New Zealand Air Force North American T-6 Texan/Harvard (ZK-WAR) has undergone a change of colour scheme in recent years, and it now wears a US Navy scheme (in contrast to its previous RNZAF camouflage scheme)

The aircraft is shown here during a display at Ardmore Aerodrome, Auckland, New Zealand.
SNJ T-6 Texan aerobatics
At Culpeper Air Fest 2012- By Kevin Russo
https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=a_mBJ57N9Ok

Aeroshell Aerobatic Team
Flying in the T-6 Texan at the 2012 MCAS Cherry Point Air Show
https://www.youtube.com/watch?v=kKLzoeqvoT8&feature=player_detailpage
My flight with the Aeroshell Aerobatic Team during the 2012 MCAS Cherry Point Air Show in Havelock, NC on May 3, 2012. Flying AT-6 Texans, the Aeroshell team has been performing all over North America for over 25 years, amazing hundreds of thousands of spectators. For more information go to their website at www.naat.net. Special thanks to my pilot in T-6 #5, Gene McNeely, for the incredible experience. Also, a heartfelt thanks to 2nd LT Christina Peters (MCASCP Public Affairs Officer) and her team for their invaluable assistance throughout the show.

WWW.AVIATIONPHOTOJOURNAL.COM

Also, please check out my video of the overall air show on my YouTube channel.

AeroShell Aerobatic Team
AWESOME Flight Footage
https://www.youtube.com/watch?v=lI5wAXWKO1Q&feature=player_detailpage
I had the pleasure of flying with the world-renowned AeroShell Aerobatic Team at the 2013 Vectren Dayton Air Show. This was my second time flying with the team and it was just as exciting as the first. Special thanks to my pilot, Mark Henley, and to the entire team!

You can learn more about the AeroShell Aerobatic Team by visiting their website at www.naat.net


Harvard T-6 Texan during WW2
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6qbuwY_pqBw