sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Outras histórias - Italo Balbo nos Açores


A passagem da outra Esquadrilha de Italo Balbo pelos Açores, no regresso a Itália.




Chamo a atenção de que se trata da transcrição integral de um texto do Museu Carlos Machado de Ponta Delgada referente a uma exposição ali realizada em 2013



Podem ler a mesma história aqui neste link.


Segue-se então o texto da página do sítio do Museu na net:





Nos 80 anos da passagem pelos Açores da esquadrilha do Marechal Ítalo Balbo




Em 1933, sob o comando do Marechal Ítalo Balbo, ministro da aeronáutica de Benito Mussolini, realizou-se um “raid” com início em Orbetello e destinado a mostrar o vigor da Força Aérea italiana da época na Exposição Mundial de Chicago






A esquadrilha era composta por vinte e cinco aviões Savoia Marchetti S 55 X, tendo um, o I – BALDI, capotado à amaragem em Amestardão, só chegando a Chicago vinte e quatro aviões.



Na rota de regresso a Itália, realizou-se uma paragem nos Açores para repouso e reabastecimento tendo sido determinado, dada a dimensão das baías artificiais dos portos de Ponta Delgada e da Horta, que 9 aviões escalariam a Horta e os restantes 15 escalariam Ponta Delgada. Em ambos os portos estavam navios italianos de apoio à esquadrilha.



Foram organizadas recepções oficiais em ambas as cidades para os “valorosos aviadores” que, a 8 de Agosto de 1933, desfilaram em formação pelas ruas, perante o exuberante entusiasmo da população.



Na manhã do dia seguinte, postos a rodar os ruidosos motores “Isota Fraschini” dos aviões brancos, decorados com verdes e vermelhos, e igualmente perante uma entusiástica população que encheu por completo o “Aterro”, o “Cais do Clemente” e a Doca, iniciou-se a descolagem das máquinas voadoras, com Balbo ao comando no seu I-BALB.



Em Ponta Delgada, um dos últimos a descolar foi o I-RANI que tinha como tripulação o capitão, piloto Celso Ranieri, o tenente, piloto Enrico Squaglia, o serg., mecânico Luigi Cremashi e o serg. rádio tele. Aldo Boveri. Ao descolar, na corrida final, embateu numa pequena onda, o suficiente para o fazer capotar. Do acidente, para além da quase total destruição do avião, resultou a morte do piloto, tenente Enrico Squaglia. Às cerimónias fúnebres realizadas em Ponta Delgada, associou-se a população, manifestando o seu profundo pesar pela morte do jovem aviador.



Dos destroços do I-RANI perduraram até hoje dois dos três lemes de direção, que integram as coleções do Museu Carlos Machado.










Em 2012, foi realizado para o museu o modelo do I-RANI, à escala 1/8, pelo engº José Toste Rego e pelo sr. Carlos Rodrigues. Este barco voador monoplano de dois cascos é um Savoia Marchetti S 55 X, a décima versão deste avião que se tornou um ícone da aeronáutica italiana e que proporcionou grandes êxitos, tendo sido o primeiro aparelho europeu a alcançar a América por ar.





A realização do modelo do I-RANI foi baseada nos planos do Comandante Clair Ibersol Gonzalez, proprietário da “Casa da Balsa”, no Sul do Brasil. Por o plano ser do “Jahú”, o único Savoia Marchetti 55 existente e recentemente reabilitado, houve que fazer as alterações para o transformar no “I-RANI” que, apesar de manter as mesmas dimensões, era de um modelo com menos 10 anos, beneficiando de soluções mais modernas. As informações para estas alterações foram obtidas em literatura existente sobre este avião, em fotografias e em filmes da época.



No modelo do I-RANI, e por opção dos construtores, construiu -se a “nacelle” dos motores parcialmente carenada, não só para que os motores se vissem, como também para homenagear o Marquês “Francesco di Pinedoque por aqui passou em 1927, pilotando um Savoia Marchetti s 55, modelo C, denominado Santa Maria II.





Os meus agradecimentos ao Museo Carlos Machado pela publicação aqui deste texto e por ter preservado uma memória importanta da História dos primórdios da Aviação





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