quarta-feira, 26 de novembro de 2014

AVIÕES QUE VOEI - História do B 747




"Ridiculously easy to fly ...

It is a pilot's dream!

Really a nice airplane to fly"


(Jack Waddell, Piloto Chefe de teste do B 747)






O avião que mais gostei de voar!




 



O avião que pela primeira vez saiu da fábrica de Everett em 1968, era realmente gigantesco...








Quase tão comprido como um campo de futebol americano, com uma cauda de seis andares de altura, o seu peso de decolagem era quase o triplo do primeiro Boeing 707.


No dia 30 de Setembro de 1968 o primeiro 747 saíu da grande fábrica, “rolled out” em Everett perante uma multidão, a imprensa mundial e os representantes das 26 companhias de aviação que já haviam encomendado o avião. 


Quando, em 1966, a Boeing anunciou os planos do primeiro 747 "Jumbo Jet",
"a coisa" parecia demasiado grande para poder voar...









Os cépticos previram acidentes catastróficos, pistas esmagadas com o "peso excessivo" e terminais de passageiros paralisados.


Em meados de 1960 o transporte aéreo crescia exponencialmente estimulado pela introdução do Boeing 707, o primeiro avião a jacto de sucesso, em 1958. Para atender à crescente procura, o presidente da Pan American Airlines Juan Trippe pediu à Boeing um novo avião que pudesse transportar 400 passageiros - duas vezes a capacidade do 707.



O timing foi perfeito...


A Boeing tinha recentemente visto ser preterido num concurso publico um projecto de um grande avião para substituir o cargueiro C-5 da Força Aérea Americana. Embora a Boeing tivesse perdido o concurso para a Lockheed, tinha na mão a tecnologia e a experiência de design para dar a Trippe o avião que ele queria. Em 1966 a Pan Am encomendou 25 747s. Um orçamento  de 550 milhões de Dólares.





 


Até aí o investimento da Boeing no 747 era já superior a mil milhões de Dólares.

Se o avião falhasse, levaria a empresa ao fundo com ele.









 






A Boeing tinha rejeitado um projecto para um avião de dois andares por causa de problemas de evacuação de passageiros a partir do deck superior. Optou por uma cabina de dez lugares lado a lado com dois corredores na cabine principal, o primeiro "wide-body” do mundo.




Assinatura visual do 747, o cockpit montado na parte superior, foi projectado para que possíveis futuras versões de cargueiros pudessem ser carregados através do nariz, levantando-o.








Os motores do 747 também foram revolucionários.


Os Pratt & Whitney JT9D high-bypass turbofans, projetados especificamente para o 747, eram mais poderosos, eficientes em termos de consumo de combustível e mais silencioso do que qualquer motor de jacto comercial de sempre.

A Boeing concordou em entregar o primeiro 747 da Pan Am até o final de 1969. A data de entrega dava 28 meses para projectar a aeronave. Eram dois terços do tempo normal. O cronograma foi tão rápido que às pessoas que trabalharam nele foi dada a alcunha de "The Incredibles".

Quando o presidente da Pan American Airlines, Juan Trippe, após analisar os projectos da Boeing com base num avião militar falhado, encomendou os 25 747s, não imaginava que estava a fazer uma encomenda histórica mas sabia seguramente que era um alto risco.


A comenda foi na verdade tão grande que teve de congregar os esforços combinados de 50 mil funcionários da Boeing para primeiro construir um enorme hangar com mais de 200 milhões de pés cúbicos antes que pudessem sequer começar a construir os aviões.


Em 1966, depois de ter assinado um contrato no valor de US $ 525 milhões com a Pan Am, a Boeing comprou 780 hectares de terra a
cerca de 30 milhas (48 km) para norte de Seattle numa área confinante com uma base militar em Paine Field, próximo de Everett, Washington

Nenhum edifício existente poderia acomodar instalações de tal tamanho, sem precedentes, de modo a construir o 747, o maior avião do mundo.



 











 


A Boeing teve que construir pois a maior fábrica do mundo. Só para nivelar o terreno, mais de 3,1 milhões de m³ de terra tiveram de ser transferidos.





O tempo para o construir era tão curto que o mock-up do 747
foi construída antes de o telhado de fábrica que o cobriria estivesse terminado.
 

É ainda hoje o maior edifício em volume já construído e foi substancialmente ampliado várias vezes para permitir a construção de outros modelos da Boeing wide-body jactos comerciais. Com uma área útil de 398.000m² e um volume de 13.385.378m³, a fábrica da Boeing em Everett ainda é o maior prédio do mundo.


Antes do primeiro 747 estar totalmente montado, começaram a fazer-se testes em muitos componentes e sistemas. Um teste importante envolveu a evacuação de 560 voluntários de uma cabine de treino, mock-up, por mangas de emergência.

A primeira evacuação com “cabina cheia” levou dois minutos e meio, em vez do máximo de 90 segundos obrigatórios por directiva da Federal Aviation Administration (FAA), e vários voluntários ficaram feridos. Evacuações de teste subsequentes conseguiram o objectivo dos 90 segundos mas causaram mais lesões. O mais problemático foi a evacuação do andar superior da aeronave, o upper-deck.


Em vez de utilizar uma manga convencional, “passageiros” voluntários escaparam usando um arnês ligado por um cabo a uma roldana com travão de descida.


Os testes também envolveram o treino de taxiar uma aeronave tão grande. A Boeing construiu um dispositivo de treino incomum conhecido como "Wagon do Waddell" (nome do Chief Test Pilot do 747, Jack Waddell), que consistia em num cockpit, mock-up, montado no telhado de um camião. Enquanto os primeiros 747 ainda estavam a ser construídos, o dispositivo permitiu aos pilotos praticar manobras de táxi a partir de uma posição elevada em relação à pista.


O 747 obteve a sua certificação de navegabilidade do FAA em Dezembro de 1969. Estava pronto para voar comercialmente. 


Não havia avião mais espaçoso, interiores com mais classe e projectos mais ousados.









Aqui estão alguns dos interiores de cabine que foram montados nos Boeing 747 na década de 1970.


Eles são realmente incríveis. Uma realização de há mais de 40 anos...



 



 

Configuração sem bagageiras mas com Assistentes com quem eu teria tido muito gosto em ter voado...
 







 






Os primeiros voos  da Pan Am em 747 começaram em 1970.












No dia 15 de Janeiro de 1970, a primeira-dama dos Estados Unidos Pat Nixon baptizou o  primeiro 747 da Pan Am no Aeroporto Internacional de Dulles (mais tarde Washington Dulles International Airport), na presença do presidente da Pan Am Najeeb Halaby.






Em vez de champanhe, pulverizaram sobre o avião água vermelha, branca e azul.



O 747 entrou em serviço em 22 de janeiro de 1970, na rota Nova York-Londres da Pan Am; o voo fora planeado para a noite de 21 de Janeiro, mas o sobreaquecimento de um motor originou a substituição do avião. Preparar um substituto atrasou o voo por mais de seis horas, para o dia seguinte.














Mas o 747 calou logo a seguir os críticos encaixando quase perfeitamente em aeroportos e terminais de todo o  mundo. Apesar dos receios iniciais de catástrofes em massa, o 747 alcançou imediatamente um excelente nível de operacionalidade e segurança.











Num 747 400



Até ao fim de 2005, 1365 747s foram entregues a 80 clientes diferentes.


Transportou 3,5 mil milhões de passageiros, o equivalente a mais de metade da população do mundo.



Como exemplo da complexidade de um avião como este, vejam o sistema de armazenamento e gestão do combustível:




O meu carro, 5 litros aos 100, fazia, com este combustível, 4.320.000km. Bastava encher o depósito uma vez para me durar umas 4 vidas, pelo menos...
  







O Airbus A380 pôs fim ao reinado do 747 como o gigante dos céus.





Não sei porquê, visto de frente faz-me lembrar um conhecido...




 (Peço desculpa a quem me lê mas este não é um blogue de cariz técnico, é somente o meu blogue...
No início doas anos 70, ao ver o Concorde estacionado junto á vedação do Aeroporto da Portela, um miudo ao meu lado, uns 7 anos de gente, também comentou: "Parece um pássaro triste"...)


  Mas o título de avião comercial mais importante da história pertence ao 747.

 





No já longínquo dia 9 de Fevereiro de 1969, uma grande multidão apinhou-se em  Everett, estado de Washington para ver o primeiro voo do avião que inaugurou uma era de viagens aéreas em massa e cada vez mais baratas, o Boeing 747.

O voo do protótipo do Boeing 747 durou apenas 75 minutos, mas foi o suficiente para convencer os espectadores de que aquilo que o 747 prometera era realmente possível: o transporte de um grande número de pessoas num grande avião. Este, lembre-se, foi o primeiro avião wide-body já produzido.








 

Mais significativo das qualidades de voo deste magnífico avião foram as primeiras palavras que o Piloto Chefe de Testes Jack Waddell disse ao descer as escadas e depois de dar um beijo à sua mulher:


« - Ridiculously ease to fly.
It is a pilot’s dream.
Really a nice airplane to fly »



 O outro Piloto de Teste foi Brien Wygle. Desconheço o nome do Técnico de Voo


Com mais de 1.500 aviões encomendados até à data, é o mais bem-sucedido wide-body de sempre. Mais impressionante ainda são os números de passageiros.

Desde o seu primeiro voo comercial em 1970, já transportou cerca de quatro mil milhões de passageiros, o equivalente a mais de metade da população mundial actual.


O Boeing 747 é o primeiro avião comercial widebody já produzido, muitas vezes referido pelo apelido de "Jumbo Jet". É dos aviões  mais reconhecível do mundo. Fabricado pela Boeing Commercial Airplane nos EUA, a versão original do 747 é duas vezes e meia o tamanho do Boeing 707, um dos grandes aviões comerciais comuns da década de 1960. Primeiro voado comercialmente em 1970, o 747 deteve o recorde de capacidade de passageiros por 37 anos.



Nota:
Um momento de grande emoção na longa história da Companhia Israelita EL AL foi registado no dia 24 de maio de 1991, quando um Boeing 747 transportou um número recorde de pessoas num só voo - 1.087  judeus de Addis Ababa, Etiópia, para Israel.


O voo fazia parte da Operação Salomão, um repatriamento de emergência. Na operação, cerca de 51 mil imigrantes foram evacuados da Etiópia. 



 
O 747 de quatro motores usa uma configuração de dois andares numa parte da sua cabina. Está disponível também como cargueiro e outras versões. A Boeing projetou o upper deck do 747 em forma de corcunda para servir como um salão de primeira classe ou (como é a regra geral hoje) assentos extra, e para permitir que a aeronave seja facilmente convertida num cargueiro com a remoção de assentos e instalando uma porta de carga dianteira .
 
Previa-se que o 747 se tornasse obsoleto depois vendidos 400 aviões mas superou as expectativas dos seus críticos com a produção ultrapassando a marca dos 1.000 aviões em 1993. Em Outubro de 2008, 1.409 já tinam sido construídos, com mais 115 em várias configurações encomendados.




Actualmente a versão mais comum de avião de passageiros da Boeing em serviço é o 747-400. Tem uma velocidade de cruzeiro de Mach 0,85-,855 (até) com um alcance intercontinental de 13,450 km.


A versão 747-400 de passageiros pode acomodar:

- 416 passageiros numa disposição típica de três classes

- 524 passageiros em uma disposição típica de duas classes, ou

- 660 passageiros em uma configuração de alta densidade de uma classe.






A mais nova versão do avião, o "747-8",







...está em produção e recebeu a certificação em 2011. As entregas do 747-8F versão cargueiro para o cliente lançador do modelo, a Cargolux, começaram em Outubro de 2011.

A versão do 747-8 foi anunciada pela Boeing em 14 de novembro de 2005. Conhecido como o 747 Advanced antes do seu lançamento, o 747-8 usa o mesmo motor e tecnologia do cockpit do 787, por isso o uso do "8". A variante foi projetada para criar um avião  mais silencioso, mais económico e mais ecológico. A fuselagem do  747-8 foi alongada entre 7,08-7,64 m, marcando a primeira variante com alongamento do avião. Está equipado com reactores General Electric GEnx-2B67.




Gabinete de trabalho do 747-8
 



As entregas da versão de passageiros 747-8I à Lufthansa começaram em Maio de 2012.



O 747 deve ser substituído pelo Boeing Y3 (parte do Yellowstone Boeing Project ) no futuro.

Yellowstone é um projeto da Boeing para substituir seu portfolio inteiro de aviões com uma nova tecnologia avançada.





 







O avião tem tido inúmeras versões para outros tantos tipos de utilização diferentes.




Alguns exemplos:






Nunca foi produzido. Ainda bem...  





747 - 300 trijacto




















Boeing B747-100


 










Boeing B747 SP
 




Boeing B747-100

 





Boeing B747-400

 





Boeing B747-800
 






Boeing B747 LCF





Um dos mais conhecidos, o VC-25 - Este avião é a versão do 747-200B da Força Aérea dos Estados Unidos para VIP. A Força Aérea dos Estados Unidos opera dois deles em configuração VIP como o VC-25ª, matriculados 28000 e 29000. São popularmente conhecido como Air Force One, que é tecnicamente o indicativo de tráfego aéreo para qualquer aeronave United States Air Force levando o Presidente dos Estados Unidos. Embora baseado no design do 747-200B, incluem várias inovações introduzidas no 747-400. Os aviões foram parcialmente concluídos em Everett, Washington e depois levados para Wichita, Kansas, para o equipamento final.














Boeing 747SP



Ao 747SP foi concedido um certificado suplementar em 4 de Fevereiro de 1976, e entrou em serviço através da Pan Am e da Iran Air no mesmo ano. O desenvolvimento do 747SP resultou de um pedido conjunto entre a Pan American World Airways e Iran Air, que estavam à procura de um avião de passageiros de alta capacidade com alcance suficiente para cobrir rotas da Pan Am New York-Médio Oriente e da Iran Air Tehran-New York. A rota Tehran-New York, quando lançada, era o mais longo voo comercial non-stop no mundo. O 747SP é mais curto do que o 747-100. Eliminaram-se seções da fuselagem na frente e atrás da asa, e a seção central da fuselagem foi redesenhada para conseguir unir as secções adjacentes.













Boeing 747 Dreamlifter


O Boeing 747 Large Cargo Freighter-LCF é uma versão do Boeing 747-400 especialmente modificado para transportar grandes peças para a montagem do Boeing 787.










E como numa "Aventura no Espaço" ,  foi o transportador do Space Shuttle:


















Numa próxima história contar-vos-ei "o caso" de um grande amor.


O que eu tive com este avião...





 Não deixem de ver estes Vídeos

  > Primeiro voo de teste do b747:
      Vídeo 1
      Vídeo 2

  > Vídeo do Airbus A380        
  > Vídeo do primeiro voo do Airbus A380  



Esta história foi escrita com textos traduzidos e adaptados destes e de outros  sítios:





A Wikipedia, claro


http://jpbtransconsulting.com/2014/01/18/the-pan-am-series-part-xxii-the-boeing-747/1968-ar-747-5




(Actualizada em 14 de Janeiro de 2016)



1 comentário:

  1. A cabine sem bagageiras centrais mas com Assistentes é a de um L-1011 ;)

    ResponderEliminar